"No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente, ou quase nunca os perdoam." - Oscar Wilde
Amar a mãe e o pai sempre foi uma lei incontestável. Repudiado sejam aqueles que ousaram questionar o amor que, obrigatoriamente, devem sentir pelos próprios pais. Chega a ser um pecado este questionamento, afinal, são meus pais. Foram eles que me criaram e que não me abandonaram. Que inseriram em mim todo o amor que possuíam, a preocupação que detinham e o dinheiro que ganhavam. Também, amigos, nunca se ouviu dizer que um filho corajoso nasceu de um pai temeroso. Também, inconscientemente, podem transferir suas inseguranças, seus medos e, principalmente, suas fraquezas. E, muitas vezes, nós absorvemos.
Muitas coisas, queria eu, externalizar sobre minha mãe. Sobre minha absorção de seu negativismo extremo, seu pessimismo constante e desequilíbrio pueril. Ao entrar na porta de casa, coloco-me em estado defensivo, um Stand-By corporal onde meus olhos vagueiam junto com minha atenção pelos detalhes da casa enquanto ela remoe, repetidamente e sem novidades, suas lamúrias. Ela culpa os filhos, sutilmente - e talvez sem perceber - pelos problemas que passa atualmente. Ela, também sem saber - ou sabendo, inconscientemente - é responsabilizada pelos filhos por desequilíbrios herdados..
Todas as características que herdei dela, são as que mais odeio em mim. Que mostram-me mais fraco, inseguro e zerado em minha auto-confiança. Todos nós passamos ou passaremos por períodos assim. Sinto-me apertado por tais confissões e, ao mesmo tempo, seguro. Seguro, pois sei que os filhos que mais dão certo, são aqueles que vêem os pais como verdadeiramente são. Não há nada pior em uma educação do que a hipocrisia.
Meus pais não são pais. São, antes de tudo, pessoas. Com suas fraquezas e decepções. Onde podem tanto ser um exemplo de como devo ser como pessoa, como também de como Não Ser.
"Às vezes o pai castiga o filho porque este fez o que o pai, quando filho, não conseguiu fazer." - Juvenal