Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de novembro de 2011

_eu tenho medo da ADELE

Think of me in the depths of your despair
- Adele

Adele é uma cantora britânica que ficou famosa graças a suas demos no MySpace. Seu primeiro album, intitulado "19", foi inspirado na idade que tinha quando escreveu as canções que o compõe. Seu segundo album, "21", a popularizou internacionalmente e tornou Adele a primeira artista a alcançar, ainda viva, uma canção e um álbum como n°1 ao mesmo tempo na Inglaterra desde Os Beatles em 1964. Utilizando de músicas romanticas que gritam por amor em suas dores e delícias - mais dores -, Adele reuniu em menos de dois anos, uma legião de fãs que identificam-se com suas canções tão intensas, melancolicas, carentes, sem auto-estima nenhuma e chatas... assim como ela.

Logo no início do album, temos uma música chamada "Best for Last", na qual ela diz ao objeto de desejo "I'm taking these chances / And getting away / And though I'm trying / My hardest you go back to her" (Eu estou usando essas chances que estão indo embora. E embora eu esteja tentando o máximo que consigo, você volta para ela) e continua com um "Seems I love the things you do, Like the meaner you treat me. The more eager I am to persist." (Aparentemente, amo as coisas que você faz, porém quanto pior você me trata, mais eu fico persistente). Porra, cadê a auto-estima dessa mulher? O pior é que a música termina com um "Eu ainda quero ser a única para você e você ser o único para mim" e ainda tem auto-mutilação emocional o album inteiro. Na música "My Same", ela diz que não conheceria a própria personalidade se não fosse ele. "Ele", o cara que, na música "Cold Sholder", ela quase agradece pela indiferença e deseja ser a 'outra' mulher dele. Alias, o album inteiro ela mostra-se uma chata insistente e melodramática que não para de encher o saco do ex-namorado que já está há muito tempo com uma mulher muito mais legal, independente e divertida que ela.


E no album "21" a coisa não muda. Nas três músicas mais famosas "Rolling in the deep", "Turning Tables" e "Someone Like You", ela fala respectivamente:
- como uma LHOUCA, dizendo, indignada, que o relacionamento deles acabou mesmo eles podendo ter tudo. Por isso ela espera que a cabeça dele queime de desespero por culpa de tê-la deixado (quase uma psicopata)
- como uma LHOUCA, ela o responsabiliza pelas diversas separações e retornos insinuando que ele só voltava para ter o prazer de machucá-la (quase uma maniaca-depressiva que acha que é vítima de tudo)
- como uma LHOUCA, ela diz que descobriu que agora "Ele" está amando e estabilizado com outra garota. Diz que mesmo sem ser convidada, gostaria de dizer o quanto está feliz por ele, que não o esqueceu e que encontrará alguem como "Ele". (Aposto que Adele tem um Mandato judicial proibindo-a de ficar menos que 100m de distancia de seus ex's)

Também admito que Adele tem uma incrível voz - Essas gordinhas, negras e mulheres de nariz torto são poderosissimas com suas vozes -, mas sua popularidade deu-se pela identificação do público com suas músicas igualmente melodramáticas, chorosas, sem auto-estima e que fazem tanto os cornos quanto os que levaram um pé-na-bunda, sentirem-se vítimas em um relacionamento o qual foram incapazes de dar continuidade por serem carentes demais. Eu não sou um exemplo de relacionamentos amorosos, mas pelo menos canalizo minha carência afetiva e amorosa de maneira inteligente e madura, sem ficar sofrendo feito um besta. Essa Adele e seus fãs têm é que fazer uma faculdade e parar de ser chatos. Ou sejam lhoucos mais legais, tipo a Alanis Morissete.

Portanto, se você é um fã chatinho de Adele, trate de ser interessante em algum aspecto, por que só assim você terá salvação. Em minha ultima aula de dança, meu professor e/ou amor platônico - espero que ele nunca leia esse blog - colocou Adele para o nosso aquecimento. Fiquei com medo dele no começo, mas logo em seguida me perdi nos seus cachos e esqueci tudo o que disse nesse texto sobre Adele. Falando nisso, já ouviram "Daydreamer", dela?

ADELE - DAYDREAMER

domingo, 23 de outubro de 2011

_ah, estes cachos

De que vale seu cabelo liso, e as idéias enrolas dentro da sua cabeça?
- Ana Carolina




Eu tenho um profundo interesse por pessoas de cabelos cacheados ou ondulados. Vejo alguém de cabelo cacheado e PIMBA, nasce o interesse. É o convite para que eu tenha a coragem de chegar no individuo e inciar um flerte ou uma conversa qualquer.
Entender sobre cinema europeu, adorar teatro, saber dançar, ser inteligente são pontos secundários, porém não menos importantes.
Dizem por ai que paixão agente não escolhe, nasce despretensiosamente e, muitas vezes, você apaixona-se pelo oposto daquilo que sempre imaginou. Martha Medeiros dizia que pessoas interessantes apaixonam-se pelo oposto delas. Isso não quer dizer que o oposto não seja interessante, só é interessante de uma forma diferente e longínqua.
Por ora, como não apaixono-me de verdade há muito tempo, apego-me a este conceito do menino de cabelos enroladinhos, cinéfilo que vai ao teatro e, talvez, dance. Coincidentemente, - ou não - eu sou um menino de cabelos ondulados, cinéfilo, que vai ao teatro e dança.
...
...
Ahhhh, acho que já entendi: Eu já me apaixonei de verdade. 
E Sabe por quem? 
Por mim mesmo, e isto é o mais importante!

O que quer da vida procurando o homem com a cueca certa?
Trecho do filme "Vicky Cristina Barcelona", de Woody Allen

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Sociedade: Laranja Mecânica

"Ainda que exista uma enorme hipocrisia a respeito da violência, todas as pessoas são fascinadas por ela. Afinal, o homem é o assassino mais cruel que já pisou no planeta." - Stanley Kubrick

Título Original: A Clockwork Orange, 1971
Direção: Inglaterra, Stanley Kubrick

Junto com "Admirável Mundo Novo" de Hukley e "1984" de Orwell, "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess forma uma tríplice distópica da sociedade pós-revolução industrial. Um estilo de vida dominado pela mecanização dos processos sociais, referentes a revolução industrial, condenou todos os seres humanos a uma uniformidade de comportamento. Muito mais que um filme sobre a violência e hipocrisia, "Laranja Mecânica" (1971) do incrível Stanley Kubrick, mostra-nos o mecanismo de controle utilizado pela sociedade utilizando como exemplo Alex Delarge (Malcon McDoweell), um adolescente que tem como principais interesses "a UltraViolencia, o estupro e Beethoven". Um resumo da Sociedade atual e futura.

Alex DeLarge é um menino de 14 anos e líder de uma gangue, onde seus principais interesses são o sexo desenfreado, a ultra violência e Ludwig Van Beethoven. Dois anos após ser preso por assassinar a dona de um Spa, é convidado a realizar o "Tratamento Ludovico". Este tratamento criado pelo governo prometia devolver os criminosos totalmente recuperados à sociedade. A partir daí nasce a principal questão do filme: De que adianta 'curar' um indivíduo que não consegue administrar os seus instintos frente a uma civilização igualmente incapaz de administrar suas contradições sociais?

A própria chamada do filme mostra-nos a forma a qual a sociedade controla-nos, colocando Alex DeLarge e seus interesses como 'inimigos'. A Violência é sinonimo de expressão contra o sistema vigente. Os únicos que podem utiliza-la são as autoridade/policiais. Utilizá-la seria o mesmo que igualar-se. O Sexo também como forma de controle, referência a religiosidade e a familia. As duas instituições 'limitam' o indivíduo, como forma de pensamento e relacionamento, respectivamente. E Beethoven, musica erúdita, como representação do conhecimento. Quem o tem, questiona, sendo a inteligência um grande inimigo da sociedade. Assassinando a Dona de um Spa, Alex DeLarge assassina o Padrão de Beleza imposto pelos meios de consumo. A vítima possuia mais de 30 gatos em seu spa. O gato tem como característica a individualidade e o interesse. Este bichinho de estimação só está com você pois depende de comida e abrigo, diferentemente do Cachorro, que considera-o como 'parte da matilha'. Com a morte em questão, o Padrão de beleza separa-se da 'Individualidade', ou seja, o ego, o narcisismo. Grande sacada, né? Além disso a forma como a vítima morre representa o masculino 'esmagando' o feminino. A vítima morre com a cabeça esmagada por um pênis de porcelana gigante.

No "Tratamento Ludôvico", Alex era drogado e submetido a uma série de imagens violentas e sexuais, ao som de música clássica, preso a uma poltrona e com as pálpebras retidas, sem poder nem piscar. As drogas faziam-no passar mal e sua mente acabou por associar as cenas de sexo e violência as sessões de tratamento desesperadoras.
O fundamento deste programa chama-se "Teoria do Condicionamento", elaborada por I. Pavlov e desenvolvida por J. Watson e B. Skinner. Para entender melhor, teriamos que conhecer o BEHAVIORISMO. Para Watson, a psicologia deveria focar-se mais no comportamento observável do que no estudo dos processos mentais. No caso, o comportamento seria qualquer mudança observada que fosse conseqüência de um estímulo ambiental interior, ou seja, estudar a ação que ocorre como resposta a um estímulo específico. Vou explicar melhor: Watson acreditava que o Meio é de grande importância na construção do indivíduo, suas ações e comportamentos. Por exemplo, se colocassemos crianças recem-nascidas em um ambiente controlado, poderiamos determinar suas profissões e caráter. Watson então fez o Experimento do Pequeno Albert em 1920. Para demonstrar o funcionamento do condicionamento em seres humanos, Watson implantou uma fobia em um bebê da seguinta forma: Assosciou em estímulo neutro (animais peludos) a um estimulo aversivo (Som alto). Toda vez que o bebê aproximava-se do ursinho de pelúcia peludo, um som altíssimo ecoava perto dele. A apresentação simultânea dos estímulos por diversas vezes, fez com que o bebê desenvolvesse medo de animais peludos. No caso de Alex, estímulos agradáveis - sexo e violência - são associados a respostas desagradáveis - enjôos e desespero. A irônia fica por conta do padre que contesta que esta aversão a violência não é autêntica pois não é produto de uma escolha, mas coagida por medo do mal-estar físico - Somos bonzinhos, segundo a visão do cristianismo, apenas por MEDO do inferno.

Deu certo o tratamento? Para o governo sim. Não importa se ainda permaneciam as vontades guardadas internamente, desde que não fossem manifestadas. E é isso que acontece com cada um de nós. Este é o trabalho de alienação. Internamente ou em mesas de bar, ocorrem conversas indignadas referentes a guerras, violências, injustiças na política, mas não as manifestamos. Considerados animais 'racionais' e pensantes, tornamo-nos produtos mecanizados nas mãos do mercado só por querermos ter uma vida tranquila. Mas quem faz o mercado (sociedade) somos nós. Logo, somos obrigados a agir padronizadamente por escolha nossa, então, para que revoltar-se? Como a sociedade capitalista visa só o lucro, impõe um modo de vida comum e padronizado a todos, e esta 'domesticação' impede que olhemos para a sociedade como um todo e passemos a enxergar apenas a si. Queremos tanto uma boa-vida adornada de tecnologias que esquecemos da vida social e não damos atenção aos problemas que estão longe do campo de visão (Como política, segurança e educação). Além disso o "Tratamento Ludovico" está diretamente ligado a mídia publicitária de mercado. Através de imagem e música, somos seduzidos, são gerados sentimentos, opiniões e vontades. Uma vez que o nosso comportamento pode ser moldado por imagens, perdemos um referencial, vivendo como marionetes manipuladas. Ser livre é um estado utópico na condição humana.

Irvon D. Yalom diagnosticou vários pacientes recuperados, mas a constante desconfiança da familia fazia com que o paciente tivesse uma recaída em um momento onde quem precisava de terapia era a familia, a fim de aceitar que o paciente estava curado. Após Alex retornar a sociedade, acontece o mesmo que nos dias atuais: não há garantias que o acusado voltará a cometer o mesmo erro, causando uma discriminação massificada. Em seguida, as mascaras caem. Os primeiros que Alex tem contato pós tratamento é a familia, que renega-o, mostrando como a instituição Familia encontra-se cada vez mais desfalcada. Em segundo, os mendigos que começam a espancá-lo - Até esta 'classe' tão renegada pela sociedade, renega o 'ex-presidiario'. Em terceiro, os políciais, antigos amigos de gangue de Alex, espancam-no - Representam o descuido de deixarmos nossa segurança na mão de 'bandidos'. Ao mesmo tempo, questionamos a filosofia 'Violência com Violência". No livro "Vigiar e Punir" de Michel Foucault o ato de punir violência com violência seria transgredir a lei universal. Ao praticar este ato, mostra-nos que vivemos em uma sociedade de desiguais e abuso de poder. Em quarto, Alex encontra-se com Sr. Alexander, um escritor pertencente a um partido esquerdista que decide usá-lo a fim de derrubar o governo. Sr. Alexander já foi vítima de Alex e sua gangue anos atrás, tendo sua casa saqueada (Escritor = Conhecimento), sua mulher estuprada (Destruição dos Valores familiares) e perdendo o movimento das pernas (Tornando-o dependente). Sabendo do condicionamento de Alex a música erúdita, trancou-o em um quarto com música alta fazendo-o lembrar-se do tratamento motivando-o a suicidar-se.

Stanley Kubrick decidiu por mudar o final da história. No livro, Burgess conta que após a tentativa frustrada de suicídio, Alex faz um acordo com o governo após subornado a ficar favorável, e o condicionamento contra o sexo, violência e Beethoven, criado pelo Tratamento Ludovico, desaparece. Aí é onde o filme termina, mas no livro Alex recebe alta do hospital e visualiza antigos amigos de escola já casados e com familia, motivando-o a curar-se por si só e procurar aquele estilo de vida. Ao negar este final dado por Burgess, Kubrick mostra o que realmente queriamos. Queriamos Alex recuperado e o temos. O ex-lider de uma gangue tornou-se um político astucioso, de sorriso hipócrita e que sabe domesticar a sua sexualidade e agressividade. Capaz de cometer ainda as mesmas atrocidades, porém aceito nos ambientes mais sofisticados da sociedade, ou seja, por baixo dos panos. Vemos um ministro (Representante da sociedade) dar comida na boca de um marginal em troca de silêncio. Termina o filme com a frase "Agora eu estou realmente curado". Como ele verdadeiramente é. Como verdadeiramente somos.

Em sua fantástica fotografia e trilha sonora incrivelmente bem encaixadas (Guilherme Tell, Rossini, Beethoven), Kubrick submete-nos a um cruel "Tratamento Ludovico", o qual assistimos belíssimas cenas de violência, sem piscar. Sem sentir aversão, pelo contrário, sentimos prazer. Uma mistúra de ética e estética. Ficamos então, cientes e incomodados de nossa animalidade ao vislumbrar tais cenas com prazer. Há em nossa volta um show de horrores, onde o livre arbítrio deixa de ser uma opção e passamos a viver sem pensar, fazer sem entender e responder sem questionar. Pengunto-lhe então: Onde fica a sua liberdade a medida que nega-se a si próprio?

"O Homem Nasce Bom, a Sociedade que o corrompe" - Rosseau

Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Segredo de Beethoven

"O amor ensina música." (Erasmo de Rotterdam)

Considerado um dos pilares da música ocidental e um dos compositores mais influentes do mundo musical, Ludwig Van Beethoven nasceu em 16 de Dezembro de 1770 e faleceu em 26 de março de 1827. Compositor erudito alemão, passou pela transição do Classicismo* para o Romantismo**. Alemão, seu sobrenome vem do flamenco horta de beterrabas. Seu avô era maestro da capela de Antuérpia e seu pai era tenor e também lecionava. Desde os cinco anos estudou piano por todos os dias e por horas.
Confiado a Christian Gottlob Neefe, foi descrito como o menino que, com dez anos, dominava todo o repertório de Johann Sebastian Bach, e que o apresentava como um segundo Mozart. Logo depois, a tendência foi só ao crescimento.
Foi em Viena, com cerca de 26 anos, Beethoven recebeu o diagnostico de congestão nos centros auditivos internos, o que lhe resultaria em uma surdez progressiva. Consultou-se com inúmeros médicos e, sem sucesso, cogitou o suicídio. Até quem aos 46 anos, ensurdeceu completamente.

"Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou!" - Beethoven

A surdez progressiva não o impediu de ser um dos maiores gênios da história. Foi com a Sinfonia nº3 em Mi bemol Maior, intitulada de Eróica, que se iniciou o Período Romântico da Música Erudita (Curiosidade: Sinfonia Dedicada a Napoleão Bonaparte). Porém foi com a Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op.125, para muitos a sua maior obra-prima, que ficou conhecido mundialmente. O texto é uma adaptação do poema de Friedrich Schiller, "Ode à Alegria", feita pelo próprio Ludwig van Beethoven. Foi o primeiro exemplo de um compositor importante que tenha se utilizado da voz humana com o mesmo destaque que os instrumentos numa sinfonia e seus manuscritos foram vendidos a 3,3 milhões e é considerado "um dos maiores feitos do homem, ao lado do Hamlet e do Rei Lear, de Shakespeare".

Outra Obra Conhecida - Für Elisa (Para Elisa) : Há indícios que tenha sido dedicada em honra de uma senhora a quem propôs casamento, chamada Therese Malfatti. Atualmente é o Jingle do 'caminhão de gás'.


* Classicismo: Refere-se à valorização do período histórico da Antiguidade Clássica, com características ao universalismo, racionalismo, paganismo e antropocentrismo.

** Romantismo: Surgindo no final do século XVIII, foi um movimento artístico, político e filosófico que pregava o escapismo (fuga da realidade) com uma visão de mundo contrária ao racionalismo. O indivíduo voltou-se para si mesmo, retratando amores trágicos e utopias passionais, além do subjetivismo, idealização, sentimentalismo exacerbado, egocentrismo e a visão do belo e do feio.
O início deu-se por Beethoven e suas obras profundamente pessoais e interiorizadas, precedido por Chopin, Tchaikovsky, Felix Mendelssohn, Liszt, Grieg e Brahms. Seguido pelo Impressionismo, com um representante de peso, Claude Debussy

Sonata ao Luar (First Movement, Opus 27 Nr. 2)
Minha música preferida de Beethoven foi a trilha sonora de minha adolescência. Já a adorava, mas não a conhecia por volta de 2001, até que no filme "Elefante", de Gus van Sant, o protagonista a toca. Estudiosos afirmam que sua criação foi devido a Beethoven ter ouvido de uma vizinha cega que ela "Daria tudo para enxergar uma Noite de Luar” e, suas primeiras notas que se repetem constantemente durante a música são as três letras da palavra "Why". Obviamente, ou não, não deve ter sido a intenção do compositor, mas há o que se pensar. Também há a concepção do crítico Rellstab, que comparou a música a um "Luar no lago Lucerna"...

Independente, "Sonata ao Luar" é uma música melancólica a qual eu ouviria por horas, aceitando a melancolia e uma certa tristeza, ou não, já que quem conheceu a felicidade, não aceita ou dissimula a tristeza. Covarde não é quem chora por amor, mas eu, que não amo por medo de chorar. Sofrer é necessário, pois nos mostra que estamos vivos. O medo de sofrer me mata e me fará morrer duas vezes. Morrendo em vida, até morrer em morte.



Por Cláudio_DeLarge

sábado, 27 de junho de 2009

Peter Pan - O Menino Que Não Queria Crescer

"Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada com a ausência dela." - Anais Nin

Ao procurar no Google o nome de Michael Jackson, são 83.800.000 milhões de registros em apenas 0,15 segundos, ganhando de nomes como The Beatles (35.800.000), Madonna (75.700.000) e Britney Spears (83.400.000).
Com 50 anos o cantor, compositor, dançarino, ator, publicitário, escritor, produtor, diretor, istrumentista, estilista e empresário (ufa!) faleceu de uma parada cardiaca em decorrência de um overdose do medicamento Demerol, semelhante a morfina. Em 1984, o astro iniciou a utilização do Demerol após ter sofrido um acidente doloroso que incendiou o seu cabelo enquanto filmava um comercial para a PEPSI. O analgesico possui efeitos tóxicos e, quando utilizado regularmente, pode incluir delírios, ataques epilépticos e outros efeitos neurofisiológicos.

Começou a carreira cedo e, da adolescência para a vida adulta, sofria de depressão. Neste periodo, seus maiores inimigos eram o nariz - ao qual o pai frequentemente zombava por ser grande - e a crescente acne. Muitos não sabem, mas a sua primeira rinoplastia (cirurgia na estrutura nasal) foi efetuada porque quebrou o nariz durante um ensaio em 1979. Devido a dificuldades respiratórias, submeteu-se a uma nova cirurgia.
O momento que o consagrou Rei do Pop foi na festa de 25 anos de Motown - sua primeira gravadora. Após cantar "Billie Jean" (Album "Thriller", 106 milhões de cópias vendidas, o recorde), Jackson andou até o canto esquerdo do palco e voltou... de costas. O passo de dança batizado como MoonWalk (Algo como 'passo na lua') foi descrito pela revista Rolling Stones, Travolta e Bob Fosse como "comparável apenas ao andar do vagabundo de Chaplin, à sequência de Gene Kelly em Cantando na Chuva e aos passos de Fred Astaire no filme Núpcias Reais".
Em 1993, durante uma entrevista a Oprah Winfrey, afirmou sofrer de vitiligo, uma doença não contagiosa em que ocorre a perda da pigmentação natural da pele. O mesmo ano, aconteceu a primeira acusação de abuso sexual infantil e rumores de um relacionamento com Macaulay Culkin, porém as duas foram desmentidas. Em 2005, novas acusações surgiram, mas tambem foi absolvido por falta de provas.

Com aproximadamente 275 milhões de discos e coletâneas vendidos, Michael Jacksson é o recordista de recordes na industria musical. Mudou o cenário do Pop, do Soul, da gravação de videoclipes, da coreografia e da estruturação de shows de grande porte. Diagnosticado como um garoto de 10 anos, Jackson mostra-se extremamente ingênuo, frágil, triste e confuso em seu documentário "Living With Michael Jackson". Aconselho todos a assistir. Em certo ponto do documentário, Jackson diz que deixava as crianças dormirem em sua cama a pedido delas. Afirmava que dividir a cama com alguem é o maior ato amoroso que alguem pode fazer e, ele como anfitrião, não só oferecia a sua cama como tambem dormiria no chão se preciso.

Fiquei muito sensibilizado com a morte e, felizmente ou não, foi o motivo que me fez conhecer a discografia, clipografia e de perceber como é divertido dançar BEAT IT frente ao espelho. Quanto a quantidade de cirurgias plásticas e acusações de pedofilia, não cabe a nós julgarmos ou fazermos brincadeiras. Cada um tem a sua história de vida e suas próprias dores e renúncias. Uma coisa é você achar que está no caminho certo e outra é achar que o seu caminho é único. Vamos lembrar apenas as coisas boas - que não são poucas - deixadas por Mike, pois como disse Dante Alighieri "Quem és tu que queres julgar, com vista que só alcança um palmo, coisas que estão a mil milhas?"


. Luto: Michael Jackson, por ser uma eterna criança e Farrah Fawcett, fela garra na luta de três anos contra o câncer.


"Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. E é assim que perdemos pessoas especiais" - Carlos Drummond de Andrade