domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Ensaio de Um Crime [+18]

"Eu sou a Morte, literalmente a Morte!
Eu não carrego gadanha nem foice. Só uso um manto preto com capuz, quando faz frio. E não tenho aquelas feições de caveiras que vocês parecem gostar de me atribuir a distancia.
Quer saber a minha verdadeira aparência?
Eu ajudo. Procure um espelho."
- Trecho do Livro 'A Menina Que Roubava Livros'

O desespero toma conta do meu corpo e a dificuldade de respirar coloca um filme de minha vida em meus olhos. Ele, que achei estar morto, apertava meu pescoço violentamente. Já não conseguia enxergar mais nada. Meus pulmões explodiam, gritando por ar.

***

- Júnior - Respondi ao porteiro. Segundos depois ele autorizou-me a subir para o apartamento.
A entrada do condomínio era luxuosa e chamativa. Não sabia dizer se o que mais chamava a atenção era o lindo jardim de entrada ou as sacadas enormes. Tudo era espelhado e com câmeras, o que deixou-me meio tenso. Já dentro do elevador escolho o botão "9" e coloco a senha - 74376. Um andar inteiro só dele e sua ostentação contida.

O elevador abre-se e vejo a porta já aberta. Entro, tiro o capuz e a blusa. A ansiedade desperta. Tiro meus sapatos, meias e minha camiseta. Encontrava-me apenas de calça jeans, sem cueca. Já podia sentir o meu pau pulsando só de visualizá-lo.

- Cláudio, delícia, por que apresentou-se como "Júnior", haha. Alguma nova experiência sexual? - Ele vem em minha direção e começa a me beijar de um jeito violento. Sua barba por fazer machuca meu rosto, mas não ligo. É mais gostoso. Arranho suas costas por cima da camiseta e a tiro. Paro o beijo e olho no interior de seus olhos. Ele lambe os lábios e tenta continuar o beijo. Desvio o rosto. Violentamente empurro-o contra a parede e beijo-o agressivamente. Pressiono minha coxa contra o seu pau. Puxo seu cabelo para trás e lambo do início do seu pescoço, caminhando pelo queixo e terminando na orelha. Ele descontrola-se e prende-me entre a parede e ele. Segura meus pulsos de maneira que eu não possa me mover. Beija e mosdisca meus mamilos, minha barriga e começa a chupar-me por cima da calça jeans. Estou quase explodindo.

Voltando a minha boca, coloca-me no colo e eu entrelaço minhas pernas sobre sua cintura. Ele me carrega até a cama. Me joga de bruços e começa a lamber e a babar por entre minhas pernas, minha bunda, minhas costas finalizando em minha orelha. Deito-o na cama e, com uma algema, prendo suas mãos na cabeceira da cama. Ele encontra-se em ponto de bala. Lambo-o. Conheço cada parte do seu corpo com a língua. Tudo. Termino nos dedos dos pés. Minha lingua percorre a sola e entre os dedos. Com ele deitado, ponho-me em cima. Ainda sem camisinha, explora delicadamente a mim. Seu pau pede desesperadamente pelo meu corpo. Eu cedo. Camisinha, sinto-o calmamente em mim. Lentamente, aumento a aceleração aos poucos. Minutos depois, consigo ouvir o barulho do baque de nossos corpos. Ele delira. Eu anseio. Dou um tapa médio em seu rosto. Sua expressão continua de quem está delirando. Dou dois tapas seguidos. Agora quem trabalha são meus quadris. Seus dedos dos pés contorcem-se, ele está quase . Seus quadris ficam agressivos e agora, eu quem recebo violentamente seus baques. Seus gemidos intensificam-se. Com uma gravata, vendo seus olhos e dou leves tapas. Ele está prestes a gozar. Já com uma corda em minha mão, sinto-o explodir e seu pau latejar. Enrosco a corda envolta a seu pescoço. Ele luta, mas suas mãos presas na cabeceira impedem seus movimentos. As veias do pescoço saltam e sua boca abre pedindo oxigênio. Foram minutos que pareceram dias. Ele fica imóvel. Não há mais oxigênio, não há mais vida.

Tiro ele de dentro de mim. Pego em minha mochila uma seringa e vários vidros de remédios. Feitas as soluções, amarro seu antebraço direito e começo a injetar dois vidros de Rivotril. Terminados os vidros, vou para as soluções de Fluoxetina, Anfepramona e Amoxilina. Por último, a Heroina, a mais difícil de conseguir.

Sempre de luvas, prendo a corda no ventilador de teto da sala. Foram 85Kg difíceis de carregar. Coloco seus pescoço entre o "O" da corda e ele enforca-se mais uma vez. Sobre uma mesa, coloco o material das soluções, a seringa e outros vidros de remédios os quais não usei. Antes, obviamente, passei os materiais em suas mãos, para deixar as digitais. Uso o meu notebook rapidamente e mando um e-mail.

Já vestido, com luvas pretas e com a blusa estratégicamente de capuz. Dei uma última olhada no corpo. Mentalizei se não esqueci de nada. Não. Chamei o elevador, escolhi o "G2" e coloquei a senha. Dirigi-me ao portão e apertei o controle remoto. Lembrei que há uma semana atrás, li um comunicado em cima da mesma dele. "Para melhor serví-los, no dia 26/02/2010, as câmeras das garagens estarão em manutenção no período das 6h às 8h da manhã. Agradecemos a compreensão. PS: Para sua segurança, este comunicado é intransferível.". Uma ótima oportunidade.

Dois quarteirões depois, troco de roupa em uma rua sem movimento. Já com calor, tiro a blusa, a calça e o tênis e troco por outras roupas. Enfio tudo em um saco de lixo. Visualizo o caminhão de lixo e penso "7h, que pontuais!". De longe, vejo-o levar minhas roupas.

***
O desespero toma conta do meu corpo e a dificuldade de respirar coloca um filme de minha vida em meus olhos. Ele, que achei estar morto, apertava meu pescoço violentamente. Já não conseguia enxergar mais nada. Meus pulmões explodiam, gritando por ar. Um barulho me acordou.

Levanto da cama ainda zonzo do pesadelo e vou em direção ao telefone.
- Alô! - Respondo com voz rouca.
- Delegacia de Polícia de São Paulo, Por gentileza, Cláudio DeLarge Junior? - o meu coração para por segundos que pareceram uma eternidade. Minha respiração vacila e doem em meus pulmões. Minhas têmporas latejaram.
- Recebemos uma acusação em seu nome... - Estava prestes a desmaiar. A campainha tocou.
- Um momento, por favor - Minha voz estava seca. Aproveitaria a campainha para recobrar a calma. E se as cameras já estivesse funcionando? Este era o único modo de descobrirem. Qualquer coisa, eu diria que ele suicidou-se enquanto eu dormia e, por medo de ser acusado, sai pela garagem. Tenho 20 anos, não amadureci. É 'perdoável visto minha maturidade frente a idade. Fosse um sexo casual? Não era um sexo casual, era muito mais para mim. Mas, para safar-me, passaria por cima de meus sentimentos. De qualquer forma, não tinha 'batido o ponto' em minha empresa. Era como se eu estivesse 'trabalhando'. Depois do crime, mandei um e-mail a minha chefe: "Fiz Hora extra até as 23h30. Considere como." Era um comprovante o qual eu tinha ficado lá até mais tarde. Naquela hora, tinha ligado para o meu amigo Fê dizendo que tinha acabado de sair do trabalho, se ele não podia ir me buscar. Obviamente não podia, então disse que pegaria um taxi. Tinha dois álibis.

Ao abrir a porta, era a mãe dele que encontrava-se a minha frente. Em um súbito, abraçou-me e desatou a chorar.
- Meu filho suicidou-se. A polícia desconfiou de homicídio, mas não acharam provas. Foi um suicídio. Por que? Por que? Sempre o aceitei, sempre o amei. - Abracei-a forte tentando entender o que acontecia. Desvencilhei-me e pedi um momento.
Voltei ao telefone.
- Desculpe, a campainha tocou. Em que posso ajudar? - Já não tinha controle sobre minha voz.
- O B.O. que você fez na segunda-feira o qual duas motos te roubaram? Então, achamos os responsáveis e sua mochila com pertences e documentos encontram-se aqui. Você tem 7 dias úteis para vir buscá-la. - Uma onda de alívio percorreu-me.
- Wow, sério? Que sorte a minha. Só isso?
- Sim-Sim. A justiça foi feita!
- Sim, a justiça foi feita. Muito obrigado e bom trabalho! - Desliguei e fui concentrar-me na mãe Dele.

Estava leve, calmo e tranquilo. Tive que segurar o sorriso enquanto a mãe debulhava-se em lágrimas. Mesmo assim, os pesadelos continuariam...

[CONTINUA...]

Por Cláudio_DeLarge

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Os Boxeadores

A arena estava lotada e havia tantas pessoas que os meus olhos não enxergavam sua finitude. Acabavam no horizonte. O público era extremanente diferenciado. Havia ricos, pobres, miseráveis, negros, brancos, mulatos, pardos, mamelucos, sãos, malucos, homens, mulheres e gays. O cheiro era uma mistura de cerveja e grama molhada. No centro de tudo estava um ringue branco. Um soar do microfone e todos os olhos viraram-se para o ringue. Olhos vidrados, atenciosos e ansiosos para a minha entrada e a de meu adversário. Por segundos, não ouvia-se absolutamente nada.

Eu tinha noção que havia uma pequena minoria torcendo para a minha vitória, mas era uma minoria consciente e esperançosa. Visualizei o meu reflexo torpe no chão do ringue branco. Eu estava com cabelos castanhos longos, olhos pretos em um corpo curvilíneo de mulher. Vestia um shorts colorido com elastico branco. O busto era preto e deixava a minha barriga amostra. Eu estava sozinha e confiante.

Do outro lado um lutador careca, o corpo grande e, acho eu, deveria ser o dobro do meu peso. Musculosamente definido, vestia um shorts dourado e luvas de boxe pretas. Ao seu redor havia um treinador que parecia ter saido de um filme nazista e uma assistente comportadamente vestida, munida de uma toalha em uma mão e uma bíblia na outra. Seus olhos pareciam assassinos.

O alarme soou. O lutador de shorts Dourado avançou em minha direção. Deferiu dois socos no maxilar e um na maçã do rosto. Eu, meio zonza, coloquei a mão nos olhos para enxugar o suor que caia. Recebi um soco nas costelas seguido de um na homoplata. Mirou em meus rins e meus pulmões. Empurrei-o. Cuspi no chão. Visualizei uma menina de minha torcida e sorri para ela. O semblante de meu adversário mudou de empolgação para ódio. Foi direto para os meus seios. Socava-os repetidamente. Esbofeteou-me e concentrou seus murros em minha boca e queixo. Escorreguei no meu próprio sangue. Caída no chão, o lutador deferiu-me um chute na vagina e útero, seguido de um chute no estomago e outro no rosto. Deitada de lado e ouvindo a contagem do juiz - 10, 9, 8... - e a gritaria da grande maioria do estádio, à favor dele, visualizei a menina que sorriu para mim. - ...7, 6, 5 ... - Vi toda a minha torcida e a ânsia e força que me mandavam, - ...4, 3... - levantei cambaleando. A contagem parou e o lutador, raivoso, veio em minha direção odiosamente. Minha voz vacilou-se em um convite "Venha, ignorante" Dessa vez, esquivei-me fazendo-o mergulhar em um canto. Esmurrei-o. Esmurrei-o por cada torcedor que havia naquela platéia. Esmurrei-o por cada um que a platéia adversária fez sofrer. Esmurrei por cada emprego perdido, cada soco recebido e cada ofença atacada. Esmurrei pelas religiões, pelos futebóis, pela ignorância e, por Deus, esmurrei por mim. Cansada, errei o 24° soco.

Dessa vez o arbitro não contou, encolheu-se em um canto. A platéia muda e confusa, aguardando o mandato do locutor a fim de qual reação tomar. "Aguardem", gritou a assistente comportadinha com a bíblia na mão. A atenção voltou-se a ela. Ela e o lutador deram as costas a mim e minha torcida. Trocaram de adereços: Ela vestiu as luvas, ele segurou a bíblia.
- Meus irmãos, o que vocês conseguem ver esta noite? Eu respondo, enfrentamos algo muito mais sinistro e poderoso do que jamais imaginamos. Enfrentamos a doença. Esta menina é a personificação da doença do comportamento, do psicológico e, principalmente, a doença da Moral. O que ela defende e acredita vai de encontro a tudo que somos e acreditamos. Tudo o que o Grande Poderoso locutor nos ensina. Ela é capaz de acabar com a instituição da familia, transar com os seus filhos e disseminar doenças. Esta adversária é anti-natural, promíscua, não tem caráter e, principalmente, não é igual a nós. Não segue os padrões aos quais o Grande Locutor, que tudo vê e tudo sabe, defende. Ela, antes de uma adversária deste lutador careca de shorts Dourado, é uma adversária nossa. Quando vocês menos esperarem, vocês estarão doentes e seus filhos serão como ela. Vocês ficarão ai, vendo ela e sua torcida conquistar e invadir o seu espaço ou entrarão aqui neste ringue comigo? CADÊ A RESISTÊNCIA?? - Gritou com um fervor que seus olhos transpiravam ódio e, seus cabelos, inicialmente arrumados e longos, agora estavam alvoroçados.

Estremeci e o horror tomou conta de meus músculos e orgãos. Uma lágrima percorreu meu rosto. Já havia chorado tanto.

Senti os punhos de uma nação inteira caindo sobre mim. Uma nação ignorante. Subiam no ringue e espancavam-me. O ódio era tanto que minha torcida também começou a ser atacada, ofendida e ridicularizada. Deixaram que sofressem. Milhões deles. Fechei os olhos e as duas ultimas coisas que ouvi foram meu suspiro e um unissono "Matem esta Homossexual".
Eu não vou morrer assim...


Por Cláudio_DeLarge

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Militância Gay - Dourado: A Imagem da Homofobia

"Atualmente a maior incidência de AIDS encontra-se em mulheres casadas e homens heterossexuais acima de 50 anos de idade" - Fonte: Aids.gov.br

Durante o carnaval, peguei-me discutindo com minha familia sobre o Big Brother Brasil 10. No carro estavam minha mãe, irmã e cunhado - os quais torciam para o Marcelo Dourado - Eu, torcendo para a Elenita e meu sobrinho, neutro, pois só tem dois anos de idade. O argumento deles foi como todos os outros: um ogro que foi rejeitado no início e que aprendeu a conviver com a diversidade, obviamente, de modo controlado, visto que não aceita brincadeiras de cunho homo-afetivo-sexual. Seu comportamento rústico deve-se a um mecanismo de defesa por sentir-se acuado frente as retaliações dos colegas de confinamento. Ok, argumentações plausíveis e, eu mesmo, senti-me sensibilizado com o choro que provocou a ascensão do Dourado. Porém, temos que entender que, assim como a suástica, o símbolo tem grande poder.

O BBB intitulou-se o BBB da diversidade. Querendo ou não, este tornou-se o principal conflito indireto televisivo: O da homo-afetividade-sexual. Temos como representantes, uma lésbica sensual, uma DragQueen e um pós-adolescente efeminado. Até o momento, não criaram alianças de força, talvez até devendo-se ao fato de que "Todo homossexual tem um anti-homossexual dentro de si", como afirmava-se Proust. Ou até mesmo por não se verem como a chance de uma Militância Homossexual. Intitulados como "Coloridos" o programa pecou nos rótulos. Nós já pertencemos ao Movimento GLBTTTI (Pois é, descobri este "I" hoje). Somos gays, lésbicas, Bissexuais, Transsexuais, Travestis, Trangêneros e Inter-sexo. A prova de que é impossível a rotulação de qualquer ação ou grupo afetivo-sexual que seja. Somos todos diferentes.

O nazismo utilizou como simbolo a suástica. A suástica possui mais de 2000 anos e tem como principal significado a ligação com o místico e espiritualidade. Ou seja, visto a consequencia da segunda guerra mundial, a Suástica acabou ganhando a conotação de Nazismo, mesmo não sendo-o inicialmente. A mesma coisa acontece com Marcelo Dourado. O mesmo transformou-se em simbolo da homofobia para uns e imagem de constatação de heterossexualidade a outros. Por isso ele tornou-se o favorito ao prêmio. Ele é o porta-voz da ordem heterossexual frente a uma casa de preferência homo-afetiva. Um heroi da resistência e um anti-herói do público, que construiu a imagem de Chucro Rejeitado. Muitos defendem que ele tambem sofreu "Heterofobia". Este termos chega a ser débil, visto que vivemos em um mundo heterocentrado e não existe um ambiente hostil à heteroafetividade.

Dourado já afirmou que "Hetero não pega AIDS. Se pegou, é por que foi bissexual em algum momento de sua vida". Disse que não gostava de ser comparado com um Homossexual da mesma forma que sentiria-se ao ser chamado de "neonazista, ladrão ou bailarino", colocando-nos no mesmo patamar. Sentiu-se enjoado e jogou comida fora ao presenciar o papo de um beijo gay e, mesmo afirmando que bater em mulher é covardia, disse que espancaria a Morango e quebraria os seus dedos se não estivesse no programa. ou até mesmo que bateria em uma mulher se a mesma desse em cima de sua namorada. Ué, mas a sexualidade não muda o fato de ela ser uma mulher. Chamou a Morango de X-9, sendo que ele agiu da mesma forma quando foi "Expulso" da reunião de cúpula do puxadinho. "Levou e trouxe". É a favor da Maroca, o maior exemplo de fofoca, mas não da Morando, já que a mesma não é de seu 'time'. Dourado não é mais aquele menino do BBB4 que jogou abertamente e saiu no primeiro paredão. É o amargurado, fracassado que sabe exatamente como jogar nessa sua segunda chance. Estudou os adversários pela internet e sabe como o público reage a determinadas situações.

Dourado tornou-se um arquétipo. No Twitter temos a tag #ForaDourado, criada pela comunidade "Homofobia - Ja Era" de criação de uma participante da mesma edição, Elenita Rodrigues. Sou gay e faço parte de um movimento, de uma luta. Estamos construindo Lugares e saindo dos Guetos. Temos A Rua Augusta, A Paulista, O Elton Jonh, a Madonna, A Lady Gaga, Oscar Wilde, ALôca, The L Word, Queer As Folk. Tem como ser gay e continuar nos padrões heteronormativos, mas não tem como ser gay e não participar desta Subcutura colorida. Dourado mostra-se incomodado com esta subcultura e suas referências, e só um verdadeiro IDIOTA para não perceber isso. Ou limitar-se ao seu discurso "Chucro Rejeitado". O problema não é ele, mas a imagem que ele construiu à seus torcedores. No dia 19/02, uma travesti foi espancada em Pernambuco por quatro adolescente que diziam-se da "Mafia Dourada". Não é brincadeira!

A blogueira Mary W. postou, certa vez, que a cada conquista, recebemos uma reação conservadora. Entrar no BBB foi uma conquista, vindo a reação. Então que venha, pois esta não será a primeira e nem a ultima. Estamos em uma rua sem saída pois o Dourado é o principal foco de audiência atual do BBB. Tanto pelos seus torcedores retardados (Sim!) quanto pelos militantes anti-homofobia. Ele não sairá tão cedo. Até por que, os gays ainda são um grupo desunido. Os evangéloucos fanáticos unem-se para vetar a PLC122/2006. Nós, para pularmos feito pipocas na Avenida Paulista.

Querendo ou não, o BBB10 é uma forma de militância gay acessível e, de certa forma, conscientizadora. Por ora, teremos que ir votando no Globo.com. Mas eu, como homoafetivo assumido, não tenho medo. Gritem e vetem o PLC122 a vontade.
Nós somos Gays, estamos aqui e acostumem-se com isso!


Por Cláudio_DeLarge

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Gozo, a Meretriz Que Deu-lhe a Luz e que se Dane.

"Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.
"
- Martha Medeiros

Ontem de madrugada fiquei olhando para a tela do PC sem saber o que fazer. Não tinha filmes para assistir, decidi ir à faculdade só na segunda-feira, o orkut estava 'tirando uma' com a minha cara e não estava com paciência para MSN. Àlias, nunca estou. Qual a graça de conversar com a pessoa sem poder tocá-la? Enfim, tive uma idéia incrível. Decidi me masturbar! (O certo é "Masturbar-me", mas sexo, mesmo que sozinho, não combina com pronome obliquo).

Quem não me conhece acha que isso acontece de vez em quando: Muuuito pelo contrário. Se me permitissem ao ócio, passava o dia inteiro descascando uma, tocando uma bronha, descabelando o palhaço, pondo o amigo para vomitar, tirando leite... Enfim, chame como quiser. A questão é que isso é bom, cerca de 95% dos meninos fazem e mais das metades das mulheres adere a prática de auto-conhecimento. Nos últimos posts disse que eu estava em constante auto-conhecimento. Pois bem, meu recorde foram sete vezes em um único dia. Até quando eu namorava. Antes mesmo de encontrar meu ex-namorado eu concedia-me ao gozo, assim eu 'aguentava' mais tempo.

Certa vez eu briguei com meu ex-namorado por que ele tinha a mania de 'engolir'. Todos temos a conscientização das DST's e, não é por que eramos parceiros fixos que deveríamos descuidar-nos. Tenho tanta preocupação que, se pudesse, masturbava-me com camisinhas. Enfim, a questão é que certa vez o F., meu ex, proclamou que meu gozo não tinha gosto. Gosto de NADA! Nem mesmo a babinha era digna de degustação. Fiquei encafifado. Eu queria que tivesse gosto de alguma coisa, desde morango a cebola, mas pelo menos a dignidade de um degustativo. Tentei algumas vezes sentir o gosto de dois namorados meus, mas era impossível. O sexo oral em si já parece uma endoscopia, ainda com uma surpresa melequenta vindo em sua direção. Desculpem, pode soar frescura, mas eu tenho nojinho, além de ser meio hipocondriaco com DST's. E olha que só tive três parceiros. Tá, confesso, do pescoço para baixo pode tudo. Portanto, como esperma não se vende em pacotes no supermercado, nunca tive a oportunidade de sentir o maravilhoso gosto do fluído da vida.

Voltando ao relato da masturbação, assisti a três videos simultâneos. Havia tantas pessoas gemendo que deixava-me até confuso. A 'babinha' veio e decidi prová-la. Meio receoso, coloquei-a na boca. Gosto de nada. Degustei com tanta atenção que eu podia imaginar minhas papilas degustativas movendo-se e fazendo cara de nojo. Gosto de nada. Fiz o vai-e-vem de sempre, chacoalhei, espanquei, fiz o ventilador... Upf, gozei. Olhei para o liquido branco, meus espermatozóides me olharam. Com os dois dedos, peguei uma quantidade razoável que teimava em fugir de meus dedos e unir-se ao resto que estava na barriga e coloquei na boca. Degustei. Meus olhos fecharam e viravam de um lado para o outro. Tentei mascar, mas não tinha tanta consistência. Engoli.

Bebi uma coca-cola, tomei um banho, escovei os dentes e fui dormir. Meu estômago roncou. Pronto, engravidei.

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Mas que catso de relato foi esse?
Leitores, hoje tive uma DR com meu melhor amigo. Ele disse que eu era desinteressado, muito "Venha à Nós o Vosso Reino" e eu não estava nem ligando de não ter um celular - ele foi roubado semana passada - o que mostrava o meu desinteresse pelos meus contatos. Disse que eu deveria beijar mais, equilibrar a balada do teatro e voltar a falar com nosso grupinho de amigos. Disse também que a minha aproximação com eles pareceu forçada...

Dane-se e que vá todo mundo para a meretriz que lhes deu a luz. Estou tão preocupado em voltar a ser o que eu era antes ou não aceitar-me diferente da maioria que fico perdido em ser o que eu quero ser, do que eu devo ser e do que eu não quero ser. A minha espontaneidade morreu junto com a de todos. Estou mais sério, estou mais chato, estou mais arrogante e estou mais maduro. Dane-se. Talvez eu arrependa-me mais para frente, mas continuarei não vendo graça na Lady Gaga, achando que a ganhadora do BBB deveria ter sido a "doida" da Elenita, preferindo meu filme de 1920 à saída com amigos para a balada, não beijando o idiota gostoso que tanto me olha, não gostando de receber sexo oral e preliminares e masturbando-me todos os dias. Afinal, é a partir do auto-conhecimento que o gosto do nosso interior se altera.


PS: Sim, estas inconstâncias devem-se pela falta de uns amassos mais calorosos. Não beijo a um certo tempo e, o próximo que eu pegar, eu destruo. Minha Neca para você. 'Prontofaley'.
Haha!

Por Cláudio_DeLarge

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Reconquistando o Antigo

2006, Agosto:
Caminhando lentamente em direção a minha casa, lá estava ele do meu lado. Um dia depois do término do nosso namoro, ele decidiu ir me buscar na escola. Tentava convencer-me a todo custo que nunca mais me trairia e passava as mãos constantemente nos cabelos. Eu já tinha visto e entendido a sua intenção em passar as mãos nos cabelos toda hora. Seus pulsos estavam com cortes grossos de gilete recem feitos. Olhava-o com um aperto no coração, mas aliviado por transferir a culpa do término. Eu simplesmente não sentia mais nada por ele e, durante uma discussão a fim de "darmos um tempo" motivada por mim, ele deixou escapar a traição na segunda semana de namoro. Uma mistura de alívio e raiva consumiram-me. Alívio por não sentir-me culpado por ter que acabar com o namoro, mas com raiva e chateado pela traição.

Conheci-o pela internet. Encontramo-nos no shopping e, duas semanas depois, estávamos namorando. Meu primeiro namorado menino. Meu primeiro Pênis. Minha primeira balada gay. Minha primeira constatação de homossexualidade. De maneira nenhuma o seu pai poderia saber de sua condição homossexual. Sua mãe tinha desespero de nosso namoro. Em hipótese, ele tenha se encantado com minha preocupação pelos estudos e gosto "inteligente" de cinema. Protegia-me. Tinha medo de que algo me acontecesse. Quando descobriu que queriam me bater na escola pela descoberta de minha orientação sexual, propôs que ele e os amigos me buscassem na porta da escola. 1,85 cm, 20 cm mais alto que eu, mais forte e com complexo pela barriga não ser tão definida. Amava-me de verdade. Via-me como frágil, mas o frágil era ele.

Familia desestruturada, Pai violento, alcoolatra e adultero, mãe omissa. Um coração infantilizadamente grande. Amava-me. Apresentou-me Killi, Silvetty Montilla e era fã de Harry Potter. Apresentei-lhe "Laranja Mecânica", Portishead e o cinema clássico. Após o término, quis sumir da vida dele. Achei que a minha distância ajudaria-o a me esquecer. Eu coloquei a culpa em cima dele. O término do namoro foi por que eu não sentia mais nada por ele, não pela traição. Admito que fiquei com raiva, já que o menino não era nem mais bonito, nem mais inteligente, apenas mais 'liberal sexualmente'.

Um dia encontrei-o no metrô. Admito que reconheci-o pois os olhos infantis e o nariz de batata não mudaram, mas estava completamente diferente. Cabelos longos, roupas pretas e rasgadas com um ar de 'roqueiro gótico vou te bater, seu viadinho'. Não fui conversar com ele não por medo dele, mas de sua reação. Todos os amigos dele que chegaram a conhecer-me posteriormente, simplesmente me odeiam. Eu não estou brincando. Certa vez uma menina, ao descobrir que eu era o "Cláudio", simplesmente me pegou pelo colarinho. Não fazia idéia de quem ela era. Dei-lhe sofrimento sem saber. Talvez inconscientemente. Queria que ele me entendesse.

Minha prima tem uma amiga, a qual viajou conosco este carnaval. Esta, é amiga dele. Pedi que ajudasse-me na aproximação com ele. Sinto-me mal por saber que alguem me odeia. Sempre parti da premissa que não há utilidade em ficar brigado com alguem. Muitas vezes engoli o orgulho. Esta é minha meta.

Falando em carnaval, minha cabeça rodopia por horas. Alegria desenfreada, pulei muito, dancei, mergulhei na piscina, dancei descalço e sem camisa por uma rua lotada de pessoas. Uma vitória pessoal, visto que desde meu ultimo assalto na penultina terça-feira, contrai uma fobia de público que me 'trava' ao sair de casa. Tudo bem que era no interior de São Paulo, em Águas de São Pedro, há 20 Km de Piracicaba. Senti-me liberto. Vivi para fora e parei com minha constante vigilância interior. Tenho duas metas importantíssimas para mim, as quais podem soar infantis:
Reconquistar a amizade do ex-namorado.
Amenizar minha vigilância interior. Preciso errar, preciso levar um fora de um menino bonito, preciso tirar notas baixas, preciso beijar mais, preciso arrumar um namorado e não um 'Professor de Português e Antropologia', Preciso me libertar e preciso decidir se deixo o cabelo crescer enroladinho ou cortá-lo arrepiadinho. Preciso não ter medo de ser como a grande maioria e poder dançar conforme a música que tanto tocou no meu carnaval.

"Comigo é na base do Beijo
Comigo é na Base do Amor,
Comigo não tem disse que me disse,
Não tem chove e não molha
Deste Jeito que eu sou."

ULTIMA COISA: Um beijo e um olhar admirado à uma colega: Elenita Rodrigues saiu do BBB por pecar na enorme transparência de seus sentimentos e pontos fracos. Torço por ela.


Enfim, falei muito e não falei nada. Só vomitei tudo!
Mudar de personalidade não é falta de opinião, mas inteligência de não limitar-se. Sorte a mim!

Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

StripTease

"Exponho a minha vaidade. O que eu calo é que é a verdade." - Martha Medeiros

O ano de 2010 começa e junto com ele vem a reclusão. O modo como eu agia a meses atrás tornou-se um passado muito distante, como anos que se passaram. Recusei convites de amigos, de familiares, de colegas e de pretendentes. Eu preferia ficar em casa com meus filmes europeus antigos, meus livros de quimica e inúmeras enciclopédias ao meu redor. Logo que eu assistia cada filme, ia direto na biblioteca ou na internet pesquisar cada elemento do filme. Li Michel Foucault, Friedrich Nietzsche, Jean Paul Sartre, Watson. Tudo para compreender a mim mesmo e o mundo que me cerca. O que eu não sabia, é que estava criando uma redoma de vidro em torno de mim mesmo. A busca pelo conhecimento era um mecanismo de defesa que apenas afastava-me das pessoas as quais eu tinha inveja. Ou Não.

Quando estou acostumado com uma versão de mim que imponho-me a segui-la, surge outra cheia de perguntas e tento decifrá-la. Completamente diferente. Todos impomos comportamentos a nós mesmos. Podemos ficar com vários na balada ou sermos difíceis e pegar apenas os bonitos, ou só os inteligentes. Podemos limitarmo-nos a nossa panelinha da faculdade ou sair fazendo amizades na hora do intervalo. Podemos empurrar com a barriga o emprego que temos até arranjar um melhor ou motivar-se a fim de fazer o melhor, mesmo que não seja sua área. Podemos até escolher se acordamos mal-humorados ou felizes e efusivos. Há pessoas que escolhem uma unica versão de si mesmas - "Sou assim e as pessoas tem que gostar de mim do jeito que eu sou." - acabam não olhando mais para dentro de si. Eu, ao contrário, quase não olho para fora. Tenho medo desta minha eterna vigilância interior que não me permite errar. Seja no amor, da faculdade ou na minha sexualidade. Eu sei que é perigoso aprisionar-se ao que ensinaram-me como certo, sempre com um Manual de instruções para não errar. Mas a minha concepção de mundo e comportamento é o que não é "Certo". Eu deixei de olhar para os lados.

Certa vez, Marx disse que "os tempos de reflexão acabaram, começa a ação". E isso definiu-me durante este Janeiro. Eu tenho inveja de quem vai a luta, de quem vive. Ou simplesmente eu não consigo aceitar-me diferente dos outros. O conhecimento o qual eu consegui devorando os livros de psicologia, conhecendo o Behaviorismo, Foucault, Sartre, Kierkgaard, era apenas um mecanismo de defesa. Todos somos atores de um teatro que é a vida e, de repente, deixei de ser ator principal e virei o diretor ou roteirista. Tornei-me arrogante e construí um personagem o qual era um ótimo ouvinte dos problemas alheios, não fazia sexo com que não estivesse apaixonado, não beijava por beijar, aprendia Francês, ouvia Charles Asnavour, ganhava vocabulário e conhecimento pré-formulado por filósofos existencialistas, pensadores e psicólogos, era sério e não mais fazia brincadeiras sobre si. Tornei-me arrogante. O personagem que eu, como diretor, criei, era "Bom" demais. Achava-me muito para os meninos pretendentes que ligavam-me e sorria de deboche para cada debate acalorado que eu teimava em levantar apenas para mostrar a todos o que aprendi lendo livros pesados de capa vermelha e vocabulário erudito. Sempre com o sorriso simpático que sempre tive. Todos que não podiam me ensinar nada intelectuamente, não me eram interessantes.

Em contrapartida, aprendi muito. Tanto sobre mim como sobre o comportamento humano frente a sociedade pós industrial. Aprendi a ser crítico e a entender o por que de certas ações e comportamentos. Entendi as funções dos partidos políticos, dos mecanismos emocionais da publicidade de mercado e da utilização do sexo como forma de controle. Queria antever minhas reações frente ao novo. Só que o novo não existe. O amanhã é uma incognita. Será que tudo que eu vivi até hoje foi desperdiçado por uma busca boba de tentar achar uma verdade soberana? De querer ter controle de tudo e de todos? Será que eu faço faculdade de Publicidade e Propaganda para saber como controlar e manipular outras pessoas? Será que eu tenho medo do namoro ou prefiro os meninos de óculos, magros e com cara de bobo pois sei que posso controlá-los? Será que evito o sexo por não gostar de ver-me submetido a alguém? Será que estou em dúvida sobre a existência de Deus, pois não quero uma força maior controlando-me ou fazendo-me sentir culpado por não seguir todos os mandamentos? Eu simplesmente deixei de olhar para os lados com pena de ver o meu mundo cair.

Sim, estou enlouquecendo. Tenho medo de enlouquecer, de verdade. Essa obsessão de mergulhar fundo em mim mesmo em busca de entendimento dos meus demônios não pode privar-me de viver também para fora. Tudo é transitório. Eu sei o que eu sinto e o que sou, mas não sei até quando. Preciso aprender a conviver com meus desalinho e inconstâncias.

Eu quero trepar com um desconhecido sem sentir-me culpado. Assim como meus amigos. Assim como todos. Espanto-me como são contra os valores da sociedade. Em contrapartida, são atitudes já padronizadas, pré fabricadas por novelas, revistas ou programas. Não sei se eu ainda estou preso aos valores antigos ou minha mentalidade vai além deste novo padrão de comportamento sexual veiculado atualmente. Talvez eu nunca saiba. De repente a minha vida deixou de ser um poema e passou a ser uma explicação.

É amigos, mesmo com meus textos sobre a sexualidade e contrários aos padrões heternormativos, confesso-lhes uma coisa. Confesso-lhes e tiro a ultima peça de roupa deste StripTease. Ainda não aceito-me sexualmente. Os livros são meus escudos e os questionamentos minhas armas. A certo ponto é bom, pois as dúvidas são a base da inteligência e a reclusão promove o auto-conhecimento. Neste Janeiro, aprendi uma coisa: Eu não gosto da reclusão e da solidão por que eu não tenho com que me defrontar, perdendo a noção de quem sou. Minha existência confirma-se através da sua. Peço que não me julguem. Minha personalidade é variável mas minha essência não. Meus pensamentos para sempre continuarão satânicos, inesgotáveis, regenerativos e nunca silenciarão. Obrigado por ouvir este devaneio psicótico.


"Tudo aquilo que cremos, nos controla. O mundo que você vive é um teatro. As pessoas freqüentemente representam. Elas se observam o tempo todos esperando comportamentos previsíveis. A Liberdade é uma utopia. A Espontaneidade morreu". - Augusto Cury

Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Falso Moralismo do BBB

"O falso é, às vezes, a verdade de cabeça para baixo" - Freud

Pode ser dito o que quiser, mas Big Brother Brasil é o assunto mais comentado nos sites de notícias, jornais, conversas em rodas, metrô, telefone e, principalmente, no Twitter. Os pseudo-intelectuais podem criticar a vontade a 'falta de cultura' deste programa voltado exclusivamente para o entretenimento, mas um individuo inteligente de verdade sabe aproveitar o seu material, e o BBB10 tem em sua estrutura conceitos de Sigmund Freud, Jung, Friedrith Nietszche, Michel Foucault... Enfim, BBB10 é filosofia e psicologia. É o ser humano despido e um retrato da sociedade mundial pós revolução industrial e um resumo do Brasil atual.

Não vou estender-me ou explicar conceitos neste post. A minha intenção é mostrar o profundo do falso moralismo e hipocrisia do telespectador brasileiro. O assunto: Tessália Serighelli, a Twitess. Famosa pela enorme quantidade de seguidores no Twitter a publicitária jogou 'errado'. As principais críticas são "Manipuladora" e um acontecimento debaixo do edredon com Michel, evocando um sexo oral. No Twitter e Fóruns o que mais se vê são críticas. Primeiro: e se realmente ela fez um sexo oral gostoso no Michel, Não era isso que todos esperavamos e queriamos ver? Brasileiro está tão acostumado a passar fome e a passar vontade com celulares de ultima geração ou camisetas originais da Oakley que quando acontece algo o qual esperavam, criticam. Aliás, nem aconteceu, mas mesmo que tivesse acontecido, qual o problema? Todos viramos virgens recatadas e homens respeitadores?

Falsidade e Manipulação. Visto que no Senado acontecem tantas barbaridades e o brasileiro que tanto crítica os políticos não faz absolutamente nada para mudar esta situação, parece que gostam que tudo aconteça debaixo dos panos. Gostam de ser enganados e convencidos. O problema não é o BBB10, mas o votante que faz um retrocesso dos valores morais. A Elenita é um exemplo de complexidade e insegurança com a própria imagem. Praticamente o reflexo de milhões de mulheres brasileiras que estão acima do peso e, por que não, homens também. O único diferencial é que ela tem a inteligência prática. Acham-na uma chata. O Marcelo Dourado é um homofóbico machista óbvio, mas só por que sofreu algumas retaliações o público caiu de amores, mesmo ele continuando a dizer "Homens Heteros não pegam Aids. Se pegam, é por que foram bissexuais" (2/02/2010). E a Tessália, que jogou abertamente para o público com seus questionamentos foi taxada de "Mau Caráter" e dissimulada. Mas o Brasil INTEIRO viu ela jogando, como ela pode ser dissimulada? Ficamos indignados talvez, não por ela ter sido 'Manipuladora", mas por ter a coragem de mostrar-se como ela é e, conseqüentemente, como somos "sem máscaras". Será isso uma PROJEÇÃO? São nessas concepções que aplicamos os conceitos do Niilismo de Nietszche, da psicanalise de Jung e da padronização de Foucault.

Não, eu não torcia para a Tessália, se quer saber. Minha preferida é a Elenita, seguida de Serginho, Dimmy e Angélica. Porém eu precisava desabafar. Eles condenam os outros por algo que também fazem e defendem uma moral que nem mais existe ou aplicada por eles próprios. Temos duas escolhas: Utilizar da sinceridade nadando contra a maré da hipocrisia, ou escondermo-nos do falso moralismo para não sentir a ira da sociedade. Nada é mais falso do que uma verdade estabelecida.

Por Cláudio_DeLarge