...Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes.
- Antoine de Saint-Exupéry
Por que me fazes perder a compostura? ................................Aventura!
Será que sabes o quanto me controla? ..................................Gabarola!
Teu olhar já me fazes mais disposto...................................... Teu rosto!
Pois meu olhar vagueado, te olha.
Meu corpo desnorteado, se molha.
E minha mente confusa te esmiúça,
Gabarola, teu rosto é uma aventura!
Tua boca lasciva e rosada é alvura..........................................Doçura!
Teu cabelo emoldura um rosto frajola......................................Corola!
Meus olhos não disfarçam, te olham com gosto...............Sou Exposto!
Ver-te dançando, voando - eu fico sem jeito.
Perco-me pensando, sonhando - sem ar no peito.
Um amor momentâneo, em contemporâneo.
Apaixonado, sou exposto à sua doçura em corola.
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas. Aproximem-se!
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões. Façam todos suas inscrições.
- Elisa Lucinda
- Engraçado pois eu aprendi com vocês que o amor tem a sua lógica, mas ele é completamente imprevisível.
- Paixão não tem fórmula, não tem lógica e não tem regra. Ela chega sorrateira e, quando você menos espera: tá apaixonado. E não pense que é você que escolhe, pois não é.
Se você está saindo de uma paixão, acredite, você vai se apaixonar de novo. Se você está começando uma paixão, faça dela a mais feliz do mundo. Agora mesmo, existem milhões de pessoas prontinhas para se apaixonar. Quem é que não quer encontrar o grande amor da sua vida?
Não sei, deixo rolar vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo.
O pé pousa suavemente no chão, de uma forma levemente linear e quase que em câmera lenta. Primeiramente os dedos tocam sutilmente o chão e, como se convidassem gentilmente o pé para pousar, puxam o calcanhar para juntar-se ao solo.
Eram dois. Dois pés desenhados de forma milimétrica. Contundentemente agressivos. Contundentemente sensíveis Nem mesmo as veias saltadas e os pêlos pretos distribuídos despretensiosamente pelo peito do pé bronzeado ou nas juntas do dedão, tiravam a sensibilidade daquele pé de bailarino.
Em meia ponta, os pés eram responsáveis pela delineação de uma perna que demonstrava força ao apresentar-se em panturrilha amostrada e saliente. Joelhos agressivos suportavam uma coxa completamente desenhada. Aquela coxa formava um mapa com rios em desenhos e ramificações perfeitas. Muitos rios. Rios que subiam a um monte macio. Nádegas duras, macias e mordíveis. Odiosamente deliciosas.
Ele estava de camiseta, o que impedia que víssemos o que aquele tronco ofereceria se tivesse desnudo. Pois mal sabes este obstáculo que, pobre de mim, garoto de imaginação fértil, conseguiria imaginar no além-vestuário. Além do que aquele tronco poderia ser. Principalmente, além do que aquele tronco oferecer-me-ia se estivesse desnudo ao meu prazer. Meus pensamentos por debaixo daquela camiseta amarela tornaram-se demoníacos Quase desequilibrados. Em uma luxuria exagerada. A unica coisa que eu sabia é que escorria-te um suor denso. Em meus pensamentos, seco em língua.
Seus braços em segunda posição transformavam-se em asas de anjo. Com leves ondulações que provocavam-me frenesi. Quase um êxtase próximo ao desespero. Um desespero sorridente, que consumava-se na visualização daquele sorriso obedientemente enfileirado. O abre-alas de um nariz avantajado e charmoso, disputando atenção ao separar harmoniosamente olhos verdes indecisos, castanhos tímidos em tons de mel.
Essa concepção harmoniosa a qual você denomina de "rosto" e eu denomino de lascividade angelical, era abençoada por uma emolduração de cabelos cacheados. Indecisos também, se louros, se castanhos, se belos ou se nascidos apenas para me aliciar.
Enquanto isso, bailarino que eras, dançava seu balé de forma contemporânea. Numa naturalidade visceral.
- Qual é o perfume que você usa, Cláudio? - perguntou uma colega que, meses depois, tornar-se-ia uma das melhores amigas que já tive.
- Intense Euphoria, Calvin Klein. Por que? - respondi, tentando aproveitar aquela balada chata que tive que ir onde uma tal de Kelly Rowland cantaria.
- Nossa, é delicioso. Sinta o cheiro. - E ela puxou o bonito amigo dela para cheirar o meu pescoço. Obviamente, minhas pernas estremeceram. O pescoço, um lugar que me deixa deveras sensível sexualmente, ramificava o tesão pós-fungada por todo o corpo. E foi assim que nos beijamos. E, horas depois, acordei em uma cama de motel, com o melhor amigo daquela que viria a ser a minha melhor amiga. Olhando para cima e com um sorriso enorme no rosto, lembrei do início de nossa transa...
- Espere, desculpe estou tenso. - eu disse tímido. Minha mente estava um turbilhão e eu dialogava em velocidade-luz comigo mesmo. Perguntando-me e respondendo-me, ao mesmo tempo, o que eu fazia ali prestes a transar com um cara que eu conheci a menos de doze horas. Eu sabia que ele era o melhor amigo de minha colega. Ter alguma referência sobre ele me deixava mais seguro, mas eu ainda perguntava-me o que eu fazia. Minha vontade era de sair correndo.
- O que foi? - ele perguntou calmamente.
- Err... nada. - e, depois de uma rápida pausa - Ah, quer saber? Só estou meio tenso, por que eu te conheci hoje e acho isso rápido demais. Mas já que estamos aqui...
- Calma, espere. Não precisamos fazer nada se você não quiser. - ele sorriu - Estou surpreso, visto que você beijava-me com um afinco que, "wow!". Mas não precisamos fazer nada.
- Pois eu quero!
- Tem certeza?
- Absoluta! Vem logo!
E eu pudi perceber o quanto ele estava sendo carinhoso, simpatico e gentil.
Apaixonei-me!
Saímos do motel e almoçamos juntos. Na hora da despedida, demos um abraço.
- Adorei passar a noite com você. Passe-me seu celular? - perguntou ele, num tom formal.
- Sim, sim! - respondi efusivo - Adorei também a noite. Tenho certeza que seremos ótimos amigos de sexo!
- Tenho certeza disso. - ele sorriu.
Fiquei temeroso caso ele achasse que eu me apaixonaria. Ele era do tipo de homem que, aos seus 31 anos, acharia que eu, um menino de 21, apaixonar-me-ia após uma transa sem compromisso. Um "Amigos de sexo" explanado por mim, talvez, amenizaria essa ideia dele e eu poderia vê-lo mais vezes. E foi isso que fiz.
Fotografia de Ralph Gibson
Etrocamos mensagens todos os dias.
E nos vimos novamente na semana seguinte. E fomos amigos de sexo. E, após terminarmos, ouvindo uma playlist feita por ele sendo emitida pelo celular, olho nos olhos dele. Encaramo-nos por alguns segundos.
- Estou apaixonado - exclamei olhando para ele. Olho para o teto e continuo - Acalme-se, haha. Estou apaixonado pela situação. Apaixonado por fazer sexo. Apaixonado por ouvir esta musica. Apaixonado por tudo isso. - voltei para olhar para ele - Apaixonado por você até. Mas não essa paixão que você está pensando. É paixão pela vida.
E ele me olhava e nada falava. E após um rápido sorriso, voltou a encarar a parede sério. Eu me postei para beijá-lo e encostei no seu peito. Continuei olhando para o teto, namorando a mim mesmo. Namorando a situação.
Três semanas se passaram e, embora trocássemos mensagens, não nos vimos. E ele me excluiu do facebook.
Uma semana depois, nos encontramos no bar.
- Por que você me excluiu do facebook.- perguntei, demonstrando uma irritação que poucos viam.
- Por que você flerta com todo mundo e todo mundo flerta com você. Eu não sou obrigado a ficar vendo isso.
- Você está com ciumes?
- Não, só não quero ficar vendo você flertando com os outros. Não quero uma amizade assim.
- Mas você está me beijando agora e abraçado comigo. Não quer ser meu amigo, mas está beijando a minha boca. Me excluiu do facebook pelos flertes que eu recebo e não está com ciumes? Você é lhouco!?
- Você não entende!
- Ok - o que seria o prenuncio da minha finalização frente aquela conversa - Comecemos outra vez? Você me aceita no face novamente e eu paro de flertar e ser flertado, embora eu não ache que eu flerte ou seja flertado no facebook. Ok?
- Como você acha que não flerta, pois fique você sabendo que...
- Estaaaamos entendidos? - Cortei-o, para que a conversa não se estendesse ainda mias.
- Ok!
E nos despedimos com um intenso beijo. Um carinho e um abraço gostoso.
Data: Dia Seguinte
Local: Balada Festa Valentina
Eu encontro-o na fila.
Ele beija o meu rosto.
Eu fico sem entender.
Ele vai conversar com os amigos dele.
Já na balada, minha amiga diz:
- Amigo, vá ficar com outras pessoas.
- Mas e ele? - eu aponto para aquele homem de 31 anos.
- Por isso, fique com outras pessoas. - Ela respondeu me olhando e oferecendo uma tequila. Entendi na hora o que ela estava querendo dizer. Pensei então "Ok, vamos lá!". Visualizei um lindo menino louro de cabelos cacheados. Eu sorri e fui conversar com ele. Ficamos.
No final da balada, ele me aborda:
- Viu como você é um periguete?
- Hã? - surpreso, encaro-o.
- Você ficou com quatro. E eu achando que você era diferente.
- Mas você também ficou com alguém na festa,
- Sim, mas você ficou com quatro.
- E?
- E isso foi um teste. Eu achei que você ficaria chateado por não ficarmos juntos hoje.
- Sim, eu fiquei, mas eu não ia deixar de aproveitar a balada por isso.
- Isso quer dizer que você quer curtir. Essa é a sua idade, já passei dessa fase.
- Você é lhouco? - eu estava começando a levantar a voz - Por que você acha que tem o direito de me testar?
- Tenho que ir, depois conversamos.
Fiquei com vontade de tirar satisfações. Como assim me testar?!
Por que ele é tão lhouco e tão bonito ao mesmo tempo?
E durantes duas semanas, fico pensando nele.
Data: Uma semana depois
Local: Balada festa Valentina, outra vez.
Eu encontro-o na fila.
Ele ma braça.
Entramos juntos na balada.
Ele me beija.
Eu sinto um "clique".
O beijo dele estava diferente. O sorriso diferente. Os 31 anos diferentes. Mas ele estava igualzinho.
O que eu senti, foi diferente. O que eu senti foi... nada. Sabe aquela cena de Closer onde a personagem de Natalie Portman olha para o seu parceiro Jude law e diz "Eu não te amo mais."? Pois foi o que senti.
Dei um ultimo selinho. Abracei-o e fui curtir a balada com outras pessoas.
Fim
Relacionamentos: Essa palavra lembra-me laços. Nos laços, as pontas dão voltas e voltas, para continuar próximas. São voltas necessárias, visto que laços são bonitos e, sem eles, os presentes não ficariam tão belos. Os laços, as voltas, são os enfeites do presente. Do presente. Mesmo que não tenham futuro.
Eu não estou mais apaixonado. Atualmente, não sinto mais nada por ele, além de amizade. Talvez, arriscar-me-ei afirmar que nem sexual eu sinta. Decidi isso há alguns dias. Simples assim.
Simples assim!
Mas, como diria saudosa Clarice Lispector, que ninguem se engane, pois só se consegue essa simplicidade através de muito trabalho.