domingo, 21 de agosto de 2011

_tutorial: como arranjar um namorado

Contar-lhes-ei uma aventura, que de aventura, tem é tudo. Mas já vou avisando que não é uma daquelas aventuras viscerais que passam na Sessão da Tarde, onde uma turminha muito lhouca apronta várias confusões. Ou um cachorro muito levado torna-se um heroi. Não, não, amigos. É uma aventura sem romance, sem ação e sem comédia. Sem romance por que trata-se da busca por um namorado. Ou seja, se você busca um namorado, é por que não tem romance. Não tem romance não pelo fato de não ter e querer um namorado, mas pelo fato de sujeitar-se a BUSCAR um namorado. Oras, tomemos vergonha! Também não tem ação pois não tem. Simples assim. Não tem ação por que ação é coisa de BlockBuster e aqui é um lugar para PENSAR. "Oras, mas pensar é uma ação!", argumenta o leitor bobão. E eu, outro bobão, contra-argumento: Existe a palavra "pensação"? Não, e sabe por que? Por que pensar não é uma ação, o certo é Pensamento. "Mento" de mente. E quem mente uma mentira, pensa!
Entendeu? Não? Então pare de ler este texto agora e vá embora. Ora! Pois não vou ficar explicando nada.
E, por ultimo, não tem comédia, por que eu não sou engraçado. E, além disso, acho que ninguem percebe quando está sendo engraçado. Posso até contar uma piada que me contaram durante a não-aventura que contarei, mas fica por sua conta rir. Começarei então, em três, dois um...

Fotografia de Andres Serrano
Uma mulher faz sexo com um ovo. Um ovo dedicado a toda nação chinesa. 
Detalhe muito importante: O ovo era branco.
Essa cena acontecia na minha frente e de minha amiga. Era uma peça baseada na obra de Clarice Lispector. Intensa e visceral.
Em seu termino, saímos com o pensamento e empolgação de uma das frases mais famosas de Clarice, "Estou ocupado demais sendo feliz". Pois estávamos mesmo: ocupados e felizes. Portanto, após sair do teatro, decidimos ocupar-nos...
...Antes de continuar, conto-lhes como eu e minha amiga nos conhecemos:
Trabalhávamos juntos, mas em setores diferentes. Não conversávamos muito, até que nos encontramos em um show. Ela adora o filme "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain". Ela também me apresentou um amigo dela. Rapaz Bonito, cheiroso, 30 anos e gostava do filme "Moulin Rouge". No mesmo dia, nos beijamos. No mesmo dia, ela nos deu carona até um motel. No mesmo dia transei com ele.
- Vamos nos ver mais? - Ele pergunta com um sorriso bonito.
- Sim, e seremos grandes amigos de sexo. - Respondo, com um tom divertido.
Ele achou que eu estava brincando. Eu não.
Ele apaixonou-se. Eu não. Ele queria namoro. Eu sexo. E ela, minha amiga, interviu. E ela, minha amiga, tornou-se minha amiga.
E foi assim que nos tornamos amigos e resolvemos, depois da peça do Ovo, ir para a balada. 
Não muito decididos que eramos, ligamos para um amigo. Um amigo em comum.
Detalhe muito importante: Ele era negro.
- Alô, onde você está, meu lindo amigo negro? - pergunto, efusivo, querendo lhoucamente ouvir aquela voz negra.
- Com meu namorado. Vou ficar por aqui com ele. Tchau, amigo branco.
E foi assim que a conversa terminou. Prolixidade não é conosco. Não-não, só quando eu escrevo mesmo. Antes de continuar, conto-lhes como eu e meu amigo nos conhecemos:
Trabalhamos na mesma empresa. Quando ele me viu, pensou "Nossa, que viadinho! Branquelinho, olhos claros e cara de passiva. Não quero amizade". Quando eu o vi, pensei "Nossa, um gay forte e negro que dança Hip Hop. Ele é mais velho e pode me ensinar muitas coisas".
- Oi, meu nome é Cláudio. Quero trocar meus amigos gays atuais por novos e você é um começo. - Eu disse, com um sorriso. Alias, a segunda frase eu não disse, apenas pensei. E sabe o que aconteceu? Troquei os meus amigos gays da época por novos. Simples assim!
Ahh, não me venham com xurumelas, todas as amizades começam por interesse, e meu circulo gay não estava mais interessante. Vi nele um novo amigo negro, e foi assim que aconteceu. E não é que ele tornou-se meu melhor amigo!? Além disso ele também me apresentou um amigo. No mesmo dia, eu e o amigo dele nos beijamos. Passaram-se dois meses e nem chegamos a uma punheta juntos.
Eu apaixonei-me. Ele também. Eu terminei. Ele também. Ele namora outro atualmente. Eu não.
E foi assim que aconteceu.
Foi assim que aconteceu, ele não saiu conosco para ficar com o namorado.
Pensei eu "Vou arrumar um namorado também, só por que o meu amigo negro diz que não me vê namorando alguém". 

Encontrei alguns amigos indo para a Augusta. Experimentei uma tequila Black. Experimentei uma vodca. Experimentei a náusea.
O primeiro amigo estava vestido com camisa xadrez, chapéu legal e usava óculos. Convidei-o para fumar maconha. Ele foi comigo e mais um grupo. Lhoucos que estávamos, beijei-o. Pensei "talvez seja este!". Ao nosso lado havia o segundo amigo vestido com camisa xadrez, chapéu legal e usava óculos. Pensei "Talvez sejam estes!" e beijei-o. Beijei o segundo e trouxe o primeiro junto. O primeiro beijava o pescoço do segundo enquanto eu o beijava. Apertando a sua bunda, entre as nádegas, meu pau indeciso não sabia para onde ir ou em que perna esfregar-se. Já estava lhouco. Tão lhouco que babava. Ele deu um berro.
Afrouxei o cinto e perguntei:
- O que foi, Pau? Por que o grito?
- Bertolhoucomans...
- O que? - perguntei sem entender nada.
- Huaosnnejnlça
Pensei durante uns vinte segundos. Que eu soubesse, Paus não tinham uma língua própria. Resolvi limpar a baba de lhouco dele.
- Você quer namorar os dois? Tipo um romance de François Truffaut ou Bernado Bertolucci? - perguntou meu Pau. Naquele momento fiquei orgulhoso. Essa cabeçona sabe o que diz. Essa cabeçona de pau conhece Truffaut! Orgulhoso, mostrei para o primeiro e o segundo.
E deu no que deu. O primeiro era um fascista. O segundo adorava Almodôvar. Um romance de primeira.

Na hora de ir embora, fui com um amigo do grupo. Despedi-me de todos e peguei o mesmo caminho de volta para casa com esse amigo. O terceiro. Ele estava vestido com camisa xadrez, chapéu legal e usava óculos. passei a mão no seu cabelo. Fiz cafuné em sua nuca. Mudo, aconcheguei-o nos meus ombros e, de forma sorrateira, beijei os lábios. Beijei-o mais. E mais. E Despedi-me dele.

E foi assim a aventura, amigos. Ao chegar em casa, abri a geladeira sedento e na porta havia um Ovo. Um Ovo branco. Na porta também havia o DVD do filme "Le Noms des Gens". Peguei o Ovo, peguei o DVD e levei para a cama. Fiz um lhouco amor com eles dois. Um menage a trois tesudo, safado e sujo. De um jeito que só namoros com amor e confiança poderiam ser.

Fotografia de Robert Mapplethorpe "Self Portrait" (1975)

9 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto pela utilização das metaforas os sentidos. Entrei na vibe do seu texto e ri muito.
Abç

Joyeux disse...

tudo que eu tenho a dizer é que: se não fala de mim, me paga autorais pelo lhouca! e tenho dito, sem mais, bjs.

Cláudio DeLarge disse...

HAHAHAHAHAHAHA, isso deveria ser bordão da novala das nove.
Olha o potencial psicológico e cultural desse nove verbete.

Black Jack disse...

Nossa amigo, como fiquei frio nessa história! Hahaha, mas gostei de que voce detalhou o dia que nos conhecemos. Amo vc!

Fabi Nunes disse...

Amigo, parabéns adorei os seus textos... Tão criativos e inteligentes...
Um tanto picante e sedutor...
Adorei, ganhou uma fã... rs
Bju

Anônimo disse...

tem pau que gosta é de chafurdar na lama.

Hermann disse...

Muito Bom!!! Curti o blog (e o blogueiro). Então... seguindo.


http://plumitivoledor.blogspot.com/

Cláudio DeLarge disse...

Amigo negro Jacson, eu tambem te amo.
E você foi frio e direto por que é assim que é. Você namora e estava ocupado fazendo sexo.
É assim que é!

Natália disse...

Sabe aquela ladainha de " cuide do seu jardim que as borboletas virão " ? Então, funciona.