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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

_pega leve, Hamlet!

O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém.
- William Shakespeare


Farto de tudo, clamo a paz da morte
Ao ver quem de valor penar em vida
E os mais inúteis com riqueza e sorte
E a fé mais pura triste ao ser traída


E altas honras a quem vale nada
E a virtude virginal prostituída
E a plena perfeição caluniada
E a força, vacilante, enfraquecida


E o déspota calar a voz da arte
E o néscio, feito um sábio, decidindo
E o todo, simples, tido como parte
E o bom a mau patrão servindo


Farto de tudo, penso, parto sem dor
Mas, se partir, deixo só o meu amor
Soneto LXVI – Macbeth

Este mês descobri minha nova paixão e, com certeza, após o cinema e a dança, será mais um vício contundente. Algo que será mais uma engrenagem responsável na desconstrução da impossivel inverossimilhança que é a minha própria vida dentro da minha própria cabeça. 
Sabe o que? O TEATRO!

Após ter assistido empolgado CLANDESTINOS, mergulho no mundo de SOM & FURIA. E sabe a que conclusão chego?
Como brasileiro faz coisa boa e a gente nem se dá conta.

Baixar - CLANDESTINOS
Baixar - SOM & FURIA

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

_epílogo, por ora.


...Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes.
- Antoine de Saint-Exupéry


Por que me fazes perder a compostura? ................................Aventura!
Será que sabes o quanto me controla? ..................................Gabarola!
Teu olhar já me fazes mais disposto...................................... Teu rosto!

Pois meu olhar vagueado, te olha.
Meu corpo desnorteado, se molha.
E minha mente confusa te esmiúça,
Gabarola, teu rosto é uma aventura!

Tua boca lasciva e rosada é alvura..........................................Doçura!
Teu cabelo emoldura um rosto frajola......................................Corola!
Meus olhos não disfarçam, te olham com gosto...............Sou Exposto!

Ver-te dançando, voando - eu fico sem jeito.
Perco-me pensando, sonhando - sem ar no peito.
Um amor momentâneo, em contemporâneo.
Apaixonado, sou exposto à sua doçura em corola.

Pensa, completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar
- Cecília Meireles

Alexander Ryback - All I  Do Is Dream Of You

sábado, 14 de maio de 2011

Descabelo

Esse meu descabelo, descabelado e desnorteado num desalinho descompromissado.
Sugeriu num instante, uma estranha inconstância, inconsistente histeria mansa.
São fios de auto-estima, que me anima, esquenta o clima de pantomima.
Onduladas obstinações obsessivas que são o óbito da minha já obsoleta obnubilação.

Cisão de minhas cismas. Nasce um cisne sem cizânia consigo mesmo.
Nem mais me rejeito. Só me aceito desse jeito, perdendo meu freio sem receio.
Agora me sinto mais bonito e erudito. Com um sorriso infinito e irrestrito.
Um novelo cheio de zêlo. Ah, esse meu belo cabelo de modelo. Felicidade em tê-lo.



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Perdoe-me, Pê!

"Eu só choraria se Deus não quisesse o meu simsinhô. Ou se apenas me mostrasse a língua sem me deixar sugá-la." - Hilda Hilst

"Perdoa-me Cordélia, mas, a não ser tu, minha irmã és tão bela. Não teve um netido e premente desejo por mulher alguma. Mas sempre gosto de ser chupado. Então ás vezes seduzo algumas de beiçolinha revirada. Mas o falo na rosa, mas mulheres, só em extremos.

Há em todas as mulheres um langor, um largar-se que me desestimula.
Gosto de corpos duros, esguios, de nádegas iguais àqueles gomos ainda verdes, grudados tenazmente à sua envoltura.

Gosto de Cu de homem, cús viris, uns pelos negros ou aloirados à sua volta. Com um contrair-se um fechar-se cheio de opinião...
Bunda de mulher deve dar bons bifes, no caso de desastre na neve. Leste, sobre os tais que comeram os amiguinhos e amiguinhas congelados?

Voltando às nádegas. As tuas. Douradas e frescas, Tu fostes única. Tuas nádegas também. Firmes, altas, perfeitas como as de um rapaz.
Não faças essa cara, e não rias..."


- Trecho de "Cartas de um Sedutor", de autoria Hilda Hilst. Citado em DO COMEÇO AO FIM, de Aloízio Abranches.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ele

Um menino questionador
Bem confuso e bonito.
Ele não queria se compor
de um jeito restrito
Nem sabia diferenciar
A verdade de um mito
Não sei bem se era Sol
Ou se nesse dia chovia
A janela estava fechada
E apenas a TV se ouvia
O menino estava sozinho
E algo estranho acontecia
Não queria ser apenas um
Queria ser outros tantos.
Parecia algo incomum.
Desde já, já lhe adianto,
Criou dois personagens
e transformou-os em Miragens.
Um era lindo e comunicativo,
Outro era famoso e proativo.
Um era agressivo sexualmente,
já o Outro muito inteligente.
Os dois se apossaram dele
E tomaram conta da sua mente.
Assustado, ele acordou
Embora não tivesse dormido
Olhou no espelho e se tocou
o quanto tinha enlouquecido
Deitou-se novamente
Sob um lençol umedecido.
O Psiquiatra e o Psicólogo
Começaram um tratamento
O qual apenas consistia em
ter em sí, contentamento.
Aumentando a auto-estima
E um confiante comportamento.
Ele era bonito, sem saber.
Não se achava inteligente
Mas era muito, e era fácil de ver.
Se importava com o que pensavam dele
Tanto, que deixava de viver.
Queria parecer perfeito
E internalizava tudo
Não queria ter um defeito
Criou em si um escudo
Tudo ficou estreito.
Até que ele explodiu.
Falou mais forte o Desejo
Passou a dizer "Foda-se"
Resolveu ouvir Sertanejo
Perdeu o Arquejo
Outras opiniões perderam força.
Dançou no meio da rua
E até bebeu cerveja
Abraçou a familia e a mim
Pois agora tinha certeza
Do que queria para si
e de sua própria beleza.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Garoto

"À medida que nos libertamos de nossos medos, nossa presença automaticamente liberta outros." - Harriet Rubin

Antes eu conhecia apenas o Conhecido.
Conhecia os Pokemons, Digimons e os ursinhos carinhosos,
Já as Sete Horas da manhã, assistia TV com olhos brilhosos.
Conhecia o medo do primeiro dia de aula com minha lancheira,
Criança, logo me inturmava, e percebia que aquele medo era besteira.
Conheci as luzes no cabelo, a temida Educação Física e o Ginásio.
Perto do Futebol e do volei, a quimica orgânica era muito fácil.
Conhecia o Inglês, o espanhol, a timidez e a ingenuidade.
Conhecia o The Sims, O PlayStation e os brinquedos de minha idade.
Conhecia o amor ideal, a Audrey Hepburn e o James Dean.
Conhecia a necessidade de um tenis legal e uma calça Jeans.
Conhecia Chico Buarque, Kid Abelha e Marisa Monte.
Conhecia o Céu, a praia e até talvez o Horizonte.
Conhecia Harry Potter, Amelie Poulain, Alice e o seu país.
Conhecia minha familia, meus amigos e era feliz.
Conhecia o flerte, o beijo, a ansiedade e a ficada.
Conhecia a pegada, o abraço a amizade e a balada.
Conhecia minhas amigas, o chocolate e a divisão.
Conhecia meus amigos, o video game e a masturbação.
Conhecia minha beleza e a satisfação de ser escolhido.
Conhecia que eu sabia que não conhecia o desconhecido.

Considero este Setembro de um grande aprendizado e absorção,
Há um mês atrás eu era criança, hoje adulto, não tenho opção.

Descobri o divórcio, a fluoxetina e a escleróse.
Descobri a cicatriz, a lagrima e o medo em apoteose.
Descobri o temido, o estranho, a dor e a depressão.
Descobri o sofrimento, a tristeza, a angustia e a solidão.
Descobri o suicídio, a confusão, a atenção e o Rivotril.
Descobri a emoção, a absorção e uma razão que me fugiu.
Descobri o Sexo, a Lindocaína, a bunda e a orgia
Misturados em um sentimento guardado que já emergia.
Descobri o sexo oral acontecer na minha frente.
Descobri o nojo e o interesse escorrer na minha lente.
Descobri a Maconha, a promiscuidade e a camisinha.
Descobri a Anfetamina, o nadar pelado e a Caipirinha.
Descobri a idade, o epitáfio e a falta de dinheiro.
Descobri então, que não me conhecia por inteiro.

Olhei ao redor, e vi o quanto é de entristecer
Ver pessoas que acham que vivem num Breu.
Tenho feito de tudo para ajudá-las, e não absorver.
Afinal, alguem tem de ser feliz, nem que seja só eu.

Tenho certeza que a felicidade está alí, é só interpretar.
Não vou perder meu dom de sorrir só pelo olhar.

Prometo ajudar vocês.
Não tenho mais feito o que eu fazia.
Se eu absorver, não tem problema.
Lá fora ainda tem um sol que irradia.


Dedido à Vocês, que acharam que eu ia embora ou não importava.
E à mim, que tenho certeza que tudo isso ao meu redor não iá tirar minha alegria.


Por Cláudio_DeLarge

domingo, 2 de agosto de 2009

O Viajante

Uns dizem-me que meu amor nasce do Cérebro,
Outros discordam, afirmando que é do Coração.
Levando em consideração que é um estranho sentimento
Vamos deixar de lado, um pouco, a razão.

Do coração, viaja pelas vias pulmonares,
Provocando uma respiração irregular.
Dissolve-se por toda a minha saliva,
que vira sua, quando começa a me beijar.

Porém você não sente o gosto do meu amor,
Por que ele esconde-se, frente ao seu tesão,
Mesmo que eu o salive por todo o corpo
Terminando em uma babada felação.

Porém, meu amor ainda encontra-se em sua saliva,
Que logo depois é expelida em um novo sexo oral
Só que o receptor trata-se de outra pessoa
E eu, presente, queimo no coração um olhar vagal.

O receptor goza e decidi ir ao banheiro
Defeca, urina e limpa a própria bunda
Ao entrar no banheiro, percebo que na lata de lixo
Encontra-se meu Amor, em uma folha de papel imunda.

Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 21 de abril de 2009

"Amor, Entre Outros Desastres."

Amar-lhe-ia.
Amar como verbo transitivo é aquele que não tem sentido completo sozinho. Demorei a perceber isso. Amar, não é intransitivo e não é individual. Mesmo que os verbos intransitivos não precisem de complemento, ao mesmo tempo não se movimentam, não transitam e sua oração é curta.
Este tempo é o futuro do pretérito. Foi escolhido por relacionar-se a irrealidade, hipótese e incerteza. Minha razão desistiu de amar, então você é meu passado, mesmo meu coração visualizando-lhe em meu futuro. O futuro do meu passado. O Futuro do pretérito.
Por ultimo, digo-lhe isso em mesóclise. Esta colocação só pode ser utilizada em verbos no futuro. Futuro do presente ou apenas do meu passado. Verbo no infinitivo, do infinito e que nunca termina. Na mesóclise temos o pronome obliquo átono “lhe” que representa a terceira pessoa. “Ele”, que está entre nós. Um terceiro travesseiro. Um terceiro “amar”. O único obstáculo do meu “Amarei”.
Esperar-lhe-ei. Até lá, serei apenas mais um verbo intransitivo.
(Dedicado ao mentiroso menino do Metrô).

Cláudio_DeLarge