Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Seje Menas Gramática!

"Minha Pátria é a Língua Portuguesa" - Fernando Pessoa

Admito, que estou receoso de escrever esse post e aparecer um erro gramatical contraditório e teimoso aqui. Ah, e aviso-lhes de antemão que posso ser interpretado como chato ou metidinho, mas firmo minha opinião: Os favoráveis à questão do "Preconceito Lingüístico" que me desculpem, mas a gramática é fundamental.

Sou liberal em inúmeras questões polêmicas: Descriminalização do Aborto, Legalização da Maconha, Adoção/Casamento Homossexual, Prostituição, Diminuição da Maioridade Penal e entre outras várias querelas da Sociedade. Porém, há uma "liberalidade" que considero quase um absurdo: Escrever/falar errado. Isto é INADMISSÍVEL, sério!

A Língua Portuguesa possui mais de 240 milhões de falantes, sendo a quinta língua mais falada do mundo, a primeira no Hemisfério Sul e a terceira no ocidente. Ela é a TERCEIRA do Ocidente, leram direito!? O "problema" é que ela é falada nos países emergentes/subdesenvolvidos, como Angola, cabo Verde, Guine-Bissau, Moçambique e, é claro, Brasil. Logo, ela não ganha a visibilidade merecida, até por que nem mesmo os falantes a utilizam corretamente, por que os estrangeiros a utilizariam?

O Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa, um dos mais completos, possui cerca de 228.500 verbetes. Porém, a USP fez uma pesquisa no ano de 2008, dizendo-nos que a média do vocabulário do brasileiro é de 7.000 verbetes por dia. Levando em consideração a repetição e a falta de interesse na absorção de um maior vocabulário, dos 228.500 verbetes da Língua Portuguesa, apenas 67.000 serão utilizados no decorrer de sua vida. Ou seja, utilizamos apenas 29% de toda riqueza que nossa língua possui. E leve em consideração que não foram contabilizadas conjugações verbais. Leve ainda mais em consideração que muitos não usam, ou se quer sabem o significado da MESÓCLISE. A Língua Portuguesa é o único idioma românico que existe a mesóclise e muitos não utilizam. Poética, Suave, Portentosa, sexy... Um desperdício!

Para justificar a ignorância os erros gramáticais da população, Marcos Bagno popularizou a idéia do "Preconceito Linguístico" aqui no Brasil. Para Bagno o "preconceito linguístico é a atitude que consiste em discriminar uma pessoa devido ao seu modo de falar" (BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico. São Paulo: Edições Loyola, 2001), onde é exercido por aqueles que tiveram acesso à educação de qualidade, à “norma padrão de prestígio”. Resumida e grosseiramente falando, o sociólogo defende uma maior complacência frente às variantes lingüísticas e uma maior abertura e conscientização destas. Ou seja, já que tá difícil fazer os ignorantes falarem corretamente, vamos enburrecer a gramática, há! Para piorar, sabe como eu tive conhecimento deste livro? Na minha Universidade!!! Isso HU-NI-VER-ÇI-DA-DE!

Vou exemplificar: Que eu até seje chato e uma pessoa meia arrogante, mas se menas pessoas falam certo, vamudá!

O Sociólogo parte da premissa de não falarmos conforme a linguagem escrita, portanto devemos adequá-la a linguagem falada. Daí, nasce os internetês e derivados. Muitos já conhecem o exemplo do "Você": De "Vossa Mercê", passou a ser "Vósmissê", "Você", "Vc" e "C". Onde vamos parar? Daqui a pouco vamos grunhir para "economizarmos" palavras. O grande problema dessa economia temporal é a interpretação. Veja alguns exemplos:

Batatinha Quando nasce, esparrama pelo chão.
Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.

Quem tem boca vai à Roma.
Quem tem boca, vaia Roma. (Verbo vaiar)

Cúspido e Escarrado.
Esculpido e Carrara.

O que eu quis dizer com tudo isso? A Anarquia, em qualquer âmbito, é utópica. A unificação e valorização da gramática é de intencionalidade diferencial e de questão cíclica. Ou seja, se eu escrevo/falo de acordo com uma norma padrão culta é por que estudei, li e me informei. Adquiri conhecimento, poder de interpretação e senso crítico. Obviamente, isso não mede caráter, até por que todos temos nossas idiossincrasias. Não mede caráter, concordo, mas mede respeito profissional, nota escolar, conhecimento e, principalmente, meu interesse amoroso em alguém. :D

Ahh, desculpem, sou super bonzinho, mas coloco-me no direito de colocar uma exigência em meus casos amorosos (Além de cabelos enroladinhos, claro.)

Cláudio_DeLarge

domingo, 25 de julho de 2010

Crepúsculo e os Vampiros no Cinema

Atualmente, o que está mais na moda!? Adorar a Saga Crepúsculo ou criticar a saga? Em um mundo de adolescentes grávidas e pulseirinhas do sexo, não há como discordar que a Saga Crepúsculo devolveu, pelo menos para alguns adolescentes, o senso de Romantismo a tempos esquecido. Ok, eu também não posso discordar que a grande sacada de Stephanie Meyer, autora da série, deveu-se por unir todas as inseguranças das  meninas adolescentes sem muitos atributos físicos, porém de muita riqueza interior - ou acham que têm - e disponibiliza-las não só um principie encantado galante, rico, cheiroso, respeitoso e metrossexual, mas também um segundo principie encantado apaixonado, musculoso, quente e... sem camisa. E os dois lutam pelo amor da menina sem graça que, não contente nesse mundo fantasioso, ainda provoca a luta e a união dos inimigos mitológicos mais famosos da história: Os Vampiros e os Lobisomens! Dã! E qual o problema nisso? O 'problema' é transformar o sanguinário vampiro em um viatchyinho metrossexual que brilha no sol e lobisomens agressivos em homens musculosos e totalmente depilados. Isso é realmente um problema? E se esse 'problema' tão criticado já ocorreu várias vezes no decorrer da história? A-háá!
O vampiro mais famoso da história cultural é Conde Drácula, literatura escrita por Bram Stocker. O autor inspirou-se no príncipe vivo e real Vlad Drácula - O Empalador, nascido em 1431 na Transilvânia. "Drácula" significava Dragão ou Dêmonio em Romêno. Com 13 anos, o príncipe já aprendera milhares de técnicas de torturas (horríveis, muito horríveis) em guerra, e foi em seu reino em Wallachia que ele a pôs em prática.

A primeira adaptação de Drácula nos cinemas, popularizando o mito dos Vampiros por todo o mundo, foi uma versão não autorizada. Em 1922, "Nosferatu - Uma Sinfonia do Horror", o expressionismo alemão cria Conde Orlok (Max Schreck), um vampiro assustador, careca, corcunda e com orelhas e dedos pontiagudos. Muito feio! Tá certo que estamos falando de Expressionismo Alemão, mas Conde Orlok era, literalmente, um monstro. Em vez de caninos, Orlok tinha os dentes incisivos salientes. Uma representação bem sucedida do Horror!

O auge do Expressionismo Alemão deu-se na década de 1920. Um estilo cinematográfico que combinava cenários distorcidos e personagens bizarros, utilizando maquilagem, fotografia e cenografia fantástica na intenção de recriar o imaginário humano em alta dramaticidade. "Nosferatu - Uma Sinfonia de Horrores" e "O Gabinete do Dr. Caligari" iniciaram uma nova forma de cinema que repercutiu pelo mundo, inclusive Hollywood.

Já em 1931 a Universal Pictures recria Drácula através do ator húngaro Bela Lugosi. Combinando um sotaque aristocrático, nascia o perfil de vampiro eternizado: Romântico, bonito, sedutor, educado, elegante e inteligente. Logo, todas as adaptações vampirescas iriam utilizar deste perfil. Com o sucesso deste cinema horror, a Universal Pictures adaptava outros monstros clássicos, "O Lobisomen", "A Múmia", "Frankstein" e "O Fantasma da Ópera". Estes mesmos monstros seriam readaptados duas décadas depois pelos Estúdios Hammer. A Grande vantagem do estúdio era a utilização de cores, onde o destaque do sangue vermelho aterrorizaria muito mais a platéia. A Questão Vampiresca decidiu utilizar as duas coisas que o ser humano mais sente prazer: Sangue e Sexo. Inserindo erotismo e sensualidade de vítimas femininas semi-nuas e, não contentes, criam vampiras lésbicas.

A década de 80 chega e os vampiros recebem uma nova transformação. O romantismo e erotismo como tema central dos vampiros é deixado de lado e agora eles encontram-se nas grandes cidades. Não são mais clássicos e quase onipotentes vivendo em seus castelos. São jovens, inconseqüentes, bem-humorados e trocam a música erudita de Beethoven, Bach, e Mozart pelo atual Rock and Roll. Filmes como "A Hora do Espanto" e "Garotos Perdidos" comprovam o que eu estou te dizendo.

Quase no início da década de 90 um novo estilo de vampiro é abordado no cinema. Vampiro este que vai ao encontro do homem moderno: Um Vampiro Depressivo. Sim, na década de 90, após tantos anos de questionamentos sobre suas "vidas", os vampiros são deprimidos, repletos de dúvidas, inacabados e sozinhos. Como em "Entrevista com o Vampiro" e "Deixe Ela Entrar". Ainda nessa década, os vampiros unem tudo aquilo que os homens gostam: Sensualidade, sangue e armas. Em "Anjos da Noite" e "Blade", eles estão armados e com dons sobrenaturais.

Particularmente, não gosto de filmes de terror. Eu realmente tenho medo e não fico sozinho em algum cômodo depois de assistir Freddy Krueger ou Chuck, é sério. Talvez essa minha opinião me seja confortável, mas não há nada de errado em romantizar e brilhar um vampiro. Muitas vezes, tornamo-nos fãs de certa coisa e, quando ela é popularizada, ficamos irritados. Aquela certa coisa era a nossa forma de diferenciação. Quem já não ouviu dizer algo do tipo "Eu comecei a gostar de Fresno antes mesmo deles fazerem sucesso", e  não contentes, zombam dos novos fãs? Ou pior, tem aqueles que, vendo que certa coisa tornou-se famosa e popularizada, critica-a. Querem parecer diferenciados aos olhos alheios apenas pelo fato de não gostar daquela certa coisa popularizada, mas gosta! Se o cara não gosta de Crepúsculo, ele simplesmente não vai dizer ou comentar. Sabe porque? Por que não teve o interesse de ler. Será indiferente. Entendem? Não é que ele não gosta de Crepúsculo, ele não gosta do SUCESSO que Crepúsculo faz. Eu adoro Crepúsculo e já li todos os livros. Assim como gosto do Lestat, de "Entrevista com o Vampiro" e da Selene de "Anjos da Noite". O que eu quero dizer é, há vampiros para todos os gostos.  Escolha o seu! Na dúvida, temos até os vampiros brasileiros. A diferença é que eles são feios, gordos, barbudos e de unhas nojentas.

sábado, 26 de junho de 2010

About Love

- Amor tens por mim? Sei que direis que "Sim" e em vossa palavra eu hei de crer. Porém, se o fosse necessário jurar, por ventura, falso o provaríeis. Oh, gentil Romeu, se me amas, proclamai-o com sinceridade.
- Dama minha, oh Julieta! Eu juro por essa lua abençoada que de prateado adorna e embeleza as copas dest'árvores frutíferas.
- Oh, não jureis pela lua. Esta inconstante lua que em seu contorno circular muda todos os meses. Não haja de vosso amor provar-se-a assim tão mutável.
- Então pelo que posso jurar?
- Não jures nada, ou, se quiserdes, jure por ti mesmo, por tua nobre pessoa, que és o objeto de minha idolatria. Assim, te creio.
- És de todo o meu coração... de minha respiração... de meu amor...
- Não jureis. Embora com total alegria concebo este contrato de amor, confundo-me frente a aliança desta noite. És impetuosa, demasiada imprudente e demasiada súbita. Assim como um relâmpago que deixa de sê-lo antes mesmo que possamos dizer 'Ei-lo brilhou!'. Boa Noite!
- Vai-te embora? Por que me deixais assim insatisfeito?
- Oras, que satisfação quereis haverdes esta noite?
- A troca de vossa fiel promessa de amor pela minha.
- A minha fiel promessa de amor já vos dei antes mesmo de a pedirdes. É sua. [...]"
Trecho simplificado de "Romeu e Julieta", Sheakespeare


Querias eu, tanto, poder escrever sobre Amor. Nunca senti a irracionalidade que é o amor e a dor que o mesmo provoca. O amor é o fogo que arde sem se ver, e o meu coração sempre mostrou-se dorminhoco. Se é fogo, desejaria transformar meu coração em um bule. Bule este que ferve um sangue em ebulição, onde a saída do vapor seria a minha boca em um beijo apaixonado. Em meu devaneio amoroso e solitário, imagino um perfeito beijo. Beijo este que iniciar-se-a do olhar. Meu olhar viajará, então, por cada detalhe e desenho da íris do meu possível amado e amante. Contará seus cílios ondulados, fazendo-me sentir minha pele desgrudar-se de meus ossos. A ponta de meu indicador passear-se-a  pelo contorno da maçã do rosto rosada, contornando  o lóbulo da orelha e terminando nos cabelos. Durante esta viagem, meu cérebro confundir-se-a com uma metralhadora de sensações. O som do meu coração será o único a inundar o silêncio que se fará ao meu redor. Meu rosto aproximar-se-a e a ponta de meu nariz, inicialmente, passeará pelo rosto de meu amado, onde meus lábios tocarão partes desta minha perdição, este rosto, numa comedida e contida intenção. A ponta do meu nariz contornará teu nariz. Meus olhos fechar-se-ão e eu terei de respirar profundamente. Primeiro, para ver se esta sensação aparentemente palpável também odor possui. Segundo, para recuperar o fôlego na respiração invariável que me atingirdes. Minhas mãos então, segurar-te-ão o rosto como se fosse a mais frágil criatura existente e, que de meu cuidado, dependesse a vida. E, cuidadosamente e sedento, beijo-lhe os lábios, num sugar de vida vital e incondicional. Onde eu esqueça de minha existência, embora fazer-me-a sentir mais vivo que nunca. 

"A coisa mais importante que se deve aprender é amar e em troca, amado ser." - Frase do filme Moulin Rouge

Por Cláudio_DeLarge
Hoje eu assisti Moulin Rouge seguido de Romeu e Julieta. Não há coração que aguente.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A Palavra Nunca Dita Prestes, Quem Sabe, a Ser Dita

"Prefiro que caluniem o meu silêncio a que caluniem as minhas palavras." (Nicolas Chamfort)

Um moreno sorridente passa, teatraliza e adoça a minha boca.
Um já velho, de pelos nas orelhas define-me em beleza barroca.
Outro macho colorido, não tão macho, prefere-me ao namorado.
Olho com cara de tacho, me acho. É um feio à flertar demasiado.
Penetrando logo o túnel, em desejo ao meu túnel, massageia o pau.
Vejo logo a aliança e me cresce desconfiança num pasmo colossal.
Já em casa distraído, num tesão compelído, minha mão à trabalhar.
Em um vai-e-vem contido, controlando o expelido, para demorar.
Penso nos flertes safados recusados  e o meu cuspe da boca nasce.
Fecho olhos no escuro, pensamento obscuro. Algo me atingi a face.
O toque a explodir, meus olhos a sentir o cigarro do rosto quadrado.
Seduz-me de óculos, corpos em ósculos de culpa. Coração já parado.
Seu corpo modifíca-se na derme que dispa-se em cheiro de podridão.
Confesso à religião, Vermes e racionalização numa dupla-penetração.
"Volte-se para si", é isso que ele me diz em um protesto requerido
Engulo vermes brancos que desviam-me do "o que poderia ter sido"
O sorriso nasce todo dia, em constante alegria que nem me cabe.
Sou uma borboleta personificando a punheta, a qual bem já sabe.
Achou o texto estranho por ter métrica sem tamanho?Olhe pra cima.
Seu teto é branco? Bobo, não sou santo. Só estou treinando rima.

Por Cláudio_DeLarge

domingo, 25 de abril de 2010

O Silêncio: Harry Potter

"Os meus livros abordam bastante a morte. Começam com a morte dos pais de Harry. Há a obsessão de Voldemort em derrotar a morte e conquistar a imortalidade a qualquer preço […]. Eu percebo porque é que Voldemort quer conquistar a morte. Todos nós temos medo dela" - J.K. Rowling.

Dostoiéwsky, Tolstoy, Nietszche, Foucault, Oscar Wilde e Virginia Wolf. Todos escritores de grande nome com obras reconhecidas, aclamadas e em sua complexidade gostosa de leitura. Até Paulo Coelho e Sidney Sheldon, amados e odiados, possuem seus grandes méritos. Pedantismo e pseudo-intelectualidade a parte, está é a hora das confissões. Sabe aquelas coisas que amamos e, por algum motivo, não divulgamos ou até escondemos? Pois bem, este é o primeiro de muitos textos de minhas adorações não divulgadas. Ah, eu amo. AMO. Sou vidrado em Harry Potter.

Escrito por Joanne Katlheen Rowling, a saga Harry Potter, composta por 7 livros, vendeu quase 500 milhões de exemplares mundialmente, tornando sua autora a mulher mais rica da história da literatura. Foi traduzido em 37 idiomas e distribuído para mais de 200 países. No cinema, a saga Harry Potter não só eclipsou fantásticas histórias como Star Wars, tratando-se de bilheteria mundial, como também ganhou o posto de franquia Número Um na história cinematográfica (Indicada a 7 Oscar's). Embolsou 4,5 bilhões de dólares frente a 2,9 bilhões da segunda maior franquia, O Senhor dos Anéis. Levando em consideração que é destinada ao público infanto-juvenil, criu e enfeitiçou o mundo para si.

O maior mérito da série é trazer de volta o hábito de ler tanto em crianças como adultos. Em uma pesquisa do instituto KFRR, 51% dos leitores entre 5 e 17 anos afirmaram que não liam por diversão antes de conhecer Harry Potter. O estudo relatou ainda que, de acordo com 65% dos filhos e 76% dos pais, o desempenho escolar das as crianças melhorou desde que começaram a ler a série. A saga cria-se então o hábito de ler, e muito. A cada livro, aumenta-se o número de páginas. O primeiro, Harry Potter e a Pedra Filosofal, com 242 páginas difere-se muito em número de páginas e complexibilidade afetivo-psicológica dos personagens de Harry Potter e a Ordem da Fenix, com 702 páginas. Muitas letras, frases longas, nomes difíceis e... sem ilustrações. Tudo isso frente a uma sociedade que na era da imagética e virtual, simbologista e de informações rápidas, que provoca aversão a uma leitura vagarosa e de maior concentração interior: A deliciosa leitura literária. Seu sucesso foi tanto que deu início a novas franquias, destacando-se as séries Twilight, Percy Jackson e Eragon.

Mas engana-se quem acha que só de adolescentes vem o fanatismo Harry Potter. 39% dos leitores tem mais que 21 anos. Sua narrativa e simbologia vai além do intencional. Associações com Hitler, discriminação racial, xenofobia, lealdade, conflitos na adolescência, feminismo, justiça social, a crítica religiosa, tempo e espaço, ética e liberdade, meio ambiente, e até referente a orientação sexual. Pois é, a mais explícita refere-se ao incrível Alvo Dumbledore, um dos personagens mais admirados da saga. Em nota "Sempre vi Dumbledore como gay", disse JK em resposta a uma pergunta feita sobre a vida amorosa do mago, "Ele se apaixonou por Grindelwald... Não se esqueçam que a paixão deixa qualquer um cego. Ele ficou muito atraído por sua personalidade brilhante e essa foi sua tragédia." Babado! A Grifinória é dedicada ao auto-conhecimento, Lufa-Lufa trata da moralidade, Sonserina de ambição e a Corvinal, da Metafísica...
Mas, o maior foco do livro é a dualidade Bem e Mal frente as escolhas feitas pelo indivíduo. Em Harry Potter e a Câmara Secreta, Dumbledore faz uma importante declaração sobre o assunto: "São as nossas escolhas, Harry, que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades".

BILHETERIAS
Harry Potter e a Pedra Filosofal 2001 US$974,733,550 #6
Harry Potter e a Câmara Secreta 2002 US$878,643,382 #17
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban 2004 US$796,634,069 #24
Harry Potter e o Cálice de Fogo 2005 US$896,921,036 #14
Harry Potter e a Ordem da Fênix 2007 US$938,212,738 #8
Harry Potter e o Enigma do Principe 2009 US$934,020,895 #9
Em ordem crescente, antes de Harry Potter encontram-se Avatar, Titanic, O Senhor do Anéis - O Retorno do Rei, Piratas do Caribe - O Baú da Morte e Batman - O Cavaleiro das Trevas.

"Harry Potter passará pelo teste de tempo e irá para uma prateleira onde somente os melhores são mantidos […]. Essa é uma série não só para uma década, mas para eras". - Stephen King


Por Cláudio_DeLarge
Dedicado ao Italo Seal - Escreva sobre as 'inutilidades que você gosta... Viva Mariah Carey. :)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Sociedade: Laranja Mecânica

"Ainda que exista uma enorme hipocrisia a respeito da violência, todas as pessoas são fascinadas por ela. Afinal, o homem é o assassino mais cruel que já pisou no planeta." - Stanley Kubrick

Título Original: A Clockwork Orange, 1971
Direção: Inglaterra, Stanley Kubrick

Junto com "Admirável Mundo Novo" de Hukley e "1984" de Orwell, "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess forma uma tríplice distópica da sociedade pós-revolução industrial. Um estilo de vida dominado pela mecanização dos processos sociais, referentes a revolução industrial, condenou todos os seres humanos a uma uniformidade de comportamento. Muito mais que um filme sobre a violência e hipocrisia, "Laranja Mecânica" (1971) do incrível Stanley Kubrick, mostra-nos o mecanismo de controle utilizado pela sociedade utilizando como exemplo Alex Delarge (Malcon McDoweell), um adolescente que tem como principais interesses "a UltraViolencia, o estupro e Beethoven". Um resumo da Sociedade atual e futura.

Alex DeLarge é um menino de 14 anos e líder de uma gangue, onde seus principais interesses são o sexo desenfreado, a ultra violência e Ludwig Van Beethoven. Dois anos após ser preso por assassinar a dona de um Spa, é convidado a realizar o "Tratamento Ludovico". Este tratamento criado pelo governo prometia devolver os criminosos totalmente recuperados à sociedade. A partir daí nasce a principal questão do filme: De que adianta 'curar' um indivíduo que não consegue administrar os seus instintos frente a uma civilização igualmente incapaz de administrar suas contradições sociais?

A própria chamada do filme mostra-nos a forma a qual a sociedade controla-nos, colocando Alex DeLarge e seus interesses como 'inimigos'. A Violência é sinonimo de expressão contra o sistema vigente. Os únicos que podem utiliza-la são as autoridade/policiais. Utilizá-la seria o mesmo que igualar-se. O Sexo também como forma de controle, referência a religiosidade e a familia. As duas instituições 'limitam' o indivíduo, como forma de pensamento e relacionamento, respectivamente. E Beethoven, musica erúdita, como representação do conhecimento. Quem o tem, questiona, sendo a inteligência um grande inimigo da sociedade. Assassinando a Dona de um Spa, Alex DeLarge assassina o Padrão de Beleza imposto pelos meios de consumo. A vítima possuia mais de 30 gatos em seu spa. O gato tem como característica a individualidade e o interesse. Este bichinho de estimação só está com você pois depende de comida e abrigo, diferentemente do Cachorro, que considera-o como 'parte da matilha'. Com a morte em questão, o Padrão de beleza separa-se da 'Individualidade', ou seja, o ego, o narcisismo. Grande sacada, né? Além disso a forma como a vítima morre representa o masculino 'esmagando' o feminino. A vítima morre com a cabeça esmagada por um pênis de porcelana gigante.

No "Tratamento Ludôvico", Alex era drogado e submetido a uma série de imagens violentas e sexuais, ao som de música clássica, preso a uma poltrona e com as pálpebras retidas, sem poder nem piscar. As drogas faziam-no passar mal e sua mente acabou por associar as cenas de sexo e violência as sessões de tratamento desesperadoras.
O fundamento deste programa chama-se "Teoria do Condicionamento", elaborada por I. Pavlov e desenvolvida por J. Watson e B. Skinner. Para entender melhor, teriamos que conhecer o BEHAVIORISMO. Para Watson, a psicologia deveria focar-se mais no comportamento observável do que no estudo dos processos mentais. No caso, o comportamento seria qualquer mudança observada que fosse conseqüência de um estímulo ambiental interior, ou seja, estudar a ação que ocorre como resposta a um estímulo específico. Vou explicar melhor: Watson acreditava que o Meio é de grande importância na construção do indivíduo, suas ações e comportamentos. Por exemplo, se colocassemos crianças recem-nascidas em um ambiente controlado, poderiamos determinar suas profissões e caráter. Watson então fez o Experimento do Pequeno Albert em 1920. Para demonstrar o funcionamento do condicionamento em seres humanos, Watson implantou uma fobia em um bebê da seguinta forma: Assosciou em estímulo neutro (animais peludos) a um estimulo aversivo (Som alto). Toda vez que o bebê aproximava-se do ursinho de pelúcia peludo, um som altíssimo ecoava perto dele. A apresentação simultânea dos estímulos por diversas vezes, fez com que o bebê desenvolvesse medo de animais peludos. No caso de Alex, estímulos agradáveis - sexo e violência - são associados a respostas desagradáveis - enjôos e desespero. A irônia fica por conta do padre que contesta que esta aversão a violência não é autêntica pois não é produto de uma escolha, mas coagida por medo do mal-estar físico - Somos bonzinhos, segundo a visão do cristianismo, apenas por MEDO do inferno.

Deu certo o tratamento? Para o governo sim. Não importa se ainda permaneciam as vontades guardadas internamente, desde que não fossem manifestadas. E é isso que acontece com cada um de nós. Este é o trabalho de alienação. Internamente ou em mesas de bar, ocorrem conversas indignadas referentes a guerras, violências, injustiças na política, mas não as manifestamos. Considerados animais 'racionais' e pensantes, tornamo-nos produtos mecanizados nas mãos do mercado só por querermos ter uma vida tranquila. Mas quem faz o mercado (sociedade) somos nós. Logo, somos obrigados a agir padronizadamente por escolha nossa, então, para que revoltar-se? Como a sociedade capitalista visa só o lucro, impõe um modo de vida comum e padronizado a todos, e esta 'domesticação' impede que olhemos para a sociedade como um todo e passemos a enxergar apenas a si. Queremos tanto uma boa-vida adornada de tecnologias que esquecemos da vida social e não damos atenção aos problemas que estão longe do campo de visão (Como política, segurança e educação). Além disso o "Tratamento Ludovico" está diretamente ligado a mídia publicitária de mercado. Através de imagem e música, somos seduzidos, são gerados sentimentos, opiniões e vontades. Uma vez que o nosso comportamento pode ser moldado por imagens, perdemos um referencial, vivendo como marionetes manipuladas. Ser livre é um estado utópico na condição humana.

Irvon D. Yalom diagnosticou vários pacientes recuperados, mas a constante desconfiança da familia fazia com que o paciente tivesse uma recaída em um momento onde quem precisava de terapia era a familia, a fim de aceitar que o paciente estava curado. Após Alex retornar a sociedade, acontece o mesmo que nos dias atuais: não há garantias que o acusado voltará a cometer o mesmo erro, causando uma discriminação massificada. Em seguida, as mascaras caem. Os primeiros que Alex tem contato pós tratamento é a familia, que renega-o, mostrando como a instituição Familia encontra-se cada vez mais desfalcada. Em segundo, os mendigos que começam a espancá-lo - Até esta 'classe' tão renegada pela sociedade, renega o 'ex-presidiario'. Em terceiro, os políciais, antigos amigos de gangue de Alex, espancam-no - Representam o descuido de deixarmos nossa segurança na mão de 'bandidos'. Ao mesmo tempo, questionamos a filosofia 'Violência com Violência". No livro "Vigiar e Punir" de Michel Foucault o ato de punir violência com violência seria transgredir a lei universal. Ao praticar este ato, mostra-nos que vivemos em uma sociedade de desiguais e abuso de poder. Em quarto, Alex encontra-se com Sr. Alexander, um escritor pertencente a um partido esquerdista que decide usá-lo a fim de derrubar o governo. Sr. Alexander já foi vítima de Alex e sua gangue anos atrás, tendo sua casa saqueada (Escritor = Conhecimento), sua mulher estuprada (Destruição dos Valores familiares) e perdendo o movimento das pernas (Tornando-o dependente). Sabendo do condicionamento de Alex a música erúdita, trancou-o em um quarto com música alta fazendo-o lembrar-se do tratamento motivando-o a suicidar-se.

Stanley Kubrick decidiu por mudar o final da história. No livro, Burgess conta que após a tentativa frustrada de suicídio, Alex faz um acordo com o governo após subornado a ficar favorável, e o condicionamento contra o sexo, violência e Beethoven, criado pelo Tratamento Ludovico, desaparece. Aí é onde o filme termina, mas no livro Alex recebe alta do hospital e visualiza antigos amigos de escola já casados e com familia, motivando-o a curar-se por si só e procurar aquele estilo de vida. Ao negar este final dado por Burgess, Kubrick mostra o que realmente queriamos. Queriamos Alex recuperado e o temos. O ex-lider de uma gangue tornou-se um político astucioso, de sorriso hipócrita e que sabe domesticar a sua sexualidade e agressividade. Capaz de cometer ainda as mesmas atrocidades, porém aceito nos ambientes mais sofisticados da sociedade, ou seja, por baixo dos panos. Vemos um ministro (Representante da sociedade) dar comida na boca de um marginal em troca de silêncio. Termina o filme com a frase "Agora eu estou realmente curado". Como ele verdadeiramente é. Como verdadeiramente somos.

Em sua fantástica fotografia e trilha sonora incrivelmente bem encaixadas (Guilherme Tell, Rossini, Beethoven), Kubrick submete-nos a um cruel "Tratamento Ludovico", o qual assistimos belíssimas cenas de violência, sem piscar. Sem sentir aversão, pelo contrário, sentimos prazer. Uma mistúra de ética e estética. Ficamos então, cientes e incomodados de nossa animalidade ao vislumbrar tais cenas com prazer. Há em nossa volta um show de horrores, onde o livre arbítrio deixa de ser uma opção e passamos a viver sem pensar, fazer sem entender e responder sem questionar. Pengunto-lhe então: Onde fica a sua liberdade a medida que nega-se a si próprio?

"O Homem Nasce Bom, a Sociedade que o corrompe" - Rosseau

Por Cláudio_DeLarge

sábado, 2 de janeiro de 2010

O Retrato de Dorian Gray

"Todo o Homem nasce bom, mas é a sociedade que o corrompe." - Comte

O romance "O Retrato de Dorian Gray" foi publicado em 1891, tendo como autor o incrível Oscar Wilde. É o retrato e símbolo da decadência intelectual de juventude da era Vitoriana Inglesa - Período de prosperidade, paz e expansão do império britânico em conjunto com a revolução industrial - criticando sua postura e estilo de vida.
O romance gerou polêmica na época devido ao seu homoerotismo. Com isso e, combinado a atitudes excêntricas e públicos relacionamentos homossexuais, o autor foi julgado e preso por "cometer atos imorais com diversos rapazes".

Dorian Gray é um personagem de 17 anos dono de uma beleza narcisizesca que fascina todos que o conhecem, tanto homens como mulheres. Rico, lindo, simpático e ingênuo. Tornou-se então o modelo para o pintor Basil HallWard, não só pela beleza física de parecer um "Adônis que se diria feito de marfin e pétalas de rosa", mas por inspirar diversas outras obras do pintor criando então um amor platônico. Conhece então o Lordy Henry Wotton, personagem que representa as características da sociedade na época - cínico, sarcástico, preconceituoso, rico e convencido - convence Dorian Gray a sua visão de mundo hedonista de levar o prazer individual as ultimas consequências, tendo-o como objetivo primôrdial.

"(...) Sou de parecer que se o homem vivesse plena e totalmente a sua vida, desse forma a todo sentimento, expressão a toda idéia, realidade a todo devaneio... o mundo receberia um impulso de alegria que nos faria esquecer todos os males do medievalismo e voltar
aos ideais helênicos." .
Defende que a beleza sempre terá sua importância e sobrepõe-se a qualquer outra virtude, até mais que a inteligência.
"(...) A beleza, a verdadeira beleza, acaba onde principia a expressão inteligente (...) A beleza é uma forma de gênio... mais elevada que o gênio, pois dispensa explicação".

Convencido com estas idéias, Dorian Gray exclama "Se fosse eu que me mantesse jovem e o retrato que ficasse velho! Por isso, — por isso — Eu daria tudo! Sim, não há nada no mundo todo que eu não daria por isso. Até a minha alma." . Seu pedido então é atendido. Sua beleza continua com o decorrer de todos os anos, mas o quadro degrada-se e reflete sua atual vida, a qual cada pecado menor só é esquecido ao cometer pecados maiores. Como um Midas reverso, tudo que ele toca, destrói-se. O Bem e o mal são colocados em discussão, onde nenhum deles é algo distinto. Muitas vezes, são a mesma coisa. Quando Dorian Gray faz uma boa ação, a faz por ser realmente bom, ou para apenas aumentar seu ego? Para enganar os outros, inconscientemente, seu verdadeiro caráter?
Uma leitura que vale muito a pena.


Duas versões já foram feitas para o cinema.
Para o papel de Dorian Gray Hurt Hatfield em 1945(à esq.) e Ben Barnes em 2009 (à Dir.), mas apenas na versão de 2009, ainda sem data marcada para estrear no Brasil, ocorre um beijo gay, o qual pode ser visto na cena do Youtube abaixo. Particularmente, não gostei da escolha de Ben Barnes para o papel. Escolheria Ian Somerhalder, por exemplo. Independente, a única coisa que exijo neste filme, são os diálogos inteligentes do livro.

“(…)todo mundo pode ser bondoso no campo. Lá não há tentações. E é esta justamente a razão pela qual as pessoas que vivem fora da cidade não são absolutamente civilizadas. A civilização não é, de maneira nenhuma, uma coisa fácil de se alcançar. Há apenas duas maneiras de chegar a ela. Uma é a cultura e a outra, a corrupção. Ora, a gente do campo não tem oportunidade de travar conhecimento com qualquer das duas maneiras; por isso fica completamente estagnada(…)”

CENA BEIJO GAY - O RETRATO DE DORIAN GRAY (2009)



FRASES DE OSCAR WILDE:

"A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre."
"Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza."
"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe."
"Nunca viajo sem o meu diário. É preciso ter sempre algo extraordinário para ler no comboio."
"Perversidade é um mito inventado por gente boa para explicar o que os outros têm de curiosamente atractivo."

UMA DAS MELHORES:
"Ser grande significa ser incompreendido"

Por Cláudio_DeLarge

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DogVille - A Hipocrisia Sexual (Resposta)

"Me abster de sexo? Então para que servira este meu corpo tão perfeito?" - Arnold Schwarzenegger

Primeiramente, vamos entender o significado da palavra HIPOCRISIA.

Hipocrisia: Afetação de virtude e/ou sentimento que não se tem. É criticar uma determinada idéia ou ação a qual está vinculada na própria pessoa que a crítica.

No Post anterior recebi um comentário de um leitor "Decepcionado" e de um outro sugerindo a utilização de personagens a fim de não me expor. Entendo e agradeço a sugestão do primeiro, mas e o "Decepcionado"? Realmente ainda não entendi.
Se você é um indivíduo que não transa com frequência ou facilmente, é considerado ultrapassado, inseguro, donzela, virgenzinho, lúdico ou 'crente do bumbum quente. Se faz MUITO sexo, independente do parceiro, é uma puta, viadinho, doente, promíscuo e que não se dá o devido valor.
Os grandes conhecedores de culinária, esporte, economia e cultura são enaltecidos como intelectuais. Ter vivência e conhecimento sobre cinema, música, biologia e política torna-os inteligente. Menos com o Sexo. Glorinha Calil escreveu um livro sobre etiqueta e moda, algo que atinge pouquíssima parcela da população brasileira, e é elogiada e considerada
exemplo a ser seguido (Por quem? Pesquisa feita pelo CBIC mostra que 46% dos brasileiros empregados ganham cerca de um salário mínimo, R$ 465), enquanto Bruna Surfistinha foi criticada e, mesmo deixado a antiga profissão, ainda é chamada de "Puta".
O contraditório (ou não) disso tudo é que enquanto Glorinha Kalil vendeu cerca de 250 mil cópias com seus quatro livros (Chic, Chic Homem, Alô Chics e Chic[érrimo]), Bruna surfistinha vendeu mais de 400 mil cópias com três de livros lançados (O Doce Veneno do Escorpião, Na Cama com Bruna Surfistinha e O que Aprendi com Bruna Surfistinha). Estranha esta vergonha moralista e imaturidade na hora de falar de sexo.

Uma pergunta Óbvia: Quem aqui já assistiu um comercial de cerveja? Todos, obviamente. Qual o seu tema central? Homens normais (Estranhamente sem a barriga de chopp e o dominó) ao lado de mulheres gostosas, lindas, semi-nuas e com um tremendo calor. A Imagem da mulher como um produto. Em contrapartida, estes comerciais continuam a circular. Há pouco tempo atrás, um comercial das Havaianas foi tirado do ar pela própria empresa devido a inúmeras relamações com a palavra "Sexo".Comercial criativo, mas nasce outra pergunta: E se fosse um neto e um Avô conversando, e aparecesse a Karina Bacchi, por exemplo? Seria retirado?

Comercial Havaianas "Avó", com Cauã Reymond

Remake/Retratação - Comercial Havaianas "Avó", com Cauã Reymond

Nenhum dos fatos do meu ultimo Post foi consumado, sou tão tranquilo em relação a sexo que fui perder minha virgindade aos 19 anos (Atualmente, para quem não sabe, eu tenho 19 anos).
Não querendo ser convencido, e a modéstia também é uma vaidade escondida atrás da porta, mas vocês já viram alguma pessoa bonita, fisicamente falando, bonita de verdade, ser contra ou reclamar dos que falam de sexo? É algo meio Merengre: Por trás de todo o ataque aos que falam de sacanagem, sempre tem alguem com uma feiurinha que mal consegue esconder a frustração.
Sei que é quase impossível, mas você, se tivesse um corpo incrivelmente definido, olhos claros (ou não) e um belo rosto, não teria as mesmas atitudes das pessoas que tanto critica?

"Eu não tenho vergonha de todas as coisas que eu sonho. Já me encontrei flertando com o limite do obsceno" (Britney Spears)

Por Cláudio_DeLarge

sábado, 2 de maio de 2009

"Ensaio Sobre A Cegueira"

“Se Podes Olhar, Vê. Se Podes Ver, Repara.”
Antes que eu pudesse pensar, abri os olhos. Ainda podia ver tudo nitidamente.
Estiquei meu braço para a direita e ele não estava na cama. Ele com certeza não tinha ido muito longe. Ao levantar para ir procurá-lo, deparei-me com o espelho e a imagem projetada era horrível. Cabelos grossos e sujos, barba mal feita, olheiras muito fundas e rosto pálido. Eu estava horrível. Isto não importava, todas as dezenas de pessoas da minha ala estavam, a diferença entre eu e elas é que elas não se viam. Todos eram iguais, independente da cor dos cabelos, da cor dos olhos ou da quantidade de músculos. Todos eram cegos, literalmente falando. Uma cegueira branca e leitosa.
Cheguei ao corredor. Eu já havia me acostumado com aquele cheiro fétido que penetrava em minhas narinas e provocava uma ânsia quase incontrolável. Os cegos, por não conseguirem chegar até o banheiro, faziam suas necessidades por ali mesmo. Nem mesmo se limpavam, já tinham noção da própria imúndice.
Neste cenário acontecia o sexo mais selvagem e bizarro que eu já vira. A fêmea de pernas abertas gemia quase em gritos ali no chão. O macho roncava e estocava com violência com beijos perdidos no rosto dela. Lembravam-me porcos. Ele gozou. Suor, merda, urina e gozo. Isso que se resumia o homem.
Distante cerca de cinco metros de um homem sentado no chão imundo e que comia um pedaço de pão com bolor verde, lá estava ele. Ele, quem eu amei, no passado. As calças abaixadas até o chão, agachado e olhando fixamente para o nada. Defecava. Parecia um porco. Uma lagrima caiu dos meus olhos no mesmo momento que caiu dos dele. Ele levantou-se, vestiu-se e vinha até mim, tateando uma parede com marcas de mão suja e ainda com os olhos fixos em algo que eu, vendo, não via. Engoli em seco, não sabendo se era para evitar um choro ou evitar um vômito de nojo. Sorri e disse “Limpar-te-ei”.

“Ensaio Sobre a Cegueira”, romance de 1995 do escritor José Saramago, e filmado em 2008 por Fernando Meirelles (Blindness), foi ganhador do prêmio Nobel de literatura. O verdadeiro retrato do Homo Sapiens, onde a Liberdade, Igualdade e Fraternidade estão tão distantes quanto a Ordem e o Progresso Brasileiro.
Uma cidade é atacada por uma epidemia onde todos ficam cegos, uma cegueira branca. Para evitar o contágio, o governo coloca todos os infectados em quarentena em um hospício abandonado. Apenas uma mulher não é infectada.
Se deixados à solta e sem regras, os homens depressa se transformam em animais. O que vale é o extinto de sobrevivência.
Um cego normal vê tudo preto. Enquanto o preto é ausência de cor, o branco é união de todas as cores. A Cegueira branca é uma parábola sobre termos tudo à nossa frente e não vermos nada. O ser humano vive em um estado de cegueira antes mesmo de perder a visão. É perdendo a capacidade de pré-julgar que podemos ter uma relação verdadeira com o mundo. A cura para esta cegueira é reconhecer que dependemos uns dos outros e enxergar o próximo com tolerância e amor.
É justamente nossa visão, real ou metafórica, que nos cega para o que realmente importa. Focamos no valor superficial, como a cor da pele, a orientação sexual e a etnia, o que altera nossas opiniões em função do preconceito ridículo (Afinal, todos o são) e impedem de enxergarmos o que verdadeiramente importa.
Foi necessário que as pessoas não enxergassem para que vissem. Devemos tirar nossas idiotas fantasias de homens e perceber que, para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.
Nos auto-intitulamos animais racionais por conseguirmos interpretar o que enxergamos, mas interpretamos errado e limitadamente. Podemos destruir o mundo ou o coração das pessoas que amamos. Somos nós os animais 'racionais'?

“Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem." – José Saramago, O Ensaio Sobre a Cegueira, 1995.
(Dedicado à Você)

Cláudio_DeLarge