domingo, 24 de abril de 2011

No novo século, todos seremos insanos

‎"Homossexuais não são homens que transam com outros homens. Homossexuais são aqueles que, durante 42 anos de tentativas, não conseguem aprovar uma lei antidiscriminação na Camara Municipal." - Trecho da minisérie ANGELS IN AMERICA (HBO, 2003)


- Quem é você, eu não te conheço. O que você esta fazendo em minha alucinação?

- Eu não estou na sua alucinação, você que esta em meu sonho.
- Você é meu amigo imaginário ou algo do tipo?
- Você não é muito velha para ter amigos imaginários?
- Eu tenho problemas emocionais, tomo Valium todos os dias.
- Entendi.
- Eu não entendo isso. Se eu nunca o vi antes, e eu acho que não, então acho que você não deveria estar aqui nesta alucinação por que, pelo o que sei, a mente, que é onde as alucinações acontecem, não deveria poder inventar algo que não estivesse lá antes ou que não tenha entrado através de experiências no mundo real. A imaginação não pode criar nada novo, pode? Apenas recicla pedaços de mundo e os remonta em visões. Está fazendo sentido?
- Dado as circunstância, sim.
- Então, quando achamos que fugimos da insuportável mundanidade e, bem, da falsidade de nossa vida, só estamos na velha mundanidade e falsidade reagrupada com a aparência de algo novo e verdadeiro. Nada desconhecido é cognoscível. Não acha isso deprimente?
- As limitações da imaginação?
- Sim. O mundo, finito e terrivelmente terrivelmente. Esta é a alucinação mais deprimente que já tive.
- Oh, desculpe. Eu tento ser engraçado.
- Não se desculpe. Eu não posso esperar ser entretida por alguem que está muito doente.

Angels in America

sábado, 23 de abril de 2011

Weeds

"Não sou consumidor de maconha porque sofro de depressão, mas pior do que ela é o cigarro, que me causou um infarto". - Chico Anísio

WEEDS é uma série americana protagonizada pela incrivel Mary-Louise Parker (Angels in America e West Wing) que tem como tema principal, a MACONHA. Criada por Jenji Kohan, o mesmo criador de Gilmore Girls, WEEDS tem altas doses de ousadia, um humor negro brutalmente direto e incisivo e com um olhar revelador sobre as drogas e a vida familiar.

Nancy Botwin (Parker) fica viuva e enfrenta dificuldades financeiras para sustentar os dois filhos. Como solução, começa a vender maconha para equilibrar o orçamento familiar. A inspiração da série veio dos últimos acontecimentos e debates envolvendo o uso médico da maconha na Califórnia e o crescente aumento de cultivadores da planta. O título é uma brincadeira com a palavra coloquial da maconha (em português, Ervas).

Não obstante a este tema central subversivo e inovador, a série aborda com sutilezas e simbologias a dificuldade na vida familiar, a busca pela magreza, o desalinho e infantilidade de pais despreparados e perdidos e a hipocrisia da sociedade em sua moral. Em vários aspectos. Conforme já discutimos no POST "A Maconha", sua proibição resume-se a eventos interesseiros no âmbito político e social norte-americano - Se tiver um tempinho, leia o post sobre A Maconha. Além de ser uma explicação, é uma aula de história - e cada episódio nos faz pensar: Ora pois, o alcoolismo é um problema muito grave, mas o Ronaldinho e a Ivete Sangalo continuam fazendo publicidade para a venda de cerveja. Por que?

WEEDS, em seu primeiro ano obteve a maior audiência já alcançada pelo canal SHOWTIME. Além disso, Mary-Louise Parker ganhou um Globo de Ouro e foi indicada 3 vezes ao Emmy pela sua performance na série, assim como outros atores e atrizes coadjuvantes de grande destaque em prêmios.

Se a série mudou minha opinião sobre o assunto? Não, continuo indiferente a tal produto. Minha indiferença transforma-se no momento em que sua utilização é criticada em sobreposição a outras drogas que fazem tão mal quanto. Estas drogas a que me refiro chamam-se cigarro (tabaco) e alcool. Se sou a favor da legalização da maconha? Sim. Se sou a favor da criminalização ou proibição do comercio do alcool ou tabaco? Um sim maior ainda. Porém, estamos longe das duas possibilidades. Tudo devido a uma questão cultural. O que nos resta, por ora, além de dançar pelos destroços, baby, é respeitar a opinião do próximo. Sempre, lógico, munido de argumentos.