domingo, 9 de janeiro de 2011

Esse Obscuro Sentimento Chamado Amor

‎"O prazer do amor é amar e sentirmo-nos mais felizes pela paixão que sentimos do que pela que inspiramos." - François La Rochefoucauld

Nos dois últimos meses do ano passado, permiti-me um envolvimento amoroso. Eu, sempre em vigilância constante a fim de não cometer erros, decidi deixar tudo isso de lado e vivenciar uma grande possibilidade de amor que estava na minha frente. Essa possibilidade de Amor personificava-se em uma pele morena clara, cabelos pretos curtos, olhos amendoados, corpo magro semi-definido, óculos de armação grossa e um jeito egocêntrico e impositivo. Intelectualmente interessante e sexualmente atrativo. Pensei, "Vamos lá, Cláudio. Libere-se psicologicamente ao Amor, o qual poderá deixá-lo instável e inconstante. Pise no terreno do desconhecido e do incontrolável." O Fiz!
Se deu certo? Hm, bom, aprendi muita coisa...

Relacionamentos interpessoais são mais dificeis do que eu imaginava. Sério!
No relacionamento familiar, o amor é implicitamente obrigatório e as idiossincrasias são semelhantes, afinal, fomos criados juntos. Ok, toda regra há uma exceção, mas no geral é assim. As amizades possuem a mesma linha de raciocínio: São pessoas semelhantes a ti no modo de pensar. Já no relacionamento profissional, as regras são obrigatórias, afinal são regras, portanto há um molde a ser seguido e relacionamentos pessoais são (e muitas vezes DEVEM) ser limitados. Austeridade e distância ajudam.

Pelo que percebi nesses dois meses, o relacionamento amoroso tem suas características fortes, porém desalinhadas e inconstantes. Namorar é ver a vida por outros ângulos e interpretações. Você divide situações com uma pessoa diferente de você. Você aprende! 

Eu sempre defendi que não existe Certo ou Errado, Bem ou Mal. Existem interpretações! Discussões só acontecem quando não há um diálogo. Em uma situação de desequilíbrio, o ideal é ser empatico. Pegar a sua interpretação, pegar a do seu parceiro, misturar tudo, assar no forno da razão e fazer uma cobertura generosa de Segurança. Bolo feito, deve ser comido e absorvido como um Aprendizado. Uma vez comido, não deve ser trazido a tona novamente. Caso contrário, a segurança não foi absorvida e o Vômito nunca faz mal nem para você nem para quem o vê. Teoricamente isso seria perfeito, mas não funcionou. Não funcionou comigo e com ele.

Sempre defendi essa teoria das interpretações, mas foi nessa situação que vivenciei. O errado para mim não o era para ele, e vice-e-versa. Grandes pitadas de orgulho e insegurança nos rondavam. Certa vez ele me disse "Sim, você nunca foi agressivo (verbalmente) comigo. Mas é por que meus motivos eram plausíveis". Antes de qualquer coisa, deixo bem claro que a agressividade colocada na frase trata-se no âmbito verbal. Entendo que há amores desequilibradamente passionais, mas nada justifica uma agressão física. Nada! - Embora, após o término, eu me imaginei batendo nele algumas vezes - Enfim, voltando, realmente eu não era agressivo. Quando estou bravo-bravo, meu mecanismo de defesa é ironia, uma agressividade "equilibrada". Nas nossas discussões meu motivos eram plausíveis, para mim e não para ele - e vice-e-versa -  a diferença é que eu deixava de lado a fim de aproveitar o momento melhor. Isso é o ideal? Sim e não. Muitas vezes você TEM de impor sua opinião para que a Conclusão do Bolo - a receita que fiz lá em cima - seja VERDADEIRA. Como reflexo, eu não externalizava meu descontentamento e, posteriormente podia trazê-lo a tona: O Vômito. E Ele, não "aprenderia" a minha interpretação de uma mesma situação. Limitando-se. Viram!? Não existe certo ou errado. Os relacionamentos não são justos. São batalhas, batalhas por supremacia. E amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.

Eu errei não omitindo algumas cantadas recebidas no Orkut e no Face? Sim. 
Ele errou criando situações de ciúmes para sentir-se seguro no nosso relacionamento sem perceber que estava criando atritos e nos machucando? Sim. 
Errei por cobrar mais atenção e mais saídas - afinal, eu queria transar, poxa, rs? Sim! 
Ele errou sendo grosseiro e agressivo em algumas discussões? Sim!
Mas o incrivel de tudo isso foi o GRANDE aprendizado que tive!

O que fazer e o que não fazer. Certas coisas que eu fazia e machucava as pessoas, mas não tinha a percepção de como as atingia, eu as senti. Aprendi que não é por que sou muito-muito racional que todos também devem o ser. No nosso término, que foi algo em comum-acordo - Embora meu amigo diga que ele fez um 'jogo' a fim de que eu corresse atrás dele, o que não aconteceu - eu queria ligar para ele para formalizar o término por telefone no estilo "Somos amigos felizes, ok?". Ele não me atendeu nenhuma vez. Em uma conversa posterior, ele disse que não atendeu por que queria que a "poeira abaixasse". A poeira do sentimento que ainda sentia. Eu não via essa "Poeira". Não por que meu sentimento não era forte, mas por que lidei com a situação de modo diferente.

Amigos, até um "Eu te Amo" possui interpretações diferentes. O ouvi várias vezes e respondia com um "Eu também", embora não o 'amasse'.
Medo? Falsidade? Insegurança?
Não, apenas interpretação!
E, por ora, para mim, ele ainda está obscuro.



CURIOSIDADES
Estilos de Amor
Eros (amor) - um amor apaixonado fundamentado e baseado na aparência física
Psiquê - um amor "espiritual", baseado na mente e nos sentimentos eternos
Ludus - o amor que é jogado como um jogo; amor brincalhão
Storge - um amor afetuoso que se desenvolve lentamente, com base em similaridade
Pragma - pragmática amor, amor que visualiza apenas o momento e a necessidade temporária, do agora.
Mania - amor altamente emocional; instável; o estereótipo de amor romântico
Ágape - amor altruísta; espiritual
Hendrick e Hendrick encontraram em sua pesquisa os seguintes dados. Os homens tendem a ser mais lúdicos e maníacos, enquanto as mulheres tendem a ser estéricas e pragmáticas. Relacionamentos baseados em amor de estilos semelhantes tendem a durar mais tempo. Em 2007, pesquisadores da Universidade de Pavia liderados pelo Dr. Enzo Emanuele forneceram provas da existência de uma base genética para variações individuais em verificada na Teoria dos Estilos amorosos de Lee. OEros relaciona-se com a dopamina no sistema nervoso; e Mania à serotonina no sistema nervoso.

2 comentários:

Kleber Godoy disse...

Nossa!!

Que grata surpresa, ao fazer buscas, encontrar um blog como este, bonito e com conteúdo.

Falar sobre o amor... é uma tarefa difícil porque exige... coragem, simplesmente. Um assunto delicado e, como você mesmo coloca, obscuro... pouco sabemos dele, mas podemos falar um pouco das sensações que nos causa.

Vou passear um pouco pelos seus textos agora...

E estou seguindo seu site... e retorno sempre que tiver novas postagens...

Abraços,

Kleber Godoy
www.oteatrodavida.blogspot.com

Daniel disse...
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