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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

_manual do sexo virtual com desconhecidos

"O cérebro é o meu segundo orgão sexual predileto"
-Woody Allen



Disse um amigo meu certa vez, que quando conversava com a sua avó, mulher deveras sábia nas questões meteorológicas e também sabida dos argumentos pluviométricos, constatou que a chuva se dava no ato de São Pedro querer limpar o céu. Pois é, diante desta porra de TOC demonstrado por Sâo Pedro esses dias, passei duas semanas dedicado ao ócio.

Muitos filmes se passaram e muitos seriados tambem. Em uma hora que não havia mais nada para se fazer, sabem o que eu decido? Entrar no MSN.
Pois é, amigos. MSN ainda existe em um longinquo mundo virtual de pessoas vagabundas que não tem amigos - muito menos assunto - e se divertem com suas CAMs safadinhas. Várias janelinhas piscam pedindo a minha atenção, mas contarei a história de uma específica:

- Quem é você? - pergunta um lhouco com uma foto semi-nua mostrando um corpo muito do interessante.
Na boa, amigos, quem já não foi pego de surpresa por tal pergunta estapafúrdia? Se eu já não estivesse no status sexual "CIO", eu desligaria o MSN e assistiria um filme. Porém, pensando com a cabeça de baixo, continuei a conversa. Respondi:
- Como assim, quem sou eu? Minha foto está na imagem de exibição e meu nome escrito ali em cima. Seja mais específico na pergunta, oras!

- Que grosso, leke! - ele comentou ressentido. "Leke"? Hunf!
- Não sou grosso, ué. A menos que você seja um filósofo, essa sua pergunta "quem é você?" não faz o menor sentido.
- Poxa, man. Tu tá nervoso. Deixa essa conversa para lá então... - "Tadinho", eu pensei. Eu não entrava no MSN há uns dois anos e tinha esquecido que mesmo se eu escrever sorrindo, a frase não ficará simpática. Dei uma piscadela para a tela, como se ela fosse a minha amiga no momento, e continuei.
- Desculpe, amigo! Olha, eu sou o Cláudio, tenho 22 anos e não faço ideia de onde nos conhecemos.
- Ah, é verdade, leke. O que você curte?

- Ah, eu curto cinema, teatro...

- Não, leke, digo de sexo.

Naquele momento eu entendi como se desenrolaria aquela conversa. Eu, muito do safadinho, fiz um biquinho, me arrumei na cadeira e coloquei toda a sensualidade nos meus dedos:
- Gosto de um sexo safado, com uma pegada mais agressiva - naquele momento eu sorria para o monitor como se o seduzisse - Uns puxões de cabelo e uns tapas nervosos - eu já estava mentalmente fazendo sexo comigo mesmo. Sou muito maroto - Tezão é pegada violenta! - e dei uma gemidinha. Ele não ouviu, obviamente, mas aquilo era muito divertido!

- Rs, curti
- Ele respondeu sem muita criatividade. - e você é ativo ou passivo, leke?

- Versátil - respondi. Traduzinho: "O que vier é lucro!" - e você?

- Sou Versátil, leke -
traduzindo: "Passivo". Caros leitores, não existem versáteis. Não por que não existam "Versáteis", mas se alguém fala que é "Ativo" é porque é versátil, os "Versáteis" são os passivos, e os "Passivos" são os arrombados mesmo.

- Hm, que delícia!
- respondi, ainda na expectativa do cara tornar-se um poeta sexual meio Marques de Sade, meio Augusto dos Anjos e me aliciar linguisticamente. - Fico imaginando enquanto te pego e... [censurado!]

- Afim de real?
- moço me pergunta muito do direto. Olhei para a foto do perfil repleta de musculos e olhei para a sua eloquência no MSN. Olhei para meu quarto vazio. Olhei para a janela e a chuva que decidíra dar uma trégua. Olhei para o computador e, sem pensar, fiz a maior loucura que pensei em fazer. Algo que eu e minha mente impudica nunca imaginaria fazer: Desliguei o computador e fui ver um filme na Paulista!

Por que eu sou desses, o tezão está no diálogo!
E por que sou cagão demais para fazer sexo com desconhecidos. Quem sabe se eles puxassem meu cabelo...


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

_qual é o valor do seu pi...?

- Vamos para à Praia?
- Não dá, Cláudio.
- Por que?
- Por que minha namorada não vai.
- E a praia vai deixar de existir por isso?
- Não, mas não posso me divertir enquanto ela trabalha.
- Sua namorada só trabalha bem se você não se divertir? Ela é o que? Pastor?
- Claro que não!
- Você serve de suporte de computador para ela?
- Não, Cláudio! ¬¬
- Então o que porra tem a ver que ela vai trabalhar?
- Você não entende, Cláudio. Quando a gente namora é assim.
- Quando a gente morre também.
- Você namora conosco. Nós duas!
- É, mas a parte mais legal eu não tenho.
- Qual?
- O sexo. Vocês são duas mulheres!
- É...
- Eu não sei o que faria com uma vagina, imagine com duas.
- Por que você não arranja um namorado?
- Por que eu já namoro a mim.
- E o Sexo?
- Ah, minha filha. Tenho a minha mão direita. Já até discutimos a relação.
- E você não enjoa?
- Não, não. Faço menage a trois com a mão esquerda também.
- Por que você não vai falar com aquele carinha ali? Ele parece ser interessante está de olho em você.
- Não!!! Olha esse barzinho horrível que ele está frequentando.
- É, é o mesmo que "você" está frequentando - Ela disse, reforçando o "Você".
- Por que "você" me obrigou - Respondi, reforçando o "Você" e contra-argumentando sabiamente.
- Qual é o problema com aqui? Eu gosto. Você me acha desinteressante por isso?
- Sim, mas por que você tem uma vagina.
- E se eu tivesse um pinto?
- Ai você não seria lésbica e estaríamos indo para a praia agora.
- Vai logo falar com ele!
- Ele tem cara de burrinho.
- Por que você não vai lá conversar com ele e comprovar?
- Ok? - E eu fui na direção dele com um pedantismo que só quem critica BBB sabe como é.
- Ei, você! Qual é o valor de pi?
- 3,14!
- Hm... - Fiz uma cara de surpreso.
- E você? Me diz para o que serve uma bissetriz? - Ele me perguntou em tom desafiador.
- Er... - pausa dramática

Beijei-o. Por que não gosto de papo Furado!


domingo, 15 de janeiro de 2012

_quer namorar comigo?

- Quer namorar comigo? - ele propôs com um olhar de medo e expectativa.
"Mas que porra de pedido é esse, moleque?! Eu te conheço há dois dias", eu berrei. Berrei mentalmente, embora minha expressão de choque pudesse traduzir bem o que eu pensava. Por um momento, achei que vi ele se protegendo esperando levar um "pedala" meu, devido ao meu olhar de "Que bruxaria é essa?". Mesmo percebendo a seriedade da pergunta, banquei o idiota e falei com aquele tom de quem conversa com um cachorrinho fofo:
- Óun, fico lisonjeado com o pedido, seu bobo - E beijo-o na boca para ganhar tempo e criar algum assunto logo - Quer mais uma cerveja? Eu pego para você.
- Eu estou falando sério, Cláudio. Não brincaria com algo tão sério quanto namoro. 
É, até mesmo o irracional cachorrinho fofo entenderia esse sútil "Não!", mas depois das longas duas horas que passei com esse menino lhouco, percebi que o nível intelectual do cachorrinho, de fato, era um pouco maior.
- Então, fulano. É muito cedo. Eu não sei nem o seu filme preferido ainda e..
- É Meninas Malvadas, Cláudio -  e eu engasgo com a revelação - Pode parecer bobo, mas fala muito sobre amizade. E Então, o que acha?
"O que eu acho sobre o seu filme preferido mostrar o quanto você é passivo e tem a idade mental de uma meninA de quinze anos?". Se eu não me engano, foram dez segundos cambaleando entre o choque e o desespero de ir embora. Poxa, eu só queria transar, só isso. Era a segunda vez que nos encontrávamos e ele não sabia nada sobre mim. Eu nem se quer me esforcei em ser muito carinhoso, logo a religião me tomou e brandi "Por que ele estava me pedindo em namoro, senhor? Coloca LUZ na cabeça desse menino, Senhor!". Naquela hora, eu estava cambaleando entre o choro e a oração. Ele só podia estar possuído pelo espírito carente de Caio Fernando Abreu. "Senhor!", orei outra vez.
- Lhouco Fulano, vamos só ficar juntos, ok?- eu disse, já cansado
- Então estamos namorando? - nasce um sorriso daquele rosto lindo e corpo maravilhoso
- Não, só ficar. - Tento interrompê-lo com um beijo
- Ficar Onde?
Meu Deus, por isso que falta Ativo nesse mundo Gay. É muito difícil comer alguém.
Eu tirei minha camiseta e minha bermuda Tactel. Ele finalmente emudeceu e concentrou o olhar no meio das minhas pernas. Dei meio sorriso e pedi "Safado, Vai colocar uma música, vai!". Ele respondeu com um olhar provocativo que ia até o celular colocar uma música. Como ele era baladeiro, supus que fosse alguma do David Guetta. Sentei com as pernas abertas e convidativas no puf rosa do motel e esperei que aquela boca parasse de falar besteira e ficasse calada no meio das minhas pernas. Meu sorriso de expectativa foi crescendo, pois vi que ele só podia estar brincando. Nosso diálogo se resumia à ele, visto que ele não tinha muito o dom de gerar assuntos e não perguntou quase nada sobre mim - o que me incomodava, por que eu sou meio ególatra - portanto, ele estava querendo me iludir, só pode e...

♪ ♪  "I heard that you're settled down. That you found a girl and you're married no-o-ow"    

NÃO! NÃO! NÃÃÃÃO!
Eu fiquei em choque. Ao perceber que a música escolhida por ele era Adele, "Someone Like You", já era tarde demais. Me senti em "Walking Dead" onde ele era um zumbi que grunhia "Quero um namorado!", "Carência, carência!". Eu já podia sentir o meu amor-próprio e independência sendo sugados por ele.  Quem é o #foreveralone corajoso o bastante para colocar Adele na hora de um sexo, minha gente? Eu já tive um namorado que colocava Jorge Vercilo, obviamente nós terminamos. Quem consegue dar um tapa excitante da bunda de alguem ouvindo "A Saudade bateu foi que nem maré"? Quem? Um tapa na cara, talvez.

Enfim, eu podia aguentar um péssimo gosto para filmes, uma idade mental de doze anos e a carência quase escatológica de pedir alguem em namoro depois de dois dias, mas Adele não!
Portanto, meus amigos, não transei.

MORAL DA HISTÓRIA:  Se você é um Gay-lhouco que pede o affair em namoro depois de uma semana: Você tem problema! Relacionamentos foguetes não costumam dar certo por que o desespero de namorar alguém é tão grande que o namoro começa por carência, não por amor e...
...
...
...É, mas pelo menos vocês transam... *pausa dramática* #claudioforeveralone

domingo, 8 de janeiro de 2012

_foi num velório que eu vi mais Vida

Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida.
Sêneca


- Poderia ter sido diferente. Ela poderia estar viva agora e andando para lá e para cá, com toda aquela jovialidade e cheiro de cigarro. - esbravejou, indignado, meu primo. Ele ainda estava com um ar de quem não acreditava naquele acontecimento, e eu olhava todos os familiares arrasados, sentindo um desconforto quase explosivo.

Tudo aquilo acontecia há mais de duas horas e eu ainda não tinha conseguido entrar na sala onde ela estava sendo velada. Há uma semana atrás, o fígado funcionava apenas por aparelhos e todos já estavam cientes que aconteceria, uma hora ou outra. Durante estes três anos, eu só a visitei uma vez. Hoje seria a segunda vez, mas dez minutos antes do horário de visitas ser iniciado, a moça de branco nos deu a notícia. Aconteceu. Eu fui o primeiro receptor daquela notícia. O primeiro. 

Para cada lagrima que um familiar derramava, eu contornava com um abraço e uma piadinha. Um sorriso salgado nascia. Eu queria sorrir, queria puxar assunto, queria conversar qualquer coisa que não estivesse relacionada com aquela situação. Tudo aquilo me incomodava. Eu queria sorrir com meus familiares que eu não via há anos, não ficar chorando. Não aquilo!

A tampa foi fechada e ela foi levada para o carro a fim de ser encaminhada para aquele lugar que os góticos gostam. Chegando lá, mais algumas orações foram feitas, mas algumas lágrimas continuadas e os meus tios e primos começam a carregá-la e levá-la até aquele mar de cruzes e flores. Eu fiquei parado olhando eles distanciarem-se. Eu também não conseguiria presenciar aquilo. Nem a visita, nem a velação, nem aquilo. Pensar em entrar naquele mar de cruzes me deu náusea. A fim de distrair, fui passear. Ao dar por mim, aquele mar de cruzes e flores me engolia. Um desespero me tomou, um torpor me obrigou a explodir em respiração ofegante. E eu explodi. Explodi de medo. Explodi de desespero. Sai correndo daquele lugar horrível. Aquele cheiro de nada. De solidão. De horror. De Nunca Mais. Esperei até que voltassem. Ao perguntarem se eu estava bem eu respondi com um sorriso que sim. Responderia qualquer coisa, desde que me tirassem daquele lugar o mais rápido possível.

Hoje eu descobri que eu tenho medo da morte
Disseram que eu deveria chorar, que eu deveria me despedir, que eu deveria fazer menos gracinhas naquela hora. Disseram até que são nessas horas que percebemos que estamos vivos de verdade, não em festas ou em baladas.

Não me arrependo de não tê-la visto hoje.
Eu não queria vê-la hoje.
Eu não queria associá-la a Isso!
E não vou.
Nem mesmo neste texto.

ONLY TIME - Enya

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

_a justificativa do porquê me matei

Para vocês que leem este post neste exato momento, já devem saber da grande notícia: Eu me matei!
Morri há alguns dias e pedi para que um amigo muito próximo postasse a justificativa no meu BLOG. Como eu tinha certeza que ele diria "Sim!" e viria a dizer "Sim!" para tudo e todos, sabia que ele não recusaria. Sempre fui meio manipulador mesmo. Além disso, meus amigos e familiares tinham o direito de saber o porquê eu escolhi o suicídio aos 22 anos de idade. Tão jovem, bonitão e cheio de amigos.

Foi há alguns dias que percebi a necessidade de me matar. Eu brigava todos os dias com a minha mãe e não via meus parentes como primos e tias há anos. Não faço ideia do estado de saúde da minha avó paterna e minha madrinha está viva por aparelhos. E eu não dou a mínima! 
Deixei de lado vários amigos que eu dizia amar por que considerei pessoas as quais eu não poderia absorver nada novo. Vários caras me chamavam para sair e eu simplesmente os ignorava. O pior foi humilhar meus colegas de grupo por terem feito trabalhos medíocres cheios de "Ctrl C + Ctrl V" e me vangloriava pelas minhas notas altas. Eu era um ególatra mimado de nariz grande.

Por isso, amigos, decidi me matar. Joguei-me do oitavo andar do prédio da minha irmã, no bairro da Penha, Zona leste de São Paulo. Dia 31 de Dezembro de 2011. A decisão foi tomada no mesmo dia, ao ver que durante todo naquele ano, não brinquei com meu sobrinho de quatro anos o tanto que eu queria, não abracei minha irma - o grande amor da minha vida - todas as vezes que eu quis, não disse "Eu te amo!" com a cabeça erguida aos meus grandes amigos e não me permiti uma vida amorosa com ninguém. Matei-me. Matei tudo isso e peço perdão a todos aqueles que magoei. Não sintam-se culpados, sou tão egoísta que quero a culpa toda para mim. E ela morrerá comigo.

Como testamento, deixo muitos erros, brigas e desentendimentos. Por que só assim que se evolui: com experiências. Neste 2012, uma pessoa muito mais experiente nasce dentro de mim. Tão ególatra como aquela que se suicidou na virada do ano e levou todas as coisas ruins que fez, mas que deixou uma grande experiência de vida e uma noção do óbvio: O quanto eu sou incrivelmente bonito, feliz e posso conseguir o que eu quiser. Mato-me e deixo-lhes na companhia daquele outro cara, conhecido meu, que nunca irá morrer. O menino de cabelos enrolados bagunçados, magrinho e com um sorriso nos olhos que tem um desespero de viver. Que erra e pode ser grosseiro as vezes, mas é por que ele tem urgências. Por que um mundo inteiro explode dentro dele e a necessidade de ser tudo o que ele quer ser é muito maior que esse tempo medido em minutos e dias pode suportar. Ele sente raiva por não poder expressar mais o quanto ele é feliz, o quanto ele está satisfeito de ter uma família maravilhosa e um grupo de amigos que faz inveja a qualquer um. As bochechas doloridas de tantos sorrisos combinam muito com o nariz grande e charmoso dele. E ele vai tomar conta de mim. É só eu me permitir. É só vocês me permitirem mais um ano ao lado de vocês... =)

À minha familia e amigos!

"Há uma espécie de pássaro chamada Canareles. 
Toda vez que escurece ele pensa ter morrido. 
Ao acordar e ver a luz do dia, ele entra em choque por ainda estar vivo e canta uma canção num desespero alegre, de felicidade"
- Trecho do filmes Inquietos, dir. Gus Van Sant, 2010

FLOR DA IDADE - Chico Buarque


sábado, 19 de novembro de 2011

_eu tenho medo da ADELE

Think of me in the depths of your despair
- Adele

Adele é uma cantora britânica que ficou famosa graças a suas demos no MySpace. Seu primeiro album, intitulado "19", foi inspirado na idade que tinha quando escreveu as canções que o compõe. Seu segundo album, "21", a popularizou internacionalmente e tornou Adele a primeira artista a alcançar, ainda viva, uma canção e um álbum como n°1 ao mesmo tempo na Inglaterra desde Os Beatles em 1964. Utilizando de músicas romanticas que gritam por amor em suas dores e delícias - mais dores -, Adele reuniu em menos de dois anos, uma legião de fãs que identificam-se com suas canções tão intensas, melancolicas, carentes, sem auto-estima nenhuma e chatas... assim como ela.

Logo no início do album, temos uma música chamada "Best for Last", na qual ela diz ao objeto de desejo "I'm taking these chances / And getting away / And though I'm trying / My hardest you go back to her" (Eu estou usando essas chances que estão indo embora. E embora eu esteja tentando o máximo que consigo, você volta para ela) e continua com um "Seems I love the things you do, Like the meaner you treat me. The more eager I am to persist." (Aparentemente, amo as coisas que você faz, porém quanto pior você me trata, mais eu fico persistente). Porra, cadê a auto-estima dessa mulher? O pior é que a música termina com um "Eu ainda quero ser a única para você e você ser o único para mim" e ainda tem auto-mutilação emocional o album inteiro. Na música "My Same", ela diz que não conheceria a própria personalidade se não fosse ele. "Ele", o cara que, na música "Cold Sholder", ela quase agradece pela indiferença e deseja ser a 'outra' mulher dele. Alias, o album inteiro ela mostra-se uma chata insistente e melodramática que não para de encher o saco do ex-namorado que já está há muito tempo com uma mulher muito mais legal, independente e divertida que ela.


E no album "21" a coisa não muda. Nas três músicas mais famosas "Rolling in the deep", "Turning Tables" e "Someone Like You", ela fala respectivamente:
- como uma LHOUCA, dizendo, indignada, que o relacionamento deles acabou mesmo eles podendo ter tudo. Por isso ela espera que a cabeça dele queime de desespero por culpa de tê-la deixado (quase uma psicopata)
- como uma LHOUCA, ela o responsabiliza pelas diversas separações e retornos insinuando que ele só voltava para ter o prazer de machucá-la (quase uma maniaca-depressiva que acha que é vítima de tudo)
- como uma LHOUCA, ela diz que descobriu que agora "Ele" está amando e estabilizado com outra garota. Diz que mesmo sem ser convidada, gostaria de dizer o quanto está feliz por ele, que não o esqueceu e que encontrará alguem como "Ele". (Aposto que Adele tem um Mandato judicial proibindo-a de ficar menos que 100m de distancia de seus ex's)

Também admito que Adele tem uma incrível voz - Essas gordinhas, negras e mulheres de nariz torto são poderosissimas com suas vozes -, mas sua popularidade deu-se pela identificação do público com suas músicas igualmente melodramáticas, chorosas, sem auto-estima e que fazem tanto os cornos quanto os que levaram um pé-na-bunda, sentirem-se vítimas em um relacionamento o qual foram incapazes de dar continuidade por serem carentes demais. Eu não sou um exemplo de relacionamentos amorosos, mas pelo menos canalizo minha carência afetiva e amorosa de maneira inteligente e madura, sem ficar sofrendo feito um besta. Essa Adele e seus fãs têm é que fazer uma faculdade e parar de ser chatos. Ou sejam lhoucos mais legais, tipo a Alanis Morissete.

Portanto, se você é um fã chatinho de Adele, trate de ser interessante em algum aspecto, por que só assim você terá salvação. Em minha ultima aula de dança, meu professor e/ou amor platônico - espero que ele nunca leia esse blog - colocou Adele para o nosso aquecimento. Fiquei com medo dele no começo, mas logo em seguida me perdi nos seus cachos e esqueci tudo o que disse nesse texto sobre Adele. Falando nisso, já ouviram "Daydreamer", dela?

ADELE - DAYDREAMER

domingo, 30 de outubro de 2011

_suor


O amor, quando se revela, 
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar p'ra ela, 
Mas não lhe sabe falar. 
- Fernando Pessoa


O dia estava tão ensolarado que tudo que me via, sorria!
Meu edredon estava mais verde, meu chuveiro estava mais azul e até a roupa que eu vestia, que era uma regata preta, estava mais colorida do que nunca! Inclusive, a bolsa que eu nunca tinha visto, daquela mulher desconhecida, estava mais vermelha do que jamais viria a ser.

Um sol quente e agressivamente forte, também sorria. Eu cantarolava e andava quase dançando em direção ao meu destino. Os passarinhos e os esquilos começaram a me seguir e eu, inspirado, comecei a cantar como se fosse a Branca de Neve: "O-oah!".
Todos ao meu redor então, me olharam maravilhados e começaram a cantar também, fazendo passos de Jazz e sapateado. "O-oah! O-oah!"

Ao chegar na academia de dança, lá estava o meu professor. Tão bonito que até flutuava.
Após a aula, fui me despedir. Entrelacei os meus dedos nos seus cachos suados de dança, fiz um rápido movimento de dedos de vai-e-volta num cafuné contido e beijei-lhe o rosto, abraçando-o logo em seguida.
- Oh, eu estou todo suado! - Sua boca preocupada canta nos meus ouvidos num som melodiosamente sexual. Ele me olha nos olhos e sorri num tom de desculpas. Pois nem uma explosão de feromônios me deixaria tão desnorteadamente tonto quanto aquele sorriso deixou.

Não sei se fiquei dois segundos ou dois meses olhando para ele tentando concatenar as idéias. Lembro-me que logo após recordar da necessidade de respirar, sorri e em seguida respondi:
- Tranquilo, professor! Até a semana que vem...

Ah, se tu soubesses tudo que eu te digo no silêncio do meu olhar...

CET AIR-LÁ - JULIEN DORÉ (April March cover)

domingo, 16 de outubro de 2011

_colore minha vida com o caos do problema

"Querido Hubert,
Você é um peixe de águas profundas, cego e luminoso. Nada em águas turbulentas com a raiva da era moderna, mas com a frágil poesia de outro tempo. 
Nunca te esquecerei.
Dez anos de silêncio e dez segundos de ruído. Reconheço o absurdo da vida.
Não há outra coisa que não matar nesta vida que o inimigo interior. 
O duplo do duro núcleo.
Dominá-lo é uma arte.
Até que pontos somos artistas?"
- Extraído de "Eu Matei a Minha Mãe", Xavier Dolan

Eu tenho medo de gente.
Para ser mais específico, eu tenho medo de gente que me interessa. 
Tenho medo dos meninos de cabelo enroladinho e daqueles que entendem de cinema. Tenho medo daqueles que usam óculos, que fazem teatro ou que dançam. Ou seja, eu tenho medo de qualquer um que possa interessar-me amorosa ou sexualmente.
Quando me chamavam para sair, eu não ia.
Quando flertavam comigo eu até ficava, mas não dava continuidade a conversa.
Eu achava que era individualismo ou até vontade de ficar sozinho, mas percebi que era simplesmente medo de gente. Medo de dois tipos de gente:
Medo de gente que poderia me controlar na cama. Um desconhecido que me julgaria em corpo nú e submeter-me-ia à submissão de ser apenas um corpo. Que puxaria meu cabelo em sexo agressivo cuspindo no meu orgulho pedante. Deliciosamente excitante.
Medo de gente que pudesse fazer-me sentir vulnerável frente ao poder de controlar o meu auto-controle. Ter alguém que pudesse controlar o meu ciúmes, meu sono, meu sexo e meu orgulho. Sobrepor a emoção a minha racionalidade, tornando-me um romântico tão desesperado em uma mentalidade de adolescente apaixonado com tendências suicidas de romantismo na segunda fase.
Medo de gente. Medo de mim.

Pois no final de semana, me permiti um encontro. Daqueles contendo cinema, pipoca, braços roçando e um nervosismo de não conseguir prestar atenção no filme enquanto ensaiava a hora certa para o beijo.
Pois no final de semana, me permiti o sexual. Daqueles que vão para a casa do moço, tiram a roupa do moço, lambem tudo do moço, colocam o pau no moço e dormem abraçados com o moço.

Os moços olham para ti e dizem que és lindo e gostoso. Que tens belos cachos e belos olhos. E tu não acreditas.
O moço te vê nu e diz que és lindo e gostoso. Que tens belos olhos. E tu acreditas.
Nada como a vulnerabilidade de uma nudez descabelada e boca inchada para mostrar o quanto és belo.

Eu tinha medo de gente.

Sabe o que eu aprendi este final de semana?
Que só se é bonito de verdade, quando você se permite.


PACK UP - Eliza Doolittle (Live)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

_um mais um, igual a coração?

Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas. Aproximem-se!
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões. Façam todos suas inscrições.
- Elisa Lucinda

- Engraçado pois eu aprendi com vocês que o amor tem a sua lógica, mas ele é completamente imprevisível.
- Paixão não tem fórmula, não tem lógica e não tem regra. Ela chega sorrateira e, quando você menos espera: tá apaixonado. E não pense que é você que escolhe, pois não é.
Se você está saindo de uma paixão, acredite, você vai se apaixonar de novo. Se você está começando uma paixão, faça dela a mais feliz do mundo. Agora mesmo, existem milhões de pessoas prontinhas para se apaixonar. Quem é que não quer encontrar o grande amor da sua vida?


Não sei, deixo rolar vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo.
- Caio Fernando Abreu

domingo, 4 de setembro de 2011

_um relacionamento acaba quando é simplificado


- Qual é o perfume que você usa, Cláudio? - perguntou uma colega que, meses depois, tornar-se-ia uma das melhores amigas que já tive.
- Intense Euphoria, Calvin Klein. Por que? - respondi, tentando aproveitar aquela balada chata que tive que ir onde uma tal de Kelly Rowland cantaria.
- Nossa, é delicioso. Sinta o cheiro. - E ela puxou o bonito amigo dela para cheirar o meu pescoço. Obviamente, minhas pernas estremeceram. O pescoço, um lugar que me deixa deveras sensível sexualmente, ramificava o tesão pós-fungada por todo o corpo. E foi assim que nos beijamos. E, horas depois, acordei em uma cama de motel, com o melhor amigo daquela que viria a ser a minha melhor amiga. Olhando para cima e com um sorriso enorme no rosto, lembrei do início de nossa transa...
- Espere, desculpe estou tenso. - eu disse tímido. Minha mente estava um turbilhão e eu dialogava em velocidade-luz comigo mesmo. Perguntando-me e respondendo-me, ao mesmo tempo, o que eu fazia ali prestes a transar com um cara que eu conheci a menos de doze horas. Eu sabia que ele era o melhor amigo de minha colega. Ter alguma referência sobre ele me deixava mais seguro, mas eu ainda perguntava-me o que eu fazia. Minha vontade era de sair correndo.
- O que foi? - ele perguntou calmamente.
- Err... nada. - e, depois de uma rápida pausa - Ah, quer saber? Só estou meio tenso, por que eu te conheci hoje e acho isso rápido demais. Mas já que estamos aqui...
- Calma, espere. Não precisamos fazer nada se você não quiser. - ele sorriu - Estou surpreso, visto que você beijava-me com um afinco que, "wow!". Mas não precisamos fazer nada.
- Pois eu quero!
- Tem certeza?
- Absoluta! Vem logo!
E eu pudi perceber o quanto ele estava sendo carinhoso, simpatico e gentil. 
Apaixonei-me!
Saímos do motel e almoçamos juntos. Na hora da despedida, demos um abraço.
- Adorei passar a noite com você. Passe-me seu celular? - perguntou ele, num tom formal.
- Sim, sim! - respondi efusivo - Adorei também a noite. Tenho certeza que seremos ótimos amigos de sexo!
- Tenho certeza disso. - ele sorriu.
Fiquei temeroso caso ele achasse que eu me apaixonaria. Ele era do tipo de homem que, aos seus 31 anos, acharia que eu, um menino de 21, apaixonar-me-ia após uma transa sem compromisso. Um "Amigos de sexo" explanado por mim, talvez, amenizaria essa ideia dele e eu poderia vê-lo mais vezes. E foi isso que fiz.

Fotografia de Ralph Gibson
E trocamos mensagens todos os dias.
E nos vimos novamente na semana seguinte. E fomos amigos de sexo. E, após terminarmos, ouvindo uma playlist feita por ele sendo emitida pelo celular, olho nos olhos dele. Encaramo-nos por alguns segundos.
- Estou apaixonado - exclamei olhando para ele. Olho para o teto e continuo - Acalme-se, haha. Estou apaixonado pela situação. Apaixonado por fazer sexo. Apaixonado por ouvir esta musica. Apaixonado por tudo isso. - voltei para olhar para ele - Apaixonado por você até. Mas não essa paixão que você está pensando. É paixão pela vida.
E ele me olhava e nada falava. E após um rápido sorriso, voltou a encarar a parede sério. Eu me postei para beijá-lo e encostei no seu peito. Continuei olhando para o teto, namorando a mim mesmo. Namorando a situação.

Três semanas se passaram e, embora trocássemos mensagens, não nos vimos. E ele me excluiu do facebook.

Uma semana depois, nos encontramos no bar.
- Por que você me excluiu do facebook.- perguntei, demonstrando uma irritação que poucos viam.
- Por que você flerta com todo mundo e todo mundo flerta com você. Eu não sou obrigado a ficar vendo isso.
- Você está com ciumes?
- Não, só não quero ficar vendo você flertando com os outros. Não quero uma amizade assim.
- Mas você está me beijando agora e abraçado comigo. Não quer ser meu amigo, mas está beijando a minha boca. Me excluiu do facebook pelos flertes que eu recebo e não está com ciumes? Você é lhouco!?
- Você não entende!
- Ok - o que seria o prenuncio da minha finalização frente aquela conversa - Comecemos outra vez? Você me aceita no face novamente e eu paro de flertar e ser flertado, embora eu não ache que eu flerte ou seja flertado no facebook. Ok?
- Como você acha que não flerta, pois fique você sabendo que...
- Estaaaamos entendidos? - Cortei-o, para que a conversa não se estendesse ainda mias.
- Ok!
E nos despedimos com um intenso beijo. Um carinho e um abraço gostoso.

Data: Dia Seguinte
Local: Balada Festa Valentina
Eu encontro-o na fila.
Ele beija o meu rosto.
Eu fico sem entender.
Ele vai conversar com os amigos dele.
Já na balada, minha amiga diz:
- Amigo, vá ficar com outras pessoas.
- Mas e ele? - eu aponto para aquele homem de 31 anos.
- Por isso, fique com outras pessoas. - Ela respondeu me olhando e oferecendo uma tequila. Entendi na hora o que ela estava querendo dizer. Pensei então "Ok, vamos lá!". Visualizei um lindo menino louro de cabelos cacheados. Eu sorri e fui conversar com ele. Ficamos.
No final da balada, ele me aborda:
- Viu como você é um periguete?
- Hã? - surpreso, encaro-o.
- Você ficou com quatro. E eu achando que você era diferente.
- Mas você também ficou com alguém na festa,
- Sim, mas você ficou com quatro.
- E?
- E isso foi um teste. Eu achei que você ficaria chateado por não ficarmos juntos hoje.
- Sim, eu fiquei, mas eu não ia deixar de aproveitar a balada por isso.
- Isso quer dizer que você quer curtir. Essa é a sua idade, já passei dessa fase.
- Você é lhouco? - eu estava começando a levantar a voz - Por que você acha que tem o direito de me testar?
- Tenho que ir, depois conversamos.
Fiquei com vontade de tirar satisfações. Como assim me testar?! 
Por que ele é tão lhouco e tão bonito ao mesmo tempo?
E durantes duas semanas, fico pensando nele.

Data: Uma semana depois
Local: Balada festa Valentina, outra vez.
Eu encontro-o na fila.
Ele ma braça.
Entramos juntos na balada.
Ele me beija.
Eu sinto um "clique".
O beijo dele estava diferente. O sorriso diferente. Os 31 anos diferentes. Mas ele estava igualzinho.
O que eu senti, foi diferente. O que eu senti foi... nada. Sabe aquela cena de Closer onde a personagem de Natalie Portman olha para o seu parceiro Jude law e diz "Eu não te amo mais."? Pois foi o que senti.
Dei um ultimo selinho. Abracei-o e fui curtir a balada com outras pessoas.
Fim

Relacionamentos: Essa palavra lembra-me laços. Nos laços, as pontas dão voltas e voltas, para continuar próximas. São voltas necessárias, visto que laços são bonitos e, sem eles, os presentes não ficariam tão belos. Os laços, as voltas, são os enfeites do presente. Do presente. Mesmo que não tenham futuro.
Eu não estou mais apaixonado. Atualmente, não sinto mais nada por ele, além de amizade. Talvez, arriscar-me-ei afirmar que nem sexual eu sinta. Decidi isso há alguns dias. Simples assim. 
Simples assim!
Mas, como diria saudosa Clarice Lispector, que ninguem se engane, pois só se consegue essa simplicidade através de muito trabalho.

Cena do Filme: PINA, estréia dia 11de novembro

domingo, 17 de julho de 2011

Como assim, ele não gosta de você?

Fora, pé-na-bunda, bota: Várias são as maneiras de metaforizar o ato de ser dispensado. 
"Ser dispensado". Este é um verbo deveras desconfortável. Ainda mais quando você está envolvido no predicado, ou seja, você é o dispensado. O recusado. O rejeitado. O dramático. Muitos podem simplesmente pensar que "Foi ele quem perdeu. Otario. Quem é o próximo?". Outros, entristecer-se ou acomodar-se com sua situação de "Ele era muita areia para o meu caminhãozinho mesmo. Fiquei chateado. Vamos para o próximo?". Porém, há ainda aquele grupo de pessoas que pensam "Como assim, ele não gostou de mim? Mas por que?". Estas, são as piores.

Fotografia de Sebastián Gherrë
Há dois meses atrás, você encontra um lindo menino de cabelos cacheados louros e olhos verdes em uma balada. Você aborda o menino. O menino, gentilmente, diz que gosta de negros. O primeiro fora da sua vida. Ele não interessou-se por você só por que você não é negro. Ufa! - Pelo menos foi o que você interpretou para não chatear-se.- Um mês depois, em outra balada, você vê um lindo menino de cabelos ondulados louros e olhos verdes. Vamos tentar outra vez? Aborda, conversa e... beija. A primeira vez (na vida) que ocorre uma abordagem por sua iniciativa. Nunca sentiu-se tão orgulhoso! Você pensa "Funciona, todos deveriam tentar mais." Funciona tanto, que o menino apaixonou. Mandava-te mensagens diariamente, presentes e queria sair novamente. Ele não gostava de cinema francês e ia na BALADA FLEXX. Você, depois de muitas recusas sutis e telefonemas ignorados, recusa categoricamente e é chamado de:
1. grosseiro;
2. metido;
3. burro;
4. escroto. 

Hunf, menino babaca e infantil esse. Então você ignora-o.

Empolgado, começa a fazer isso mais vezes. A tequila ajuda na tomada de iniciativa, porém atrapalha na organização das frases dentro de sua cabeça a fim de linearizar uma conversa antes do abate. A segurança e a auto-confiança, então, estavam em alta. Até a semana passada...

Viajando pelo mundo virtual você percebe que não tem mais certo affair no facebook. Preocupado, você então pergunta gentilmente o que aconteceu, via inbox. No dia seguinte, na expectativa de receber uma resposta, o perfil dele não existe mais. 
Posteriormente, descobre que você foi ignorado. Sim, ignorado. 
Por que? 
Não sabemos! Ninguem sabe. O desespero toma conta de seu coração. "Oh! Céus, por que me rejeitas". O menino rejeitador, então, nunca pareceu tão interessante. De um dia para o outro, o menino não tão bonito, não tão interessante e não tão inteligente tornou-se o cara perfeito. "Como ousas, rejeitar-me?", pergunta-se novamente. E aquilo te consome. Confessemos, você já rejeitou outros tantos mocinhos. Rejeitou convites, telefones, os ignorou, não deu uma satisfação direta, mas isso não aplica-se a você. Você é bonito, cabelos ondulados, simpático, um tanquinho, todos elogiam e tem um gosto de cinema invejável, no alto de seus 21 anos. Como assim, ele não gosta de você? Se ele não gostou de você, por que não disse isso quando estava beijando a sua boca, rebolando no seu pau e não deixando você ir embora de tanto que te beijava? Como assim? Como assim, ele não gosta de você?
Eu tenho a resposta. Ele é um:
1. grosseiro;
2. metido;
3. burro;
4. escroto. 

Pois é, amigos. Dá mesmo raiva quando alguém não gosta de você. E não dá para querer que a pessoa sinta raiva de si mesma por não gostar de você. O desgraçado que me excluiu do facebook tem o direito de não me achar interessante, assim como eu também tenho o direito de não curtir o mocinho da FLEXX.
Não sei se vocês perceberam, mas esta história aconteceu comigo. Aprendi com meus erros e queria dar uma moral para essa história...
Aliás, FODA-SE. Uma voz interior berra: "Direito PORRA nenhuma. Gosto de cinema francês e não vou na FLEXX. Ele deveria ter conversado mais comigo para ver o quanto sou interessante..."

Todos temos nossas inseguranças. Todos temos nossa auto-confiança abalada. Todos temos o direito de não gostar de um outrem, sem um motivo racional. Como minha amiga Joyce disse:
"- Cláudio, você não é tão legal, bonito ou simpático quanto você acha que é ou o quanto as pessoas ao seu redor dizem que você é. Eu te amo, eles te amam, mas tem pessoas que podem simplesmente não gostar de você por não gostarem de você. E a vida continua. Acorda, seu ególatra!"

Conclusão?
1. Menino da FLEXX, você é um babaca por me tratar desse jeito.
2. Will, você é um babaca por não gostar de mim.
3. Portanto, na babaquice, fazemos um excelente triangulo amoroso.

Kaiser Chiefs - Everyday I Love You Less and Less

sábado, 12 de março de 2011

Espelho II

- Venha cá, Cláudio! Venha. Olha neste espelho. Você é bonito. Álias, você é lindo. Muito mais lindo do que já foi ou pensou ser em qualquer desses seus 21 anos. Suas mãos não transpiram de nervosismo como antes. Haha, lembra-se? Era só ser exposto em alguma situação de relacionamento interpessoal e você já tinha uma intensa sudorese nas mãos. Menino ansioso que eras. Agora não. Suas mãos são macias, lisas e sem calos. Mãos de alabastro. Agora você adora-as, certo!? Faz questão de tocá-las e demonstrar ligação com qualquer novo conhecido que lhe agrade. Começou a adorar também seus pés, e pernas. Andas como se estivesse em um eterno Pas Des Deux, pronto para dançar com quem lhe permitir um sorriso e a oportunidade da dança. Aprendeu a gostar das próprias coxas e até mesmo do próprio pênis. Ao seus olhos, ele até cresceu e engrossou de uma semana para cá. E suas costas, sua corcunda recorrente de sua cirurgia? Que é também és sua raiva, sua vergonha, sua tristeza e, principalmente sua insegurança. Ela, agora, é quase inexistente. Você nem liga mais para ela. Só as vezes, claro, afinal ela ainda está ali. Mas não ali como antes. Com a intensidade insegura de antes.
Falando em intensidade, sabe o que mais intensificou-se em você? O sorriso. Sua boca agora está mais rosa, mais sedenta e mais louca. Anda como se estivesse num sorriso constante. Ate nos momentos de maior seriedade. Sabia que até parece deboche? Não me engana, eu sei que não é. Esse meio sorriso constante é o prenuncio de uma explosão de alegria. Sem motivo aparente. Como se a qualquer momento você fosse gargalhar de felicidade de uma piada incrível. E o mais lindo desse sorriso é que o canto de sua boca parece unir-se com os olhos. Seus olhos sorriem. São dois sorrisos separados por um nariz que não é tão enorme quanto há um ano atrás. Ele está exatamente do mesmo tamanho, só que, agora, ele encaixa-se perfeitamente no seu rosto. Tudo combinou-se perfeitamente de um ano para cá. Não obstante, emoldurado por cachos castanho-claros. Sabia que o seu cabelo é a parte do corpo mais representativa da sua personalidade? Antes ele era louro e liso. Forçadamente liso pela "chapinha". Você descoloria sua personalidade e forçava-a ao comum, ao estereótipo. Hoje você percebe a beleza de cores e o desenrolar inconstante e cíclico que é sua personalidade saindo de sua cabeça. Ah, os cachos. Sabe o que causou essa mudança?
- Não.
- Autoconfiança, Cláudio. Beleza não é um padrão, mas um estado de espírito. Saber que agradar e importar-se com a opinião alheia sobre si faz parte de uma sociedade, mas só se é feliz quando percebe-se primeiro a si, depois os outros. Quando você, e unicamente você, decide a maneira de como ser feliz. Não comparando-se a outros felizes. Afinal, lembre-de que expomos nossas vaidades, o que calamos que são as verdades. Isso, Cláudio, não é egoísmo, mas equilíbrio.
- Você consegue realmente ver tudo isso só de olhar meu rosto.
- Não, senti isso quando me deixou. Quando despiu-se de mim. Quando despiu-se para os outros.
- Entendo!
- Que sorriso lindo você deu agora. Porém aviso-lhe de antemão que, agora com essa nova postura, podem estranhar-te ou desaprovar-te por vezes.
- Tudo bem. Não tenho a necessidade de ser perdoado.

Esse texto foi uma despedia aos Autocrítica e Espelho.
[Texto Inspirado em "Gritos e Sussurros", Bergman. 1976]

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ejaculação Precoce

Eram 15h10 de uma tarde de quinta-feira onde o sol aparecia surpreendendo a todos, quente e altivo. Surpresos estava os paulistanos, visto que depois de quatro dias carnavalísticos, este mesmo sol maroto, se quer, havia dado as caras. Pois bem, hoje ele escolheu a Rua Augusta como local de retorno. Os transeuntes paulistanos acostumados - mas ainda assim surpreendidos - estavam com suas blusas e guarda-chuvas, Inúteis.

Eu, querendo estrear a blusa que ganhei de presente da minha irmã, também fui surpreendido por esse calor indeciso. Eu, de birra, não a tirei, e sabem por que? Por dois motivos. O primeiro é que ela não era uma simples blusa, mas uma blusa cor de tangerina. Isso mesmo, chamativa e altiva, disputava com o sol o calor que emitia. Nunca fui fã de cores chamativas, mas aquela blusa em especial era idêntica a que o personagem Nicolas ganha no filme "Amores Imaginários". Não obstante, o destino sensibilizou a minha irmã e persuadiu-a a dá-la de presente à mim. Eu, sem delongas, aceitei.

O segundo motivo é que eu estava apenas com ela, combinada com uma bermuda jeans acima do joelho e um tênis iate. Todo largadinho aguardando o início da sessão de "Bruna Susfistinha". Dei-me o dia de folga no trabalho e fui vê-la, sozinho. Estava me sentindo lindo com meus cachos intencionalmente caindo sobre os olhos. Intenção esta que provocou vários flertes no decorrer do dia, os quais eu conto depois, pois o foco do post e outro.

SEXO AO VIVO

Caminhando na Rua Augusta, sentido Av. Paulista, eu já havia desistido de procurar o chapéu panamá que tenho tanto desejo. Não vendia em nenhuma loja - Até vendia, mas os R$199,00 estipulados pela Lacoste da Oscar Freire estavam além de meu orçamento - e conformei-me em comprá-lo em outra ocasião. No entanto, continuei a degustar visualmente os apetrechos alternativos que a Rua Augusta me oferecia.

Lojas com roupas de cortes diferentes, lojas com camisetas alternativas, restaurante mexicano, restaurante japonês, barzinhos, bancos, lojas de roupas básicas, lojas de discos, uma galeria...
... uma galeria. Não era apenas uma galeria. Álias, deixou de ser uma galeria por alguns segundos e tornou-se apenas uma moldura. Tudo tornou-se moldura naquele momento. Estava ele - que se quer sei o nome, mas nomearei-o de "Oh!" - com seus prováveis 25 anos de cabelos castanhos escorregando sobre óculos quadrados de armação grossa que protegiam seus olhos igualmente castanhos. Vestia uma camisa social azul clara, uma calça jeans justa e surrada e calçava mocassim marrom, descansando-os sobre uma segunda cadeira de forma preguiçosa e altamente sensual. Despojado e descompromissado. Suas mãos seguravam um livro de capa dura vermelha, antigo, provavelmente era algum de literatura brasileira ou inglesa.
Será que ele tinha o noção o quão naturalmente lindo ele estava?

Foram os três segundos mais sexuais da minha vida.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pais

"No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente, ou quase nunca os perdoam." - Oscar Wilde

Amar a mãe e o pai sempre foi uma lei incontestável. Repudiado sejam aqueles que ousaram questionar o amor que, obrigatoriamente, devem sentir pelos próprios pais. Chega a ser um pecado este questionamento, afinal, são meus pais. Foram eles que me criaram e que não me abandonaram. Que inseriram em mim todo o amor que possuíam, a preocupação que detinham e o dinheiro que ganhavam. Também, amigos, nunca se ouviu dizer que um filho corajoso nasceu de um pai temeroso. Também, inconscientemente, podem transferir suas inseguranças, seus medos e, principalmente, suas fraquezas. E, muitas vezes, nós absorvemos.

Muitas coisas, queria eu, externalizar sobre minha mãe. Sobre minha absorção de seu negativismo extremo, seu pessimismo constante e desequilíbrio pueril. Ao entrar na porta de casa, coloco-me em estado defensivo, um Stand-By corporal onde meus olhos vagueiam junto com minha atenção pelos detalhes da casa enquanto ela remoe, repetidamente e sem novidades, suas lamúrias. Ela culpa os filhos, sutilmente - e talvez sem perceber - pelos problemas que passa atualmente. Ela, também sem saber - ou sabendo, inconscientemente - é responsabilizada pelos filhos por desequilíbrios herdados..

Todas as características que herdei dela, são as que mais odeio em mim. Que mostram-me mais fraco, inseguro e zerado em minha auto-confiança. Todos nós passamos ou passaremos por períodos assim. Sinto-me apertado por tais confissões e, ao mesmo tempo, seguro. Seguro, pois sei que os filhos que mais dão certo, são aqueles que vêem os pais como verdadeiramente são. Não há nada pior em uma educação do que a hipocrisia.

Meus pais não são pais. São, antes de tudo, pessoas. Com suas fraquezas e decepções. Onde podem tanto ser um exemplo de como devo ser como pessoa, como também de como Não Ser.

"Às vezes o pai castiga o filho porque este fez o que o pai, quando filho, não conseguiu fazer." - Juvenal

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Te Perdôo por Te Trair

"Te perdôo / Por contares minhas horas / Nas minhas demoras por aí
Te perdôo / Te perdôo porque choras / Quando eu choro de rir
Te perdôo / Por te trair"
Mil Perdões - Chico Buarque

Durante toda essa semana, a Globo está exibindo a Microsérie "Amor em 4 atos", que segue o princípio de transformar alguns dos maiores clássico de - ninguém menos - Chico Buarque de Hollanda em histórias televisívas. São três histórias de amor divididas em quatro episódios, onde as canções escolhidas são, respectivamente "Ela Faz Cinema" e Construção", "Mil Perdões", "Folhetim" e, por ultimo, "Vitrines". Todas são enormes representações da grandiosidade de Chico Buarque, do amor visto pelos olhos de Chico Buarque, e que me torcem o nariz.

Uma microsérie da Globo sempre terá como principal objetivo o entretenimento e o lucro publicitário. Longe de mim ignoralizar o público ao qual assiste a TV Aberta, ainda mais quando é o mesmo público que acabou de assistir Big Brother Brasil, mas o conteúdo terá de ser exemplificado e mastigado na grandiosidade poética e artística que é Chico Buarque, e resumí-la em 40 minutos. A TV é dinâmica, mas o tema de relacionamentos interpessoais - ainda mais amorosos - é incrivelmente complexo. São infinitas teias desalinhadas, embaraçadas e imutáveis. E até mesmo a sensibilidade pragmática de Chico Buarque ramifica-se em viagens interpretativas. 

Enfim, sem mais prolixidade, digo o que vim dizer: Achei desoriginal e sem graça o argumento do primeiro episódio do Chicão. Uma menina descolada, cinéfila e moderna constrói um relacionamento amoroso com um pedreiro gostosão do andar de cima. Omissões a parte, tudo seria lindo se essa menina não fosse noiva. "Uh, Traição!? Que absurdo", você me diz. Porém, tudo justifica-se na apresentação do noivo da menina: Ele é certinho, metódico, filhinho da mamãe, desinteressante sexualmente... enfim, chato. A partir daí, justifica-se a traição. Justifica-se?

Há um tempinho atrás escrevi o post O Pecado Mora Ao Lado, o qual crítica essa exacerbação de Bem ou Mal, onde um defeito do parceiro justifica uma traição. "Ah, mas ele não dava atenção para a coitadinha", "Ah, mas o nerd magrelinho ama muito mais a menina do que atacante do time da escola". Portanto, tudo justifica-se. O problema disso tudo é que temos uma visão unilateral do relacionamento alheio. Sabemos que a menina não recebe atenção, mas será que ela também não é uma chata insossa certinha demais que o deixa entediado? Não existe bem o mal, existe interpretações - repetitivo, eu? Não, a vida é!-. Ele não está errado, nem ela, simplesmente eles não combinam e devem separar-se. NADA justifica uma traição. NADA! Numa traição, pelo menos três pessoas são enganadas. Você prestou-se a namorá-la e deve um profundo respeito por ela, certo?
Ou eu que levo muito a sério o namoro, ou ele banalizou-se e estou atrasado!
Nenhum nem o outro. Em uma briga entre o corpo e o coração, o corpo sempra ganha por W.O. Eu já fui o responsável por uma separação e contei essa história no post Closer - Perto Demais. Eu estava errado por cobiçar o namorado alheio. O marido estava errado por desrespeitar o parceiro. O parceiro estava errado por acomodar-se numa relação desgastada. Todos erraram mas nada justifica, só houve sofrimento.

Estou certo!? Não, estou errado. E certo também. Hoje exibiram o segundo episódio da microsérie, inspirada na música "Mil Perdões" que também empresta uma de suas estrofes para o início deste post: "Te Perdôo por te trair". Porra, é Chico Buarque quem disse isso!!! Todas minhas concepções cairam por Terra. Não por que eu tenha idéia fraca, mas é por que é Chico Buarque quem diz. Ele é o único - eu disse o único - cara que dá uma nova interpretação para a frase mais famosa de Nelson Rodrigues, "Toda Unanimidade é Burra". Burra não no sentido de estupidez, mas no sentigo de ignorância à Sensibilidade. Chico Buarque é unanimidade até para quem não o conhece, e sabe por que? Por que ele vai além. Ele não tenta definir ou limitar regras para relacionamentos, ele mostra que relacionamentos amorosos é FALTA de definições. FALTA de regras. São desalinhados, inconstantes. E eu, como um unanime burro aprendi que não é racional ou medido, é mutavel, variável e, principalmente, sentido.

Simone de Beauvoir já dizia que "Temos amores necessários e amores contingentes ao longo da vida". Todos os amores são contingentes e, agora, direi uma dura verdade à vocês... Será um baque, assim como foi para mim, mas terei de dizê-lo: Não existe amor de filmes, aqueles típicos de final feliz, sabe? Não, não existe. Os finais são felizes por que o filme terminou no momento feliz, no beijo. Depois dos créditos, nos bastidores da fantasia continuidade desse relacionamento, haverão brigas, machucados emocionais, possíveis traições. A vida real é assim. "O Mundo já caiu, baby. Só nos resta dançar pelos destroços".

Admito que meu conhecimento é meramente teórico, pouco me abri para a maravilhosa aventura do relacionamento amoroso e, sem desmerecer Chicão, preciso de MUITO mais que suas músicas para entender a inconstância que é o amor a dois. Mas, uma coisa levo comigo e não arredo o pé - ou o coração, que seja: RESPEITO com o sentimento do próximo. SEMPRE!

"Eu sou a árvore / Comovida e triste / Tu és a menina que meu tronco usou
Eu Guardo sempre teu querido nome / E tu? Que fizeste da minha flor?"
Eu Sou a Arvore - Chico Buarque

domingo, 9 de janeiro de 2011

Esse Obscuro Sentimento Chamado Amor

‎"O prazer do amor é amar e sentirmo-nos mais felizes pela paixão que sentimos do que pela que inspiramos." - François La Rochefoucauld

Nos dois últimos meses do ano passado, permiti-me um envolvimento amoroso. Eu, sempre em vigilância constante a fim de não cometer erros, decidi deixar tudo isso de lado e vivenciar uma grande possibilidade de amor que estava na minha frente. Essa possibilidade de Amor personificava-se em uma pele morena clara, cabelos pretos curtos, olhos amendoados, corpo magro semi-definido, óculos de armação grossa e um jeito egocêntrico e impositivo. Intelectualmente interessante e sexualmente atrativo. Pensei, "Vamos lá, Cláudio. Libere-se psicologicamente ao Amor, o qual poderá deixá-lo instável e inconstante. Pise no terreno do desconhecido e do incontrolável." O Fiz!
Se deu certo? Hm, bom, aprendi muita coisa...

Relacionamentos interpessoais são mais dificeis do que eu imaginava. Sério!
No relacionamento familiar, o amor é implicitamente obrigatório e as idiossincrasias são semelhantes, afinal, fomos criados juntos. Ok, toda regra há uma exceção, mas no geral é assim. As amizades possuem a mesma linha de raciocínio: São pessoas semelhantes a ti no modo de pensar. Já no relacionamento profissional, as regras são obrigatórias, afinal são regras, portanto há um molde a ser seguido e relacionamentos pessoais são (e muitas vezes DEVEM) ser limitados. Austeridade e distância ajudam.

Pelo que percebi nesses dois meses, o relacionamento amoroso tem suas características fortes, porém desalinhadas e inconstantes. Namorar é ver a vida por outros ângulos e interpretações. Você divide situações com uma pessoa diferente de você. Você aprende! 

Eu sempre defendi que não existe Certo ou Errado, Bem ou Mal. Existem interpretações! Discussões só acontecem quando não há um diálogo. Em uma situação de desequilíbrio, o ideal é ser empatico. Pegar a sua interpretação, pegar a do seu parceiro, misturar tudo, assar no forno da razão e fazer uma cobertura generosa de Segurança. Bolo feito, deve ser comido e absorvido como um Aprendizado. Uma vez comido, não deve ser trazido a tona novamente. Caso contrário, a segurança não foi absorvida e o Vômito nunca faz mal nem para você nem para quem o vê. Teoricamente isso seria perfeito, mas não funcionou. Não funcionou comigo e com ele.

Sempre defendi essa teoria das interpretações, mas foi nessa situação que vivenciei. O errado para mim não o era para ele, e vice-e-versa. Grandes pitadas de orgulho e insegurança nos rondavam. Certa vez ele me disse "Sim, você nunca foi agressivo (verbalmente) comigo. Mas é por que meus motivos eram plausíveis". Antes de qualquer coisa, deixo bem claro que a agressividade colocada na frase trata-se no âmbito verbal. Entendo que há amores desequilibradamente passionais, mas nada justifica uma agressão física. Nada! - Embora, após o término, eu me imaginei batendo nele algumas vezes - Enfim, voltando, realmente eu não era agressivo. Quando estou bravo-bravo, meu mecanismo de defesa é ironia, uma agressividade "equilibrada". Nas nossas discussões meu motivos eram plausíveis, para mim e não para ele - e vice-e-versa -  a diferença é que eu deixava de lado a fim de aproveitar o momento melhor. Isso é o ideal? Sim e não. Muitas vezes você TEM de impor sua opinião para que a Conclusão do Bolo - a receita que fiz lá em cima - seja VERDADEIRA. Como reflexo, eu não externalizava meu descontentamento e, posteriormente podia trazê-lo a tona: O Vômito. E Ele, não "aprenderia" a minha interpretação de uma mesma situação. Limitando-se. Viram!? Não existe certo ou errado. Os relacionamentos não são justos. São batalhas, batalhas por supremacia. E amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.

Eu errei não omitindo algumas cantadas recebidas no Orkut e no Face? Sim. 
Ele errou criando situações de ciúmes para sentir-se seguro no nosso relacionamento sem perceber que estava criando atritos e nos machucando? Sim. 
Errei por cobrar mais atenção e mais saídas - afinal, eu queria transar, poxa, rs? Sim! 
Ele errou sendo grosseiro e agressivo em algumas discussões? Sim!
Mas o incrivel de tudo isso foi o GRANDE aprendizado que tive!

O que fazer e o que não fazer. Certas coisas que eu fazia e machucava as pessoas, mas não tinha a percepção de como as atingia, eu as senti. Aprendi que não é por que sou muito-muito racional que todos também devem o ser. No nosso término, que foi algo em comum-acordo - Embora meu amigo diga que ele fez um 'jogo' a fim de que eu corresse atrás dele, o que não aconteceu - eu queria ligar para ele para formalizar o término por telefone no estilo "Somos amigos felizes, ok?". Ele não me atendeu nenhuma vez. Em uma conversa posterior, ele disse que não atendeu por que queria que a "poeira abaixasse". A poeira do sentimento que ainda sentia. Eu não via essa "Poeira". Não por que meu sentimento não era forte, mas por que lidei com a situação de modo diferente.

Amigos, até um "Eu te Amo" possui interpretações diferentes. O ouvi várias vezes e respondia com um "Eu também", embora não o 'amasse'.
Medo? Falsidade? Insegurança?
Não, apenas interpretação!
E, por ora, para mim, ele ainda está obscuro.



CURIOSIDADES
Estilos de Amor
Eros (amor) - um amor apaixonado fundamentado e baseado na aparência física
Psiquê - um amor "espiritual", baseado na mente e nos sentimentos eternos
Ludus - o amor que é jogado como um jogo; amor brincalhão
Storge - um amor afetuoso que se desenvolve lentamente, com base em similaridade
Pragma - pragmática amor, amor que visualiza apenas o momento e a necessidade temporária, do agora.
Mania - amor altamente emocional; instável; o estereótipo de amor romântico
Ágape - amor altruísta; espiritual
Hendrick e Hendrick encontraram em sua pesquisa os seguintes dados. Os homens tendem a ser mais lúdicos e maníacos, enquanto as mulheres tendem a ser estéricas e pragmáticas. Relacionamentos baseados em amor de estilos semelhantes tendem a durar mais tempo. Em 2007, pesquisadores da Universidade de Pavia liderados pelo Dr. Enzo Emanuele forneceram provas da existência de uma base genética para variações individuais em verificada na Teoria dos Estilos amorosos de Lee. OEros relaciona-se com a dopamina no sistema nervoso; e Mania à serotonina no sistema nervoso.

sábado, 6 de novembro de 2010

A Fagocitose

A fagocitose é um importante mecanismo de defesa do organismo. Quando é identificado um corpo estranho na célula, o qual pode vir a danifica-la ou adoece-la, a mesma engloba esta partícula estranha e expulsa-a, mantendo-a protegida. Esta concepção é muito importante e necessária para o corpo.
Mas e quando o nosso psicológico cria uma "Fagocitose Sentimental", onde o corpo estranho chama-se "Paixão"?

Traição, mentira, recusa ou amor não correspondido: No adultério, há pelo menos três pessoas que se enganam; Nasce uma mágoa não pela mentira, mas o fato de eu não poder mais voltar a acreditar no indivíduo; Perder uma grande possibilidade pois o por motivo foi ter sido "Você" ; O amor não correspondido, é aquele que mais dura.

A Palavra MEDO tem quatro letras, assim como a palavra AMOR. AMOR possui o M e o O, assim como o MEDO. AMOR sempre termina com OR, de DOR. Será sempre assim? Como vou saber se nunca me permiti as delícias do Amor? Vivemos em um mundo onde as relações amorosas, afetivas e até sexuais constroem-se virtualmente. Não, leitores! Não existe mais intimidade. O Contato, o toque, o beijo constante e a carícia parecem ter desaparecidos, Puf! As pessoas desaprenderam a fazer massagem e acariciarem-se com um bom cafuné. Minha concepção de relacionamento foi construída através dos filmes clássicos em P&B que eu assistia quando adolescente. Pedido de namoro, sexo depois de muito tempo e intimidade, apresentações aos pais, aliança de compromisso, flores e serenatas, beijos na chuva e roladas na grama. Eu ainda sonho com o "American Dream" de casar-se, ter uma casa amarela com três filhos e um cachorro ou gatinho. Eu não transo com freqüência por opção, sexo é algo extremamente fácil de achar. MUITO fácil.

Eu quero é transar loucamente apaixonado, gozar e viajar meus dedos por cada detalhe do corpo do meu parceiro. Quero beijar na chuva e visualizar as gotas explodindo lentamente nos ombros dele. Quero entrelaçar minhas pernas às dele, abraçá-lo e passar a ponta de meu nariz pelo seu rosto, respirando-o, sentindo-o de olhos fechados, indeciso entre beijá-lo num agressivosexual ou abraçá-lo fortemente juntando-o a mim. Quero ouvir MPB sem ter nada a dizer, apenas olhando para o teto. Quero-o! Sinto-me bobo. Apaixonado, sinto-me vulnerável, desconfortável e com medo.

Estou apavorado em saber que um outro indivíduo tem poder sobre mim. Esquivo-me, contenho-me, seguro e retraio essa paixão que nasce aos poucos. Ainda não amo, mas apaixonei-me. Este, atualmente, é o meu estágio da fagocitose. Poucos são - conto-os nos dedos de uma mão - os indivíduos que entraram em meu estágio de fagocitose. Todos foram expelidos no momento que achei estar apaixonado. Era o medo de estar apaixonado. 

Já este - este único indivíduo - o qual me chama de "Bebê", que lambe o cantinho da minha boca deixando meu pau ereto em uma fração de segundos, que tira um sorriso de meus lábios ao olhar-me, que me olha com aqueles oclinhos de armação grossa, que descreve Saramago ou canta Vinicius de Moraes de um jeito quase sexual para meus ouvidos... Este, talvez seja diferente.

E eu estou apavorado!