quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Paixão x Amor x AutoAfirmação

Dói mais ao nosso amor-próprio sermos desprezados, que aborrecidos." - (Marquês de Maricá)

Neste texto eu, além de dar minha cara a tapa, irei expor uma questão incrível de conquista que é um grande defeito meu. Aliás, um grande defeito nosso, leitor: A Auto-afirmação.

Antes de começar, preciso fazer três importantes perguntas.
O engraçado é que, mesmo escrevendo este texto antes de você responder, já sei quais serão suas respostas.

1) Quem aqui já teve a honra de ter alguém apaixonado por você, mas não pôde corresponder?
2) Quem aqui já foi super apaixonado por alguém, mas a pessoa nem te dava bola ou não correspondia como previsto?
3) Quem aqui, após conquistar a pessoa da pergunta acima, perdeu completamente o interesse?

O ser-humano tem a necessidade de autoafirmar-se. A conquista é o que nos move e isto está presente tanto em homens como em mulheres. No mundo homossexual é onde mais ocorre. Isto, por que mesmo os indivíduos completamente bem-resolvidos com a própria sexualidade, ainda possuem uma variante de culpa pela orientação sexual. Como a sociedade condena, temos de 'compensar' de alguma forma, seja pelo emprego, pela inteligência, pela moda ou, o mais recorrente, pela estética - que remete diretamente ao sexo. Por exemplo, a minha forma de autoafirmação e compensação perante a sociedade é a faculdade e o trabalho. Na faculdade os meus trabalhos são sempre os melhores. Modéstia a parte, mas são. Chego a ficar literalmente histérico com meu grupo e, caso meu trabalho não seja o melhor, condeno o vencedor até a morte. Algo como "Sou gay, mas sou melhor que você".

No mundo homossexual é, grande parte, pela estética e moda, o que remete ao sexo desenfreado e adoração ao corpo. Algo mais ou menos "Sou lindo, tenho o corpo maravilhoso e, por isso, faço mais sexo que vocês, héteros." Atire a primeira pedra quem nunca ficou com vários na balada e, ao voltar para a casa (Depois de um sexo com um desconhecido, ou não) ficou com a conhecida Depresão Pós Balada? É o beijar vários que responde o "Será que eu sou bonito mesmo?". Uma autoafirmação que não nos convence.

Não mentirei. Ano passado era do tipo que ficava com vários na balada. Atualmente a minha atitude é completamente contrária e, acredite, nunca choveu tanto homem, mas isso tem uma explicação. Semana passada fui a balada e houve uma hora em que meu amigo Fê derramou uma garrafa d'água inteira em meu corpo sem camiseta. Cerca de cinco ou seis meninos olhavam fixamente. Os mais ousados, davam sorrisos e chegavam perto de mim. Naquele dia, recebi dezenas de cantadas, mas não fiquei com ninguém e o porquê era o amar a si mesmo. Não digo que quem beija vários não tem amor próprio, a questão é, deixando a modéstia de lado, atualmente eu sei que sou muito bonito, tenho um ótimo corpo, sou super inteligente e poderia discutir sobre política ou filosofia com qualquer um, ganho bem para minha idade... Enfim, eu sou incrível. Isso não é falta de modéstia, é amor próprio. E o fato de eu querer um relacionamente sério, duradouro e monogâmico do tipo de querer morar junto e ter um cachorro (e um gato), é que me "abre" para possibilidades e "abre" meus olhos para os outros. Sou gay e tenho um diferencial. Não é por que sou homossexual que tenho de ser patologicamente sexuado.

Mas, como bom ser humano, isso não ocorre sempre e a auto-afirmação volta. Quem aqui já flertou, provocou e atiçou os caras só para que eles babassem por você, sem interesse neles? Tudo isso para saber que tem alguém pensando em você na hora da punheta. O grande problema é quando nos sentimos rejeitados e tem um engraçadinho tentando macular nossa auto-estima. O interesse cresce consideravelmente e isso ocorre comigo freqüentemente. Meu amigo, o Fê (outra vez) disse que este é o meu pior defeito. Só tem dois tipos de meninos que me conquistam: Os inteligentes que fazem PUC ou USP e que discutem sobre cinema, literatura ou política, ou os que me rejeitam. E trate de não me culpar, por que você é exatamente assim.

Talvez você deve estar pensando que sou um menino convencido e controlador, mas errado está você, pois este seu pensamento chama-se Projeção (Freud). Até que nos apaixonemos de verdade e a correspondência ocorra, somos monstros egoistas. Esta é uma característica que nunca vai mudar. Todos precisamos que nossa plantinha do ego seja regada de vez em quando.

"O amor-próprio é o maior de todos os lisonjeadores." - (François de La Rochefoucauld)

Por Cláudio_DeLarge

6 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com td, Clau. Outra vez vc arrasa no texto.

Tudz

Natália disse...

É engraçado que eu penso muito nisso.
Pq temos essa NECESSIDADE de sermos aceitos? De sermos perfeitos? Talvez por sabermos que somos finitos, se somos finitos é pq não somos perfeitos. E é um tanto inconcebível pra nós ser TUDO e ao mesmo tempo não sermos NADA. Já que tudo terá um fim, serei o MELHOR que puder, e terei todos que puder. Ninguém é poeta pq se intitula poeta. O poeta só é poeta quando os outros o consideram como tal. Deve ser por isso que precisamos tanto que os outros nos dêem valor, pq todo o valor que temos é dado pelos outros. Olha a dependência que temos, só podemos dizer que somos algo quando há um reconhecimento. Senão somos considerados loucos. E essa loucura é alimentada pelo nosso maior desejo, que é o desejo de ser desejado.

Você me inspira.

Fato.

Wi disse...

"Até que nos apaixonemos de verdade e a correspondência ocorra, somos monstros egoístas."

Realmente.
Passei bastante tempo nessa situação que vc descreveu: ficar com desconhecidos na balada, instigar a paixonite e o desejo alheios pra se sentir melhor comigo mesma, me autoafirmar.
De fato somos seres que queremos a aprovação dos outros para mantermos nossa felicidade particular; procuramos nos outros o que queremos encontrar em nós mesmos.
E não é condenável. O desejo de felicidade é naturalmente egoísta. Quem é que consegue ser feliz só por ver as pessoas que gosta felizes? É preciso que esse estado de espírito também faça parte da nossa vida, ou não fará diferença nenhuma que o resto do universo esteja sorrindo. Cruel, mas real.
E sim, encontrar alguém que te garanta a certeza de ser amada(o) é realmente o ponto final pra essa situação. Não é preciso provar nada a ninguém, porque basta receber a certeza daquele sentimento que vem de outra pessoa. E posso dizer, por experiência própria, que o amor ensina como deixar o egoísmo de lado, afinal ver alguém se doar por vc faz a gente retribuir tudo isso, sem estar obrigado ou intimado a tal. :)

Beijos, queridinho.

Fernando disse...

EEEE gostei do texto!
vamos lá:

Confesso que sou vítima dessa auto-afirmação. Uma grande vítima. Talvez tenha sido fruto de estudar em um ambiente onde a cobrança por mais era grande, e também por ser gay e ter a necessidade de ser bom, melhor que os héteros, para ser mais claro. Ao meu ver, pode ser ruim, mas também é bom. Já ouviu falar em KAIZEN? Brutamente falando, é um 'lifestyle' aplicado geralmente por organizações, que visa a melhoria contínua, mudar pra melhor sempre, em pequenos passos. Uma INTENSA paixonite (depois de velho!) fez com que eu aplicasse isso na minha vida. E as vezes eu me cobro tanto que nem vejo o quanto isso me prejudica - estudar além da conta, dar mais que o melhor no trabalho, procurar fazer tudo perfeitamente, chegar sempre pontualmente, vestir-se sempre impecavelmente; tudo isso é o certo de se fazer, mas o emocional (e o físico tbm) nem sempre aguentam. É aí que vem aquela 'depressãozinha'. Agora estou menos neurótico (mas não relaxado!), porque vi que essa necessidade de sempre estar acima de tudo e todos me prejudicou. Esse é um dos motivos de eu estar solteiro agora (ele sempre brigava cmg pela neurose, eu brigava com ele pela distração imensa).

Agora, eu tô bem. Pelo menos eu vejo hoje que aquele que no passado eu me 'apaixonei' não passa de um moleque egocêntrico. Como vc disse, a atitude mudou e agora nunca 'choveu tanto homem'. Fui com calma cmg mesmo, aprendendo a dizer não, e satisfeito comigo. Mas isso é recente, e eu tô com medo que a 'auto-afirmação' volte. Mas vou trabalhar pra que isso não aconteça. Mário Quintana disse: 'O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você!'

Esse é um assunto delicado, rs.

ps¹: Acho que esse seu amigo Fê está para você como meu amigo Vini está para mim. O modo que você fala dele é semelhante ao modo que penso sobre meu amigo, hehehe!

ps²: Esse comentário foi também um desabafo. Sorry!

Parabéns pelo blog!

[ Feehshionist ] disse...

Perfeito

Fabiano (LicoSp) disse...

Para as 3 perguntas, respondo SIM para todas elas... eu lembro que qdo namorava eu adorava qdo as pessoas vinham dar em cima de mim no MSN, fazia todo aquele jogo de sedução para depois dizer, eu namoro, não rola.

Acho que se sentir desejado é o melhor dos mundos e nos ajuda a auto-afirmar.

Qto a conquistar para depois perder o interesse, eu não cheguei a este ponto ainda, mas eu acho que me apaixono mais fácil por quem é dificil... lembro d um garoto legal, simpático e bonito, q era super afim d mim, mas por ser fácil D+ perdi o T. Acho que faz parte do mundo masculino, do macho, caçar, ter desafios, sei lá.

abs.