quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Te Perdôo por Te Trair

"Te perdôo / Por contares minhas horas / Nas minhas demoras por aí
Te perdôo / Te perdôo porque choras / Quando eu choro de rir
Te perdôo / Por te trair"
Mil Perdões - Chico Buarque

Durante toda essa semana, a Globo está exibindo a Microsérie "Amor em 4 atos", que segue o princípio de transformar alguns dos maiores clássico de - ninguém menos - Chico Buarque de Hollanda em histórias televisívas. São três histórias de amor divididas em quatro episódios, onde as canções escolhidas são, respectivamente "Ela Faz Cinema" e Construção", "Mil Perdões", "Folhetim" e, por ultimo, "Vitrines". Todas são enormes representações da grandiosidade de Chico Buarque, do amor visto pelos olhos de Chico Buarque, e que me torcem o nariz.

Uma microsérie da Globo sempre terá como principal objetivo o entretenimento e o lucro publicitário. Longe de mim ignoralizar o público ao qual assiste a TV Aberta, ainda mais quando é o mesmo público que acabou de assistir Big Brother Brasil, mas o conteúdo terá de ser exemplificado e mastigado na grandiosidade poética e artística que é Chico Buarque, e resumí-la em 40 minutos. A TV é dinâmica, mas o tema de relacionamentos interpessoais - ainda mais amorosos - é incrivelmente complexo. São infinitas teias desalinhadas, embaraçadas e imutáveis. E até mesmo a sensibilidade pragmática de Chico Buarque ramifica-se em viagens interpretativas. 

Enfim, sem mais prolixidade, digo o que vim dizer: Achei desoriginal e sem graça o argumento do primeiro episódio do Chicão. Uma menina descolada, cinéfila e moderna constrói um relacionamento amoroso com um pedreiro gostosão do andar de cima. Omissões a parte, tudo seria lindo se essa menina não fosse noiva. "Uh, Traição!? Que absurdo", você me diz. Porém, tudo justifica-se na apresentação do noivo da menina: Ele é certinho, metódico, filhinho da mamãe, desinteressante sexualmente... enfim, chato. A partir daí, justifica-se a traição. Justifica-se?

Há um tempinho atrás escrevi o post O Pecado Mora Ao Lado, o qual crítica essa exacerbação de Bem ou Mal, onde um defeito do parceiro justifica uma traição. "Ah, mas ele não dava atenção para a coitadinha", "Ah, mas o nerd magrelinho ama muito mais a menina do que atacante do time da escola". Portanto, tudo justifica-se. O problema disso tudo é que temos uma visão unilateral do relacionamento alheio. Sabemos que a menina não recebe atenção, mas será que ela também não é uma chata insossa certinha demais que o deixa entediado? Não existe bem o mal, existe interpretações - repetitivo, eu? Não, a vida é!-. Ele não está errado, nem ela, simplesmente eles não combinam e devem separar-se. NADA justifica uma traição. NADA! Numa traição, pelo menos três pessoas são enganadas. Você prestou-se a namorá-la e deve um profundo respeito por ela, certo?
Ou eu que levo muito a sério o namoro, ou ele banalizou-se e estou atrasado!
Nenhum nem o outro. Em uma briga entre o corpo e o coração, o corpo sempra ganha por W.O. Eu já fui o responsável por uma separação e contei essa história no post Closer - Perto Demais. Eu estava errado por cobiçar o namorado alheio. O marido estava errado por desrespeitar o parceiro. O parceiro estava errado por acomodar-se numa relação desgastada. Todos erraram mas nada justifica, só houve sofrimento.

Estou certo!? Não, estou errado. E certo também. Hoje exibiram o segundo episódio da microsérie, inspirada na música "Mil Perdões" que também empresta uma de suas estrofes para o início deste post: "Te Perdôo por te trair". Porra, é Chico Buarque quem disse isso!!! Todas minhas concepções cairam por Terra. Não por que eu tenha idéia fraca, mas é por que é Chico Buarque quem diz. Ele é o único - eu disse o único - cara que dá uma nova interpretação para a frase mais famosa de Nelson Rodrigues, "Toda Unanimidade é Burra". Burra não no sentido de estupidez, mas no sentigo de ignorância à Sensibilidade. Chico Buarque é unanimidade até para quem não o conhece, e sabe por que? Por que ele vai além. Ele não tenta definir ou limitar regras para relacionamentos, ele mostra que relacionamentos amorosos é FALTA de definições. FALTA de regras. São desalinhados, inconstantes. E eu, como um unanime burro aprendi que não é racional ou medido, é mutavel, variável e, principalmente, sentido.

Simone de Beauvoir já dizia que "Temos amores necessários e amores contingentes ao longo da vida". Todos os amores são contingentes e, agora, direi uma dura verdade à vocês... Será um baque, assim como foi para mim, mas terei de dizê-lo: Não existe amor de filmes, aqueles típicos de final feliz, sabe? Não, não existe. Os finais são felizes por que o filme terminou no momento feliz, no beijo. Depois dos créditos, nos bastidores da fantasia continuidade desse relacionamento, haverão brigas, machucados emocionais, possíveis traições. A vida real é assim. "O Mundo já caiu, baby. Só nos resta dançar pelos destroços".

Admito que meu conhecimento é meramente teórico, pouco me abri para a maravilhosa aventura do relacionamento amoroso e, sem desmerecer Chicão, preciso de MUITO mais que suas músicas para entender a inconstância que é o amor a dois. Mas, uma coisa levo comigo e não arredo o pé - ou o coração, que seja: RESPEITO com o sentimento do próximo. SEMPRE!

"Eu sou a árvore / Comovida e triste / Tu és a menina que meu tronco usou
Eu Guardo sempre teu querido nome / E tu? Que fizeste da minha flor?"
Eu Sou a Arvore - Chico Buarque

10 comentários:

Anônimo disse...

Adorei seu blog apesar de ter sumido de tudo... achei seu orkut recentemente... mas pensei bem e não add, sei lá... vc sumiu e não eu...

beijos espero que esteja bem...


do seu vizinho

Anônimo disse...

Adorei seu blog apesar de ter sumido de tudo... achei seu orkut recentemente... mas pensei bem e não add, sei lá... vc sumiu e não eu...

beijos espero que esteja bem...


do seu vizinho

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


COMPARTIENDO ILUSION
O SAL A MOLHAR O MEU SORRISO

CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...




ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE ALBATROS GLADIATOR, ACEBO CUMBRES BORRASCOSAS, ENEMIGO A LAS PUERTAS, CACHORRO, FANTASMA DE LA OPERA, BLADE RUUNER Y CHOCOLATE.

José
Ramón...

Kleber Godoy disse...

Olá, Cláudio,

Mais uma vez apareço aqui e gostei de ver você, novamente, se aventurando em busca de respostas acerca do amor... talvez eu esteja errado e vc faça mais perguntas do que dê respostas e isso é bom.

Concordo com algumas coisas, discordo de outras. No resumo, respeito é necessário, sempre... mesmo na insconstância do amor...

Final feliz? Existe sim, acredite! Difícil de achar e com muito suor no percurso, mas não desista de encontrar um por ai... (lembrando sempre que felicidade absoluta é uma balela inventada por alguém que não sabia nada sobre a vida...).

Abraços e até mais.

Joyeux disse...

Eu digo, e repito:

Histórias de amor, são simples. Se não houvessem tantas emoções envolvidas, todos seríamos capazes de enxergar o óbvio:

existe o começo, o meio e o fim.
o que o determina, nunca é o começo, nunca é o fim... mas o que acontece entre eles.

Kleber Godoy disse...

Oi,

Estamos aqui para te avisar que deixamos em nosso blog um selo de qualidade de presente pra você! Pega lá...

Abraços,

Kleber e Jonathan
oteatrodavida.blogspot.com

Cláudio DeLarge disse...

O amor é simplesmente complexo e completamente simples.

Cláudio DeLarge disse...

Ganhei um selo de qualidade. Que HONRA!

Anônimo disse...

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