sábado, 28 de agosto de 2010

O Cavalheiro de Xangai

"Cláudio, você é um cara que me intriga muito. Você é lindo, parece ser dono de uma cultura enorme e pelo que pesquisei você é engraçado, cativante e tem um belo corpo - isso é fato. Posso estar errado, mas creio que seja solteiro... e isso me intriga. Por que? Com todos esses atributos, você poderia ser o principie de qualquer um, pelo menos ao meu ver. Tem seus defeito, claro... Aliás, você deve estar perguntando-se "Quem é esse louco?", kkkk... Mas então, mesmo com seus defeitos, pelo que sei por cima sobre você, fico me perguntando por que um cara assim escolhe ficar solteiro? Pergunto isso por que acho que você tem essa resposta e, mais do que nunca, preciso dessa resposta. Pode ignorar esse depo e até me excluir do meu orkut, mas eu precisava lhe falar essas coisas. Resumindo, para que você não ache tudo muito louco vou lhe explicar: Não sou de sonhar muito e nunca te vi pessoalmente, mas sonhei com você e, no sonho, percebi que pelo seu olhar você queria me dizer algo e era algo que eu precisava ouvir. Porém, você não disse uma palavra e eu acordei. E eu PRECISO tentar agora: Por que uma pessoa que tem tudo para ficar bem com a outra, prefere ficar sozinha? Não sei se você é bem assim. Só um palpite. Qualquer coisa, me adicione no MSN: xxxxxxx@hotmail.com. Flw, beijos."
Depoimento recebido dia 28/8/2010

"Que menino egocêntrico e convencido" você deve estar pensando, já que eu comecei o POST com um depoimento que eu recebi hoje. Depoimento este, que me coloca láááá em cima. Porem, a pergunta é: "Eu concordo com o que está descrito nele?".

Tenho total ciência da exposição a qual serei submetido ao escrever este post, mas não ligo. Pelo contrário, preciso contar. É uma evolução, algo bom. Além do que, sou do tipo que não gosto de falar de meus problemas para os outros. Gosto de ouvir desabafos. Pode ser meio egoísta e tendencioso, mas com isso percebo que meus problemas são menores (ou faço com que pareçam menores do que são). Ou, friamente falando, é um mecanismo de defesa o qual eu desvio a minha atenção para os problemas alheios, visto que não consigo enfrentar os meus. Esta segunda interpretação é psicologicamente pessimista e, portanto, mesmo que seja a verdadeira, prefiro apoiar-me na primeira interpretação. Sempre acreditei que não há verdades ou mentiras, certo ou errado. Há só interpretações. Portanto, não irei ficar questionando-me, perguntando-me ou confundindo-me. "É assim por que é assim e pronto". De qualquer forma, vou "desabafar" por aqui pelo BLOG mesmo. Mas pode ficar tranquilo que não é um desabafo "Ó, como eu sofro", pelo contrário, até por que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.

Vou resumir, ok? Vou ser direto, o que pode parecer que estou sendo frio ou transferindo responsabilidades à terceiros, mas não é, ok?
No finalzinho dos meus 19 anos, obtive um diagnóstico de Síndrome do pânico. Alguns dos fatores que desencadearam foram: o convívio com um namorado depressivo que tentou suicídio; a depressão de minha mãe e sua demissão do emprego; a responsabilidade de sustentar uma casa; e auto-culpar-se pelo suicídio de um amigo. Isolei-me da família e de meus amigos e usei o cinema como refúgio. Durante o final de semana, assistia cerca de 15 filmes seguidos. Durante a semana e em lugares públicos, suava frio, sentia meu peito quente, meu coração batia repetidamente e sentia medo, muito medo. Acreditava que estava a beira de um perigo iminente. Ah, e não me relacionava com ninguem.

Minha irmã levou-me ao psiquiatra, que me receitou três remédios. Uma semana depois eu fiquei agressivo com as pessoas e, quando estava sozinho, imaginava coisas. Não sabia diferenciar se algo havia realmente acontecido, ou se era uma situação criada pela minha cabeça. Acabei criando personagens: Paulo e Klaus. Não conseguia dormir e, quando dormia, minha cama estava toda umedecida.

Fui ao psiquiatra novamente, meus remédios foram trocados e comecei terapia. O diagnósticos dos dois profissionais, coincidentemente ou não, foi: Falta de auto-confiança. Basicamente eu me importo muito com o que os outros pensam de mim, fazendo com que eu internalize meu lado animalesco. Eu não bebia, não transava, não xingava ou brigava com ninguém. Eu me diminuía frente à todos. Me sentia feio, magrelo, burro, narigudo e corcunda.

Dois meses depois, ainda estou tomando os remédios receitados (StressDoron, Veratrum Album e Tubercullinum Koch). Em contra-partida (ou não), encontro-me melhor do que nunca!!!
Deixei de lado a opinião de minha familia e, agora, faço algo que amo: Sapateado, jazz e ballet
Parei de fazer chapinha do cabelo e ele está como eu sempre quis: enroladinho e bagunçado
Diminuiu a exacerbada insegurança com minha aparência;
Aprendi a dizer "Não";
Ando normalmente em público e ainda faço um olhar "Effy Stonen" (Embora eu ainda tenha pavor de mendigos);
Parei de desculpar-me por tudo;
Digo mais "Foda-se"

Bom, estou trabalhando em mim ainda os quesitos "Relacionamento Amoroso" e "Querer a aprovação de todo mundo". Posso dizer à vocês que eu sempre terei de melhorar algo em mim, por que nunca estarei 100%, o que, de certa forma, é uma visão pessimista. Ou posso dizer que estou em constante auto-conhecimento e desenvolvimento e, quando me der por satisfeito comigo mesmo, estarei sendo arrogante, limitado e pararei de evoluir. Ou, uma terceira opção: você me diz que eu devo ir para putaquemepariu e parar de ser fresco e inseguro. Tudo é uma questão de interpretação , como eu disse - Há-ha!
"É assim por que é assim e pronto", e foda-se! :)
Acabou!
PS: *Fui abraçar uma árvore em público*


O Título desse post faz uma alusão ao filme "A Dama de Xangai", 1948 dirigido por Orson Welles. O filme foi alvo de grande controvérsia e encândalo, por apresentar Rita Hayworth com cabelos curtos e louros , descontruindo-a e formando uma aparência de sensualidade decadente, lasciva e reles. Ou seja, Hayworth "fantasiou-se" do molde de beleza da época, porém mostrou à todos que ela, sendo 'ela' era MUITO mais linda. Além disso, o filme ficou famoso pela cena do tiroteio na sala dos espelhos. Simbolizando-me a desconstrução dos meus vários 'eus'.

7 comentários:

Felipe_ disse...

Você é adorável em tudo! Até em assumir sua condição de mortal. =***

Rafael Samarone disse...

Nunca comentei aqui, mas tenho seu blog nos meus "favoritos"!!heheh Estava com saudades de suas postagens!!! Fico feliz que esteja encontrando este caminho de auto-conhecimento e aceitação!! Abraços

JOhnny disse...

meus parabéns sempre acompanho seus posts e fiquei facinado com este, meus parabéns você é incrivel. ótimo post ^^

JOhnny disse...

meus parabéns sempre acompanho seus posts e fiquei facinado com este, meus parabéns você é incrivel. ótimo post ^^

Natália disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Natália disse...

Desconstruindo o Eu.
Isso prova o quanto tudo pode ser considerado uma invenção. Você se inventou fraco, permitiu que as invenções alheias se tornassem o regulador das suas atitudes. E paradoxalmente isso te mostra que precisava " provar pra todo mundo que não precisava provar nada pra ninguém ". Nos reconhecemos no outro, nos alimentamos do outro, mas não podemos esquecer que o outro também possui vários outros. Se não há imobilidade, os seus eus se constroem e descontroem, os eus dos outros também. Portanto essa necessidade de aceitação se torna ilusória. E dizer que não há essa necessidade também. Então só me resta dizer que que não somos donos dos adjetivos, passamos por eles.

Cláudio DeLarge disse...

Nossa, Nath!
Vou te ligar para você me explicar seu comentário. Que complexo, haha.