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quinta-feira, 10 de março de 2011

Ejaculação Precoce

Eram 15h10 de uma tarde de quinta-feira onde o sol aparecia surpreendendo a todos, quente e altivo. Surpresos estava os paulistanos, visto que depois de quatro dias carnavalísticos, este mesmo sol maroto, se quer, havia dado as caras. Pois bem, hoje ele escolheu a Rua Augusta como local de retorno. Os transeuntes paulistanos acostumados - mas ainda assim surpreendidos - estavam com suas blusas e guarda-chuvas, Inúteis.

Eu, querendo estrear a blusa que ganhei de presente da minha irmã, também fui surpreendido por esse calor indeciso. Eu, de birra, não a tirei, e sabem por que? Por dois motivos. O primeiro é que ela não era uma simples blusa, mas uma blusa cor de tangerina. Isso mesmo, chamativa e altiva, disputava com o sol o calor que emitia. Nunca fui fã de cores chamativas, mas aquela blusa em especial era idêntica a que o personagem Nicolas ganha no filme "Amores Imaginários". Não obstante, o destino sensibilizou a minha irmã e persuadiu-a a dá-la de presente à mim. Eu, sem delongas, aceitei.

O segundo motivo é que eu estava apenas com ela, combinada com uma bermuda jeans acima do joelho e um tênis iate. Todo largadinho aguardando o início da sessão de "Bruna Susfistinha". Dei-me o dia de folga no trabalho e fui vê-la, sozinho. Estava me sentindo lindo com meus cachos intencionalmente caindo sobre os olhos. Intenção esta que provocou vários flertes no decorrer do dia, os quais eu conto depois, pois o foco do post e outro.

SEXO AO VIVO

Caminhando na Rua Augusta, sentido Av. Paulista, eu já havia desistido de procurar o chapéu panamá que tenho tanto desejo. Não vendia em nenhuma loja - Até vendia, mas os R$199,00 estipulados pela Lacoste da Oscar Freire estavam além de meu orçamento - e conformei-me em comprá-lo em outra ocasião. No entanto, continuei a degustar visualmente os apetrechos alternativos que a Rua Augusta me oferecia.

Lojas com roupas de cortes diferentes, lojas com camisetas alternativas, restaurante mexicano, restaurante japonês, barzinhos, bancos, lojas de roupas básicas, lojas de discos, uma galeria...
... uma galeria. Não era apenas uma galeria. Álias, deixou de ser uma galeria por alguns segundos e tornou-se apenas uma moldura. Tudo tornou-se moldura naquele momento. Estava ele - que se quer sei o nome, mas nomearei-o de "Oh!" - com seus prováveis 25 anos de cabelos castanhos escorregando sobre óculos quadrados de armação grossa que protegiam seus olhos igualmente castanhos. Vestia uma camisa social azul clara, uma calça jeans justa e surrada e calçava mocassim marrom, descansando-os sobre uma segunda cadeira de forma preguiçosa e altamente sensual. Despojado e descompromissado. Suas mãos seguravam um livro de capa dura vermelha, antigo, provavelmente era algum de literatura brasileira ou inglesa.
Será que ele tinha o noção o quão naturalmente lindo ele estava?

Foram os três segundos mais sexuais da minha vida.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Os Sonhadores - Política, Sexo e Cinema

" Eu li na Cahiers Dú Cinema que o cineasta é um espreitador. Um voyeur. Como se a camera fosse o buraco da fechadura do quarto dos seus pais. Você os espia, fica enojado e sente-se culpado, mas não consegue desviar o olhar. Os filmes são crimes e os diretores, criminosos. Devia ser ilegal. 
- Lá se foi a minha chance de ser cineasta. 
- Por que? 
- Porque meus pais sempre deixaram a porta aberta."
Diálogo de Os Sonhadores

Durante esse mês tenho discorrido bastante sobre o amor e o molde cultural dos relacionamentos amorosos. Aquele modelo onde um indivíduo apaixona-se por outro indivíduo, casam-se, constroem uma casa, formam uma família e compram um cachorro. Aquela típica familia perfeita de comercial de margarina. Um molde imposto culturalmente durante séculos e reforçado como o Caminho da Felicidade pelo cinema norte-americano. Pois é, a felicidade dá-se pela concepção de fazer uma familia e envelhecer cheio de filhos, netos, bisnetos e seu parceiro do lado. Velhinhos e juntos. Sem adultérios, divórcio e respeito constante. O Cinema norte-americano sempre reforçou esse molde de relacionamento perfeito. Porém, como sempre, o Perfeito é (a grande maioria das vezes) inalcançavel. E, sem querer ser repetitivo, perfeição é interpretativo, certo? Depende da sua interpretação!

Comecei o ano com um vício delicioso: O cinema francês. A França é, de fato, o berço do cinema visto que em 28 de dezembro de 1895, no subterrâneo do Grand Café, em Paris, os Irmãos Lumiére realizaram a primeira exibição pública e paga de cinema - uma série de dez filmes, com duração de 40 a 50 segundos cada. Consolidou-se como a capital do cinema no início da contestatória e revolucionária década de 60, com a inserção do movimento artístico do cinema francês chamado Nouvelle Vague, que transgredia as regras aceitas no cinema comercial com intransigências narrativas, pouco apoio financeiro e a incorporação de estilos da Pop Art ao teatro épico, utilizando textos de Balzac, Manet e Marx.  Possuía um questionamento novo, um erotismo pungente e um romantismo tragicômico. Era arte em suas ultimas conseqüências. Os cineastas mais relevantes desse movimento são Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol e Eric Rohmer

E é dessa quebra de moldes que se evidencia o amoralismo humano - amoral não é imoral, não confunda - e a concepção de vida rasa e ilusória, muitas vezes, divulgada pelo cinema Norte-americano. Nossa vida é pungente e tem a necessidade de ser lascinante. "Pungente" não no sentido pejorativo, mas em sua vivacidade, em viver na sua profundidade. Somos Humanos. As influências do Cinema Francês criou vários Menage-a-trois famosos como Jules e Jim, Os Sonhadores, Amores Imaginários, Vicky Cristina e Barcelona, E sua Mãe Também e Dona Flor e Seus Dois Maridos. Relacionamentos imorais visto de uma ótica humana amoral. Essa semana revi um dos extases cinematográficos e uma das pouquíssimas obras-primas dos ultimos anos: Os Sonhadores (2003), de Bernado Bertolucci

O ano de 1968 foi o percursor de enormes mudanças no cenário mundial. Explodiu o movimento hippie, os questionamentos frente à banalidade da Guerra do Vietnã e a liberdade sexual. Tudo isso veio de uma vez e teve sua maior representação na juventude politizada da França. Essa ideologia foi inspirada por nada menos que clássicos cinematográficos da Nouvelle Vague. Essa moção dos franceses inspirou o resto do mundo a lutar pelos seus ideais e direitos, lutando contra a repressão política na ascensão da liberdade de expressão. Podemos considerar o início dessa revolução a partir de um episódio ocorrido em Fevereiro de 1968. O governo francês fecha a Cinématèque Française e demiti o seu fundador, Henri Langlois, acusado de, com sua programação variada, incitar a libertinagem política e sexual. Estudantes e Cinéfilos certinhos unem-se em manifestos contra a ação tomada. E é do descontentamento inicial cinéfilo desses estudantes de Nanterre e outras universidades que criou-se uma das mais importantes revoluções contra o regime político francês.

É nesse pano de fundo que o diretor Bernardo Bertolucci (O Ultimo Tango em Paris) conta a história do americano Mathew (Michael Pitt), que ao instalar-se em Paris para estudar francês, conhece os irmãos Isabelle (a fabulosa Eva Green) e Théo (Ninguem menos que Ele, Louis Garrel). Convidado a morar com os gêmeos enquanto pais viajam, Mathew adentra na estranha ligação incestuosa e dependente dos dois irmãos. Essa união triangular tem como verticie a paixao pelo cinema e descoberta pela à sexualidade.

Deixando de lado as atuações viscerais de uma Eva Green sensual e erótica, equilibradamente romântica e misteriosa, e um Louis Garrel (Esse ator me desnorteia, sério!) bonito, inteligente, charmoso e manipulador - Segundo Bertolucci, ele percebia de primeira o que o diretor queria -; Deixando de lado também uma trilha sonora impecável com Janis Joplin, Jimmy Hendrix, The Doors, François Hardy (Wow!) e Edith Piaf (Wow 2x), Bertolucci usa de montagem delirante ao contrapor cenas de filmes antigos numa brincadeira cinéfila entre os três jovens. Usa Luzes da Cidade de Chaplin, A Vênus Platinada com Marlene Dietrich, Os Incompreendidos, de Truffaut, O Picolino, com Fred Astaire e, para encher seus olhos de lágrimas de emoção, refilma a cena de Bande à Part, de Godard, onde os três tentam bater o recorde de 9min45s em uma corrida no Louvre. É de parar o coração!

Toda essa conversa cinematográfica combinada com discussões revolucionárias maoistas, divergências políticas e uma constante descoberta sexual. Mathew passa a ser o intermédio do incesto proibido e nunca consumado de Théo e Isabelle. Ele, o aparentemente mais ingênuo dos três é que percebe a vida infantil e dependente que prenderam-se (Como simbolismo, mostra a depilação que Isabelle submete Théo e vice-e-versa). Uma falta de limite que pode ser interpretada como infantil, mas que possibilita questionamentos , novas visões e uma expansão de pensamento. 

Bertolucci participou dessas manifestações e conta que viu grandes personalidades culturais como Godard e Truffaut serem empurrados pelos policiais, onde ouvia-se "Films, pac flics" (Filmes, não policiais) ecoando pelas ruas de Paris. Sua intenção de verossimilhança no filme para a realidade é o convite feito aos atores Jean-Pierre Kalfon e Jean-Pierre Leaud que discursaram de verdade na manifestação à Cinématèque e leram (de novo) o panfleto escrito por Godard em 1968. Bertolucci disse que estava "recuperando o que não tinha feito" ou vivido em sua intensidade em sua juventude. O final proposto é aberto deixa claro que o "controle" não existe. É o cinema sem intenções de ludibriar, apenas na intenção de fazer-se pensar. Deixa de ser um instrumento de entretenimento e passa a ser difusor de conhecimento e questionamento na expansão do ser humano.

Ao terminar de assisti-lo, sinto-me revigorado, mas tão perdido quanto Théo, Isabelle e Mathew: Um desespero de ter tanta VIDA em minhas mãos e não saber direito o que fazer com ela.


"A diferença entre Keaton e Chaplin é a mesma entre a prosa e a poesia. A aristocracia e o vagabundo, a excentricidade e o misticismo, entre o homem como maquina e o homem como anjo" - Diálogo de Os Sonhadores

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Bela da Tarde,

"A imaginação é o nosso primeiro privilégio, tão inexplicável como o acaso que a provoca." - Luiz Buñuel

Nunca escondi minha paixão e o enorme tezão que sinto ao assistir algum filme de Stanley Kubrick. Mais que um diretor de obras-primas, tenho por ele uma ligação sentimental. "Laranja Mecânica" foi o primeiro filme clássico que assisti e o total responsável pela minha entrada no "Cinefilismo". Juntos com ele, a sensibilidade de Charles Chaplin e o existencialismo de Ingmar Bergman dividiam o posto no meu coração e na minha mente como os Melhores Diretores do Mundo, equiparados e equilibrados. Obviamente Lars Von Trier, Billy Wilder, David Lynch, Federico Fellini, Hitchcock, Godard, Kurosawa entre tantos outros, são fantásticos, mas aqueles três em especial faziam-me viajar ainda mais. Esses dias comprei dois filmes de um diretor que sempre me fascinou, mas a dificuldade em achar seus filmes me impedia de conhecê-lo melhor. Hoje, ele já dividi um espaço com o Kubrick, Bergman e Chaplin: Luiz Buñuel.
Aclamado pela crítica e sempre envolto a constantes escândalos devido a temática de suas obras, o mexicano Luiz Buñuel foi um dos principais representantes do Manifesto Surrealista. Ele, junto com Salvador Dalí, René Magritte e Antonin Artaud popularizaram o movimento. Buñuel era Anti-clerical, ateu e machista. Gravou seu primeiro filme "Um Cão Andaluz" em parceria com Salvador Dalí. O filme era um sutil e evidente ataque a Gabriel Garcia Lorca, antigo amigo de faculdade de quem haviam se afastado devido a aversão que Buñuel tinha a homossexualidade do poeta e da complacente amizade entre Dali e Lorca. Em "Um Cão Andaluz" vemos Burros dentro de pianos, mãos sendo cortadas, seios, metamorfoses visuais e a famosa cena que um globo ocular é cortado na navalha... A estética surrealista ganhou o cinema e, Luiz Buñuel, o mundo.

Dentre sua filmografia, já havia assistido "O Anjo Exterminador", "Viridiana", "A Idade de Ouro", "Um Cão Andaluz" e "Escravos do Rancor". Surpreendi-me em todos os sentidos com uma verdadeira viagem cinematográfica que personificava o meu inconsciente. No final de semana passado, assisti "A Bela da Tarde", o filme mais conhecido do diretor. Representando sua fase mais madura a qual consolida-se o "Estilo Buñueliano", formando uma maca registrada e cumplicidade com o espectador que, fã ou não, sabe exatamente o que esperar - ou, no caso de Buñuel, o que não esperar - da narrativa do filme. Carregado de um absurdo muito bem amarrado, "A Bela da tarde" é baseado no romance do escritor Joseph Kessel, onde a pesonagem Séverine (Catherine Deneuve) sonha com olhos abertos. Ela possui um casamento sólido com um bonito e rico cirurgião parisiense burguês. Porém este relacionamento não a satisfaz sexualmente, levando-a a freqüentar um bordel de luxo dirigido por Madame Anais, trabalhando como prostituta.

Título: "Belle de Jour", 1967
Direção: Luiz Buñuel, França/Itália

Séverine sonha com os olhos abertos. Quando ela fixa o olhar em determinado ponto, o que ela vê não é necessariamente o que está diante de seus olhos, mas uma cegueira iluminada de imagens e vontades sexuais que permeiam seu inconsciente. Ela descansa o olhar naquilo que está oculto, mas que sua mente perversamente sexual interpreta. Durante a noite, ela sonha com fetishes sexuais: Humilhação, estupro,  necrofilia entre tantos outros. E os sonhos e subjetividades misturam-se com a prostituição que ela vivencia nas tardes. Suas vontades e submissões, às vezes tão absurdas, chegam a confundir o espectador se o que acontece é sonho ou realidade. É ambíguo. A única certeza que temos é que aquele é o desejo de Severine, ou até mesmo a nosso desejo não declarado. Ou melhor, não admitido. A partir dessa concepção nasce a pergunta "Se ninguem pudesse saber, até que ponto eu chegaria para satisfazer meus desejos sexuais?".

Assim como muitas pessoas, eu tinha preconceito a lugares destinados a entretenimentos sexuais. Saunas, Cinemas, parques, casas de swing e qualquer lugar de cunho exclusivamente sexual. Promiscuidade, doença, AIDS e problemas psicológicos: é dessa forma que muitos rotulam os adeptos a esse tipo de diversão. O que muitos rotuladores não tem conhecimento, é que este tipo de lazer é mais freqüente que o imaginado. Homens e mulheres, tios e sobrinhos, pais ou filhos... Temos mais "Belas e Belos da Tarde" do que imaginamos. E muitas são pessoas incríveis, equilibradas e de um caráter invejável. Somos Humanos. Somos Sexo, fome e excrementos. Somos vontades e sentimentos. Somos um equilíbrio desequilibrado. Produzo 1,5 milhões de espermatozoides diariamente, me masturbo e tenho pensamentos obscenos e "doentis". Todos nós temos.

Não sou adepto a esta prática. Talvez por medo, talvez por falta de tempo ou até talvez por perfil. Não me vejo em tais lugares. Oportunidades eu tive, todas recusadas, mas ainda não descartadas. Por ora, Séverine será meu veículo para me abandonar de mim mesmo e entregar-me ao devaneio sexual. Observo-a enquanto ela vive seus sonhos ou pesadelos. Assim como eu, de olhos bem abertos, que é a maneira de se sonhar no cinema.


"Não Gosto dos donos da verdade, quaisquer que sejam eles. Assustam-me e me entediam. Sou fanaticamente anti-fanático." - Luiz Buñuel

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Pecado Mora ao Lado

"Clube Glória, 14 de Novembro, 02:20 da manhã
O som era tão alto e contagiante que eu tinha a impressão que ele era o responsável por bombear sangue para o meu corpo. Curiosamente as batidas do meu coração equipararam-se com o Tuntstunts da balada. Alí eu sentia-me a vontade como em nenhuma outra. Rodeado pelos sofás dourados e logo abaixo de um teto especial ilustrado pela estilista Fábia Bercsek, eu dançava feito um bobo, como se não me importasse com o que pensariam. A leveza combinou-se ao relacionamento sério que estou vivenciando com o menino que inspirou o post "A Fagocitose", logo abaixo. Ele não pôde ir, mas cobrava-me, não declaradamente, fidelidade. Como eu não ia ficar com ninguem, não ligava de bancar o bobo dançarino, combinando o balé clássico com Street Dance.
No intervalo de uma música, fui atingido por um olhar. Um pouco mais alto que eu, cabelos volumosos e cacheados que emolduravam um rosto quase andrógeno. Uma camisa branca semi-aberta, calça skinny e um mocassim roxo da moda. Ele era a personificação física do meu modelo de beleza, lindo! Ao cruzarmos os olhares ele sorriu. Podia sentir seus olhos me desejando. Uma eletricidade sexual dominou meu corpo. Ele aproximou-se..."

Há anos eu tinha vontade de conhecer a balada Clube Glória. Considerada uma das cinco principais baladas paulistanas que inspiram editoriais de moda, junto com VEGAS, A LÔCA, THE WEEK e D-EDGE, o CLUBE GLÓRIA foi montado a partir de uma antiga Igreja no bairro do Bixiga. Possui uma decoração assinada por Fábia Bercsek e Rita Wainer e, duas sextas de cada mês, a festa é de ninguém menos que  Alexandre Herchcovitch. O público é formado por alternativos, cults e fashionistas. Cabelos enroladinhos, óculos de armação grossa e um alternativismo exacerbado por todos os lados. Meus olhos brilhavam. Eu, agnóstico convicto, descobri que, se existisse céu, era alí! Porém, tudo isso cairia por terra. Eu estava comprometido e naquele momento, moralmente, nada deveria me importar.

No dia anterior, assisti com a minha mãe o filme "O Pecado Mora ao Lado" (The Seven Year Itch), de 1954. Talvez você nunca o tenha assistido, mas com certeza lembrar-se-á dele. Este filme ficou famoso pela cena onde a mulher mais sexy do planeta tem a saia levantada por uma lufada de vento produzido pelo metrô de Nova York. Marilyn Monroe foi iconizada para sempre, tanto como atriz como símbolo sexual. Baseada na peça de comédia sexual escrita por George Axelrod, o filme é produzido por ninguém menos que BILLY WILDER (Quanto Mais Quente Melhor e Crepúsculo dos Deuses).

Em 1955, era quase impossível filmar uma comédia sexual no porte de "O Pecado mora ao Lado". Isso por que o Hayes Office, um departamento de censura prévia às grandes produções de Hollywood, faziam vista grossa com roteiros, falas dos personagens e figurinos. Em conjunto com a Legião Católica, contraíram uma força de censura e manipulação midiática incrivel . Inúmeras Obra Primas atuais, foram esfoladas na época. Obras como "Gata em teto de Zinco Quente" ou "Um Bonde Chamado Desejo" eram censuradas até o talo. Embora "O Pecado Mora ao Lado" pareça inocente nos dias de hoje, na época era uma revolução sexual. Ainda mais por contar com a participação de Marilyn Monroe, que era o simbolo da mudança na moral sexual da época. A cena do metrô levantando a sua saia, que eternizou-a, infelizmente foi MUITO cortada. Os dois motivos foram: A censura do Hayes Office e a impossibilidade de uso por "falha técnica". A comoção e movimentação popular em Nova York durante a gravação da cena foi tão grande, que as filmagens ficaram inutilizáveis devido a gritaria. Joe Dimaggio, atual marido de Monroe na época, ficou tão irritado que após as filmagens os dois brigaram e, três semanas depois, ocorreu a separação. Tantos problemas pessoais e a utilização de tranquilizantes pesados não eram visíveis no sorriso travesso e sexual de Marilyn Monroe.

Billy Wilder sempre desafiava a censura. Utilizou da Homossexualidade em "Quanto Mais Quente Melhor" e o alcoolismo em "Crepúsculo dos Deuses". Em "O Pecado Mora ao Lado" utilizou do adultério na comédia, argumento proibido no Hayes Office. Decupou até não poder mais o roteiro, mas conseguiu fazer uma Obra-Prima do cinema.

Essa semana, assisti outros dois filmes, "Cartas Para Julieta" e "O Poder do Ritmo". O que eu pude perceber nesses dois filmes foi a expectativa da traição. Neles, a menina namora um indivíduo que não lhe dá o valor que merece e, então, conhece o mocinho e apaixona-se. Durante o filme, queremos que ela largue logo o namorado bobão e caia nos braços do mocinho apaixonado adultero. Nestes casos, o adultério é perdoável... Será!? Não sabemos da totalidade da história. Não sabemos o lado do namorado bobão. Na novela "Viver a Vida", queríamos que a personagem de Letícia Spiller comete-se o adultério.  Irrita-me essas histórias onde a uma dualidade exacerbada do Bem e do Mal.

Não podemos julgar traições. O Adultero não é "malvado" em sua totalidade, assim como o traido não é a vítima. Não sejamos hipócritas, todos temos nossas motivações.

"Clube Glória, 14 de Novembro, 02:25 da manhã
- Oi - Ele disse-me ao pé do ouvido. A música estava alta.
- Oi - Sorri amigavelmente. Ele era lindo!
- Você dança muito bem - Sorriu
- Haha, você está me zuando? Estou dançando feito um bobo.
- De jeito nenhum. Você é lindo e dança muito bem. Está acompanhado?
- Sou comprometido.
- Ele está aqui agora?
- Não.
- Então me beija.
- Não, mil desculpas. Você é lindo mas eu gosto demais dele.
Segurei sua nuca e dei um beijo em sua bochecha. Olhei-o e sorri. Ele sorriu de volta.
Em seguida, fui ao bar comprar uma água: 
- Seis reais!? Isso é um roubo!"

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Teenage Dream

Aviso: SPOILER GLEE (6 Episódio 2° temporada)


- Posso perguntar-lhes uma coisa? - Kurt faz uma pausa, receoso em perguntar - Vocês são todos gays?
- Oh, não. Quer dizer, eu sou, mas aqueles dois tem namoradas. Esta não é uma escola para gays. - Blaine responde sorrindo - Nós só temos uma política de tolerância zero para preconceito. Todos são tratados do mesmo jeito, não importando o que são. É bem simples.
Ao ouvir essas palavras, os olhos de Kurt ficam mareados. Seu novo amigo então, continua:
- Acho que você está tendo problemas na sua escola...
- Sou o único homossexual assumido em minha escola. E eu... eu... eu tentei ser forte quanto a isso, mas tem brutamontes que fizeram da sua missão transformar minha vida um inferno. E parece que ninguém nota.
- Eu sei como você se sente. Fui muito insultado em minha antiga escola e isso me deixa puto. Eu até reclamei disso na coordenação e eles mostraram-se compreensíveis e tudo o mais, mas eu não podia com eles... Ninguém realmente ligou. Era tipo "Hey, se você é gay, sua vida será miserável. Sinto muito, mas não posso fazer nada". Então eu deixei tudo de lado e vim pra cá. Simples assim. - Blaine aproxima-se de Kurt - Você tem duas opções, quero dizer, eu adoraria dizer para estudar aqui, mas as mensalidades são exorbitantes e eu sei que não é uma opção para todos. Sua outra opção é se recusar a ser a vítima.
- Mas...
- Preconceito é apenas ignorância, Kurt. E você tem uma chance agora para ensina-los.
- Como?
- Confrontando eles. Chame-o! Eu fugi, Kurt. Eu não me impus, deixei os valentões me mandarem embora e isso é algo que realmente me arrependo...

SEGUNDA CENA

Após se empurrado violentamente contra o armário por Blurt, Kurt encoraja-se e segue-o gritando, até o vestiário.
- Hey, Eu estou falando com você. - Kurt entra no vestiário aos gritos.
- O vestiário das meninas é na outra porta.
- Do que você tem tanto medo? - Ainda aos gritos.
- Como é!? Além de você se metendo aqui para olhar o meu pacote?
- Ah, é, o pesadelo de todo cara hétero. Que nós gays estamos aqui para molestar e converter vocês. Pois bem, pintudo, adivinha só!? Você não é o meu tipo!
- É mesmo? - Blurt coloca-se frente a frente a Kurt.
- É, eu não curto caras gordinhos que suam demais e estarão carecas antes de chegarem aos 30.
- Não me provoca, Hummel. - O nível da voz de Blurt iguala-se ao de Kurt. Os dois estão aos gritos.
- Você vai me bater? Bate!
- Não me provoca.
- Bate, por que isso não vai mudar quem eu sou. - Kurt continua - Você não pode surrar e por para fora o "Gay" que tenho dentro de mim mais do que eu posso surrar o ignorante pra fora de você.
- Eu disse para parar de me encher. - Os dentes de Blurt cerram e o punho fecha.
- Você não é nada além de um garotinho que não consegue lidar com o quão extraordinariamente comum você é...
A fala de Kurt é interrompida por um beijo de Blurt.

Episódio 2x06 de GLEE "Never Been Kissed"

Download:
Formato: RMVB LEGENDADO 
Tamanho: 150
Legendas: Amarela 
- http://www.fileserve.com/file/ucqG9FQ/Glee.2x06..rmvb
- http://www.filesonic.com/file/31053413/Glee.2x06..rmvb
- http://hotfile.com/dl/81666948/d2b3408/Glee.2x06..rmvb.html
Fonte: Comunidade Glee Donwloads

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Perdoe-me, Pê!

"Eu só choraria se Deus não quisesse o meu simsinhô. Ou se apenas me mostrasse a língua sem me deixar sugá-la." - Hilda Hilst

"Perdoa-me Cordélia, mas, a não ser tu, minha irmã és tão bela. Não teve um netido e premente desejo por mulher alguma. Mas sempre gosto de ser chupado. Então ás vezes seduzo algumas de beiçolinha revirada. Mas o falo na rosa, mas mulheres, só em extremos.

Há em todas as mulheres um langor, um largar-se que me desestimula.
Gosto de corpos duros, esguios, de nádegas iguais àqueles gomos ainda verdes, grudados tenazmente à sua envoltura.

Gosto de Cu de homem, cús viris, uns pelos negros ou aloirados à sua volta. Com um contrair-se um fechar-se cheio de opinião...
Bunda de mulher deve dar bons bifes, no caso de desastre na neve. Leste, sobre os tais que comeram os amiguinhos e amiguinhas congelados?

Voltando às nádegas. As tuas. Douradas e frescas, Tu fostes única. Tuas nádegas também. Firmes, altas, perfeitas como as de um rapaz.
Não faças essa cara, e não rias..."


- Trecho de "Cartas de um Sedutor", de autoria Hilda Hilst. Citado em DO COMEÇO AO FIM, de Aloízio Abranches.

sábado, 4 de setembro de 2010

Ballet, um Gênero Social

"Mas balé é coisa de menina", disse a filha da moça que limpa a minha casa. Ultimamente, quando um ambiente mostra-se confortável, quero conversar com todo mundo e sobre os mais diversos assuntos. Se tem algo que me deixa radiante, é um desconhecido sorrir ou puxar conversar descompromissadamente. Incendeia-me uma agonia quando eu estou no elevador e meu acompanhante desconhecido não é lá muito receptivo. Minhas opções são: olhar os números mudarem a cada andar trafegante, ou olhar para baixo. Nem que peidassem, mas eu preciso de um barulho. Enfim, enquanto eu falava-e-falava dos passos que aprendi no sapateado e no balé, e minha diarista evangélica ouvia-e-ouvia, uma menininha catarrenta me diz que "balé é coisa de menina". Eu, de mãos dadas com minha enorme amiga "Intransigência", quase formulo um debate psico-social com uma menina de 5 anos. Como ela não entenderia, dei um chute na cara dela com um passo echappé no melhor estilo... Tá, mentira, eu não faria isso, até por que não aprendi o echappé. Porém pergunto-me o porquê do preconceito no balé masculino. E respondo.

Basicamente, a estrutura do balé defini-se em: postura ereta; uso da rotação externa dos membros inferiores; verticalidade corporal; disciplina; leveza, harmonia e simetria.

Para a psicóloga M. Strey, sexo não é gênero. A determinação de gênero frente ao sexo é construída socialmente. Fisicamente falando, ser macho não significa ser um homem e ser fêmea não significa ser mulher. Físicas são as diferenças sexuais, mas o gênero depende de como a sociedade vê a relação que transforma um homem em macho e fêmea em mulher. Ficou confuso? Conforme já expliquei no post Estudo: O Gay Efeminado (Clique Aqui), o conceito 'macho' vem de uma ética moral herdada dos primeiros animais mamíferos, onde a gestação vulnerabilizava a mulher e transformava o homem como responsável da família. De acordo com a teoria dos "Papéis Sociais", de Begger, a sociedade que determina o que somos e o que fazemos. Ela molda as expectativas e as formas desejáveis de comportamento. Além disso, Begger afirma que a 'Dignidade' humana é uma permissão social. Um menino que faz balé e é pré-conceituado como Gay, é afetado em sua consciencia fazendo-se perguntar "Será que sou gay por fazer balé?". Teoricamente falando, parece simplista, mas isso acontece muito. Algo como "Virei gay por maioria de votos".

Quem conhece essa dança, sabe o quão a virilidade e preparo físico são importantes. Na Russia, quando o jovem ganha uma bolsa para Bolszhoi, é uma festa na família. Tudo isso comprova a questão cultural da dança. Será que o menino, ao escolher não fazer o balé, chegou sozinho a conclusão que esta dança é de mulher? Em minha sala de aula, dos 16 alunos, apenas 3 são meninos, menos de 20% de sua totalidade. Destes 3, apenas um é homossexual. Maurice Bejart, um famoso dançarino francês, disse que balé é dança masculina. "Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Balé não é mulher e balé não é só dança. Dançar é humano. Demasiadamente humano."

O SEGUNDO SOPRO, DUO MASCULINO

"..Por fora , a leveza do movimento , a suavidade do  passo ,a tranqüilidade do sorriso...
...Por dentro, o peso da cobrança, a persistência, o nervosismo, a dor...", Poema "Pontas".

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ser "Homem"

"Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas o verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes." - Gilbert Keith Chesterton

"Completamente nú, eu beijava-lhe a boca carnuda. Uma boca sensualmente inxada que parecia mandar-me beijos constantemente. Minhas mãos indecisas ora entrelaçavam-se em seus cabelos louros longos, ora acariciavam-lhe os seios. Minha língua então passeava pelo pescoço, decote e terminava já nos mamílos eretos dela. Equiparando-me à ela, olhando-a fixamente em nossas pontas dos narizes encostadas, vi seus olhos fecharem e sua cabeça inclinar-se para trás quando a penetrei. Penetrei, uma linda mulher. Minha prima. Logo em seguida, acordei de um sono. Minha cueca estava úmida."

Para um adolescente a aceitação inicial da homossexualidade é muito difícil. Talvez esta aceitação demore anos para ocorrer, ou nem ocorra. Nossa personalidade forma-se através de pequenas partes de outras pessoas. É através dos outros que constatamos nossa existência e formamos então um "Jeito de Ser" (clique). Ver-se diferente de um padrão de comportamento pré-definido, deixa-nos perdidos. O que seguir e ser? Se o "American Way Life" é casar-se, ter filhos, uma casa, cachorro e jardim, o que acontece quando o indivíduo percebe que não pode fazer isso? Que referências seguir? O que fazer?

Meu pai morreu quando eu tinha sete anos de idade. Cresci no meio de uma irmã, uma mãe, várias primas mulheres e alguns primos mais novos que eu. Cresci (muito) tímido, (muito) inseguro e (muito) educado. A falta de uma figura masculina pode ter sido conclusiva em minha sexualidade!? Responderei-os sem hipocrisias: Sim! Pendi para amizades femininas, logo, não tive contato com futebol, brigas, agressividade e nem se quer sei empinar uma pipa.

Semana passada viajei com minha familia para Barra Bonita, interior de São Paulo. Nessa viagem aproximei-me mais de meus primos "de segundo grau", sobrinhos de meu padrinho. Eles tinham a mesma faixa etária que eu: 17 à 19 anos. Jogamos videogame, futebol, volei e falamos de sexo. Fatídico assunto!!! Percebida minha sexualidade, eles pediram sutilmente para que eu contasse minhas experiências trocando os nomes por animais. Sim, animais. Meu ex-namorado era um Avestruz, eu era uma Doninha que ficava com Lontras, formigas e Dromedários. Rimos em uma incrível confortabilidade. Passei então a prestar atenção na forma como eles agiam. Nas gírias usadas, nas camisetas mais largas, nos chinelos de faixas grossas, nos trejeitos, nas brincadeiras agressivas e nas piadinhas. Quando vi, comecei a agir como eles e sentia-me incrivelmente confortável.

Durante essa semana, comprei camisetas mais largas e calças mais soltas. Meus trejeitos contiveram-se e meus olhares tornaram-se mais fixos, confiantes. No início dessa semana tive um sonho erótico com uma prima minha, a qual já pediu para beijar-me, mas eu havia recusado, frente a minha sexualidade "resolvida".

Falo por mim, mas tenho certeza que não sou o único a agir dessa forma: Por muitas vezes, evidencio e/ou exponho minha homossexualidade frente alguns heteros na intencionalidade de escudo, ou seja, antes mesmo de sofrer uma possível represália, mostro-me agressivo com minha sexualidade. Exponho-na antes que me exponham negativamente. Porém acabo resumindo-me antes que alguém me resuma a Gay. Não estou dizendo que tenho de esconder, pelo contrário, digo que não tenho que me resumir à um Gay. Tenho ciência que não me aceito inteiramente como um homossexual e digo com certeza que a grande maioria também não se aceita, porém com intensidades variadas.


Expus isso à minha psicóloga e ela explicou-me, embora eu já soubesse, a questão Personas (Leia Aqui!).  Segundo o psicanalista Carl Jung, todos nós vivemos em um mundo de máscaras, e não digo no sentido de falsidade. Utilizamos mascaras em nossa existência presencial por uma questão de sobrevivência social. Os papéis sociais ao qual desempenhamos - Ser pai, mãe, profissional, amigo, filho, amante, namorado. São diferentes papéis para diferentes situações de uma mesma pessoa - nada mais são que mascaras que somos treinados a utilizar, admitidas ou não, em virtude dos parâmetros sociais que norteiam o seu uso. Para ele a PERSONA, não é apenas uma mera mascara mas uma influência em nosso interior e responsável pela estruturação de nossa personalidade. Resumindo, deixamos de ser nós mesmos e passamos a ser, cada vez mais, a imagem e semelhança das expectativas daqueles que convivemos. Ou seja, querer parecer mais heterossexualidado não é um problema. Muitas vezes pode ser uma solução. Os homossexuais que convivem melhor com a sua heterossexualidade - Nossa sexualidade tem níveis, segundo o relatório Kinsey - são muito mais bem resolvidos.

Talvez este texto venha de encontro à tudo que já escrevi!? Talvez eu mude de idéia daqui alguns dias!? Isso me mostra uma pessoa volúvel? Claro que não, mostra que eu sou inteligente demais para limitar-me à uma única forma de comportamento. Quem se define, ao mesmo tempo, restringe-se. Viverei os milhares de "Eus" que possuo, ouvindo sertanejo ou Lorena Simpson - Foi a música mais gay que veio-me a cabeça, rs.- Ah, e tenho agora uma Lição de Casa: Parar de questionar-me tanto. Tudo é passível a milhões de interpretações, e provavelmente eu nunca acharei a certa. Por ora, vamos seguir o exemplo de Macabéa, personagem do livro "A Hora da Estrela" de Clarice Lispector: "É assim por que é assim e pronto".

domingo, 13 de junho de 2010

Confuso Dia Dos Namorados

"Eu acho que não estou tão confuso quanto você acha que eu penso que estou" 

Durante uma conversa no MSN, o Renan disse que era um absurdo eu ser bonito, inteligente, simpático, gostoso e não ter um namorado. No mesmo período eu conversava com o Willian - sim vou expor todo mundo agora - e o mesmo dizia-se triste por estar só no apartamento do amigo dele, no frio e sem namorado no Dia Dos Namorados. Nas atualizações do Orkut, só comentários sobre Namorados. Aí eu pergunto-me: O mundo ficou carente ou eu sou egoísta? Onde foi parar a auto-suficiência das pessoas? 

Estranha essa mania que muitas pessoas tem de depender a própria felicidade à partir de um outro. Ao meu ver isso não é felicidade, é carência. Eu discordo dessa concepção de "Cara-Metade", pois mostra-nos como incompletos. Não sou uma metade, sou um inteiro. E a partir do momento que a minha "felicidade" depender de uma outra pessoa, eu nunca serei feliz verdadeiramente.

Ok-ok, quem sou eu para dizer essas coisas? Nunca amei nenhum homem ou mulher. Talvez seja por que eu não me permita nem conhecê-los. Pretendentes eu tenho, muitos. Convites eu recebo, vários. - Sem querer ser convencido, mas é verdade. Com vocês também deve ser assim - Flertes na rua eu levo, inúmeros. Mas eu teimo em ficar em casa assistindo musicais antigos com fandangos, coca-cola e Bis. Será que seria mais gostoso se fosse acompanhado? Admito e posso até ser levado a mal, mas eu não assistiria filmes acompanhado. Eu não aguentaria. Um simples roçar já me tiraria a concentração - o que não é lá muito dificil - acredito que o principal motivo que me faz sentir falta de um namorado é o Sexo. Como tenho medo de sexo casual com desconhecidos, só faço sexo com quem tenho muita intimidade. Como dificilmente permito-me intimidade com alguém, o sexo rareia. Quando o faço, descontrolo-me. Quando eu estava num relacionamento com o Piero - Sim, vou expor todo mundo. Ah, e esse Piero não trata-se do meu ultimo namorado - só fazíamos sexo. Eu chegava no apartamento dele e transávamos umas sete vezes. E eu ainda ficava impaciente quando ele propunha assistirmos filmes ou almoçarmos. Só conseguimos assistir um filme no período que estávamos juntos - Isso por que sou cinéfilo -, o brasileiro "Sexo com amor?" - conveniente, não? -, na condição de não tocar nele. JURO! Eu acho que sou um tarado. Sim, eu sou um tarado. Eu me masturbo duas vezes todos os dias. Juro, todos os dias. - Tenho que tomar cuidado com o que escrevo. Minha irmã as vezes lê o blog e diz que dá a impressão que eu só penso em sexo. Tadinha, mal sabe ela que já faz tanto tempo... - Acabei de contradizer-me. Faço sexo com um desconhecido meu todos os dias: Eu mesmo.

Enfim, não tenho tempo para um relacionamento amoroso. Estou ocupado demais trabalhando, fazendo os melhores trabalhos na facul e tentando dominar o mundo. A frase que está escrita no papel de parede do meu computador é "One day, You will all work for me.". Meu Deus, eu sou um maluco egoísta megalomaníaco. Eu mesmo não me namoraria. Nunca vou conseguir um namorado... * desespero*

Comecei o post criticando os namorados e agora desesperado por eles. Pois é, a constatação de nossa existência dá-se por outras pessoas, infelizmente. Nossa personalidade forma-se pela contraposição à personalidade de outros. É assim que sabemos que existimos. Que nos sentimos vivos. Hm, acho que entendi. Não por completo, obviamente. Para minha infelicidade e irritação, não terei respostas para tudo. Porém, já entendi o porquê da falta de auto-suficiência de muitos... Enfim, Feliz Dia Dos Namorados... 
... preciso transar!

"Amar é sentir na felicidade do outro, a própria felicidade" - Gottfried Leibnitz
Por CP_DeLarge

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Espelho

"Tu tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." - Saint Exupéry

- Oi
- Oi, desculpe pelo atraso. De verdade, foi mal!
- Ah, pode ficar sossegado. Mas eu tomei a liberdade de pedir bebidas. Uma cerveja para mim e um suco de limão para ti, que sei que gosta.
- Wow, suco de limão. Como sabe? Agora fiquei mais ainda com a consciência pesada pelo atraso. Desculpe!
- Já disse para ficar tranquilo. Quero sair com você há meses e você nunca podia. Você é muito difícil.
- Desculpe. Trabalho e faculdade, sabe como é.
- Enfim, estamos aqui em um restaurante e totalmente público. Não há o que temer.
- Rs, desculpe. Sou desconfiado. Até que provem o contrário, ainda acreditarei que você é um assassino em potencial... e tarado!
- Primeiro, pare de se desculpar. Segundo, talvez eu seja tarado.
- Estou longe de ser puritano e fique a vontade com a sua mão percorrendo a minha coxa. Mas não a ultrapasse.
- Rs, Eu sei que você não é puritano e agora eu que peço desculpas.
- Tudo bem! Mas só para que você não perca seu tempo, já aviso: Não transarei com você hoje e provavelmente nem no próximo encontro. Não preciso estar apaixonado, só preciso ser intimo para transar com alguem.
- Entendo e admiro a sua postura. Mas quem disse que eu queria transar com você hoje?
- Eu transaria com você hoje.
- Transaria?
- Sim, Futuro do pretérito.
- E o que te impede?
- Meu Super Ego.
- Eu diria para que você sucumbisse ao ID, mas respeito você. Valerá a pena.
- Como sabe se valerá a pena? Depende muito do que você quer de mim.
- Um relacionamento. Você é difícil. É complicado. Quase intocável e intransponível.
- Me vê então como um desafio?
- Não, como uma possibilidade. Não nego que adoro sexo. Como vê um relacionamento?
- No estilo Audrey Hepburn. Apaixonado, pueril, delicado e clássico. Ah, uma casa e três filhos. Quase um musical.
- Não gosto de musicais. Prefiro o cinema novo Hollywood. Scorsese, Woody Allen e James Cameron.
- Sem surpresas. Nada como Kubrick e Bergman. Cinema tambem é 'questionar'.
- Mas foi criado para entreter.
- A boca foi feita para comer, mas a utilizamos para o sexo.
- Você tem um lindo sorriso. Parece um anjo. Branquinho, cabelos escuros meio ondulados e olhos... cinzas?
- Castanho-esverdeados. E não aproxime-se tanto.
- Não gosta que te olhem nos olhos?
- Sinto-me vulnerável. Mais nú ainda.
- Tem algo à esconder?
- Não, exponho-me até demais. E obrigado pelo elogio. Fico sem jeito. Você tambem é lindo. Olhos castanhos e uma boca grande emoldurados por um rosto perfeitamente quadrado e cabelo arrepiado.
- Haha, você é mais baixinho que eu imaginava. Adoro!
- Haha, obrigado!
- Não consigo penetrar-lhe os olhos, nem o corpo e nem o coração. Algum dia penetrar-lhe-ei?
- Hm, mesóclise. Adoro! Seu sorriso não engana sua frase de duplo sentido. Sou preferencialmente passivo, mas tambem ativo.
- Engraçado!
- O que?
- Você não deixa que lhe penetrem no coração mas deixa que lhe penetrem o corpo.
- Temos mais controle do corpo do que da mente.
- A mente faz o corpo. Por isso que você gosta de tapas?
- Só sei ser agressivo neste aspecto.
- Não será uma forma de auto-punição por fazê-lo?
- Sendo ou não, você vai gostar.
- Hm, do futuro do pretérito, mudou para futuro do presente.
- Haha, gosta de português?
- Gosto de você.
- De mim e quer transar comigo. Pode ficar de boa, eu sei, não sou hipócrita. Mas não será hoje.
- Devido ao seu superego. Caso contrário, sei que você aceitaria. Superego forte, hen.
- Muito mais do que eu gostaria.
- Senhor autoritário, mandão e controlador. O tímido e inseguro menino dos olhos lindos e corpo definido.
- Amigo agressivo, displicente e carismático. O conquistador beijoqueiro de rosto quadrado.
- O sexo mostra que estamos vivos.
- Mas você continuará morto, Paulo.
- Passarei a viver em você, Cláudio.
- O Ego então ganha um alter?
- Parabéns... ou meus pêsames. Posso te penetrar?
- Primeiramente com calma, depois com total agressividade. Preciso acostumar.
- Me dá uma semana que eu te namoro.
- Pelo menos um mês. E você não iria gostar de me namorar. Sou Complicado.
- O que é fácil, cansa.
- É melhor eu ficar sozinho.
- É o mais fácil a se fazer.
- Estou com medo.
- Com licença, deixa eu tirar-lhe esse cílio.
- Sua mão gostosa, olhar conquistador.
- Sua pele delicada, olhar vulnerável.
- Encantador.
- Gostoso!
- Haha!
- Olhe-nos no espelho, a esquerda dessa mesa de jantar. Combinamos!
- Sim, combinamos. Parecemos um só.


Por Paulo_DeLarge.

domingo, 30 de maio de 2010

Glee - Em Busca da Fama

"Querem me bater? Vão em frente. Mas juro que não vou mudar. Tenho orgulho de ser diferente. É a melhor coisa que há em mim" - Kurt Hummel em GLEE

Por que considero GLEE uma das melhores séries em atividade e, provavelmente, será louvada por anos e anos? Porque discute temas controversos e polêmicos de forma sutil e sem hipocrisia, utiliza de diversidade de gêneros na escolha de sua trilha sonora, relembra musicais incríveis protagonizados por grandes vozes como Barbra Strainsend (The Funny Girl), Liza Minelli (Cabaret) e Audrey Hepburn (My Fair Lady, voz de Julie Andrews), representa os estigmatizados na hierarquia do status social e, até em seu maior defeito que é o roteiro, torna-o como qualidade. Sim, virei um Gleek!

Criada por Ryan Murphy, Brad Falchuk e Ian Brennan e produzida pelo canal FOX, foi lançada em 18 de novembro de 2009. Conta-nos a história do "Glee Clube", um clube de coral formado pelos indivíduos menos populares e estigmatizados do colégio: Rachel Berry, a 'chatinha-estrelinha' que não assume que alguem possa ser melhor que ela; o cadeirante Artie, a adolescente grávida Quinn, o adolescente homossexual Kurt, a negra gordinha Mercedes, a asiática que finge ser gaga Tina, entre outros, todos coordenados por Will, o professor de espanhol (Portanto, o ultimo na hierarquia do corpo docente americano). Sue Sylvester, treinadora das lideres de torcida, faz de tudo para dissolver este coral, já que o mesmo poderia tirar o prestígio de sua Cheersleaders (Representação simbolica dos padrões de beleza que devem ser seguidos).

O diretor e criador da série, Ryan Murphy, é militante e homossexual assumido. GLEE possui várias questões ligadas a homossexualidade. Chris Colfer, inicialmente foi fazer o teste para Artie, o cadeirante, mas devido a sua história pessoal (Era criticado por fazer audições em papéis musicais femininos e sofria retaliações na escola devido a homossexualidade) recebeu o papel de Kurt Hummel, especialmente criado para ele. Além disso, a personagem de Lea Michelle, Rachel Berry é filha de um casal gay, onde no episódio 1x20 é discutida a importância de uma figura feminina na criação de uma criança. Sempre utilizando de sutilezas para transparecer a intenção maior da série: Mostrar o quão bonito é ser e aceitar a si mesmo, não importando-se com o que digam.

Recentemente a revista Newsweek publicou um artigo criticando a atuação de homossexuais em papéis heterossexuais, destinado à Jonathan Groff (O Jessie St. James). Alguns atores da série boicotaram e criticaram a posição da revista. O diretor sutilmente convidou Neil Patrick (O garanhão de How I Met Your Mother?) para o episódio 1x19 (Dream-On) para ser o personagem antagonico ao Will por roubar suas namoradas, formar um encontro de "Conversão em Viciados em Canto" e transar com Sue Sylvester (interpretada por Jane Lynch, tambem homossexual assumida).

Enfim, misturar Queen, Kiss e Journey com Madonna, Lady Gaga e Beyonce, no intervalo de musicais como Grease, Cabaret, My Fair Lady, O Mágico de Oz, Wicked e Funny Girl, transforma-o como a série mais expressiva criada. Ok, admito que estou encantado e até esqueço que o roteiro é, por muitas vezes seco e não aprofunda-se na riqueza que são os personagens... Mas para quê? A crítica está diante dos nossos olhos. Basta-nos sermos inteligentes o bastante para absorvermos e interpretarmos da melhor forma possóvel. Enfim, viciei, sou um Gleek. Suspeito, portanto, para dizer qualquer coisa.

Cantemos, a vida é um musical!

"SOMEBODY TO LOVE" - Glee Cast

"Quando eu estou triste simplesmente canto para melhorar as coisas" - GLEE

Por Cláudio_DeLarge

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Invisíveis

"Os Nazistas erraram ao odiar os judeus, mas o ódio aos judeus não foi sem razão. O motivo não era real, foi imaginário. O motivo foi o medo. Deixem de lado os judeus por um momento. Pensem noutra minoria, uma que pode passar desapercebida se necessário. Existem minorias de todos os tipos, loiras, por exemplo. Ou pessoas com sardas. Mas uma minoria só é reconhecida como tal quando constitui uma ameaça a maioria. Ameaça real ou imaginária. E aí reside o medo. E se essa minoria é de algum modo invisível, o medo é ainda maior. E esse medo é a razão pela qual as minorias são perseguidas. Portanto, há sempre uma razão. A razão é o medo. Minorias são apenas pessoas. Pessoas como nós. [...] Pensem sobre o Medo. O medo de envelhecer e ficar sozinho. Medo de que ninguém se importe com o que temos a dizer."
Trecho do filme "A Single Man" (2009). Adaptação do Livro de Christopher Isherwood, 1962.

Por Cláudio_DeLarge

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Futebol e outras Coisas de Machos...

Segundo a FIFA, o Futebol é o esporte mais popular do mundo, possuindo cerca de 270 milhões de adeptos em suas várias competições. Ou Seja, cerca de 5% da população mundial joga futebol regularmente, dividindo-se em 1,7 milhões de equipes e 301.000 clubes. O País com maior quantidade de jogadores é a China, seguida dos Estados Unidos, Índia, Alemanha e Brasil. Anualmente, movimenta uma receita de 3.238 milhões de francos. Este valor é quase o triplo do PIB Brasileiro em 2008 (1.669,7). Além disso, um único jogador pode custar até 94 milhões de Euros (Cristiano Ronaldo, Real Madrid). É por essas e outras que o Futebol é a questão de maior influência na construção do comportamento político, cultural e sexual em nossa atualidade, porém, muitas vezes, de maneira negativa.

A Política do Pão e Circo foi criada durante o Império Romano e consistia no provimento de alimentos medianos e diversão à população, a fim de desviar a atenção dos problemas políticos e amenizar a insatisfação popular. O Futebol então, tornou-se o maior exemplo do Pão e Circo na sociedade Pós-Moderna. Sua principal função implícita é despolitizar os espectadores, desviando o foco. Karl Marx dizia que a "Religião é o ópio do povo" e, em um país onde a maior religião é o futebol, este entorpece os neurônios brasileiros. Cria-se então um enorme paradoxo: O Brasileiro indigna-se, informa-se nos jornais e extrapola seus sentimentos muito mais pelos jogadores de seu time do que realmente deveria importar: a Política da Nação. O Cadernos de Esportes do Estadão e da Folha possui 5 páginas à Mais que o Assunto Política e Economia. Segundo pesquisa de uma universidade Paulista, cerca 75% das notícias políticas relevantes só são passadas as quartas-feiras no Jornal Nacional. Reparem! O Futebol além de formar um estrutura social, também constrói um modelo sexual a ser seguido.

Segundo o psicanalista Sigmund Freud, o ser humano possui a 'Angústia da Castração', a qual o homem teme a fêmea pela visão da vagina que remete a castração, o que provoca uma ereção - uma reafirmação por não ter sido castrado, evocando superioridade. Portanto, a masculinidade nasce do que é oposto ao feminino, e esta virilidade é a ética moral entre os homens. Segundo o filósofo Foucault, o homem no sexo faz da mulher o seu outro, sua constatação de virilidade. Não basta SER Homem, deve PARECER Homem e CONTRAPOR-SE a mulher. Em uma sociedade patriarcal e falocentrica, o futebol torna-se então a constatação do Masculino. É um ambiente de homens para homens que constrói a masculinidade para  os iniciantes (crianças e adolescentes) e ainda reforça a masculinidade entre os adultos veteranos. Esta interação  viril elimina todos aqueles que se insurgem contra a virilidade social triunfante. Logo, o Futebol não trata-se de esporte apenas, mas um pilar organizador das relações sociais, uma 'cartilha' de condutas masculinas e principal pauta de conversação, traçando regras de sociabilidade e fidelidade entre homens.

O filósofo João Silverio Trevisam aponta o cuidado quase atávico de assegurar a heterossexualidade futebolística. Esporte este, responsável por uma homosocialidade de macho-para-machos. Um homoerotismo velado entre abraços e beijos efusivos pós-gol, alcoolizados ou não. E como cerveja e futebol quase sempre andam juntos, quanto mais disfarçado ou sublimado um comportamento, mais autêntico. 

Em junção à isso, mostra-se também responsável pela ignoralização político-social, onde a notícia que o Neymar não foi convocado gera mais indignação que a aprovação do recesso de dois meses para os deputados assistirem a copa em casa. Pois é, esta é a política de Pão e Circo, onde o Pão é a Cerveja e o Circo é a nossa própria casa. Cheia de palhaços com olhos e neurônios vidrados no próximo Gol. Palhaços.

Por Cláudio_DeLarge
Para o CaféSolúvel