- Amor tens por mim? Sei que direis que "Sim" e em vossa palavra eu hei de crer. Porém, se o fosse necessário jurar, por ventura, falso o provaríeis. Oh, gentil Romeu, se me amas, proclamai-o com sinceridade.
- Dama minha, oh Julieta! Eu juro por essa lua abençoada que de prateado adorna e embeleza as copas dest'árvores frutíferas.
- Oh, não jureis pela lua. Esta inconstante lua que em seu contorno circular muda todos os meses. Não haja de vosso amor provar-se-a assim tão mutável.
- Então pelo que posso jurar?
- Não jures nada, ou, se quiserdes, jure por ti mesmo, por tua nobre pessoa, que és o objeto de minha idolatria. Assim, te creio.
- És de todo o meu coração... de minha respiração... de meu amor...
- Não jureis. Embora com total alegria concebo este contrato de amor, confundo-me frente a aliança desta noite. És impetuosa, demasiada imprudente e demasiada súbita. Assim como um relâmpago que deixa de sê-lo antes mesmo que possamos dizer 'Ei-lo brilhou!'. Boa Noite!
- Vai-te embora? Por que me deixais assim insatisfeito?
- Oras, que satisfação quereis haverdes esta noite?
- A troca de vossa fiel promessa de amor pela minha.
- A minha fiel promessa de amor já vos dei antes mesmo de a pedirdes. É sua. [...]"
Trecho simplificado de "Romeu e Julieta", Sheakespeare
Querias eu, tanto, poder escrever sobre Amor. Nunca senti a irracionalidade que é o amor e a dor que o mesmo provoca. O amor é o fogo que arde sem se ver, e o meu coração sempre mostrou-se dorminhoco. Se é fogo, desejaria transformar meu coração em um bule. Bule este que ferve um sangue em ebulição, onde a saída do vapor seria a minha boca em um beijo apaixonado. Em meu devaneio amoroso e solitário, imagino um perfeito beijo. Beijo este que iniciar-se-a do olhar. Meu olhar viajará, então, por cada detalhe e desenho da íris do meu possível amado e amante. Contará seus cílios ondulados, fazendo-me sentir minha pele desgrudar-se de meus ossos. A ponta de meu indicador passear-se-a pelo contorno da maçã do rosto rosada, contornando o lóbulo da orelha e terminando nos cabelos. Durante esta viagem, meu cérebro confundir-se-a com uma metralhadora de sensações. O som do meu coração será o único a inundar o silêncio que se fará ao meu redor. Meu rosto aproximar-se-a e a ponta de meu nariz, inicialmente, passeará pelo rosto de meu amado, onde meus lábios tocarão partes desta minha perdição, este rosto, numa comedida e contida intenção. A ponta do meu nariz contornará teu nariz. Meus olhos fechar-se-ão e eu terei de respirar profundamente. Primeiro, para ver se esta sensação aparentemente palpável também odor possui. Segundo, para recuperar o fôlego na respiração invariável que me atingirdes. Minhas mãos então, segurar-te-ão o rosto como se fosse a mais frágil criatura existente e, que de meu cuidado, dependesse a vida. E, cuidadosamente e sedento, beijo-lhe os lábios, num sugar de vida vital e incondicional. Onde eu esqueça de minha existência, embora fazer-me-a sentir mais vivo que nunca.
"A coisa mais importante que se deve aprender é amar e em troca, amado ser." - Frase do filme Moulin Rouge
Por Cláudio_DeLarge
Hoje eu assisti Moulin Rouge seguido de Romeu e Julieta. Não há coração que aguente.





