domingo, 30 de maio de 2010

Glee - Em Busca da Fama

"Querem me bater? Vão em frente. Mas juro que não vou mudar. Tenho orgulho de ser diferente. É a melhor coisa que há em mim" - Kurt Hummel em GLEE

Por que considero GLEE uma das melhores séries em atividade e, provavelmente, será louvada por anos e anos? Porque discute temas controversos e polêmicos de forma sutil e sem hipocrisia, utiliza de diversidade de gêneros na escolha de sua trilha sonora, relembra musicais incríveis protagonizados por grandes vozes como Barbra Strainsend (The Funny Girl), Liza Minelli (Cabaret) e Audrey Hepburn (My Fair Lady, voz de Julie Andrews), representa os estigmatizados na hierarquia do status social e, até em seu maior defeito que é o roteiro, torna-o como qualidade. Sim, virei um Gleek!

Criada por Ryan Murphy, Brad Falchuk e Ian Brennan e produzida pelo canal FOX, foi lançada em 18 de novembro de 2009. Conta-nos a história do "Glee Clube", um clube de coral formado pelos indivíduos menos populares e estigmatizados do colégio: Rachel Berry, a 'chatinha-estrelinha' que não assume que alguem possa ser melhor que ela; o cadeirante Artie, a adolescente grávida Quinn, o adolescente homossexual Kurt, a negra gordinha Mercedes, a asiática que finge ser gaga Tina, entre outros, todos coordenados por Will, o professor de espanhol (Portanto, o ultimo na hierarquia do corpo docente americano). Sue Sylvester, treinadora das lideres de torcida, faz de tudo para dissolver este coral, já que o mesmo poderia tirar o prestígio de sua Cheersleaders (Representação simbolica dos padrões de beleza que devem ser seguidos).

O diretor e criador da série, Ryan Murphy, é militante e homossexual assumido. GLEE possui várias questões ligadas a homossexualidade. Chris Colfer, inicialmente foi fazer o teste para Artie, o cadeirante, mas devido a sua história pessoal (Era criticado por fazer audições em papéis musicais femininos e sofria retaliações na escola devido a homossexualidade) recebeu o papel de Kurt Hummel, especialmente criado para ele. Além disso, a personagem de Lea Michelle, Rachel Berry é filha de um casal gay, onde no episódio 1x20 é discutida a importância de uma figura feminina na criação de uma criança. Sempre utilizando de sutilezas para transparecer a intenção maior da série: Mostrar o quão bonito é ser e aceitar a si mesmo, não importando-se com o que digam.

Recentemente a revista Newsweek publicou um artigo criticando a atuação de homossexuais em papéis heterossexuais, destinado à Jonathan Groff (O Jessie St. James). Alguns atores da série boicotaram e criticaram a posição da revista. O diretor sutilmente convidou Neil Patrick (O garanhão de How I Met Your Mother?) para o episódio 1x19 (Dream-On) para ser o personagem antagonico ao Will por roubar suas namoradas, formar um encontro de "Conversão em Viciados em Canto" e transar com Sue Sylvester (interpretada por Jane Lynch, tambem homossexual assumida).

Enfim, misturar Queen, Kiss e Journey com Madonna, Lady Gaga e Beyonce, no intervalo de musicais como Grease, Cabaret, My Fair Lady, O Mágico de Oz, Wicked e Funny Girl, transforma-o como a série mais expressiva criada. Ok, admito que estou encantado e até esqueço que o roteiro é, por muitas vezes seco e não aprofunda-se na riqueza que são os personagens... Mas para quê? A crítica está diante dos nossos olhos. Basta-nos sermos inteligentes o bastante para absorvermos e interpretarmos da melhor forma possóvel. Enfim, viciei, sou um Gleek. Suspeito, portanto, para dizer qualquer coisa.

Cantemos, a vida é um musical!

"SOMEBODY TO LOVE" - Glee Cast

"Quando eu estou triste simplesmente canto para melhorar as coisas" - GLEE

Por Cláudio_DeLarge

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Heil, Cláudio!

"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito." - Fernando Pessoa


"Cláudio, não estou gostando de suas atitudes. Durante os trabalhos da faculdade você não quer ser o melhor pelo grupo, mas para se vangloriar. Quer deixar claro para a sala e para nós, do próprio grupo, que você é o melhor e o mais inteligente. Usa-nos como peças para fazer o trabalho do seu jeito e só está conosco pois sabe que é obrigatório fazer os trabalhos em grupo." - Por Bia

"Eu tenho medo de você. Quando você divide um trabalho, eu já entro em desespero pensando quais serão os defeitos e erros que você irá apontar. E sinto-me envergonhada quando você expõe o absurdo que é, nós do grupo não sabermos regras de português, entre outras coisas, como você sabe. Autoritário e Mandão." - Por Priscila

"Você é inseguro. Quando alguém aponta um erro nos seus trabalhos da faculdade, você fica agressivo." Por Rafa

"Você é perfeccionista e megalomaníaco quando trata-se de trabalhos. Fica insuportavelmente chato." Por Alyne

"É muito chato fazer trabalho com o Cláudio" - Por Yamili

"Eu só aguentava o Cláudio nos trabalhos por que tirávamos ótimas notas" - Por Débora

"Deve ser horrível ser do mesmo grupo que você." - Por Mil.

"Eu não aguentaria fazer trabalho com você" - Por Felipe

Nestas ultimas semanas fui bombardeado de críticas referentes a minha postura tratando-se de trabalhos da faculdade. Resumidamente, descontrolo-me. Meus amigos admitem que sou uma ótima pessoa, até chegar em hora de trabalhos. Nunca me dei bem com críticas. Ainda mais quando as críticas arrastam-se por anos, desde o meu colegial. Como bom cabeça dura, argumento até a minha língua cair, até mesmo quando não mais concordo comigo: forjo um empate. Admito que centralizo, devo ser mais sutil em minha "liderança" e ser complacente com a ignorância alheia - Desculpe por esta ultima oração. Estou irritado com uma pequena discussão acontecida hoje - Trabalharei isso em mim. Mas eu ainda vou ser o melhor em qualquer lugar que eu passar...
... e vangloriarei-me, sutilmente!

OBS: A Imagem ao lado trata-se de um trabalho de filosofia referente à ""A República de Platão". Não é uma apologia à.

Por Cláudio_DeLarge

sábado, 22 de maio de 2010

Um Conto do Seu Futuro

Observação: Oro com todas as minhas forças que este conto sobre o seu futuro não se realize.

19h12
Olhou com nojo para o reflexo no espelho e viu um estranho. Tornou-se tudo o que nunca quis ser. Se não tivesse apenas uma bala atiraria na própria imagem, mas não poderia desperdiçá-la. O gatilho era o botão da liberdade. Estaria livre do seu corpo velho que aprisionava-o e teimava em obedecer a reprodução lenta de suas células e metabolismo fraco. Passividade, pois agora só podia olhar: Idade. Sentado na banheira, acionou a trava e colocou a culatra da arma na boca. Escolheu a banheira pois seria mais fácil de limpar. Colocou o dedo indicador no gatilho e fechou os olhos. Ouviu-se então, um barulho.

***

Como vocês puderam ver no começo deste conto, haverá uma morte. Acabará com uma morte, digo-lhe. Desculpe acabar com a surpresa, mas não consigo guardar segredos. Deve ser por que odeio-os. Caso não existissem, todos seriam sinceros uns com os outros e não haveriam desavenças. Dizem que quando mentimos ou omitimos algo, nossos olhos direcionam-se para a direita pelo menos duas vezes. Rapidamente e imperceptivelmente. O corpo fala. Portanto, os olhos deveriam mandar uma mensagem para o cérebro e matar o próprio mentiroso. Um ataque cardíaco devido a dor no coração ao sentir que conta-se uma mentira. E, dividindo da mesma opinião sobre mentiras e sinceridade, era o personagem central dessa história.

Dom tinha 49 anos, cabelos grisalhos, olhos castanhos e um corpo enxuto em comparação aos homens da sua idade. Apenas a barriga teimava em ser flácida. O pênis até que funcionava, mas tinha preferência em ser passivo na cama. Sim, ele era um professor de psicologia em uma universidade católica e era homossexual. Descobriu-se homossexual há exatos 33 anos, idade de Cristo morto. Hoje, às 8h09, decidiu suicidar-se. Porquê? Pois hoje, às 6h10 percebeu que tudo ao seu redor tinha um tom acinzentado. Perdeu-se o anil, o azul e o violeta. Perdeu-se o amarelo, o vermelho e o laranja. Perdeu-se. E sentia-se feliz pela decisão.

Às 11h56 assinou a folha de ponto e deparou-se com Ana, uma secretária jovem que substituiu a Sra. Rute, afastada por complicações da diabete. Perdeu-se a olhar os detalhes do seu rosto. Percebeu que a ondulação de seus cílios lembravam os detalhes das grades de sua casa e que, coincidentemente o rímel juntou-os em pares. Exceto a junção de três que apontavam para o relógio. Tudo nela tinha uma cor incrível.
- Você está incrivelmente linda hoje. Se todas as pessoas preocupassem em tratar umas as outras como a senhorita trata suas linda madeixas louras, eu poderia andar na rua tranqüilamente. O mundo seria tão lindo quanto seus olhos verdes. - Disse sorrindo e saiu logo em seguida deixando-a ruborizada e com uma leve respiração ofegante de felicidade. Justamente este dia ela não fez nada no cabelo, apenas não preocupou-se em arrumá-lo por que estava feliz demais devido a maravilhosa noite de sexo que tivera com um jovem 9 anos mais novo. Ela tinha 24 anos. Tudo ficou acinzentado novamente para Dom.

Antes de fazer o que planejava, decidiu ir ao cinema. Iria passar "Bonequinha de Luxo" e não queria perder. Seria seu ultimo filme em vida. A caminho do carro, deparou-se com um de seus alunos. Sorá, um francês naturalizado de cabelos lisos pretos arrepiados e olhos cinzas penetrantes. Ao olhá-lo, todas as cores tornaram-se vibrantes. Até o preto dos pêlos de sua barba falhada pós-adolescencia eram lindos. Flores negras nascidas de uma terra fértil e jovem. Um rosto fino que combinava com seu nariz grande e pontudo. Sua boca movimentou-se e dela saiu um som que despertou os devaneios de Dom.
- Identifiquei-me muito com o assunto de hoje. Foucault e "A História da Sexualidade". Aula incrível, não conseguia tirar os olhos do senhor. - Olhos cinzas penetrantes nos olhos castanhos esverdeados de 45 anos. - Podemos beber algo, queria conversar mais.
- Não bebo.
- Nem eu. Que tal uma limonada com canudos?
- Sabia que se pegarmos dois canudos e colocarmos um dentro do copo e outro fora, e sugarmos simultaneamente, não conseguiremos beber a limonada?
- Deve ser por que temos que escolher entre sugar o azedo e sentir o gosto, e sugarmos o nada e continuarmos na mesma, senhor. - A lingua do aluno molhou os próprios lábios.
- Amanhã. Hoje tenho compromisso, meu caro.

14h e começou a sessão. Dom adorava Audrey Hepburn. Ao sair da sessão, deparou-se com Sorá.
- O que fazes aqui?
- Vi o senhor chorar na cena do beijo na chuva. Achei encantador.
- Primeiro, não me chame de senhor, segundo, prometa-me que vai embora. Tenho compromisso.
- Prometo se prometer fazer um desafio. Deixar-lhe-ei, então, em paz.
- Diga!
- O que de mais artisticamente louco quis fazer? - A resposta veio segundos depois.
- Correr pela Pinacoteca de São Paulo cantando "Non Je Ne Regrette non rien". E você?
- Correr pela Pinacoteca de São Paulo cantando "Non Je Ne Regrette non rien". Desafio-o a fazê-lo, caso contrário digo que seduziu-me em troca de notas.

Não pensou duas vezes e o fez. Não por medo da mentira inventada pelo aluno, mas por que ia morrer dentro de 3h. Iria suicidar-se. Então, o fez. Correu dos policiais junto com a jovialidade de Sorá à seu lado. Correu e ainda cantou "Singin' The Rain". Correu e correu. Todas as cores dos quadros tornaram-se tão vivas que parecia invadi-lo. Correu até a porta de saída e até o carro. Entrou e deu partida ainda ouvindo as vozes dos seguranças aos gritos. Começou a chover. Sorá falava do existencialismo de Sartre e do niilismo de Nietszche. Com uma gana de convencimento que tornava-o atraente e chato ao mesmo tempo.

Dom estacionou na calçada da casa de Sorá.. 
- Pronto, entregue.
Sorá abriu a porta do carro e começou a dançar na chuva até abrir a porta que Dom encontrava-se. Tudo parecia em lentidão. Dom poderia ver as gotas explodindo. Sorá tirou a camiseta fazendo com que Dom perdesse-se. Seus olhos castanhos tornaram-se mil, fazendo com que pudesse acompanhar cada gota percorrendo o corpo branquelo e definido de Sorá. Todas as gotas terminavam nos pêlos pubianos amostra.

***

19h13
Essa foi a ultima cena que passou na cabeça de Dom ante de colocar o dedo no gatilho e ouvir o Barulho. O silêncio nos diz tanto. Dizem que quando morremos, ouvimos o mais puro silêncio já escutado. 
Por que as coisas mais gostosas ou incríveis que existem, são aquelas que nunca experimentaremos? No caso de Dom, foi um barulho que ouviu ao colocar o indicador no gatilho. Ding Dong. Era a campainha. Maldita hora!

Olhou no olho mágico e teve um sobressalto. Abriu a porta e era Sorá.
- Eu quero você!

Amigos, confessem. É piegas demais um amor fazer com que o nosso protagonista Dom mude de idéia. Nossa vida inteira procuramos um amor, e só o encontramos na hora de nossa morte? Se ele transasse com Sorá, seria feliz, mas depois, provavelmente, levaria um pé na bunda. Não por que 25 anos os separavam, mas por que o conhecimento o fazia. Mesmo assim, Dom queria morrer. Eu disse que alguém morreria na história, não disse? Talvez vocês queiram que Dom transe e decida não morrer, mas, incoscientemente, vocês não querem isso. Querem sim que ele morra, para que vocês sintam-se melhor. Para que ele lave a alma de vocês. Para que ele seja um exemplo do preconceito que vocês são sujeitos e de como a sociedade descarta quem não lhe é interessante. Vocês querem que ele morra. E ele morrerá.
- Aguarde, preciso ir ao banheiro antes. - Dom disse à Sorá. Fechou-se no banheiro e procurou sua pilula azul. Olhou-se no espelho e piscou. Ao abrir os olhos deparou-se com uma imagem diferente no espelho. Era um flamingo verde que parecia ter saído de um conto de fadas de terror. Olhos estranhamente desproporcionais.
- Olá, Dom!
- Agora tenho alucinações? Enlouqueci? Minha consciência veste uma fantasia ridícula de flamingo? Tire-a!
- Tire você essa fantasia ridícula de homem. Você foi criado achando que seria rico e um grande diretor de TV? Que teria uma casa com filhos? Você acreditou nisso e eu sou o ridículo?
- Eu tive isso.
- É fácil chorar quando somos rejeitados pelas pessoas que queriamos amar, mas não choramos quando rejeitamo-as. Até mesmo sem perceber que nos amam. Não olhamos. É fácil sentir raiva de Deus e dizer que ele não existe. Realmente ele não existe para você. Ele esqueceu de você. Conto-lhe um segredo: Deus casou-se com o Diabo e, após a separação, partilhou os bens. 1/3 dos anjos. Deus é a Eva. Esqueceu de você. Você esqueceu de si mesmo. Por isso merece morrer. Ou Não - Sua voz tornou-se calma - Você está feliz agora por que irá transar? Sente-se vivo com essa possibilidade? Pois darei-lhe uma escolha. Esta noite alguem deverá morrer: Ou você ou Sorá. - Mostrou-se em um sorriso - Caso transe com ele, fará com que descubra-se gay e contar-lhe-á a novidade aos pais. O pai de Sorá indignará-se e atirará na testa do próprio filho. Caso não transe, ele viverá, mas você morrerá. A escolha é sua. Tudo depende se decidir engolir ou não esta pílula azul que levantará o seu pau. - A Imagem sumiu.

9h20
Pensou durante minutos. Ouviu as batidas impacientes na porta. Pegou a pílula e engoliu-a. Decidira viver naquele segundo. Viver cada minuto como se fosse o ultimo. Decidiu parar de policiar-se e começaria a entregar-se. Decidiu não decidir.

9h59
Serviu dois drinks e brindou com Sorá. Seus lábios lentamente encaminharam-se aos dele. 10cm... 5cm... 3cm separavam os dois lábios. Ao tocarem-se, Dom sofreu um ataque cardíaco e morreu. A causa foi o uso indevido do composto Sildenafil, presente na pílula azul.

Seis anos depois, Sorá casou-se com uma mulher e teve três filhos. Charles, Vinicius e Caterine. 16 anos depois, Charles informou ao pai que era homossexual. Morreu com um tiro na testa.

Por Cláudio_DeLarge

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Invisíveis

"Os Nazistas erraram ao odiar os judeus, mas o ódio aos judeus não foi sem razão. O motivo não era real, foi imaginário. O motivo foi o medo. Deixem de lado os judeus por um momento. Pensem noutra minoria, uma que pode passar desapercebida se necessário. Existem minorias de todos os tipos, loiras, por exemplo. Ou pessoas com sardas. Mas uma minoria só é reconhecida como tal quando constitui uma ameaça a maioria. Ameaça real ou imaginária. E aí reside o medo. E se essa minoria é de algum modo invisível, o medo é ainda maior. E esse medo é a razão pela qual as minorias são perseguidas. Portanto, há sempre uma razão. A razão é o medo. Minorias são apenas pessoas. Pessoas como nós. [...] Pensem sobre o Medo. O medo de envelhecer e ficar sozinho. Medo de que ninguém se importe com o que temos a dizer."
Trecho do filme "A Single Man" (2009). Adaptação do Livro de Christopher Isherwood, 1962.

Por Cláudio_DeLarge

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Futebol e outras Coisas de Machos...

Segundo a FIFA, o Futebol é o esporte mais popular do mundo, possuindo cerca de 270 milhões de adeptos em suas várias competições. Ou Seja, cerca de 5% da população mundial joga futebol regularmente, dividindo-se em 1,7 milhões de equipes e 301.000 clubes. O País com maior quantidade de jogadores é a China, seguida dos Estados Unidos, Índia, Alemanha e Brasil. Anualmente, movimenta uma receita de 3.238 milhões de francos. Este valor é quase o triplo do PIB Brasileiro em 2008 (1.669,7). Além disso, um único jogador pode custar até 94 milhões de Euros (Cristiano Ronaldo, Real Madrid). É por essas e outras que o Futebol é a questão de maior influência na construção do comportamento político, cultural e sexual em nossa atualidade, porém, muitas vezes, de maneira negativa.

A Política do Pão e Circo foi criada durante o Império Romano e consistia no provimento de alimentos medianos e diversão à população, a fim de desviar a atenção dos problemas políticos e amenizar a insatisfação popular. O Futebol então, tornou-se o maior exemplo do Pão e Circo na sociedade Pós-Moderna. Sua principal função implícita é despolitizar os espectadores, desviando o foco. Karl Marx dizia que a "Religião é o ópio do povo" e, em um país onde a maior religião é o futebol, este entorpece os neurônios brasileiros. Cria-se então um enorme paradoxo: O Brasileiro indigna-se, informa-se nos jornais e extrapola seus sentimentos muito mais pelos jogadores de seu time do que realmente deveria importar: a Política da Nação. O Cadernos de Esportes do Estadão e da Folha possui 5 páginas à Mais que o Assunto Política e Economia. Segundo pesquisa de uma universidade Paulista, cerca 75% das notícias políticas relevantes só são passadas as quartas-feiras no Jornal Nacional. Reparem! O Futebol além de formar um estrutura social, também constrói um modelo sexual a ser seguido.

Segundo o psicanalista Sigmund Freud, o ser humano possui a 'Angústia da Castração', a qual o homem teme a fêmea pela visão da vagina que remete a castração, o que provoca uma ereção - uma reafirmação por não ter sido castrado, evocando superioridade. Portanto, a masculinidade nasce do que é oposto ao feminino, e esta virilidade é a ética moral entre os homens. Segundo o filósofo Foucault, o homem no sexo faz da mulher o seu outro, sua constatação de virilidade. Não basta SER Homem, deve PARECER Homem e CONTRAPOR-SE a mulher. Em uma sociedade patriarcal e falocentrica, o futebol torna-se então a constatação do Masculino. É um ambiente de homens para homens que constrói a masculinidade para  os iniciantes (crianças e adolescentes) e ainda reforça a masculinidade entre os adultos veteranos. Esta interação  viril elimina todos aqueles que se insurgem contra a virilidade social triunfante. Logo, o Futebol não trata-se de esporte apenas, mas um pilar organizador das relações sociais, uma 'cartilha' de condutas masculinas e principal pauta de conversação, traçando regras de sociabilidade e fidelidade entre homens.

O filósofo João Silverio Trevisam aponta o cuidado quase atávico de assegurar a heterossexualidade futebolística. Esporte este, responsável por uma homosocialidade de macho-para-machos. Um homoerotismo velado entre abraços e beijos efusivos pós-gol, alcoolizados ou não. E como cerveja e futebol quase sempre andam juntos, quanto mais disfarçado ou sublimado um comportamento, mais autêntico. 

Em junção à isso, mostra-se também responsável pela ignoralização político-social, onde a notícia que o Neymar não foi convocado gera mais indignação que a aprovação do recesso de dois meses para os deputados assistirem a copa em casa. Pois é, esta é a política de Pão e Circo, onde o Pão é a Cerveja e o Circo é a nossa própria casa. Cheia de palhaços com olhos e neurônios vidrados no próximo Gol. Palhaços.

Por Cláudio_DeLarge
Para o CaféSolúvel

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A Palavra Nunca Dita Prestes, Quem Sabe, a Ser Dita

"Prefiro que caluniem o meu silêncio a que caluniem as minhas palavras." (Nicolas Chamfort)

Um moreno sorridente passa, teatraliza e adoça a minha boca.
Um já velho, de pelos nas orelhas define-me em beleza barroca.
Outro macho colorido, não tão macho, prefere-me ao namorado.
Olho com cara de tacho, me acho. É um feio à flertar demasiado.
Penetrando logo o túnel, em desejo ao meu túnel, massageia o pau.
Vejo logo a aliança e me cresce desconfiança num pasmo colossal.
Já em casa distraído, num tesão compelído, minha mão à trabalhar.
Em um vai-e-vem contido, controlando o expelido, para demorar.
Penso nos flertes safados recusados  e o meu cuspe da boca nasce.
Fecho olhos no escuro, pensamento obscuro. Algo me atingi a face.
O toque a explodir, meus olhos a sentir o cigarro do rosto quadrado.
Seduz-me de óculos, corpos em ósculos de culpa. Coração já parado.
Seu corpo modifíca-se na derme que dispa-se em cheiro de podridão.
Confesso à religião, Vermes e racionalização numa dupla-penetração.
"Volte-se para si", é isso que ele me diz em um protesto requerido
Engulo vermes brancos que desviam-me do "o que poderia ter sido"
O sorriso nasce todo dia, em constante alegria que nem me cabe.
Sou uma borboleta personificando a punheta, a qual bem já sabe.
Achou o texto estranho por ter métrica sem tamanho?Olhe pra cima.
Seu teto é branco? Bobo, não sou santo. Só estou treinando rima.

Por Cláudio_DeLarge

domingo, 9 de maio de 2010

Prolixamente Simples

"Que ninguem se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho" - Clarice Lispector em trecho de 'A Hora da estrela'.

Amigos - Vsh, 'amigos' não. Bem sei que nem todos os leitores são meus amigos. Digo, amigos no sentido real da palavra. Aliás e, pensando bem, talvez eu nem tenha leitores. Muito menos leitores amigos. Enfim, usarei a palavras 'botões'. Afinal, acho que esse post nada mais é que uma conversa comigo mesmo, embora eu tenha a necessidade de externá-la por, de certa forma, sentir-me culpado. Muito culpado. Até por que é um caso estranho. Muito estranho. E julgo e ataco, talvez, para sentir-me melhor, ou não, já que Isto que contarei todos o fazemos: Mulheres e Homens heteros, tiazinhas e tiozinhos e os que não fazem sexo. E encontro-me em um destes grupos que citei. Adivinhem qual.

Desculpem parecer prolixo em meia instância. Talvez seja para adiar o acontecido. E desculpe-me tambem por usar tantos 'talvezes'. Eles bem expressam que eu não tenho certeza de nada. Só tenho uma unica certeza, a que eu não sei quase nada e nem tenho certezas. Não tenho certeza nem de minha morte. Sei que viverei lembrado eternamente. Não sei se por algum Best-Seller, por liderar um governo totalitário, uma trilogia cinematográfica polêmica ou por sê-lo um Serial Killer inteligente. Sei que nada sei. Não sei o que eu quero, sei bem o que eu não quero. Ah, e tambem me desculpem por tanto desculpar-me. Sou do tipo que se acha culpado por tudo. Desculpo-me até pelo espaço que ocupo, me culpo.

Sempre fui muito tímido. Tímido não, inseguro, confesso. Todos somos inseguros, mas eu sou muito. Sei que sou visivelmente gay. Acho que é pelas roupas ou, sei lá, a 'aurea'. Meus amigos heteros dizem que eu sou um gay diferente. Tenho lá meus trejeitos, mas não tenho uma voz nazalada ou miada. Segundo eles, minha voz é infantil, pareço uma criança falando. Talvez por isso sofro tantos assaltos. Pela minha aparência infantilmente tonta e distraída. Distraio-me muito fácil e acho que todos estão me olhando. Quando um cara me olha penso que ou ele está flertando ou quer me bater. Inseguro que sou, sempre acredito que vou apanhar. Enfim, voltando, sempre quando encontro com familiares e parentes demoro um pouco para me 'soltar'. Levo uma hora mais ou menos. Idiota! Especificamente estávamos eu e mais minha familia e parentes em um churrasco. Fartura de carnes, frangos e lingüiças. Inclusive aquelas lingüiças apimentadas que ninguém gosta mas todo mundo come para 'dizer'. Cervejas e caipirinhas, obviamente visto que era uma festa de aniversário de um tio e seus 45 anos, e um campo de futebol ao lado. Saco!

Nunca formalizei minha orientação sexual para minha familia. Mesmo sendo algo 'entre quatro paredes', todo muito cuida do rabo alheio, principalmente quando este rabo é o de um menino educado demais, retraído demais, que brincava de bonecas demais e jogava futebol de menos. Inclusive comentei durante o churrasco a vontade de comprar uma camiseta de time, dos modelos novos, e adivinhem a sugestão: São Paulo. Sempre haverá gays em times. Geralmente, São Paulo, são gays ricos; Corintianos, Gays Pobres; Palmeiras, gay ladrões e Santos, Gays velhos. Com receio de apanhar na rua, escolhi a do Real Madrid. Camisetas de times são sexies. Hm, por que estou contando isso? Devido ao campo de futebol ao lado do churrasco. Como era em um salão de festas de um condomínio, o campo era 'aberto' e outros moradores jogavam. Como o aniversariante colocou dois espermatozóides XY no útero de minha tia, eu tinha dois primos adolescentes. Mesmo eu conhecendo-os à 16 anos, levo um tempo para sentir-me confortável com eles. Passei um tempo distanciado depois que oficializei a mim mesmo a minha homossexualidade, achava que eles ficariam desconfortáveis frente a isso, mas o único idiota desconfortável era eu. Enfim, conversamos, rimos e, como homem não tem muito assunto, todos decidiram jogar bola.

O campinho tornou-se pequeno e lotado conforme iam chegando os garotos. Parecem que eles sentiam o cheiro de futebol. Abelhas em uma Coca-Cola. Moscas em um Cocô. Um Cio constante de futebol. E adoram. Sempre com suas camisetas de times e chuteiras coloridas. Todos tinham. Os adolescentes meninos da festas vinham preparados para o futebol. O moradores, já andavam com suas bolas e chuteiras. Engraçado como menino hetero não importa-se muito com aparência. Uma chuteira qualquer, uma bermuda xadrez e uma camiseta de time e Pimba. Xadrez só pode usar com camisetas lisas. Tem uns que, não satisfeitos, ainda usam listras ou estampas "Mormai-Ombomgo". Enfim, não quero parecer um viadinho-metido-a-estilista. De qualquer forma, comecei a sentir-me mais desconfortável para cada menino-adolescente-jogadordefutebol que chegava. Eu e minha camiseta gola "V" estávamos sentindo cada vez mais gays. E eu achava que todos estavam percebendo. Bebi tanta Pepsi Twist para ocupar as mãos que já estava arrotando limões. Senti-me o ponto rosa choque naquele churrasco-futebol.


O Crucial foi quando um menino tirou a camiseta. Eu não conseguia não olhá-lo. Seu rosto era mediano, mas no peitoral alto deslizava uma morenitude por uma barriga semi-definida em um leve obliquo. Os braços fortes timidamente definidos repousavam as mãos em pernas grandes, panturrilhas que me perdiam e perdiam-se em uma chuteira amarelo-fluorescente. Eu, que me distraio facilmente, perdi minha ultima lasca de concentração percorrendo o corpo dele. E foi daí que me senti muito mais desconfortável. Eu, em um ambiente familiar e exclusivamente heterossexual, não conseguia concentrar-me na conversa sobre a prima que não queriam convidar para o aniversário de um priminho meu. Achei que todos percebiam meu desconforto e resumi-me ao gay da familia.

Talvez seja a minha quase abstinência sexual que provocou isso ou, mais profundamente analisando, o meu medo de meus familiares resumirem-me ao gay da familia. Sim, é isso! Eu tenho que colocar na minha cabeça que a naturalidade parte de mim. Eles, na verdade, pouco importam-se com o que eu faço com o meu rabo agora. Eles me amam e o abraço que recebo dos meus primos é o mais importante, por que para eles, eu sou o Cláudio, e não o primo gay. Agora, só falta eu ver-me como o Cláudio, não como o primo gay.

Concluindo, sabem por que fui tão prolixo neste post? Para demonstrar a minha dificuldade na simplificação das coisas. Tudo eu analiso, racionalizo e quero saber o porquê. Para que? Isso só faz com que eu me distancie de mim mesmo. Como Macabéa em "A Hora da Estrela", dizia que "é assim por que é assim e pronto". Que tolice essa de indagar-se tanto. Indagar provoca necessidade e, quem necessita, é incompleto. Sou quase de uma galaxia longinqua de tão estranho que sou de mim mesmo. Enfim, este texto é como a prolixidade de minha mente: Faço de algo tão simples uma complexibilidade imensa. Afinal, quem nunca perguntou-se: Sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?

Por Cláudio_DeLarge

domingo, 2 de maio de 2010

Carentes Anônimos

"Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão. A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe.
Aquilo que provavelmente pedi e finalmente tive, veio no entanto me deixar carente como uma criança que anda sozinha pela terra." - Clarice Lispector

Nunca concordei com as atitudes dos meus amigos no âmbito amoroso. Àlias, sempre discordo de muitos amigos meus, em sua maioria homossexuais, no que diz respeito ao relacionamento amoroso. Não sei se a culpa é dos filmes clássicos que eu teimo em assistir, onde o cortejo, a simplicidade e o sentimento sobrepunham-se ao sexo, mas não entendo-os. Àlias, entendo-os, julgo-os e, partindo de minha própria premissa, julgo-me também. São muitas informações e sinto-me diminuido cada vez mais que conheço a grandeza do mundo... e da complexibilidade das pessoas.

Lindos são os amores à primeira vista, exceto quando eles são constantes. Meus amigos tem uma estranha mania de dizerem-se apaixonados uma semana depois de conhecer o individuo. Isso quando não namoram-no em menos de duas semanas. Talvez até julgo estas atitudes como responsáveis por traições e corações partidos. Os indivíduos vêem no outro não um namorado, mas a 'possibilidade de um namorado'. A carência atual é tanta que depositam suas esperanças 'matrimoniais' na primeira possibilidade encontrada. Três semanas depois separam-se. Sempre deixando um coração partido, aquele que levou sua possibilidade mais adiante - ou o mais carente.

E por que não dá certo? Principalmente no mundo homossexual, a necessidade em ser aceito, mesmo que inconscientemente ainda é enorme, até mesmo para os que dizem-se 'não se importar'. Mentira! Tanto sexualmente como em personalidade, o ser humano tem muita necessidade de ser aceito, ainda mais no nicho sexual homoafetivo. Algo como "Sou gay, mas sou bonito e engulam isso". Por isso a procura da estética, de um corpo bonito, ou de várias ficadas/ficantes/parceiros. Já que não são aceitos, mostram-se felizes em baladas vazias. Porém, não vamos generalizar, ok?

Porém há um outro tipo de carentes. Estes são aqueles que, de tão carentes, não permitem-se aos outros. Tem medo de não serem escolhidos, aceitos ou trocados. E, acredito eu, estes são os mais carentes. Os carente-carentes que nem ao menos tentam. Estes são os mais solitários, por que não precisam. Ou acham que não precisam, mas precisam mais do que qualquer um. A coisa precisa da coisa. Quem não precisa, isola-se e nunca será preciso, consciente de si. O destino de todos será o que a carência fizer dele.

Talvez estes carentes não permitem-se aos outros por não quererem ser o refúgio de outros carentes. Talvez estes carente-carentes sejam os que mais esperam do amor verdadeiro, do Cinema Clássico. Porque querem dar a mão a um outro por amor, não por carência e solidão. Em contrapartida este carente-carentes devem aprender que, inicialmente, dar a mão ao outro pareça ser sua grande solidão, confundida com carência, Mas não, poderá ser o início do amor. Entenderam?!

Lembremo-nos que o melhor relacionamento é aquele em que o amor é maior do que a necessidade que um tem pelo outro, onde os indivíduos não devem completar-se e sim SOMAR-SE. A carência é o nosso destino maior, tão mais fatal e inerente quanto o amor.

Peço desculpas à todos aqueles que machuquei. Nunca foi intencional e, talvez torpe, mas com a intenção de machucar-lhes menos. Ou a mim mesmo, menos. Perdoai este carente-carente que vos fala. Ele sempre será sincero, amará sempre sinceramente e nunca quererá machucar-lhe. Machuca-lho. Um amor de chocalho. Minha carência ainda ramificará-se em Amor, sempre amor. Amor clássico. Amor não mais existente.

Por Cláudio_DeLarge