domingo, 21 de novembro de 2010

Balé Alice no País das Maravilhas

"Qual é a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?"

Ainda não me considero um bailarino. Faço o balé clássico a pouquíssimos meses e considero meus passos ainda "Sujos", muito "sujos". Porém estou animadíssimo para a minha PRIMEIRA APRESENTAÇÃO DE BALÉ CLÁSSICO, BALÉ CONTEMPORÂNEO e SAPATEADO.
Deixo-lhes um convite. :)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Pecado Mora ao Lado

"Clube Glória, 14 de Novembro, 02:20 da manhã
O som era tão alto e contagiante que eu tinha a impressão que ele era o responsável por bombear sangue para o meu corpo. Curiosamente as batidas do meu coração equipararam-se com o Tuntstunts da balada. Alí eu sentia-me a vontade como em nenhuma outra. Rodeado pelos sofás dourados e logo abaixo de um teto especial ilustrado pela estilista Fábia Bercsek, eu dançava feito um bobo, como se não me importasse com o que pensariam. A leveza combinou-se ao relacionamento sério que estou vivenciando com o menino que inspirou o post "A Fagocitose", logo abaixo. Ele não pôde ir, mas cobrava-me, não declaradamente, fidelidade. Como eu não ia ficar com ninguem, não ligava de bancar o bobo dançarino, combinando o balé clássico com Street Dance.
No intervalo de uma música, fui atingido por um olhar. Um pouco mais alto que eu, cabelos volumosos e cacheados que emolduravam um rosto quase andrógeno. Uma camisa branca semi-aberta, calça skinny e um mocassim roxo da moda. Ele era a personificação física do meu modelo de beleza, lindo! Ao cruzarmos os olhares ele sorriu. Podia sentir seus olhos me desejando. Uma eletricidade sexual dominou meu corpo. Ele aproximou-se..."

Há anos eu tinha vontade de conhecer a balada Clube Glória. Considerada uma das cinco principais baladas paulistanas que inspiram editoriais de moda, junto com VEGAS, A LÔCA, THE WEEK e D-EDGE, o CLUBE GLÓRIA foi montado a partir de uma antiga Igreja no bairro do Bixiga. Possui uma decoração assinada por Fábia Bercsek e Rita Wainer e, duas sextas de cada mês, a festa é de ninguém menos que  Alexandre Herchcovitch. O público é formado por alternativos, cults e fashionistas. Cabelos enroladinhos, óculos de armação grossa e um alternativismo exacerbado por todos os lados. Meus olhos brilhavam. Eu, agnóstico convicto, descobri que, se existisse céu, era alí! Porém, tudo isso cairia por terra. Eu estava comprometido e naquele momento, moralmente, nada deveria me importar.

No dia anterior, assisti com a minha mãe o filme "O Pecado Mora ao Lado" (The Seven Year Itch), de 1954. Talvez você nunca o tenha assistido, mas com certeza lembrar-se-á dele. Este filme ficou famoso pela cena onde a mulher mais sexy do planeta tem a saia levantada por uma lufada de vento produzido pelo metrô de Nova York. Marilyn Monroe foi iconizada para sempre, tanto como atriz como símbolo sexual. Baseada na peça de comédia sexual escrita por George Axelrod, o filme é produzido por ninguém menos que BILLY WILDER (Quanto Mais Quente Melhor e Crepúsculo dos Deuses).

Em 1955, era quase impossível filmar uma comédia sexual no porte de "O Pecado mora ao Lado". Isso por que o Hayes Office, um departamento de censura prévia às grandes produções de Hollywood, faziam vista grossa com roteiros, falas dos personagens e figurinos. Em conjunto com a Legião Católica, contraíram uma força de censura e manipulação midiática incrivel . Inúmeras Obra Primas atuais, foram esfoladas na época. Obras como "Gata em teto de Zinco Quente" ou "Um Bonde Chamado Desejo" eram censuradas até o talo. Embora "O Pecado Mora ao Lado" pareça inocente nos dias de hoje, na época era uma revolução sexual. Ainda mais por contar com a participação de Marilyn Monroe, que era o simbolo da mudança na moral sexual da época. A cena do metrô levantando a sua saia, que eternizou-a, infelizmente foi MUITO cortada. Os dois motivos foram: A censura do Hayes Office e a impossibilidade de uso por "falha técnica". A comoção e movimentação popular em Nova York durante a gravação da cena foi tão grande, que as filmagens ficaram inutilizáveis devido a gritaria. Joe Dimaggio, atual marido de Monroe na época, ficou tão irritado que após as filmagens os dois brigaram e, três semanas depois, ocorreu a separação. Tantos problemas pessoais e a utilização de tranquilizantes pesados não eram visíveis no sorriso travesso e sexual de Marilyn Monroe.

Billy Wilder sempre desafiava a censura. Utilizou da Homossexualidade em "Quanto Mais Quente Melhor" e o alcoolismo em "Crepúsculo dos Deuses". Em "O Pecado Mora ao Lado" utilizou do adultério na comédia, argumento proibido no Hayes Office. Decupou até não poder mais o roteiro, mas conseguiu fazer uma Obra-Prima do cinema.

Essa semana, assisti outros dois filmes, "Cartas Para Julieta" e "O Poder do Ritmo". O que eu pude perceber nesses dois filmes foi a expectativa da traição. Neles, a menina namora um indivíduo que não lhe dá o valor que merece e, então, conhece o mocinho e apaixona-se. Durante o filme, queremos que ela largue logo o namorado bobão e caia nos braços do mocinho apaixonado adultero. Nestes casos, o adultério é perdoável... Será!? Não sabemos da totalidade da história. Não sabemos o lado do namorado bobão. Na novela "Viver a Vida", queríamos que a personagem de Letícia Spiller comete-se o adultério.  Irrita-me essas histórias onde a uma dualidade exacerbada do Bem e do Mal.

Não podemos julgar traições. O Adultero não é "malvado" em sua totalidade, assim como o traido não é a vítima. Não sejamos hipócritas, todos temos nossas motivações.

"Clube Glória, 14 de Novembro, 02:25 da manhã
- Oi - Ele disse-me ao pé do ouvido. A música estava alta.
- Oi - Sorri amigavelmente. Ele era lindo!
- Você dança muito bem - Sorriu
- Haha, você está me zuando? Estou dançando feito um bobo.
- De jeito nenhum. Você é lindo e dança muito bem. Está acompanhado?
- Sou comprometido.
- Ele está aqui agora?
- Não.
- Então me beija.
- Não, mil desculpas. Você é lindo mas eu gosto demais dele.
Segurei sua nuca e dei um beijo em sua bochecha. Olhei-o e sorri. Ele sorriu de volta.
Em seguida, fui ao bar comprar uma água: 
- Seis reais!? Isso é um roubo!"

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Teenage Dream

Aviso: SPOILER GLEE (6 Episódio 2° temporada)


- Posso perguntar-lhes uma coisa? - Kurt faz uma pausa, receoso em perguntar - Vocês são todos gays?
- Oh, não. Quer dizer, eu sou, mas aqueles dois tem namoradas. Esta não é uma escola para gays. - Blaine responde sorrindo - Nós só temos uma política de tolerância zero para preconceito. Todos são tratados do mesmo jeito, não importando o que são. É bem simples.
Ao ouvir essas palavras, os olhos de Kurt ficam mareados. Seu novo amigo então, continua:
- Acho que você está tendo problemas na sua escola...
- Sou o único homossexual assumido em minha escola. E eu... eu... eu tentei ser forte quanto a isso, mas tem brutamontes que fizeram da sua missão transformar minha vida um inferno. E parece que ninguém nota.
- Eu sei como você se sente. Fui muito insultado em minha antiga escola e isso me deixa puto. Eu até reclamei disso na coordenação e eles mostraram-se compreensíveis e tudo o mais, mas eu não podia com eles... Ninguém realmente ligou. Era tipo "Hey, se você é gay, sua vida será miserável. Sinto muito, mas não posso fazer nada". Então eu deixei tudo de lado e vim pra cá. Simples assim. - Blaine aproxima-se de Kurt - Você tem duas opções, quero dizer, eu adoraria dizer para estudar aqui, mas as mensalidades são exorbitantes e eu sei que não é uma opção para todos. Sua outra opção é se recusar a ser a vítima.
- Mas...
- Preconceito é apenas ignorância, Kurt. E você tem uma chance agora para ensina-los.
- Como?
- Confrontando eles. Chame-o! Eu fugi, Kurt. Eu não me impus, deixei os valentões me mandarem embora e isso é algo que realmente me arrependo...

SEGUNDA CENA

Após se empurrado violentamente contra o armário por Blurt, Kurt encoraja-se e segue-o gritando, até o vestiário.
- Hey, Eu estou falando com você. - Kurt entra no vestiário aos gritos.
- O vestiário das meninas é na outra porta.
- Do que você tem tanto medo? - Ainda aos gritos.
- Como é!? Além de você se metendo aqui para olhar o meu pacote?
- Ah, é, o pesadelo de todo cara hétero. Que nós gays estamos aqui para molestar e converter vocês. Pois bem, pintudo, adivinha só!? Você não é o meu tipo!
- É mesmo? - Blurt coloca-se frente a frente a Kurt.
- É, eu não curto caras gordinhos que suam demais e estarão carecas antes de chegarem aos 30.
- Não me provoca, Hummel. - O nível da voz de Blurt iguala-se ao de Kurt. Os dois estão aos gritos.
- Você vai me bater? Bate!
- Não me provoca.
- Bate, por que isso não vai mudar quem eu sou. - Kurt continua - Você não pode surrar e por para fora o "Gay" que tenho dentro de mim mais do que eu posso surrar o ignorante pra fora de você.
- Eu disse para parar de me encher. - Os dentes de Blurt cerram e o punho fecha.
- Você não é nada além de um garotinho que não consegue lidar com o quão extraordinariamente comum você é...
A fala de Kurt é interrompida por um beijo de Blurt.

Episódio 2x06 de GLEE "Never Been Kissed"

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Formato: RMVB LEGENDADO 
Tamanho: 150
Legendas: Amarela 
- http://www.fileserve.com/file/ucqG9FQ/Glee.2x06..rmvb
- http://www.filesonic.com/file/31053413/Glee.2x06..rmvb
- http://hotfile.com/dl/81666948/d2b3408/Glee.2x06..rmvb.html
Fonte: Comunidade Glee Donwloads

sábado, 6 de novembro de 2010

A Fagocitose

A fagocitose é um importante mecanismo de defesa do organismo. Quando é identificado um corpo estranho na célula, o qual pode vir a danifica-la ou adoece-la, a mesma engloba esta partícula estranha e expulsa-a, mantendo-a protegida. Esta concepção é muito importante e necessária para o corpo.
Mas e quando o nosso psicológico cria uma "Fagocitose Sentimental", onde o corpo estranho chama-se "Paixão"?

Traição, mentira, recusa ou amor não correspondido: No adultério, há pelo menos três pessoas que se enganam; Nasce uma mágoa não pela mentira, mas o fato de eu não poder mais voltar a acreditar no indivíduo; Perder uma grande possibilidade pois o por motivo foi ter sido "Você" ; O amor não correspondido, é aquele que mais dura.

A Palavra MEDO tem quatro letras, assim como a palavra AMOR. AMOR possui o M e o O, assim como o MEDO. AMOR sempre termina com OR, de DOR. Será sempre assim? Como vou saber se nunca me permiti as delícias do Amor? Vivemos em um mundo onde as relações amorosas, afetivas e até sexuais constroem-se virtualmente. Não, leitores! Não existe mais intimidade. O Contato, o toque, o beijo constante e a carícia parecem ter desaparecidos, Puf! As pessoas desaprenderam a fazer massagem e acariciarem-se com um bom cafuné. Minha concepção de relacionamento foi construída através dos filmes clássicos em P&B que eu assistia quando adolescente. Pedido de namoro, sexo depois de muito tempo e intimidade, apresentações aos pais, aliança de compromisso, flores e serenatas, beijos na chuva e roladas na grama. Eu ainda sonho com o "American Dream" de casar-se, ter uma casa amarela com três filhos e um cachorro ou gatinho. Eu não transo com freqüência por opção, sexo é algo extremamente fácil de achar. MUITO fácil.

Eu quero é transar loucamente apaixonado, gozar e viajar meus dedos por cada detalhe do corpo do meu parceiro. Quero beijar na chuva e visualizar as gotas explodindo lentamente nos ombros dele. Quero entrelaçar minhas pernas às dele, abraçá-lo e passar a ponta de meu nariz pelo seu rosto, respirando-o, sentindo-o de olhos fechados, indeciso entre beijá-lo num agressivosexual ou abraçá-lo fortemente juntando-o a mim. Quero ouvir MPB sem ter nada a dizer, apenas olhando para o teto. Quero-o! Sinto-me bobo. Apaixonado, sinto-me vulnerável, desconfortável e com medo.

Estou apavorado em saber que um outro indivíduo tem poder sobre mim. Esquivo-me, contenho-me, seguro e retraio essa paixão que nasce aos poucos. Ainda não amo, mas apaixonei-me. Este, atualmente, é o meu estágio da fagocitose. Poucos são - conto-os nos dedos de uma mão - os indivíduos que entraram em meu estágio de fagocitose. Todos foram expelidos no momento que achei estar apaixonado. Era o medo de estar apaixonado. 

Já este - este único indivíduo - o qual me chama de "Bebê", que lambe o cantinho da minha boca deixando meu pau ereto em uma fração de segundos, que tira um sorriso de meus lábios ao olhar-me, que me olha com aqueles oclinhos de armação grossa, que descreve Saramago ou canta Vinicius de Moraes de um jeito quase sexual para meus ouvidos... Este, talvez seja diferente.

E eu estou apavorado!

Garrel

“É estimulante ser excitado por um filme” - Louis Garrel

Possui o ápice do charme francês com seu rosto pálido e cabelo bagunçado. Nascido em Paris, e 14/06/1983, LOUIS GARREL me faz derreter. Não, não há ator, vivo ou morto que tenha o seu charme ou beleza. Pode ser uma heresia dizer isso, ainda mais levando em consideração a boca de Marlon Brando, o jeitinho de Montegomery Clift, ou os olhos de Paul Newman, mas só tenho olhos para ele nesse mundo de belezas cinematográficas. "Os Sonhadores" ou "Canções de Amor", seus filmes mais famosos, já mostram seu talento, estilo, beleza, charme, sedução ...

 
 

ENTREVISTA DO ATOR A FOLHA
Em entrevista à revista "Cahiers du Cinéma", você disse sentir que ainda lhe falta traquejo para construir seus personagens ("fisicamente, ainda preciso me libertar"). Onde é mais difícil fazer isso: no teatro, com sua companhia D’Ores e Déjà, ou no cinema?
Quando fiz esse comentário, estava opondo os atores americanos aos europeus. Mesmo no cinema comercial, posso me interessar por produções americanas unicamente por conta dos atores. Ainda que o filme não seja tão interessante, o trabalho dos atores em determinadas produções é autoral, de composição. No cinema europeu, raramente tenho essa impressão. Na França, não temos escolas de atuação para o cinema. Quando aprendemos a atuar, é para interpretar a tradição, o repertório teatral. Talvez isso esteja ligado ao fato de [o diretor] Robert Bresson ter representado um grande momento para o cinema francês trabalhando essencialmente com amadores. Por isso, muitos diretores pensam que os atores não são indispensáveis para se fazer um bom filme.

Com tantas participações em filmes nos últimos anos, sobra tempo para se dedicar à companhia teatral?
O que é bom é que ela é composta de pessoas muito próximas a mim, amigos que vejo o tempo todo. Houve um trabalho do qual não pude participar porque estava envolvido em outros projetos, mas voltaremos a trabalhar juntos. Queremos seguir a trilha de Ariane Mnouchkine [diretora do grupo Théâtre du Soleil]. Ela cria um tema com sua trupe, que improvisa em cima disso. São criações coletivas, que não partem de textos que já existem.

O que há de comum entre você e o fotógrafo François de "A Fronteira da Alvorada"? Você também se esquiva de um estilo de vida burguês?
François é um hipersensível, como eu. Para apreciar este filme, pelo que percebi, é preciso ter essa sensibilidade de ouro. Quanto ao casamento burguês, claro, é algo de que sempre temos medo aos 20 anos: o dia em que seremos engolidos pela máquina social. Li um livro bonito do sueco Stig Dagerman sobre isso, "Notre Besoin de Consolation Est Impossible à Rassasier" [nossa necessidade de consolação é insaciável].

Como filmar com seu pai [Philippe Garrel, diretor de "A Fronteira..." e "Amantes Constantes"] é diferente de fazê-lo com outros diretores?
Acho meu pai um gênio. Ele acessa o cinema a um só tempo como pintor e poeta. É muito emocionante, belo e inspirador ver um poeta pintor que faz filmes. Já Christophe Honoré [com quem rodou cinco filmes até agora, dentre os quais "Em Paris" e "Canções de Amor"] é impulsionado pela literatura.

Você tem interpretado bon vivants que esquecem os males do coração embarcando em novas paixões. Soa como um Antoine Doinel [personagem de filmes de Truffaut como "Beijos Proibidos" e "Amor em Fuga"] dos anos 2000, não? Enquanto admirador confesso de Jean-Pierre Léaud [intérprete de Doinel], como vê essa comparação?
Sou mais que um admirador de Jean-Pierre Léaud, sou um aficionado. Deveria fazer um período de desintoxicação em Léaud, porque sou dependente. A questão é que, se puder dar às pessoas a gana de viver a vida como uma aventura como Doinel me deu, ficarei feliz.

Dentre seus dez filmes mais recentes, só três não foram dirigidos por Honoré ou seu pai, Philippe. Quais são seus critérios para aceitar um papel? O que pensa sobre o cinema francês atual?
Não tenho um método específico [para escolher papéis]. Não tenho uma idéia concreta sobre o cinema francês, mas é fato que tudo é condicionado pelo que vivemos no país. Como todos na França estão um pouco entediados, acho que o cinema reflete isso. Neste momento, ele é encarado como entretenimento, o mote da hora é divertir as pessoas. Mas não é por ser comercial que um filme vai ser ruim. Não há regras. É preciso que se sinta uma coisa real que o diretor queira contar, para além de a história ser boa ou ruim.

Você atuou em dois filmes que se passam durante o Maio de 68 ["Os Sonhadores" e "Amantes Constantes"]. Recentemente, disse que, em se tratando de imigração, o governo francês "está em estado de psicose coletiva. Qual é a sua relação com a política e quais são suas impressões sobre a França de Nicolas Sarkozy?
Acho muito perverso da parte de Nicolas Sarkozy se valer do problema da imigração para chegar ao poder. Não é algo que se possa resolver com dez frases. É eterno esse desejo de ver alhures, de se deslocar. Mas ele encara isso como um problema, para o qual haveria basicamente uma solução: pôr para fora quem vem comer o pão dos outros. Que hoje na França se vá perseguir pessoas nas escolas (nossas crianças e seus pais) é muito perverso e dá ao país uma tensão.

E como o cinema deve tratar essas tensões sociais?
Pode haver cinema militante, mas não acho que seja uma tarefa do cinema falar disso. Prefiro ouvir sociólogos, antropólogos e historiadores sobre essa questão, para que nos restituam a complexidade dessa história de migrações, movimentos de populações de um país a outro. Não cabe ao cinema resolver essas questões. Quando fazemos esse tipo de filme, fica meio chato. Não podemos querer que se faça exclusivamente cinema social.

Mas Abdellatif Kechiche (diretor de "O Segredo do Grão", tunisiano radicado na França) não é um exemplo de que se pode falar de questões sociais sem ser enfadonho?
É verdade, ele fez algo magnífico. "L’Esquive" [longa anterior de Kechiche] nos informou que gírias de certos grupos sociais franceses têm tantas sutilezas quanto a língua oficial. Podem ser sensuais, falar de amizade, ser complexas. Isso foi uma descoberta genial. Um filme deve sempre empreender uma busca; se se fizer uma descoberta como essa que Kechiche fez, já terá sido algo enorme.

"Ma Mère", de Christophe Honoré, e "Os Sonhadores", de Bernardo Bertolucci, transformaram você em sex-symbol do novo cinema francês. Esse rótulo o incomoda?
Tenho uma relação particular com o cinema: gosto de ser erotizado por um filme. Não tenho amarras artísticas. Fico feliz em vir participar dessa erotização. É estimulante ser excitado por um filme, pelos objetos de desejo de atrizes e atores.

Com que outros diretores americanos gostaria de trabalhar?
Wes Anderson e Judd Apatow e sua trupe.

Você estreou na direção neste ano com o curta-metragem "Mes Copains" [meus camaradas]. Tem vontade de dirigir mais?
Sim, quero fazer mais curtas com minha companhia teatral.

FONTE: Ilustrada no Cinema

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Voar sempre, cansa. Por isso ele corre em passo de Dança...

"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão. Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arrancam lágrimas e canções.
Eu só poderia acreditar em um Deus que soubesse dançar. E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene. Era o espírito da gravidade. ele é que faz cair todas as coisas. Não é com ira, mas com riso que se mata. Coragem!
Vamos matar o espírito da gravidade!
Eu aprendi a andar. Desde então, passei por mim a correr. Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar. Agora sou leve, agora vôo, agora vejo por baixo de mim mesmo, agora um Deus dança em mim!" - Friedrich Nietzsche

Ah, a dança!
Dançar, amigos, é algo inenarrável. É desprendendo-me de mim mesmo que tenho o maior contato interior possível.  Eu não me sinto dentro de mim e me vejo de longe. E, ao mesmo tempo, transporto-me para meu interior e reconheço cada particularidade do meu corpo, cada parte dele. Viajo pelo meu corpo físico e emocional. Eu não consigo descrever, sério. Dançar deveria ser obrigatório!


Sempre fui apaixonado por dança. A primeira evidencia ocorreu aos seis anos de idade após ter assistido "Os Embalos de Sábado Continuam", de 1983 e dirigido por Sylvester Stallone. Roubava as polainas da minha mãe e dançava a casa inteira. Rodopiava, pulava e era criança. A Paixão cresceu com o musical "Grease - Nos tempos da Brilhantina", também atuado por Jonh Travolta. Mesmo com a paixão evidente, minha familia não colocou-me na Dança. Talvez por preconceito, talvez por falta de percepção. Entrei na Natação e, na academia, via no "Axé" a possibilidade de exteriorizar a explosão que ocorria em mim a cada musica alegre. Fiz dos 10 aos 13 anos. Rebolava e transpirava a cada batida de Funk e a cada gingada do Axé. Aos 13 anos tive que operar a coluna. Perdi o molejo e ganhei um trauma de insegurança frente a minha aparência e corpo. Estudei-estudei-estudei. Aos 20 anos e um diagnóstico de perfeccionismo obsessivo e início de Processo esquizóide, a terapia indicou-me a DANÇA - Falo isso com naturalidade, pois já considero-me quase curado.

Por que contei toda essa história? Para mostrar o quão a dança pode ser essencial no processo psicológico de um indivíduo. Como ela é capaz de desenvolver e resolver uma estrutura psicológica. Indo um pouco mais além, podemos dizer que ela cura. France-Soir defende que desde 1950, o movimento é usado para libertar tensões, canaliza e reorienta os ímpetos. Acalma e elimina os comportamentos agressivos e tranqüiliza as personalidades psicóticas e fóbicas. E, leitor, sem preconceitos e limitações digo-lhes que personalidade fóbicas e psicóticas são muito mais comuns do que desconfia nossa vã filosofia. Num estudo feito pela USP em 2009, 9 a cada 10 brasileiros possuem alguma problema psicológico de Nível Médio. E Longe de fazer-me de vítima "Ó, como sofro", diminuir-me é algo que está fora de questão. Quero mostrar o quão é normal isso e como o preconceito com psiquiatras, psicólogos ou com "pessoas assim" é burrice. Enfim, mas esse não é o foco do post...

Para o psicanalista Carl Jung, o movimento pode revelar, involuntariamente, as características mais intimas de um indivíduo, visto que ele é a expressão particular de cada pessoa. É o processo de exteriorização individual. Ele sempre trás aspectos tanto conscientes, quanto inconscientes. O principio essencial da dança é  a autonomia da pessoa investigar-se em movimento e, conseqüentemente, identificando-se. Minha dança é minha terapia. Leva-me a vivenciar o potencial de minha força criativa, do meu auto-conhecimento, do encontro de meu equilíbrio e, acima de tudo, da superação de minhas dificuldade emocionais.

Um dos maiores defensores da Dança como Processo de ilimitude é Friedrich Nietzsche. Ele a descreve como uma expressão de vitalidade, da vontade de poder, da capacidade do homem em agir de modo “ativo” em uma cultura que o quer apenas “reativo” (NIETZSCHE, 2004, p. 63). É uma ação que coloca o dançarino no protagonismo de sua vida, sem ensimesmar-se ou introverter-se. Na auto-biografia "Em Minha Vida", de Isadora Duncan, ela nos diz que nunca sujeitou-se aos contínuos "Nãos" da vida, que "parecem da vida das crianças um tormento". Para Nietzsche a dança é um Sim à vida, contudo que seja dançada por quem compartilhe este "Sim". E este pensamento não acontece fora de onde ele se dá. Ele é efetivo no seu lugar e intensifica-se, fazendo da dança o movimento de sua própria intensidade - Falei Bonito!

Nietzsche então divide o processo artístico em duas vertentes: Apolíneo e Dionisiaco, inspirados nos deuses da mitologia grega. Nietzsche apresenta Apolo como um deus dos sonhos, formas, regras e medidas. O apolíneo é a aparência, a individualidade e figuras bem delineadas. Como é o domínio da imagem e metáfora, considera-se dissumulado e a conceitualização com a aparência. Em contra partida, também representa o equilíbrio, moderação dos sentidos e, em certo ponto, a civilidade.
Já Dionísio é o Impulso e exagero, da liberação dos instintos e da extaticidade. Um eterno fluir. Sendo o Deus do vinho, da dança e da música, ele representa o irracional, a quebra de barreiras impostas pela civilização e a dissolução de limites. O artista apolíneo almeja a bela aparência e a boa ilusão, representando figuras bem delimitadas na sua individualidade, puras e caracterizadas pelo equilíbrio. O criador dionisíaco exacerba a dissolução do indivíduo, a desmesura, o exagero. São dois impulsos opostos e contraditórios, porém complementares na criação estética. Resumidamente falando, o encontro da técnica (apolínea) e a da emoção (dionisíaca).

Especificamente na DANÇA, então, cria-se o conceito de UNO PRIMORDIAL, um lugar onde só existe intensidade. O dançarino com suas emoções dionisíacas despertadas, sente que todas as barreiras entre ele e os outros homens estão rompidas  "Num mundo das emoções inconscientes, que abole a subjetividade, o homem perde a consciência de si e se vê ao mesmo tempo no mundo da harmonia e da desarmonia, da consonância e da dissonância, do prazer e da dor, da construção e da destruição, da vida e da morte."(CADERNOS DE NIETZSCHE 3). 

Partindo dessa premissa, o desprendimento do próprio corpo para o encontro com minhas forças dionisíacas transformam-me não em outra coisa se não em mim próprio. Um "artista" como força da minha própria natureza.

Atualmente faço Ballet Clássico, Ballet Contemporaneo e Sapateado. Em sua totalidade de seis horas e meia semanais, confesso e afirmo com total certeza que estas são as horas mais felizes de minha semana. Não sei se fui claro no que quis passar à vocês. Misturei vários assuntos e temáticas. De qualquer forma, caro leitor, "se eu pudesse dizer a você o que desejo transmitir, não haveria necessidade de dançar"(Isadora Duncan).


Grupo Corpo - Onqotô (2005) - Mortal Loucura




 “Mesmo naquela época eu senti que os sapatos e as roupas só me atrapalhavam. Os sapatos pesados eram como correntes, as roupas eram minha prisão. Assim, eu tirava tudo. E sem nenhum olhar me observando, totalmente sozinha, dançava nua na praia. E me parecia que o mar e todas as árvores estavam dançando comigo”. - Isadora Duncan