sábado, 6 de novembro de 2010

A Fagocitose

A fagocitose é um importante mecanismo de defesa do organismo. Quando é identificado um corpo estranho na célula, o qual pode vir a danifica-la ou adoece-la, a mesma engloba esta partícula estranha e expulsa-a, mantendo-a protegida. Esta concepção é muito importante e necessária para o corpo.
Mas e quando o nosso psicológico cria uma "Fagocitose Sentimental", onde o corpo estranho chama-se "Paixão"?

Traição, mentira, recusa ou amor não correspondido: No adultério, há pelo menos três pessoas que se enganam; Nasce uma mágoa não pela mentira, mas o fato de eu não poder mais voltar a acreditar no indivíduo; Perder uma grande possibilidade pois o por motivo foi ter sido "Você" ; O amor não correspondido, é aquele que mais dura.

A Palavra MEDO tem quatro letras, assim como a palavra AMOR. AMOR possui o M e o O, assim como o MEDO. AMOR sempre termina com OR, de DOR. Será sempre assim? Como vou saber se nunca me permiti as delícias do Amor? Vivemos em um mundo onde as relações amorosas, afetivas e até sexuais constroem-se virtualmente. Não, leitores! Não existe mais intimidade. O Contato, o toque, o beijo constante e a carícia parecem ter desaparecidos, Puf! As pessoas desaprenderam a fazer massagem e acariciarem-se com um bom cafuné. Minha concepção de relacionamento foi construída através dos filmes clássicos em P&B que eu assistia quando adolescente. Pedido de namoro, sexo depois de muito tempo e intimidade, apresentações aos pais, aliança de compromisso, flores e serenatas, beijos na chuva e roladas na grama. Eu ainda sonho com o "American Dream" de casar-se, ter uma casa amarela com três filhos e um cachorro ou gatinho. Eu não transo com freqüência por opção, sexo é algo extremamente fácil de achar. MUITO fácil.

Eu quero é transar loucamente apaixonado, gozar e viajar meus dedos por cada detalhe do corpo do meu parceiro. Quero beijar na chuva e visualizar as gotas explodindo lentamente nos ombros dele. Quero entrelaçar minhas pernas às dele, abraçá-lo e passar a ponta de meu nariz pelo seu rosto, respirando-o, sentindo-o de olhos fechados, indeciso entre beijá-lo num agressivosexual ou abraçá-lo fortemente juntando-o a mim. Quero ouvir MPB sem ter nada a dizer, apenas olhando para o teto. Quero-o! Sinto-me bobo. Apaixonado, sinto-me vulnerável, desconfortável e com medo.

Estou apavorado em saber que um outro indivíduo tem poder sobre mim. Esquivo-me, contenho-me, seguro e retraio essa paixão que nasce aos poucos. Ainda não amo, mas apaixonei-me. Este, atualmente, é o meu estágio da fagocitose. Poucos são - conto-os nos dedos de uma mão - os indivíduos que entraram em meu estágio de fagocitose. Todos foram expelidos no momento que achei estar apaixonado. Era o medo de estar apaixonado. 

Já este - este único indivíduo - o qual me chama de "Bebê", que lambe o cantinho da minha boca deixando meu pau ereto em uma fração de segundos, que tira um sorriso de meus lábios ao olhar-me, que me olha com aqueles oclinhos de armação grossa, que descreve Saramago ou canta Vinicius de Moraes de um jeito quase sexual para meus ouvidos... Este, talvez seja diferente.

E eu estou apavorado!

2 comentários:

Natália disse...

Dói, dá nó na garganta,dá medo MUITO medo e destrói todo e qualquer vestígio de racionalidade. Mas quer saber? Amar é uma delícia!

Cláudio DeLarge disse...

Tá foda!