domingo, 17 de abril de 2016

_ainda sobre o amor

"I wanna fly so high that I'll never come down. I wanna love so hard, it could rip my heart out. I wanna get so lost that I'll never be found. Are you with me? Are you with me?" - Easton Corbin



Realidade e amor ainda são contraditórios pra mim.
Pois eu defendo o Amor Romântico (e monogâmico, mas não necessariamente) com uma paixão política quase irracional de um protagonista de Godard. O Amor Romântico visceral e benevolente visto nos livros e cinemas existe. Sim, ele é dificil e de extrema prova e provação, um trabalho para o qual qualquer outro trabalho é apenas uma preparação. Ele existe e compensa. E constitui a maior oportunidade de amadurecer e tornar-se um mundo para si mesmo. E para um outro.
Livros e filmes romanticos não são uma ilusão. São uma realidade, porém dificil de interpretar. E para isso é necessaria muita sensibilidade.
A arte é uma arma carregada de sensibilidade. Tá explicado então, por que a arte é um substantivo feminino.
Devemos saber diferenciar o AMOR de sentimentos que caminham em sua marginalidade, como ciúmes, orgulho, expectativas, exclusividade e projeções. Quando entendermos que Amor é a honestidade e proteção mútua, na delimitação e saudação de duas solidões e individualidades evoluidas através de sua interação, o entenderemos.
E para isso, precisamos de maturidade. E para isso, precisamos de experiências amorosas.
Um dias desses, eu conversava com meu parceiro o quanto os nossos ex's - os amores contingentes, segundo Simone de Beauvoir - são importantes e quanto eu os respeito. Se hoje estamos construindo um relacionamento de honestidade e lealdade, é porque aquelas experiências passadas com nossos outros amores, nos tornaram melhores para esse nosso Agora. Nós somos os pedaços do que absorvemos das pessoas e das experiências da vida. Nós nunca poderemos substituir ninguem, pois cada um é feito de lindos e específicos detalhes.
E eu amo cada detalhe do meu parceiro. Eu digo que meu parceiro é melhor que o NetFlix, pois eu poderia assistir cada detallhe daquele lindo sorriso e estonteante olhar por horas. Nenhum script ou roteiro é melhor do que estamos vivendo ou iremos viver.
E toda essa discussão surgiu de um pequeno conflito. Por que as pessoas acham que conflito é tão mal? Muitas coisas boas nascem de um conflito. A gente tem uma preocupação enorme em resolver o problema e não descobrir quem errou ou acertou. A gente prefere ser feliz do que ter razão.
Talvez o fato de termos diferentes linguas maternas - eu o português e ele o inglês - ajuda muito, pois fazemos um esforço maior em compreender o outro e ser compreendido. Pois até mesmo os melhores podem errar nas palavras quando elas devem significar o que há de mais leve e quase indizível.
Eu acredito em Amor. Budista que sou, eu acreditava que Deus estava dentro de nós. Hoje sei que, se existe um Deus, ele está nesses espacinho entre duas pessoas.
Se houver magia nesse mundo, terá de ser na tentativa de entender alguem. Partilhar algo. Amar e ser amado. Sei que é muito dificil e quase impossivel, as vezes. Mas no que isso importa? A resposta está na tentativa.
Há muita beleza em toda parte.
E se o amor é fantasia, a minha vida é um carnaval.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

_apaixonando-me por alí

Ele era do tipo que chama pouco a atenção,
Mas se visto, é de se levantar a sobrancelha
Numa combinação de óculos de aros grossos
concentrados em um livro de capa vermelha.

Despreocupado com teus chinelos gastos
de tanto andar pelos parques e Sebos.
É por tua simplicidade sem diferencial
que se destaca entre outros mancebos.

Imagino-te discutindo Chico e Caetano
Cinema europeu ou talvez Jorge Amado
Menino, se também gostares de teatro,
Fostes desenhado para ser meu namorado.

Perdendo-me nos teus cachos bagunçados
Nem precisaria de quaisquer eletrônicos
Pois sou daqueles românticos inveterados,
Que arranja nas ruas mil amores platônicos.


-
Inspirado em um desconhecido,
Uma despretenciosa paixão de parque.

PARA SE OUVIR APAIXONADO:
"Vagalumes Cegos" - Cícero

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

_apaixonem-se, isso é uma ordem!

“Não há nada melhor para uma alma do que tornar menos triste outra alma.”
- Paul Verlaine

Os baques dos nossos corpos ecoavam fortes e ritmados. Suas mãos estavam controlando minha cintura de uma maneira que o prazer fosse o máximo para ambos. Meus gemidos sonorizavam todo o tesão que se  expandia pelo meu corpo nu em contato com este outro, ora agressivo e sedento, ora amorosamente lascivo. Enquanto me mergulhava em um prazer de sentidos, ele ainda estimulava todo o meu corpo. Puxões de cabelo, mordidas na orelha, mamilos, pau e pés. Ele sabia exatamente os pontos. "Vou Gozar!", eu disse. "Eu também!", respondeu ofegante. Em uma sincronia perfeita, gozamos . Sempre gozávamos ao mesmo tempo. Ao gozar, ele era discreto, com os braços tensos e os dedos entreabertos, semi-abria a boca e enrugava as sobrancelhas, apertando os olhos por alguns minutos e em silêncio, a fim de curtir o orgasmo. Depois, mostrava-se ofegante. Eu, gemia alto não suportando o tesão, quase performático, e desabava em cima dele. E eu começava a rir. Rir por que o sexo foi divino e feito com maestria. Rir por que meu corpo mandava espasmos de felicidade e satisfação. Rir por que eu estava transbordando. Eu estava transbordando. Eu estava extremado. 

Deitado ao lado dele, meu corpo ainda teimava em mandar eletricidades de paixão, tão eufórico que meu racional não entendia. Em minha boca eu ainda sentia o gosto dele, dos seus pés, virilhas, axilas e lóbulos, e era um gosto delicioso. Ao abrir os olhos, fitei-o por alguns instantes e percebi que eu o amava. Pela primeira vez, eu amava. 
E eu sabia que o amava pois queria protegê-lo da melancolia e tristeza que ele teimava em curtir, queria transformá-lo apenas em sorrisos. Preocupava-me que ele estivesse alimentado, saudável e quentinho.
E eu sabia que o amava, pois ele era minha montanha russa. O único o qual eu não tinha controle total. Ele não fazia o que eu mandava e era uma incógnita bipolar. Ah, como eu amo incertezas.
Ali, eu sabia que o amava, por que o sexo foi satânico e meu demônio estava completamente nu.
Eu sabia, ah eu sabia, por que eu via claramente as suas falhas e adorava-as por que o humanizavam desenvergonhadamente. Falhas que me entristeceram por diversas vezes, mas as absorvia de uma maneira visceral.

Com ele, excursionei pelo meu interior, descobrindo lugares desabitados, os quais eu nunca coloquei meus pés e nem minha imaginação tinha consciência que existiam. Entendi as músicas de amor, Chico Buarque, Los Hermanos, Tiê e Caetano Veloso. Entendi poesia. Fui poesia... Fui Poesia. Poesia feliz e efusiva. Poesia raivosa e magoada. Poesia sentida.

Faço a medição da intensidade de minha vida, pela quantidade de "Primeiras Vezes" que tive no ano. São sempre mais intensas, mais incertas e dão um medinho tão gostoso. Tratando-se de AMOR - coloco-o em letras maiúsculas - obtive muitas Primeiras Vezes esse ano e todas valeram muito a pena. Absorvi muito e reverberarei ainda mais. Não estou mais mais namorando com esse amor, mas com certeza ainda estamos nos amando. E pra quem diz que não deu certo, eu discordo. Deu certo. Deu muito certo!

Obrigado, Rafa.
Agora, somos amigos. Amigos, mas ainda um amor de hipopótamo.


“Só vim aqui pra agradecer o que a gente dividiu.
Do que é ruim eu me esqueço
O bom eu quero mais
Na tristeza eu quero avesso
Saiba que todo fim
É um recomeço
Pra nossa vida quero amor
O resto eu desconheço."
- Móveis Coloniais de Acaju


O MEU AMOR - Caetano Veloso e Ivete Sangalo (de Chico Buarque)




terça-feira, 30 de outubro de 2012

_isso é amor de idiota

.
Esse pessoal que fica apaixonado, ao mesmo tempo, fica tudo idiota. Digo "Idiota" no sentido literal e etimológico da palavra. É aquele indivíduo destituído de inteligencia, que só faz idiotices e é meio bipolar. Ora simplório de dar raiva, ora megalomaníaco de dar medo. Um idiota que, de tão apaixonado, fica com o rosto parecendo um coraçãozinho, daqueles que parecem uma bunda. Cara de bunda!

Confesso que sou do tipo heartbreaker, sabe!? Aquele perigote independente que até esquece esse negócio de amar outra pessoa e mimimi. Que olha para os casais e diz "isso é amor de idiota". Inclusive, eu aposto que você já teve ou têm um amor de idiota. 

Aquele que, quando você recebe uma mensagem de "Bom Dia, meu amor!". te deixa em polvorosa vendo sol onde não tem. Ou é daqueles que liga todo dia só para dar "Boa Noite!". Porra, para que ligar todo dia para dar Boa Noite? Não é óbvio que você quer que seu amado tenha uma boa noite, oras!? Alias, para que ligar todo dia, me diz? 
Isso é amor de idiota.

Ficar ansioso para ver seu namorado, sendo que o viu ontem, é o maior dos absurdos. Mais absurdo ainda é quando você ainda espera ele para ir embora... Porra, esqueceu o caminho?
Ciumínho besta, insegurança nonsense, abraçar apertado, querer beijar toda hora, mandar coraçãozinho de emoticons no WhatsApp, SMS, Facebook e o caralho a quatro, é tudo amor de idiota. Levar patada do seu namorado mal-humorado, e ainda assim querer beijá-lo, é amor de idiota.
Tudo um bando de idiota.

E eu digo o mais para vocês: 
Se a minha mandíbula já não aguenta mais tantos sorrisos, é por que eu estou um grande idiota há cerca de nove meses. E correndo o risco de parecer ainda mais idiota, confesso que meus olhos ainda arregalam-se e meu coração ainda fica em euforia transformando-se em um sorriso que parece uma puta, de tão aberto e sedento.

Há vários tipos de amores e demonstrações, mas tudo acima é amor de idiota. Finalizo esse texto com o meu muso inspirador nos pensamentos, um sorriso idiota e um suspiro idiota. Todo idiota.



"Se amar é uma fantasia, estou vivento em um enorme carnaval"
Vinicius de Moraes

segunda-feira, 16 de julho de 2012

_colore a minha vida com o caos do problema

Foi a madrugada mais fria do ano
e eu nem percebi,
por que eu estava ali
naquela cama com você.
Recebendo um abraço tão quente
que me queimou a cabeça
e trocou minha certeza
por uma dúvida clichê.
Quem disse que quero uma paixão
que chegue a perfeição?

Não existe uma reciproca verdadeira
já que cada um ama da sua maneira.
E mesmo se existir um outro alguém,
que te detém, e de mim te detém
que te machuca e me incomoda também.
De que me importa
essa ligação por tabela
eu já abri a minha porta, para você
que enche de possibilidades minha janela.
Jogue fora essa sua tramela
e continue me fazendo feliz,
por que quando eu estou com você
vejo a felicidade na ponta do nariz.

Sinto uma euforia calma em cada beijo
traduzido em um "para sempre" efêmero
com gosto sentido pela mão,
um forte tempero
de 'desconfortar' o coração.
Transforma o meu corpo
em um mundo a ser conhecido
louco para ser transbordado
e enlouquecido com olho admirado,
não cabendo em mim mesmo,
olhando a esmo
para a eternidade dentro de mim.

Moço, que me provoca o gozo
Me deixa tonto, mas já pronto
para outro regalo sem intervalo de você.
Te engarrafo e bebo no gargalo
com tanta vontade de me meter.
Depois te tanto amasso
me acabo no seu abraço
que eu demoro a esquecer.

Não quero pensar no que vai vir
Quero você agora
e pela aurora adiante.
Doravante, sem medo de irmos embora
te cuidando por todo o anoitecer
Num desesperado e calmo afã
Como se tudo fosse terminar
amanhã de manhã.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

_lá, cá ou logo ali

Você leva um fora pela primeira vez e se prepara para a fossa...

EXPECTATIVA:


REALIDADE:


Por que tudo que eu absorvo, quero que reverbere em sorrisos
Visto minha amarela, olho pra janela com um coração em buliços
Inquieto, como um arquiteto, construindo sem uma planta, se quer.
Por que é vivendo sem adivinhar um futuro que aproveita o que vier
Ver o lado bom não é mais escolha, é obrigação. Não se encolha
que o mundo jaz é defunto. Num segundo, dançar para não viver em vão.
Eu estou feliz não-tão-feliz eu estou torto eu não vou esconder
como todos me dizem que devo mostrar-me feliz, para mostrar para você
Para que evidenciar, se a felicidade sempre esteve aqui?
Cá ou lá, para onde você olhar. Doravante mais feliz.
Te encontro logo. Logo antes. Logo ali.

domingo, 8 de julho de 2012

_aproveite essa fossa, menino!

"A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim"
O Tempo - Móveis Coloniais de Acaju


Um fígado frito, daqueles bem mal temperados, para todos que dizem que devemos "curtir" uma fossa. 
Sabe "fossa"?! Aquela sensação pós término de relacionamento amoroso?! 
Pois é, sempre diziam-me que era uma sensação ruim, mas é mentira. Se você nunca provou uma fossa, tenho algo para lhe contar: É pior do que te dizem. Em menos de doze horas, provei todos os sentimentos conhecidos e desconhecidos. Minhas decisões incontestáveis e imutáveis, mudavam depois de trinta minutos. Os dez minutos entre as 14:30 e 14:40, duravam cerca de quatro horas. E meu corpo carregado em efusividade, ainda demonstraria um sorriso apático. Por um dia, eu esqueci que ainda existiam MM's amarelos.

Uma fossa, por mais desconfortável que seja, é incrivelmente interessante. Se bem mergulhada, só te faz perceber tudo o que valeu a pena no relacionamento, bem como o que você absorveu de maravilhoso. Ganhei a sensibilidade de entender o que Chico Buarque me dizia e o que algumas músicas não me diziam em outros momentos. Aprendi que opiniões divergentes só crescem sua sensibilidade e percepção de mundo. Aprendi que em um relacionamento não existe doação, mas querer ausentar-se do Orgulho. Vê que é preferível ser feliz do que ter razão. E percebe que se é maduro, quando abraçaria a pessoa com a ternura, sem nunca desejar que ela sinta essa dor inicial de um término. Ao fechar os olhos, eu penso em você e só consigo sorrir.

Mordidas fortes que tinham como respostas meus sorrisos. Conversas de uma hora, inconclusivas, com unica finalidade de um "Boa noite!". O Gozo sexual que chegava ao mesmo tempo, sincronia e conexão total na petit mort, em um espetáculo de sexo sem ensaio ou script. O amor não nos quis, então azar do amor que não soube nos amar.

Um ciclo termina, representativo das preliminares de um relacionamento melhor ainda, que virá, onde os dois, de fato, só tem a ganhar.

"It's hard to dance with a devil on your back
So shake him off, oh woah
Shake it out, shake it out
Shake it out, shake it out, oh woah"
Shake it Out - Florence + The Machine


Ao único e eterno hipopótamo bostinha, meu poema de Drummond.

Cena do filme PINA (2011), de Win Wenders

quinta-feira, 12 de abril de 2012

_tornar-me imortal para depois morrer


"Sorrir mais e Soltar gargalhadas
Deixar pra trás o que te entristece e tece teus ais"
Gargalhadas - 5 à Seco 


- Então me diz, do que você está sofrendo? - me pergunta o médico. Confesso que fiquei alguns segundos distraído com todos aqueles cachos joviais daquele médico bonitão. Pensei em perguntar se eu podia colocar as mãos nos cabelos dele, mas acredito que não seria apropriado.
- Estou sofrendo de felicidade, doutor. - Respondi, com a certeza de uma vida.
- E isso é ruim?
- É ruim quando é difícil compartilha-la.
- Mas como assim, Cláudio? Quem negaria felicidade?
- Todo mundo nega a felicidade. Tem uns que acham ela difícil ou se quer existe. Ou até que é necessário um motivo para que ela exista. Por exemplo, quando alguém me pergunta se eu estou bem e respondo com um "excelente", ainda me perguntam o porquê. Oras, e preciso de motivos para estar excelente?
- É que não é comum uma pessoa estar tão feliz sem um motivo aparente.
- Doutor, eu nem pergunto mais para as pessoas se está "Tudo bem". Todos tem problemas e eu quero evitá-los e deixá-los ao máximo longe de mim.
- Será que você é feliz mesmo ou apenas foge da tristeza?
- Doutor, toda felicidade há muito de tristeza. Reconheço a minha felicidade por que já fui muito triste. Beirei ao desespero. Minha felicidade então, pode sim, ser um misto de fugir dessa sensação e reconhecer-se como felicidade, visto que já flertou com a tristeza várias vezes. E isso não é bom? Essa concepção de felicidade versus tristeza só mostra que tudo pode ser interpretado como feliz, mesmo que seja triste. Não é tristeza, é ganho de experiência. Não é tristeza, é um recuo providencial de auto-conhecimento. Não é tristeza.
- Você acha que a tristeza é ausência de felicidade, ou a felicidade que é a ausência de tristeza?
- Se for para escolher uma sentença, seria "A felicidade é a ausência de tristeza". Na felicidade, a tristeza só está em um campo explicativo. Tristeza não é ausência de felicidade, pelo contrário. A felicidade está em todos os lugares. Todos. Como Bjork diria, "All is Full Of Love". Tristeza é a ausência de poesia, de arte. Tristeza é não conseguir perceber que o extraordinário não é raro, pois a poesia é saber que tudo é extraordinário.
Felicidade está no manter-se a direita da escada rolante, respeitando o espaço do outro, ou passar horas transando com quem você está apaixonado, e terminar com a cabeça no peito dele.
- Muito legal você querer lutar contra a tristeza, Cláudio.
- Mas doutor, eu não luto com a tristeza, eu ignoro ela. Não sei reconfortar ninguém, não sei falar palavras de ânimo. Não tenho paciência para a tristeza.
- E como você faz isso?
- Faço por que a felicidade é a descomplicação. Felicidade só é felicidade quando se é feliz sozinho. Um solitário andar confortável  por dentro de nós mesmos.

Cena do filme ACOSSADO, de Jean Luc Godard
"- Qual a sua maior ambição?
- Me tornar imortal e depois, morrer."

sexta-feira, 6 de abril de 2012

_só se é feliz quando se escreve com Z


"Tira o céu da nuvem, vejo algodão
Um vão sem ter buraco, vira chão
Deixa de ser"
- 'Descomplica', Moveis Coloniais de Acaju


Ele estava entediado e querendo ir embora dalí. Já te explico o porquê.

Tem gente que gosta de ir na casa da avó, por que tem comida gostosa, cama aconchegante e um enorme quintal. Ela te enche de abraços, deixa a TV ligada no SBT e fala que você cresceu. 
É o que dizem. 
Hoje ele foi visitar a avó e a viu que na geladeira tinha molho e maionese estragados, cama com remédio de insulina e um quintal com cheiro de cachorro. Ele não gostava muito de cachorros e gatos. Quando ele os via, tinha uma vontade lhouca de lavar as mãos. Ele também não gostava da avó.
Ele estava entediado e resolveu pegar os gizes de cera do sobrinho de quatro anos (que também foi visitar a avó - no caso bisavó). Enquanto o sobrinho brincava com o cachorro, ele pintou um papel inteiro com giz de cera de várias cores. Afinal, alguma coisa naquela casa tinha que ser colorida, alegre e feliz.
Isso, Feliz!

Uma inspiração artesanal aflorou e ele começou a recortar palavras alegres e colocar no seu desenho de giz de cera. 
A primeira foi CORAÇÃO.
A segunda PAI, a terceira CORAGEM e a quarta DECISÃO.
Ele colou uma arvore no desenho também.
Ao olhar aquela arte, considerou-a ter informação demais. Ou de menos. Enfim, não condizia com a realidade do desenho em giz de cera, então ele jogou tudo fora e só deixou mesmo a 'arvore' e o 'coração'. O tédio tinha passado um pouco, mas ele ainda queria ir embora da casa da avó, para em seguida, poder lavar as mãos.
Para finalizar o seu desenho, ele resolveu colar a palavra FELIZ.
Olhem só: Um desenho colorido, com uma arvore, a palavra coração e a palavra feliz!
Como era uma ótima ideia, começou a procurar a palavra FELIZ por entre as revistas velhas da avó.
Procurou na revista evangélica. Procurou na revista do mercado ASSAI. Procurou na revista de homens nus. Procurou até em uma EXAME de 2008.
Não encontrou.
Não achava em nenhum lugar, mas como é um garoto muito astuto, decidiu imitar os sequestradores e recortar as letras "F", "E", "L", "I" e "Z".
Encontrou a "F" na revista evangélica e a "E" na revista do mercado ASSAI. Já a "L" só achou na de homens nus e a "I" na EXAME de 2008. Mas e o "Z"?
O seu desenho estava lindo, mas não achava o "Z" de jeito nenhum. E ainda era orgulhoso demais para escrever "Feliz" com "S".
Sua irmã e sua tia perguntaram:
- Por que esta tão triste e capisbaixo?
E ele respondeu que estava daquele jeito por não encontrar o "Z". Elas, com toda a paciência do mundo, abraçaram ele e dispuseram-se a encontrar o "Z". Com essa ajuda, o "Z" foi encontrado rapidinho.

Ao colá-lo, percebeu que aquela letra "Z" era muito pequena comparada as outras letras. Estranhou de início e teve vontade de lavar as mãos. Olhou outra vez o desenho e pensou: "Poxa, o Z não é pequeno, ele tem a função de engrandecer as outras letras!". Sorriu.

O Desenho iria sofrer ainda muitos retoques, mas mesmo naquela casa empoeirada e com cheiro de cachorro, ele continuaria com a sua ideia original de sempre:
O desenho sempre será sempre colorido e com um FELIZ desengonçado nele.



Dedicado à Penelope e Glória

domingo, 18 de março de 2012

_o dia em que me apaixonei mil vezes

"Um lugar deve existir, uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava. 
Jamais"
- A Moça do Sonho



Ele não era bonito por assim dizer, mas tinha um rosto que chamava a atenção. Talvez fosse a combinação daquela corola de cabelos cacheados pretos e uma pele alva. Ou talvez fosse o sorriso branquíssimo, que era mais branco que sua pele, a qual conseguia ser ainda mais branca após ser contraposta àquela corola de cabelos cacheados pretos. Ele ainda tinha uma feição de expectativa, de quem procura o seu lugar na platéia de uma peça de teatro, ansioso para que o espetáculo comece logo. Bem..., quem estava ansioso para que o espetáculo começasse era eu, mas até que chegasse o momento, eu o namorava de longe. Ele e tantos outros lindos moços que chegavam e instalavam-se em suas poltronas aguardando o início do espetáculo. Barbas por fazer, cabelos bagunçados, vestuário despojado, sorrisos USPianos e óculos de armações grossas. Tudo isso com a trilha sonora de Chico Buarque e Edu Lobo. O que mais posso dizer, leitor? O que posso fazer é continuar a história... Pois então, o menino não tão bonito mas que chamava a atenção, ficou famoso pelo curta "Eu não quero voltar sozinho". Se não bastasse a pele alva, o sorriso chamativo e os cabelos cacheados, de dentro de sua mochila ele pega o touché - o objeto fatal o qual eu me apaixonaria para sempre - Ele pegou o touché com as duas mãos.
Ele abriu o touché.
Ele colocou o touché.
E lá estava ele, com seus cabelos cacheados pretos, sua pele alva, um sorriso exuberante e óculos de armações grossas. (Leiam "óculos de armações grossas" de modo efusivo, por favor!)
Naquele momento a luz abaixou e a ribalta do palco evidenciou cinco dos músicos os quais eu já era apaixonado, mas apaixonar-me-ia outras tantas vezes no decorrer daquela uma hora de espetáculo. E eu pude sentir pêlo à pêlo levantar de arrepio. Iniciando das mãos aos ombros, na nuca e terminando em um sorriso. Que delícia de CAMBAIO.

Na ultima quinta-feira eu assisti CAMBAIO (à Seco), uma releitura do diretor Rafael Gomes (Também criador de "Músicas para Cortar os Pulsos") da peça escrita por Chico Buarque e Edu Lobo, CAMBAIO. Esta releitura contava apenas com três atores da Companhia Empório de Teatro Sortido - dentre eles, a deliciosa Mayara Constantino, que foi o meu amor platônico pós-adolescente na série "Tudo que é Sólido pode Derreter" da Cultura - e a banda 5 à Seco, minha banda preferida devido a suas letras otimistas e felizes.

Talvez o espetáculo nem tenha acontecido, talvez tudo aquilo que estava no palco era algo que reverberava o que eu era, o que eu queria, o que eu sentia. Talvez eu esteja sendo exagerado, bobo ou até inverossímil frente ao que eu senti, mas é certo que me apaixonei. Apaixonei-me pela chuva que tomei para chegar lá.
Apaixonei-me pela presença do meu amigo Felipe.
Apaixonei-me por rever minha amiga Winnie.
Apaixonei-me pelas minhas alpargatas molhadas.
Apaixonei-me pelo Fabio Audi.
Apaixonei-me pelo público.
Apaixonei-me pelo 5 à Seco.
Apaixonei-me pela Mayara Constantino e pelo Teatro Sortido.
Apaixonei-me pelas luzes, o cenário e o conceito minimalista.
Apaixonei-me pela música.
Apaixonei-me pelo fato de poder dividir isso com um menino que estou apaixonado.
Apaixonei-me pelo meu eu. Apaixonei-me e Apaixonei-me.
Apaixonei-me, principalmente por estar em uma fase a qual, tudo que me atinge, reverbera em sorrisos.

O público não acredita
Crítico não crê
Na inédita canção escrita
Só pra você
- Uma Canção Inédita


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

_manual do sexo virtual com desconhecidos

"O cérebro é o meu segundo orgão sexual predileto"
-Woody Allen



Disse um amigo meu certa vez, que quando conversava com a sua avó, mulher deveras sábia nas questões meteorológicas e também sabida dos argumentos pluviométricos, constatou que a chuva se dava no ato de São Pedro querer limpar o céu. Pois é, diante desta porra de TOC demonstrado por Sâo Pedro esses dias, passei duas semanas dedicado ao ócio.

Muitos filmes se passaram e muitos seriados tambem. Em uma hora que não havia mais nada para se fazer, sabem o que eu decido? Entrar no MSN.
Pois é, amigos. MSN ainda existe em um longinquo mundo virtual de pessoas vagabundas que não tem amigos - muito menos assunto - e se divertem com suas CAMs safadinhas. Várias janelinhas piscam pedindo a minha atenção, mas contarei a história de uma específica:

- Quem é você? - pergunta um lhouco com uma foto semi-nua mostrando um corpo muito do interessante.
Na boa, amigos, quem já não foi pego de surpresa por tal pergunta estapafúrdia? Se eu já não estivesse no status sexual "CIO", eu desligaria o MSN e assistiria um filme. Porém, pensando com a cabeça de baixo, continuei a conversa. Respondi:
- Como assim, quem sou eu? Minha foto está na imagem de exibição e meu nome escrito ali em cima. Seja mais específico na pergunta, oras!

- Que grosso, leke! - ele comentou ressentido. "Leke"? Hunf!
- Não sou grosso, ué. A menos que você seja um filósofo, essa sua pergunta "quem é você?" não faz o menor sentido.
- Poxa, man. Tu tá nervoso. Deixa essa conversa para lá então... - "Tadinho", eu pensei. Eu não entrava no MSN há uns dois anos e tinha esquecido que mesmo se eu escrever sorrindo, a frase não ficará simpática. Dei uma piscadela para a tela, como se ela fosse a minha amiga no momento, e continuei.
- Desculpe, amigo! Olha, eu sou o Cláudio, tenho 22 anos e não faço ideia de onde nos conhecemos.
- Ah, é verdade, leke. O que você curte?

- Ah, eu curto cinema, teatro...

- Não, leke, digo de sexo.

Naquele momento eu entendi como se desenrolaria aquela conversa. Eu, muito do safadinho, fiz um biquinho, me arrumei na cadeira e coloquei toda a sensualidade nos meus dedos:
- Gosto de um sexo safado, com uma pegada mais agressiva - naquele momento eu sorria para o monitor como se o seduzisse - Uns puxões de cabelo e uns tapas nervosos - eu já estava mentalmente fazendo sexo comigo mesmo. Sou muito maroto - Tezão é pegada violenta! - e dei uma gemidinha. Ele não ouviu, obviamente, mas aquilo era muito divertido!

- Rs, curti
- Ele respondeu sem muita criatividade. - e você é ativo ou passivo, leke?

- Versátil - respondi. Traduzinho: "O que vier é lucro!" - e você?

- Sou Versátil, leke -
traduzindo: "Passivo". Caros leitores, não existem versáteis. Não por que não existam "Versáteis", mas se alguém fala que é "Ativo" é porque é versátil, os "Versáteis" são os passivos, e os "Passivos" são os arrombados mesmo.

- Hm, que delícia!
- respondi, ainda na expectativa do cara tornar-se um poeta sexual meio Marques de Sade, meio Augusto dos Anjos e me aliciar linguisticamente. - Fico imaginando enquanto te pego e... [censurado!]

- Afim de real?
- moço me pergunta muito do direto. Olhei para a foto do perfil repleta de musculos e olhei para a sua eloquência no MSN. Olhei para meu quarto vazio. Olhei para a janela e a chuva que decidíra dar uma trégua. Olhei para o computador e, sem pensar, fiz a maior loucura que pensei em fazer. Algo que eu e minha mente impudica nunca imaginaria fazer: Desliguei o computador e fui ver um filme na Paulista!

Por que eu sou desses, o tezão está no diálogo!
E por que sou cagão demais para fazer sexo com desconhecidos. Quem sabe se eles puxassem meu cabelo...


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

_o cinema sou eu, disse o cinéfilo Luiz XIV


"O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus. O cinema é um modo divino de contar a vida"
- Federico Fellini


O meu programa preferido sempre foi assistir filmes. Preferencialmente sozinho. Sozinho, por que minha relação com o cinema é diferente. Cinema forma minha personalidade. Eu sou o drama de Almodóvar, o sexo de Godard, as dúvidas de Bergman e o ego de Woody Allen. Naquela sala de cinema, há mais que a exibição de um filme, há um menino absorvendo toda aquela história, todo aquele drama, aquele amor e aquela comédia. Portanto, abaixo segue os MELHORES FILMES DE 2011. Aqueles que absorvi de uma forma ou outra e que, agora são EU.

6° Lugar: Drama (Drama, Chile, Dir. Matias Lira)
Por quê?
VISCERAL
Por que três estudantes de teatro mergulham na teórica "O Teatro da Crueldade" do dramaturgo francês Antonin Artaud. Combatendo seus medos, buscando encontrar os personagens de suas próprias existências, o trio de protagonistas transforma suas vidas num verdadeiro laboratório para eles, onde a intenção principal é buscar a PERFEIÇÃO.


5° Lugar: Para Poucos (Happy Few, 2011, Dir. Antony Cordier)
Por quê?
QUEBRA DE PARADIGMAS
Ah, o Poliamor. O pacto amoroso e erótico desprovido de culpa de dois casais. O filme faz com que nossos conceitos sobre relacionamento, embasados em uma idiotia maniqueista pré-concebida, virem uma espécie de fardo amarrado às nossas costas. Vamos, juntos com estes protagonistas, promover e conhecer os limites da nossa própria liberdade?


 Lugar: Meia Noite Em Paris (Midnight in Paris, EUA/Espanha, Dir. Woody Allen)
Por quê?
A FASCINANTE PARIS
Vivenciar Paris nos anos 20 e, não obstante, papear com os escritores F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway, o músico Cole Porter, o pintor Pablo Picasso e o cineasta Luis Buñuel, dentre outros e ainda apaixonar-se, fazendo parte de toda essa história? A pelicula nada mais é que a "personificação" de um sonho. Cinema é isso!


3° Lugar: Os Nomes do Amor (Les Noms des Gens, França, Dir. Michel Leclerc)
Por quê?
VAMOS FAZER AMOR, NÃO GUERRA
Utilizando de um sarcasmo delicioso, Os Nomes do Amor desconstrói tabus culturais intolerantes e falsos rótulos. A Protagonista convence os "fascistas" transando com eles. Um estudo sobre o contexto político e social francês (e até Europeu). Mesmo nessa nevralgica, o filme não perde a leveza e a ironia, jamais.


 Lugar: A Pele que Habito (La Piel que Habito, Espanha, Dir. Pedro Almodóvar)
Por quê?
RÉQUIEM AO MANIQUEÍSMO
Almodóvar, por si só, já é um incontestável motivo para assistir um filme. Neste, ele mata o maniqueísmo e exauri qualquer resquício de dualidade que pudéssemos acreditar que ainda existisse. Agressivamente sensível, faz-se a pergunta: Nosso corpo é reflexo do que somos "por dentro"? A generificação sexual existe, ou serve para nortear nosso comportamento? Somos muito mais complexos que isto!


 Lugar: Amores Imaginários (Les Amours Imaginairies, Canadá, Dir. Xavier Dolan)
Por quê?
VISUALMENTE DESLUMBRANTE
É fato que muitos críticos acusaram Xavier Dolan, 21 anos, de preocupar-se mais com a estética ególatra do filme do que, necessariamente, com seu roteiro e aprofundamento psicológico dos personagens. "Já vi isso antes", pensa o espectador. Câmeras lentas à la Wong Kar-Wai, triangulos de Bertolucci, referências cinematográficas à James Dean e Audrey Hepburn. O filme, de fato, é de um jovem cinéfilo de 22 anos. E Por isso ele é o TOP1, é identificação à um cinéfilo de 22 anos frente a um filme moderno e saudosista, ao mesmo tempo. Uma trilha sonora para se ter sempre no celular. É um filme que você assistiria de novo, e de novo e ainda deliciando-se visualmente com jogo de imagens e som. É muito amor!



"Gosto de cinema porque cada dia é diferente do outro. Sou muito irrequieta." 
- Maria Grazia Cucinotta

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

_qual é o valor do seu pi...?

- Vamos para à Praia?
- Não dá, Cláudio.
- Por que?
- Por que minha namorada não vai.
- E a praia vai deixar de existir por isso?
- Não, mas não posso me divertir enquanto ela trabalha.
- Sua namorada só trabalha bem se você não se divertir? Ela é o que? Pastor?
- Claro que não!
- Você serve de suporte de computador para ela?
- Não, Cláudio! ¬¬
- Então o que porra tem a ver que ela vai trabalhar?
- Você não entende, Cláudio. Quando a gente namora é assim.
- Quando a gente morre também.
- Você namora conosco. Nós duas!
- É, mas a parte mais legal eu não tenho.
- Qual?
- O sexo. Vocês são duas mulheres!
- É...
- Eu não sei o que faria com uma vagina, imagine com duas.
- Por que você não arranja um namorado?
- Por que eu já namoro a mim.
- E o Sexo?
- Ah, minha filha. Tenho a minha mão direita. Já até discutimos a relação.
- E você não enjoa?
- Não, não. Faço menage a trois com a mão esquerda também.
- Por que você não vai falar com aquele carinha ali? Ele parece ser interessante está de olho em você.
- Não!!! Olha esse barzinho horrível que ele está frequentando.
- É, é o mesmo que "você" está frequentando - Ela disse, reforçando o "Você".
- Por que "você" me obrigou - Respondi, reforçando o "Você" e contra-argumentando sabiamente.
- Qual é o problema com aqui? Eu gosto. Você me acha desinteressante por isso?
- Sim, mas por que você tem uma vagina.
- E se eu tivesse um pinto?
- Ai você não seria lésbica e estaríamos indo para a praia agora.
- Vai logo falar com ele!
- Ele tem cara de burrinho.
- Por que você não vai lá conversar com ele e comprovar?
- Ok? - E eu fui na direção dele com um pedantismo que só quem critica BBB sabe como é.
- Ei, você! Qual é o valor de pi?
- 3,14!
- Hm... - Fiz uma cara de surpreso.
- E você? Me diz para o que serve uma bissetriz? - Ele me perguntou em tom desafiador.
- Er... - pausa dramática

Beijei-o. Por que não gosto de papo Furado!


domingo, 15 de janeiro de 2012

_quer namorar comigo?

- Quer namorar comigo? - ele propôs com um olhar de medo e expectativa.
"Mas que porra de pedido é esse, moleque?! Eu te conheço há dois dias", eu berrei. Berrei mentalmente, embora minha expressão de choque pudesse traduzir bem o que eu pensava. Por um momento, achei que vi ele se protegendo esperando levar um "pedala" meu, devido ao meu olhar de "Que bruxaria é essa?". Mesmo percebendo a seriedade da pergunta, banquei o idiota e falei com aquele tom de quem conversa com um cachorrinho fofo:
- Óun, fico lisonjeado com o pedido, seu bobo - E beijo-o na boca para ganhar tempo e criar algum assunto logo - Quer mais uma cerveja? Eu pego para você.
- Eu estou falando sério, Cláudio. Não brincaria com algo tão sério quanto namoro. 
É, até mesmo o irracional cachorrinho fofo entenderia esse sútil "Não!", mas depois das longas duas horas que passei com esse menino lhouco, percebi que o nível intelectual do cachorrinho, de fato, era um pouco maior.
- Então, fulano. É muito cedo. Eu não sei nem o seu filme preferido ainda e..
- É Meninas Malvadas, Cláudio -  e eu engasgo com a revelação - Pode parecer bobo, mas fala muito sobre amizade. E Então, o que acha?
"O que eu acho sobre o seu filme preferido mostrar o quanto você é passivo e tem a idade mental de uma meninA de quinze anos?". Se eu não me engano, foram dez segundos cambaleando entre o choque e o desespero de ir embora. Poxa, eu só queria transar, só isso. Era a segunda vez que nos encontrávamos e ele não sabia nada sobre mim. Eu nem se quer me esforcei em ser muito carinhoso, logo a religião me tomou e brandi "Por que ele estava me pedindo em namoro, senhor? Coloca LUZ na cabeça desse menino, Senhor!". Naquela hora, eu estava cambaleando entre o choro e a oração. Ele só podia estar possuído pelo espírito carente de Caio Fernando Abreu. "Senhor!", orei outra vez.
- Lhouco Fulano, vamos só ficar juntos, ok?- eu disse, já cansado
- Então estamos namorando? - nasce um sorriso daquele rosto lindo e corpo maravilhoso
- Não, só ficar. - Tento interrompê-lo com um beijo
- Ficar Onde?
Meu Deus, por isso que falta Ativo nesse mundo Gay. É muito difícil comer alguém.
Eu tirei minha camiseta e minha bermuda Tactel. Ele finalmente emudeceu e concentrou o olhar no meio das minhas pernas. Dei meio sorriso e pedi "Safado, Vai colocar uma música, vai!". Ele respondeu com um olhar provocativo que ia até o celular colocar uma música. Como ele era baladeiro, supus que fosse alguma do David Guetta. Sentei com as pernas abertas e convidativas no puf rosa do motel e esperei que aquela boca parasse de falar besteira e ficasse calada no meio das minhas pernas. Meu sorriso de expectativa foi crescendo, pois vi que ele só podia estar brincando. Nosso diálogo se resumia à ele, visto que ele não tinha muito o dom de gerar assuntos e não perguntou quase nada sobre mim - o que me incomodava, por que eu sou meio ególatra - portanto, ele estava querendo me iludir, só pode e...

♪ ♪  "I heard that you're settled down. That you found a girl and you're married no-o-ow"    

NÃO! NÃO! NÃÃÃÃO!
Eu fiquei em choque. Ao perceber que a música escolhida por ele era Adele, "Someone Like You", já era tarde demais. Me senti em "Walking Dead" onde ele era um zumbi que grunhia "Quero um namorado!", "Carência, carência!". Eu já podia sentir o meu amor-próprio e independência sendo sugados por ele.  Quem é o #foreveralone corajoso o bastante para colocar Adele na hora de um sexo, minha gente? Eu já tive um namorado que colocava Jorge Vercilo, obviamente nós terminamos. Quem consegue dar um tapa excitante da bunda de alguem ouvindo "A Saudade bateu foi que nem maré"? Quem? Um tapa na cara, talvez.

Enfim, eu podia aguentar um péssimo gosto para filmes, uma idade mental de doze anos e a carência quase escatológica de pedir alguem em namoro depois de dois dias, mas Adele não!
Portanto, meus amigos, não transei.

MORAL DA HISTÓRIA:  Se você é um Gay-lhouco que pede o affair em namoro depois de uma semana: Você tem problema! Relacionamentos foguetes não costumam dar certo por que o desespero de namorar alguém é tão grande que o namoro começa por carência, não por amor e...
...
...
...É, mas pelo menos vocês transam... *pausa dramática* #claudioforeveralone

domingo, 8 de janeiro de 2012

_foi num velório que eu vi mais Vida

Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida.
Sêneca


- Poderia ter sido diferente. Ela poderia estar viva agora e andando para lá e para cá, com toda aquela jovialidade e cheiro de cigarro. - esbravejou, indignado, meu primo. Ele ainda estava com um ar de quem não acreditava naquele acontecimento, e eu olhava todos os familiares arrasados, sentindo um desconforto quase explosivo.

Tudo aquilo acontecia há mais de duas horas e eu ainda não tinha conseguido entrar na sala onde ela estava sendo velada. Há uma semana atrás, o fígado funcionava apenas por aparelhos e todos já estavam cientes que aconteceria, uma hora ou outra. Durante estes três anos, eu só a visitei uma vez. Hoje seria a segunda vez, mas dez minutos antes do horário de visitas ser iniciado, a moça de branco nos deu a notícia. Aconteceu. Eu fui o primeiro receptor daquela notícia. O primeiro. 

Para cada lagrima que um familiar derramava, eu contornava com um abraço e uma piadinha. Um sorriso salgado nascia. Eu queria sorrir, queria puxar assunto, queria conversar qualquer coisa que não estivesse relacionada com aquela situação. Tudo aquilo me incomodava. Eu queria sorrir com meus familiares que eu não via há anos, não ficar chorando. Não aquilo!

A tampa foi fechada e ela foi levada para o carro a fim de ser encaminhada para aquele lugar que os góticos gostam. Chegando lá, mais algumas orações foram feitas, mas algumas lágrimas continuadas e os meus tios e primos começam a carregá-la e levá-la até aquele mar de cruzes e flores. Eu fiquei parado olhando eles distanciarem-se. Eu também não conseguiria presenciar aquilo. Nem a visita, nem a velação, nem aquilo. Pensar em entrar naquele mar de cruzes me deu náusea. A fim de distrair, fui passear. Ao dar por mim, aquele mar de cruzes e flores me engolia. Um desespero me tomou, um torpor me obrigou a explodir em respiração ofegante. E eu explodi. Explodi de medo. Explodi de desespero. Sai correndo daquele lugar horrível. Aquele cheiro de nada. De solidão. De horror. De Nunca Mais. Esperei até que voltassem. Ao perguntarem se eu estava bem eu respondi com um sorriso que sim. Responderia qualquer coisa, desde que me tirassem daquele lugar o mais rápido possível.

Hoje eu descobri que eu tenho medo da morte
Disseram que eu deveria chorar, que eu deveria me despedir, que eu deveria fazer menos gracinhas naquela hora. Disseram até que são nessas horas que percebemos que estamos vivos de verdade, não em festas ou em baladas.

Não me arrependo de não tê-la visto hoje.
Eu não queria vê-la hoje.
Eu não queria associá-la a Isso!
E não vou.
Nem mesmo neste texto.

ONLY TIME - Enya

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

_a justificativa do porquê me matei

Para vocês que leem este post neste exato momento, já devem saber da grande notícia: Eu me matei!
Morri há alguns dias e pedi para que um amigo muito próximo postasse a justificativa no meu BLOG. Como eu tinha certeza que ele diria "Sim!" e viria a dizer "Sim!" para tudo e todos, sabia que ele não recusaria. Sempre fui meio manipulador mesmo. Além disso, meus amigos e familiares tinham o direito de saber o porquê eu escolhi o suicídio aos 22 anos de idade. Tão jovem, bonitão e cheio de amigos.

Foi há alguns dias que percebi a necessidade de me matar. Eu brigava todos os dias com a minha mãe e não via meus parentes como primos e tias há anos. Não faço ideia do estado de saúde da minha avó paterna e minha madrinha está viva por aparelhos. E eu não dou a mínima! 
Deixei de lado vários amigos que eu dizia amar por que considerei pessoas as quais eu não poderia absorver nada novo. Vários caras me chamavam para sair e eu simplesmente os ignorava. O pior foi humilhar meus colegas de grupo por terem feito trabalhos medíocres cheios de "Ctrl C + Ctrl V" e me vangloriava pelas minhas notas altas. Eu era um ególatra mimado de nariz grande.

Por isso, amigos, decidi me matar. Joguei-me do oitavo andar do prédio da minha irmã, no bairro da Penha, Zona leste de São Paulo. Dia 31 de Dezembro de 2011. A decisão foi tomada no mesmo dia, ao ver que durante todo naquele ano, não brinquei com meu sobrinho de quatro anos o tanto que eu queria, não abracei minha irma - o grande amor da minha vida - todas as vezes que eu quis, não disse "Eu te amo!" com a cabeça erguida aos meus grandes amigos e não me permiti uma vida amorosa com ninguém. Matei-me. Matei tudo isso e peço perdão a todos aqueles que magoei. Não sintam-se culpados, sou tão egoísta que quero a culpa toda para mim. E ela morrerá comigo.

Como testamento, deixo muitos erros, brigas e desentendimentos. Por que só assim que se evolui: com experiências. Neste 2012, uma pessoa muito mais experiente nasce dentro de mim. Tão ególatra como aquela que se suicidou na virada do ano e levou todas as coisas ruins que fez, mas que deixou uma grande experiência de vida e uma noção do óbvio: O quanto eu sou incrivelmente bonito, feliz e posso conseguir o que eu quiser. Mato-me e deixo-lhes na companhia daquele outro cara, conhecido meu, que nunca irá morrer. O menino de cabelos enrolados bagunçados, magrinho e com um sorriso nos olhos que tem um desespero de viver. Que erra e pode ser grosseiro as vezes, mas é por que ele tem urgências. Por que um mundo inteiro explode dentro dele e a necessidade de ser tudo o que ele quer ser é muito maior que esse tempo medido em minutos e dias pode suportar. Ele sente raiva por não poder expressar mais o quanto ele é feliz, o quanto ele está satisfeito de ter uma família maravilhosa e um grupo de amigos que faz inveja a qualquer um. As bochechas doloridas de tantos sorrisos combinam muito com o nariz grande e charmoso dele. E ele vai tomar conta de mim. É só eu me permitir. É só vocês me permitirem mais um ano ao lado de vocês... =)

À minha familia e amigos!

"Há uma espécie de pássaro chamada Canareles. 
Toda vez que escurece ele pensa ter morrido. 
Ao acordar e ver a luz do dia, ele entra em choque por ainda estar vivo e canta uma canção num desespero alegre, de felicidade"
- Trecho do filmes Inquietos, dir. Gus Van Sant, 2010

FLOR DA IDADE - Chico Buarque


sábado, 19 de novembro de 2011

_eu tenho medo da ADELE

Think of me in the depths of your despair
- Adele

Adele é uma cantora britânica que ficou famosa graças a suas demos no MySpace. Seu primeiro album, intitulado "19", foi inspirado na idade que tinha quando escreveu as canções que o compõe. Seu segundo album, "21", a popularizou internacionalmente e tornou Adele a primeira artista a alcançar, ainda viva, uma canção e um álbum como n°1 ao mesmo tempo na Inglaterra desde Os Beatles em 1964. Utilizando de músicas romanticas que gritam por amor em suas dores e delícias - mais dores -, Adele reuniu em menos de dois anos, uma legião de fãs que identificam-se com suas canções tão intensas, melancolicas, carentes, sem auto-estima nenhuma e chatas... assim como ela.

Logo no início do album, temos uma música chamada "Best for Last", na qual ela diz ao objeto de desejo "I'm taking these chances / And getting away / And though I'm trying / My hardest you go back to her" (Eu estou usando essas chances que estão indo embora. E embora eu esteja tentando o máximo que consigo, você volta para ela) e continua com um "Seems I love the things you do, Like the meaner you treat me. The more eager I am to persist." (Aparentemente, amo as coisas que você faz, porém quanto pior você me trata, mais eu fico persistente). Porra, cadê a auto-estima dessa mulher? O pior é que a música termina com um "Eu ainda quero ser a única para você e você ser o único para mim" e ainda tem auto-mutilação emocional o album inteiro. Na música "My Same", ela diz que não conheceria a própria personalidade se não fosse ele. "Ele", o cara que, na música "Cold Sholder", ela quase agradece pela indiferença e deseja ser a 'outra' mulher dele. Alias, o album inteiro ela mostra-se uma chata insistente e melodramática que não para de encher o saco do ex-namorado que já está há muito tempo com uma mulher muito mais legal, independente e divertida que ela.


E no album "21" a coisa não muda. Nas três músicas mais famosas "Rolling in the deep", "Turning Tables" e "Someone Like You", ela fala respectivamente:
- como uma LHOUCA, dizendo, indignada, que o relacionamento deles acabou mesmo eles podendo ter tudo. Por isso ela espera que a cabeça dele queime de desespero por culpa de tê-la deixado (quase uma psicopata)
- como uma LHOUCA, ela o responsabiliza pelas diversas separações e retornos insinuando que ele só voltava para ter o prazer de machucá-la (quase uma maniaca-depressiva que acha que é vítima de tudo)
- como uma LHOUCA, ela diz que descobriu que agora "Ele" está amando e estabilizado com outra garota. Diz que mesmo sem ser convidada, gostaria de dizer o quanto está feliz por ele, que não o esqueceu e que encontrará alguem como "Ele". (Aposto que Adele tem um Mandato judicial proibindo-a de ficar menos que 100m de distancia de seus ex's)

Também admito que Adele tem uma incrível voz - Essas gordinhas, negras e mulheres de nariz torto são poderosissimas com suas vozes -, mas sua popularidade deu-se pela identificação do público com suas músicas igualmente melodramáticas, chorosas, sem auto-estima e que fazem tanto os cornos quanto os que levaram um pé-na-bunda, sentirem-se vítimas em um relacionamento o qual foram incapazes de dar continuidade por serem carentes demais. Eu não sou um exemplo de relacionamentos amorosos, mas pelo menos canalizo minha carência afetiva e amorosa de maneira inteligente e madura, sem ficar sofrendo feito um besta. Essa Adele e seus fãs têm é que fazer uma faculdade e parar de ser chatos. Ou sejam lhoucos mais legais, tipo a Alanis Morissete.

Portanto, se você é um fã chatinho de Adele, trate de ser interessante em algum aspecto, por que só assim você terá salvação. Em minha ultima aula de dança, meu professor e/ou amor platônico - espero que ele nunca leia esse blog - colocou Adele para o nosso aquecimento. Fiquei com medo dele no começo, mas logo em seguida me perdi nos seus cachos e esqueci tudo o que disse nesse texto sobre Adele. Falando nisso, já ouviram "Daydreamer", dela?

ADELE - DAYDREAMER

domingo, 30 de outubro de 2011

_suor


O amor, quando se revela, 
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar p'ra ela, 
Mas não lhe sabe falar. 
- Fernando Pessoa


O dia estava tão ensolarado que tudo que me via, sorria!
Meu edredon estava mais verde, meu chuveiro estava mais azul e até a roupa que eu vestia, que era uma regata preta, estava mais colorida do que nunca! Inclusive, a bolsa que eu nunca tinha visto, daquela mulher desconhecida, estava mais vermelha do que jamais viria a ser.

Um sol quente e agressivamente forte, também sorria. Eu cantarolava e andava quase dançando em direção ao meu destino. Os passarinhos e os esquilos começaram a me seguir e eu, inspirado, comecei a cantar como se fosse a Branca de Neve: "O-oah!".
Todos ao meu redor então, me olharam maravilhados e começaram a cantar também, fazendo passos de Jazz e sapateado. "O-oah! O-oah!"

Ao chegar na academia de dança, lá estava o meu professor. Tão bonito que até flutuava.
Após a aula, fui me despedir. Entrelacei os meus dedos nos seus cachos suados de dança, fiz um rápido movimento de dedos de vai-e-volta num cafuné contido e beijei-lhe o rosto, abraçando-o logo em seguida.
- Oh, eu estou todo suado! - Sua boca preocupada canta nos meus ouvidos num som melodiosamente sexual. Ele me olha nos olhos e sorri num tom de desculpas. Pois nem uma explosão de feromônios me deixaria tão desnorteadamente tonto quanto aquele sorriso deixou.

Não sei se fiquei dois segundos ou dois meses olhando para ele tentando concatenar as idéias. Lembro-me que logo após recordar da necessidade de respirar, sorri e em seguida respondi:
- Tranquilo, professor! Até a semana que vem...

Ah, se tu soubesses tudo que eu te digo no silêncio do meu olhar...

CET AIR-LÁ - JULIEN DORÉ (April March cover)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

_pushing daisies

-Posso te fazer uma pergunta?
- Claro!
- Se você me amasse...
- ... sim!?
- E nós nunca pudéssemos nos tocar. Você não ia me esquece e seguir em frente, deixando outra com alguma esperança que você pudesse amá-la?
- Se eu te Amasse?
- Sim...
- Então eu a amaria como pudesse. E se não pudéssemos nos tocar, eu tiraria forças da tua beleza. E se eu ficasse cego, então preencheria minha alma com o som da sua voz e com os seus pensamentos ate que a ultima centelha do meu amor  iluminasse a miserável escuridão da minha mente agonizante.
- ... Ahhh... - pausa silenciosa - então tá bom!
- Trecho do seriado "Pushing Daisies", da Warner Channel

PUSHING DAISIES é uma comédia-romantica-dramática-policial (...Ufa!) que conta a história de Ned, um confeiteiro que tem o dom de trazer os mortos de volta a vida. Porém, passado um minuto, Ned tem que tocá-los novamente a fim de torná-los mortos, caso contrário, a pessoa mais próxima morrerá subitamente. Feito isso, ele nunca mais poderá tocar na pessoa ressuscitada novamente, se não esta pessoa morrerá.
Complicado, né?
Complicado mesmo é o amor que ele sente por Chuck, sua namoradinha de infância que foi ressuscitada por ele. Porém, seguindo a regra, caso nela ele toque, ela morrerá instantaneamente.
Utilizando de uma direção rápida, fotografia viva e muito colorida no estilo de "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain", os diálogos possuem humor negro, são divertidos e a série conta com a participação da atriz Kristin Chenoweth (A April Rhodes de GLEE).

Para quem quer passar o tempo, vale a pena. =)


TRAILER