segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Perdoe-me, Pê!

"Eu só choraria se Deus não quisesse o meu simsinhô. Ou se apenas me mostrasse a língua sem me deixar sugá-la." - Hilda Hilst

"Perdoa-me Cordélia, mas, a não ser tu, minha irmã és tão bela. Não teve um netido e premente desejo por mulher alguma. Mas sempre gosto de ser chupado. Então ás vezes seduzo algumas de beiçolinha revirada. Mas o falo na rosa, mas mulheres, só em extremos.

Há em todas as mulheres um langor, um largar-se que me desestimula.
Gosto de corpos duros, esguios, de nádegas iguais àqueles gomos ainda verdes, grudados tenazmente à sua envoltura.

Gosto de Cu de homem, cús viris, uns pelos negros ou aloirados à sua volta. Com um contrair-se um fechar-se cheio de opinião...
Bunda de mulher deve dar bons bifes, no caso de desastre na neve. Leste, sobre os tais que comeram os amiguinhos e amiguinhas congelados?

Voltando às nádegas. As tuas. Douradas e frescas, Tu fostes única. Tuas nádegas também. Firmes, altas, perfeitas como as de um rapaz.
Não faças essa cara, e não rias..."


- Trecho de "Cartas de um Sedutor", de autoria Hilda Hilst. Citado em DO COMEÇO AO FIM, de Aloízio Abranches.

sábado, 23 de outubro de 2010

Considerações de Um Menino (quase) Perfeito!

" O abuso da graça é afetação; o abuso do sublime, absurdo. Toda perfeição é um defeito." - Voltaire

Pergunto-lhe, a Perfeição existe? O homem perfeito de um pagão era a perfeição do homem que há. Já o homem perfeito do cristão, seria a perfeição do homem que não há. Dizem que só Deus é perfeito, mas o ultimo que quis igualar-se a ele foi expulso do céu e levou consigo um terço dos anjos. Partindo dessa premissa, não levarei em consideração o mundo cristão para atingir a minha Perfeição. Pascal disse certa vez que ao levarmos uma virtude aos extremos, de um lado ou de outro, surgem vícios, os quais perdemo-nos não vendo mais as virtudes. Caímos então na armadilha da Perfeição. Caímos então na armadilha de nós mesmos.

Leitores, fazer-lhes-ei uma revelação. O EQUILÍBRIO NÃO EXISTE. Sério! A Terra gira, as placas tectônicas andam, os peixes do Yin e Yang nadam e a mistura do Branco e do Preto é uma cor feia. A desordem que altera o equilíbrio do corpo chama-se Labirintíte, quem vem da palavra "Labirinto". Labirinto é um lugar que você pode até chegar no seu destino, mas antes de retornar, ou você morre ou enlouquece.

Eu sei que é piegas demais isso que falarei agora, até por que se existe algo mais desoriginal no mundo, este algo é dizer "Meu maior defeito é ser perfeccionista". Porra, se você é perfeccionista, você nunca falaria isso. Isso é o que desmiolados falam em entrevista de emprego e, por isso, continuam desempregados. De qualquer forma, sou desoriginal e direi:
- Atualmente, ser perfeccionista está me fudendo.
Oh, assustou-se por eu ter utilizado "Porra" e "Fudendo" em um mesmo parágrafo? Eu também me assustaria, mas perfeccionistas não utilizariam palavras deste nível em textos/crônicas/contos/prosas. Viu, sou tão imperfeccionista que nem pesquisei a diferença deles. Eu até sei, mas "Não sabê-los" foi uma boa sacada para minha ilustração.

Tudo começou quando eu e dois amigos disputávamos uma vaga no Bando Itaú. Ela, 33 anos. Ele, 26 anos. Eu, 20 anos. Só eu passei. Surgiu outra vaga para a Sony Ericsson, onde sempre foi minha preferência. Resolvi tentar. Eles dois também. Uma só vaga, e foi minha. Consideraram uma puta falta de sacanagem, pois tirei a vaga do Itaú e acabei tirando a da Sony Ericsson.. Distanciaram-se de mim como tantos outros que concordaram com a visão deles frente a minha atitude. Será que eu realmente queria aquela vaga da Sony Ericsson ou foi apenas um teste para provar-me que conseguiria aquela vaga também? O salário era o mesmo, apenas minha preferência pendia um pouco para a outra vaga. Não seria certo eu deixá-la para um deles dois? Mas eu nunca saberia se também passaria nela. Tenho 20 anos e tenho um salário ótimo considerando meu curriculum e idade. Passo horas tentando ser o melhor da minha sala, o melhor do meu trabalho, o melhor na dança, o melhor em conhecimento de cinema. E sabe onde fica minha vida afetiva e amorosa? Eu também não sei.

- Cláudio, você quer esta vaga? Então me responda, qual o seu maior defeito.
- Eu sempre quero ser o melhor. Eu sempre serei o melhor e mostrarei a todos. As vezes, pode ser mal interpretado.

Muitas pessoas valorizam o PERFECCIONISMO e consideram-no sinônimo de sucesso e auto-realização de uma pessoa preocupada em melhorar-se cada vez mais. Em contrapartida, o perfeccionismo vai de encontro a evolução pessoal. Ao contrário do que pensam, seus traços não são a qualidade e o auto-aperfeiçoamento, mas a tentativa obsessiva de evitar os erros pelo medo de constatar a própria imperfeição. Não é o desejo do sucesso, mas o medo do fracasso. Os objetivos nascem da comparação alheia ou em compensação de erros anteriores. É a partir daí que nasce a Crença Central de que o indivíduo só será aceito pelos outros se for impecavelmente perfeito. Induz-se a uma excessiva preocupação com a opinião alheia. São ainda mais difíceis nos relacionamentos, devido a ser totalmente autocentrado. Preocupa-se mais consigo mesmo do que com os outros. As dificuldades de relacionamento deve-se por não enxergar os outros, mas apenas a si. Dessa forma, encontra-se dificuldade em estabelecer vínculos. Não me entrego, não me doarei, pois tenho muito medo de me perder, de separar-me de mim mesmo para acolher o outro.

Sou cheio de defeitos, e uma das minhas maiores qualidades torna-se o meu maior defeito. Não existe equilíbrio, assim como a Perfeição também é inatingível. E, talvez, a real intenção de escrever este texto, como tantos outros auto-críticos, é dizer para vocês "É, eu sei que tenho defeitos, não precisa expô-los, já estou eu fazendo isso". Essa mania de sempre querer estar a frente dos outros...



Cláudio Delarge

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Seje Menas Gramática!

"Minha Pátria é a Língua Portuguesa" - Fernando Pessoa

Admito, que estou receoso de escrever esse post e aparecer um erro gramatical contraditório e teimoso aqui. Ah, e aviso-lhes de antemão que posso ser interpretado como chato ou metidinho, mas firmo minha opinião: Os favoráveis à questão do "Preconceito Lingüístico" que me desculpem, mas a gramática é fundamental.

Sou liberal em inúmeras questões polêmicas: Descriminalização do Aborto, Legalização da Maconha, Adoção/Casamento Homossexual, Prostituição, Diminuição da Maioridade Penal e entre outras várias querelas da Sociedade. Porém, há uma "liberalidade" que considero quase um absurdo: Escrever/falar errado. Isto é INADMISSÍVEL, sério!

A Língua Portuguesa possui mais de 240 milhões de falantes, sendo a quinta língua mais falada do mundo, a primeira no Hemisfério Sul e a terceira no ocidente. Ela é a TERCEIRA do Ocidente, leram direito!? O "problema" é que ela é falada nos países emergentes/subdesenvolvidos, como Angola, cabo Verde, Guine-Bissau, Moçambique e, é claro, Brasil. Logo, ela não ganha a visibilidade merecida, até por que nem mesmo os falantes a utilizam corretamente, por que os estrangeiros a utilizariam?

O Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa, um dos mais completos, possui cerca de 228.500 verbetes. Porém, a USP fez uma pesquisa no ano de 2008, dizendo-nos que a média do vocabulário do brasileiro é de 7.000 verbetes por dia. Levando em consideração a repetição e a falta de interesse na absorção de um maior vocabulário, dos 228.500 verbetes da Língua Portuguesa, apenas 67.000 serão utilizados no decorrer de sua vida. Ou seja, utilizamos apenas 29% de toda riqueza que nossa língua possui. E leve em consideração que não foram contabilizadas conjugações verbais. Leve ainda mais em consideração que muitos não usam, ou se quer sabem o significado da MESÓCLISE. A Língua Portuguesa é o único idioma românico que existe a mesóclise e muitos não utilizam. Poética, Suave, Portentosa, sexy... Um desperdício!

Para justificar a ignorância os erros gramáticais da população, Marcos Bagno popularizou a idéia do "Preconceito Linguístico" aqui no Brasil. Para Bagno o "preconceito linguístico é a atitude que consiste em discriminar uma pessoa devido ao seu modo de falar" (BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico. São Paulo: Edições Loyola, 2001), onde é exercido por aqueles que tiveram acesso à educação de qualidade, à “norma padrão de prestígio”. Resumida e grosseiramente falando, o sociólogo defende uma maior complacência frente às variantes lingüísticas e uma maior abertura e conscientização destas. Ou seja, já que tá difícil fazer os ignorantes falarem corretamente, vamos enburrecer a gramática, há! Para piorar, sabe como eu tive conhecimento deste livro? Na minha Universidade!!! Isso HU-NI-VER-ÇI-DA-DE!

Vou exemplificar: Que eu até seje chato e uma pessoa meia arrogante, mas se menas pessoas falam certo, vamudá!

O Sociólogo parte da premissa de não falarmos conforme a linguagem escrita, portanto devemos adequá-la a linguagem falada. Daí, nasce os internetês e derivados. Muitos já conhecem o exemplo do "Você": De "Vossa Mercê", passou a ser "Vósmissê", "Você", "Vc" e "C". Onde vamos parar? Daqui a pouco vamos grunhir para "economizarmos" palavras. O grande problema dessa economia temporal é a interpretação. Veja alguns exemplos:

Batatinha Quando nasce, esparrama pelo chão.
Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.

Quem tem boca vai à Roma.
Quem tem boca, vaia Roma. (Verbo vaiar)

Cúspido e Escarrado.
Esculpido e Carrara.

O que eu quis dizer com tudo isso? A Anarquia, em qualquer âmbito, é utópica. A unificação e valorização da gramática é de intencionalidade diferencial e de questão cíclica. Ou seja, se eu escrevo/falo de acordo com uma norma padrão culta é por que estudei, li e me informei. Adquiri conhecimento, poder de interpretação e senso crítico. Obviamente, isso não mede caráter, até por que todos temos nossas idiossincrasias. Não mede caráter, concordo, mas mede respeito profissional, nota escolar, conhecimento e, principalmente, meu interesse amoroso em alguém. :D

Ahh, desculpem, sou super bonzinho, mas coloco-me no direito de colocar uma exigência em meus casos amorosos (Além de cabelos enroladinhos, claro.)

Cláudio_DeLarge

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Vaca, a Dor, a Depilação e o Cú

Sábado, 9h da manhã e começo o dia na academia de dança alongando. Deitado de costas no chão, bumbum encostado na parede e pernas alongadas. A regra é: nunca flexiona-las, a não ser nos "Pliês". Meus pés lá no alto e a calça escorregando e apresentando minha canela peluda - muito peluda. Se eu utilizasse shorts nas aulas de ballet clássico, meus pêlos poderiam ser confundidos com polainas. Incomodado com a vasta "peladisse" de minha sala de aula, decido por depilação.

Não seria difícil. Minhas amigas já tinham me avisado da dor, mas apostava que era um exagero. Eram pêlos, não ossos, não haveria de doer tanto. Portanto, marquei depilação total - Leia o "Total" com entonação - Já que era para fazer, que fizesse tudo.

Saindo da academia de dança, comi uma coisinha leve, tomei um banho, passei um creme hidratante de açai e coloquei uma cueca boxer branca que me deixava gostosinho. Ultimamente ninguém tem me visto de cueca mesmo, vida sexual parada sabecomé, então tenho que utilizar as "Cuecas de Sexo" em momentos assim... /Pufcrise

Conheci então a moça que futuramente eu chamaria de VADIA. Peito grande, bunda grande e olhos grandes. Uma típica gostosona. Admito não lembrar o nome dela, afinal chamei-a mentalmente de "vaca" por diversas vezes. A Vaca (no caso, ela) pediu para que eu ficasse só de cueca e eu obedeci. A Vaca pediu que eu deitasse e eu obedeci. A vaca passou a camadinha de cera quentinha e gostosa em minhas pernas tão virgens quanto meu cu (atualmente) e eu achei agradável até. A vaca disse "Pode xingar e me chamar de vaca se quiser" e eu obedeci.

VAAAAAAACA, gritei num som gutural. Permita-me o palavreado, mas doeu para PORRA. Eram puxadas seguidas e a dor mudava para raiva, que mudava para desespero. Eu estava quase desistindo e voltando para casa meio peludo (literalmente), mas resisti. Mal sabia eu que a dor estava apenas começando.
- Quer virilha!? - mugiu aquela vaca
- Já que eu estou aqui, manda.
Senti aquela sensação gostosinha e agradável de antes, até que senti a puxada!!!
Fiquei segundos inconsciente. Minha vida sexual passou diante de meus olhos. Eu não tinha mais pele, ela estava naquela maldito papel. Na maca de tortura havia sobrado apenas minha ossada. Chorei sangue. Senti uma hemorragia na minha virilha.
Já consicente, tive vontade de chutar a Vaca, bater nela, gritar. Mas eu não tinha forças.
- Vire - mugiu novamente.
E eu obedeci.
Minha vida e vontade de viver estavam grudadas junto com o papel de cêra usado. Talvez meu estado de inconsciência viera pelo esquecimento de respirar. Simplesmente eu tinha esquecido. Eram puxadas seguidas. Pedi a Deus que me levasse, era muito sofrimento. Eu já estava delirando. Considerava-me no período Medieval da Santa Inquisição: Por ser gay. Eu mordi o travesseiro, chorei, xinguei, grunhi e rezei.
- Vai depilar o cu, moço!? - Mugiu
- Aham - Eu não tinha mais discernimento, apenas concordava. Estava drogado. Senti um liquido quentinho lá e pensei "Pronto, caguei de dor" - Era apenas a cêra. Não conseguia abrir os olhos e a unica coisa que conseguia piscar era meu ânus... só que de medo. E veio o momento... !!!
Eu estava no INFERNO e a Vaca e sua maquininha de cêra era o Diabo com o tridente. Procurei no ultimo papel de cêra a possibilidade de meu estômago ter saido junto. Eu era um zumbi agora. Um zumbi depilado.

A Ultima etapa era o SÚVACO - Isso mesmo, súvaco. Axilas é coisa de viatchynho. Quem sabe assim retorna a "macheza" que me foi tirada com os pêlos!?

Terminado, a Vaca mugiu para que eu me visse no espelho...
Que delícia! Eu me comeria se conseguisse. Totalmente lisinho. Poderiam lamber meu corpo inteiro que nada atrapalharia. Olhei meu bilau e percebi o quanto ele tinha crescido. Sem pêlos, ele parecia uma vagina superdesenvolvida, mas imponente, másculo e dizendo "Chupe-me, estou limpinho e não terá pentelhos em sua língua". Virei de costas e vi o Cú, rosinha e sorridente. Fiquei aliviado ao perceber que minhas pregas ainda estava ali mesmo após a sessão de tortura.

Olhei em meus olhos no espelho e pensei "Vou ligar para alguem e... transar".

Cláudio_DeLarge