quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Sociedade: Laranja Mecânica

"Ainda que exista uma enorme hipocrisia a respeito da violência, todas as pessoas são fascinadas por ela. Afinal, o homem é o assassino mais cruel que já pisou no planeta." - Stanley Kubrick

Título Original: A Clockwork Orange, 1971
Direção: Inglaterra, Stanley Kubrick

Junto com "Admirável Mundo Novo" de Hukley e "1984" de Orwell, "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess forma uma tríplice distópica da sociedade pós-revolução industrial. Um estilo de vida dominado pela mecanização dos processos sociais, referentes a revolução industrial, condenou todos os seres humanos a uma uniformidade de comportamento. Muito mais que um filme sobre a violência e hipocrisia, "Laranja Mecânica" (1971) do incrível Stanley Kubrick, mostra-nos o mecanismo de controle utilizado pela sociedade utilizando como exemplo Alex Delarge (Malcon McDoweell), um adolescente que tem como principais interesses "a UltraViolencia, o estupro e Beethoven". Um resumo da Sociedade atual e futura.

Alex DeLarge é um menino de 14 anos e líder de uma gangue, onde seus principais interesses são o sexo desenfreado, a ultra violência e Ludwig Van Beethoven. Dois anos após ser preso por assassinar a dona de um Spa, é convidado a realizar o "Tratamento Ludovico". Este tratamento criado pelo governo prometia devolver os criminosos totalmente recuperados à sociedade. A partir daí nasce a principal questão do filme: De que adianta 'curar' um indivíduo que não consegue administrar os seus instintos frente a uma civilização igualmente incapaz de administrar suas contradições sociais?

A própria chamada do filme mostra-nos a forma a qual a sociedade controla-nos, colocando Alex DeLarge e seus interesses como 'inimigos'. A Violência é sinonimo de expressão contra o sistema vigente. Os únicos que podem utiliza-la são as autoridade/policiais. Utilizá-la seria o mesmo que igualar-se. O Sexo também como forma de controle, referência a religiosidade e a familia. As duas instituições 'limitam' o indivíduo, como forma de pensamento e relacionamento, respectivamente. E Beethoven, musica erúdita, como representação do conhecimento. Quem o tem, questiona, sendo a inteligência um grande inimigo da sociedade. Assassinando a Dona de um Spa, Alex DeLarge assassina o Padrão de Beleza imposto pelos meios de consumo. A vítima possuia mais de 30 gatos em seu spa. O gato tem como característica a individualidade e o interesse. Este bichinho de estimação só está com você pois depende de comida e abrigo, diferentemente do Cachorro, que considera-o como 'parte da matilha'. Com a morte em questão, o Padrão de beleza separa-se da 'Individualidade', ou seja, o ego, o narcisismo. Grande sacada, né? Além disso a forma como a vítima morre representa o masculino 'esmagando' o feminino. A vítima morre com a cabeça esmagada por um pênis de porcelana gigante.

No "Tratamento Ludôvico", Alex era drogado e submetido a uma série de imagens violentas e sexuais, ao som de música clássica, preso a uma poltrona e com as pálpebras retidas, sem poder nem piscar. As drogas faziam-no passar mal e sua mente acabou por associar as cenas de sexo e violência as sessões de tratamento desesperadoras.
O fundamento deste programa chama-se "Teoria do Condicionamento", elaborada por I. Pavlov e desenvolvida por J. Watson e B. Skinner. Para entender melhor, teriamos que conhecer o BEHAVIORISMO. Para Watson, a psicologia deveria focar-se mais no comportamento observável do que no estudo dos processos mentais. No caso, o comportamento seria qualquer mudança observada que fosse conseqüência de um estímulo ambiental interior, ou seja, estudar a ação que ocorre como resposta a um estímulo específico. Vou explicar melhor: Watson acreditava que o Meio é de grande importância na construção do indivíduo, suas ações e comportamentos. Por exemplo, se colocassemos crianças recem-nascidas em um ambiente controlado, poderiamos determinar suas profissões e caráter. Watson então fez o Experimento do Pequeno Albert em 1920. Para demonstrar o funcionamento do condicionamento em seres humanos, Watson implantou uma fobia em um bebê da seguinta forma: Assosciou em estímulo neutro (animais peludos) a um estimulo aversivo (Som alto). Toda vez que o bebê aproximava-se do ursinho de pelúcia peludo, um som altíssimo ecoava perto dele. A apresentação simultânea dos estímulos por diversas vezes, fez com que o bebê desenvolvesse medo de animais peludos. No caso de Alex, estímulos agradáveis - sexo e violência - são associados a respostas desagradáveis - enjôos e desespero. A irônia fica por conta do padre que contesta que esta aversão a violência não é autêntica pois não é produto de uma escolha, mas coagida por medo do mal-estar físico - Somos bonzinhos, segundo a visão do cristianismo, apenas por MEDO do inferno.

Deu certo o tratamento? Para o governo sim. Não importa se ainda permaneciam as vontades guardadas internamente, desde que não fossem manifestadas. E é isso que acontece com cada um de nós. Este é o trabalho de alienação. Internamente ou em mesas de bar, ocorrem conversas indignadas referentes a guerras, violências, injustiças na política, mas não as manifestamos. Considerados animais 'racionais' e pensantes, tornamo-nos produtos mecanizados nas mãos do mercado só por querermos ter uma vida tranquila. Mas quem faz o mercado (sociedade) somos nós. Logo, somos obrigados a agir padronizadamente por escolha nossa, então, para que revoltar-se? Como a sociedade capitalista visa só o lucro, impõe um modo de vida comum e padronizado a todos, e esta 'domesticação' impede que olhemos para a sociedade como um todo e passemos a enxergar apenas a si. Queremos tanto uma boa-vida adornada de tecnologias que esquecemos da vida social e não damos atenção aos problemas que estão longe do campo de visão (Como política, segurança e educação). Além disso o "Tratamento Ludovico" está diretamente ligado a mídia publicitária de mercado. Através de imagem e música, somos seduzidos, são gerados sentimentos, opiniões e vontades. Uma vez que o nosso comportamento pode ser moldado por imagens, perdemos um referencial, vivendo como marionetes manipuladas. Ser livre é um estado utópico na condição humana.

Irvon D. Yalom diagnosticou vários pacientes recuperados, mas a constante desconfiança da familia fazia com que o paciente tivesse uma recaída em um momento onde quem precisava de terapia era a familia, a fim de aceitar que o paciente estava curado. Após Alex retornar a sociedade, acontece o mesmo que nos dias atuais: não há garantias que o acusado voltará a cometer o mesmo erro, causando uma discriminação massificada. Em seguida, as mascaras caem. Os primeiros que Alex tem contato pós tratamento é a familia, que renega-o, mostrando como a instituição Familia encontra-se cada vez mais desfalcada. Em segundo, os mendigos que começam a espancá-lo - Até esta 'classe' tão renegada pela sociedade, renega o 'ex-presidiario'. Em terceiro, os políciais, antigos amigos de gangue de Alex, espancam-no - Representam o descuido de deixarmos nossa segurança na mão de 'bandidos'. Ao mesmo tempo, questionamos a filosofia 'Violência com Violência". No livro "Vigiar e Punir" de Michel Foucault o ato de punir violência com violência seria transgredir a lei universal. Ao praticar este ato, mostra-nos que vivemos em uma sociedade de desiguais e abuso de poder. Em quarto, Alex encontra-se com Sr. Alexander, um escritor pertencente a um partido esquerdista que decide usá-lo a fim de derrubar o governo. Sr. Alexander já foi vítima de Alex e sua gangue anos atrás, tendo sua casa saqueada (Escritor = Conhecimento), sua mulher estuprada (Destruição dos Valores familiares) e perdendo o movimento das pernas (Tornando-o dependente). Sabendo do condicionamento de Alex a música erúdita, trancou-o em um quarto com música alta fazendo-o lembrar-se do tratamento motivando-o a suicidar-se.

Stanley Kubrick decidiu por mudar o final da história. No livro, Burgess conta que após a tentativa frustrada de suicídio, Alex faz um acordo com o governo após subornado a ficar favorável, e o condicionamento contra o sexo, violência e Beethoven, criado pelo Tratamento Ludovico, desaparece. Aí é onde o filme termina, mas no livro Alex recebe alta do hospital e visualiza antigos amigos de escola já casados e com familia, motivando-o a curar-se por si só e procurar aquele estilo de vida. Ao negar este final dado por Burgess, Kubrick mostra o que realmente queriamos. Queriamos Alex recuperado e o temos. O ex-lider de uma gangue tornou-se um político astucioso, de sorriso hipócrita e que sabe domesticar a sua sexualidade e agressividade. Capaz de cometer ainda as mesmas atrocidades, porém aceito nos ambientes mais sofisticados da sociedade, ou seja, por baixo dos panos. Vemos um ministro (Representante da sociedade) dar comida na boca de um marginal em troca de silêncio. Termina o filme com a frase "Agora eu estou realmente curado". Como ele verdadeiramente é. Como verdadeiramente somos.

Em sua fantástica fotografia e trilha sonora incrivelmente bem encaixadas (Guilherme Tell, Rossini, Beethoven), Kubrick submete-nos a um cruel "Tratamento Ludovico", o qual assistimos belíssimas cenas de violência, sem piscar. Sem sentir aversão, pelo contrário, sentimos prazer. Uma mistúra de ética e estética. Ficamos então, cientes e incomodados de nossa animalidade ao vislumbrar tais cenas com prazer. Há em nossa volta um show de horrores, onde o livre arbítrio deixa de ser uma opção e passamos a viver sem pensar, fazer sem entender e responder sem questionar. Pengunto-lhe então: Onde fica a sua liberdade a medida que nega-se a si próprio?

"O Homem Nasce Bom, a Sociedade que o corrompe" - Rosseau

Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Fakes Virtuais: Quero Ser VOCÊ!

"Quando o que eu mais queria era provar pra todo o mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém." Musica 'Quase sem querer' – Legião Urbana.

No artigo 307 do Código Penal Brasileiro, a "Falsa Identidade", ou seja, o ato de atribuir-se de identidade de uma outra pessoa é fraude criminal com pena de 3 meses à um ano de prisão reclusa. Mesmo assim, a quantidade de perfis Fakes em sites de relacionamentos (Twitter, FaceBook e, principalmente Orkut) vem crescendo constantemente e as suas intenções são variadas: Debater ou brigar em comunidades sem medo de retaliações e conseqüências, 'zoar' um inímigo, atos criminosos ou até mesmo ver a página de recados de alguem sem aparecer no 'Visitantes Recentes'. A necessidade é uma e óbvia, embora mais profunda do que se imagina: O medo de mostrar-se.

Todos nós vivemos em um mundo de máscaras, e não digo no sentido de falsidade. Utilizamos mascaras em nossa existência presencial por uma questão de sobrevivência social. Os papéis sociais ao qual desempenhamos - Ser pai, mãe, profissional, amigo, filho, amante, namorado. São diferentes papéis para diferentes situações de uma mesma pessoa - nada mais são que mascaras que somos treinados a utilizar, admitidas ou não, em virtude dos parâmetros sociais que norteiam o seu uso. E isso acontece desde criança. Na infância os nossos papéis são expectativas paternas a fim de receber aprovação dos mais velhos, sendo este o primeiro padrão da formação do ego. Estas mascaras foram denominadas PERSONAS, pelo psicanalista C. G. Jung. Para ele a PERSONA, não é apenas uma mera mascara mas uma influência em nosso interior e responsável pela estruturação de nossa personalidade. Resumindo, deixamos de ser nós mesmos e passamos a ser, cada vez mais, a imagem e semelhança das expectativas daqueles que convivemos.

Tornamo-nos um produto em tamanho grande, o qual o conteúdo não é experimentado sem que a embalagem ofereça interesse. Vivemos em sociedade "Teia de Aranha" e por mais que seja dito "Não me importa o que as pessoas dizem" não é inteiramente verdade. Todos somos interligados e co-responsáveis pela vida das pessoas ao nosso redor, por mais que não a conheçamos. Vou dar um exemplo: Em um dia chuvoso, estou estressado, o que não é do meu feitio. Um homem apressado pisa no meu pé, e eu ofendo-o. Este homem acabara de brigar com a mãe, por que ele derrubou um vaso por estar atrasado devido atender um telefonema no irmão que nunca liga. Triste pela ofensa que recebeu, chega à entrevista de emprego e não vai bem. Perde a vaga. Eu, que levei um pisão, criei um unha encravada que, posteriormente, fará eu amputar o dedinho mindinho do pé direito. Por que eu contei esta história? Por que o coletivo é necessário e importante para a formação da nossa personalidade e humor. Depois de tantas mascaras, chegamos em casa e podemos ser nós mesmos, certo? ERRADO!

No mundo virtual podemos expor-nos sem nos expor. Se eu não for compreendido ou não gostarem de mim, simplesmente desconecto-me, ao contrário de um contato pessoal a qual causaria um constrangimento. Como a mídia favorece os estereótipos "Homem e Mulher Modelo", muitos sentem-se desencaixados e tem medo de expor-se e não sentir-se aceitos. Não estarem satisfeitos com a auto-imagem, baixo auto-estima e auto suficiência. Vivendo em uma insalubre vontade de ser aquilo que não é, apreciar aquilo que não se têm e conversar o conteúdo que não possui. Não damos nossa cara a tapa e tiramos o peso da responsabilidade, sem saber que é dos erros que evoluímos e aprendemos.

Decidi escrever este texto por que já fizeram vários fakes com as minhas fotos. A grande maioria das vezes não me prejudicaram, apenas queriam ser o "Cláudio DeLarge". Houve um menino até que entrava em sites do Bate-Papo Uol, divulgava os meus videos do Youtube e ainda conversava via telefone com outros. Descobri posteriormente com alguns comentários destes 'outros' no perfil do Youtube. O que me deixou pensativo foi criar fake de alguém 'normal'. A questão não era um perfil com as minhas fotos, mas com as fotos de um 'anônimo', um não famoso, um desconhecido. E isso é muito mais triste que fazer um 'Fake famoso'. O Anônimo tem as mesmas possibilidades e entraves sociais. Ser o fake de um anônimo é o limite do desespero de estar perdido, pois eu só soube aproveitar as mesmas oportunidades que o usurpador têm. Quando consegui conversar com um dos usurpadores via MSN, ele ainda debatia em ser o verdadeiro e chamava-me de mentiroso. Sua intenção era destruir aquilo que ele queria ser e poder ter a sensação de sentir-se melhor do que aquilo que ele almejava. Uma espécie de auto-mutilação covarde. É insalubre, pois nunca viverá plenamente e feliz. Sua vida será uma mentira, um fake, um farsa.

Pode parecer demagogia. Muitos dizem ser inveja, mas o usurpador de um anônimo considero-o como um Triste Criativo. Cria um imaginário sem mover o corpo, vive aquilo que não consegue viver. Sente aquilo que não consegue sentir. Isto é insalubre, pois a necessidade de sentir tal qual a intensidade que EU sinto, torna-o mais triste. E confesso algo: É mais triste pois ele é o fake de um fake. Na internet eu também mostro-me como gostaria de ser. As fotos e frases são minhas, mas só torno-me protagonista verdadeiro de uma história, quando encontro-me na sala escura de um cinema.

Por Cláudio_DeLarge

domingo, 24 de janeiro de 2010

Cinema Hollywood e a Homossexualidade

"Ser Homem tem a ver com quem você transa" - Whoopi Goldberg

A vida homossexual nos cinemas, pelo menos até a década de 70, era resumida em três palavras: Medo, Pena e Risos. O que, de certa forma, era uma influência de como deveriam sentir-se. Logo abaixo, fiz um estudo brevíssimo de como era a visão da homossexualidade frente o cinema de hollywood desde sua criação aos dias de hoje. Espero que gostem!

Os homossexuais eram retratados de formahumorística, efeminada, exaltando um comportamento ao qual não se deveria ter. Vistos como homens assexuados, bem arrumados e trejeitos evidentes, eram sempre motivos de piadas. Isso falando dos homens. Quero dizer, assim como atualmente, nas primeiras décadas do século, quando um homem vestia-se de mulher, era uma comédia, quando uma mulher vestia-se de homem, era sensual. Um exemplo são um dos dois primeiros filmes a retratar uma conotação lésbica: "Marrocos" (1930) com Marlene Dietrich - Era sensual, provocante e encantador, para homens e para mulheres - e "Rainha Cristina" (1930) com Greta Garbo - contando a história da rainha lésbica sueca. O preconceito e a hipocrisia heteronormativa também foi retratada por ninguem menos que Charles Chaplin, em seu curta "Behind the Screen" (1914). Este filme conta a história de uma mulher que para poder trabalhar, fantasia-se de homem. Carlitos apaixona-se por ela e lhe dá um beijo. Visto o beijo os dois são levados a julgamento criminal. Há um século atrás e Chaplin já quebrava padrões.

Em 1934 a igreja católica decide intrometer-se com a moral e bons costumes ameaçando boicotar os filmes hollywoodianos caso, não só esse tema como outros ligados a sexualidade, fosse abordado - estupro, incesto, canibalismo, etc. A questão não foi levada muito a sério até ser criado un instituto de filtro de filmes fundado então pela sociedade familiar americana da época. Nada era passado nos cinemas sem a aprovação. O jeito era retratar a homossexualidade de forma disfarçada ou de uma maneira pejorativa.
Os homossexuais então passaram a ser retratados como velhos ou em filmes de terror e suspense, como no caso de "A Filha de Drácula" de 1936, e dois do Hitchcock: "Rebecca" (1940) e "O Falcão Maltês" (1941).

Já no final da década de 40 e seguindo a década de 60, foi reforçada a idéia de que os homossexuais são sofredores e, optar por esta vida, seria optar por tristeza. O fim era sempre o mesmo: A morte dramática. Em "Young Man With Ideas" um advogado envolve-se com um homem, sentindo-se culpado. Os gays então são retratados em bares escondidos, como marginais da sociedade e um estilo de vida difícil e degradante, triste. Até em um filme famoso "Juventude Transviada" (1955) James Dean - bissexual assumido - ensina o personagem de Sal Mineo como ser "Hetero". O personagem era evidentemente apaixonado por Dean e sofria inúmeras retaliações na escola. Seu fim foi a morte, ligando a homossexualidade com o sofrimento. Enfim, deveriam viver nas sombras, depressivos e triste. O gay era morto, a lésbica enforcada e a adultera expulsa.

Os roteiristas então aprenderam a escrever nas entrelinhas. Em 1948 no "Rio Vermelho", Montgomery Clift usa o seu revolver para ter uma relação sexual, nas entrelinhas, obviamente, com Jonh Wayne. Em "Ben Hur" (1959), por exemplo, o personagem de Stephen Boyd, Messala, era apaixonado por Ben Hur (Charlton Helston). O diretor Willian Wyler não contou isso a Helston, apenas a Boyd, que ficou encarregado dos olhares apaixonados. Como a censura não era lá muito inteligente, então abusavam-se dos diálogos de duplo sentido. A grande sacada foi de Stanley Kubrick em "Spartacus" (1960), no diálogo de Lawrence Oliver e Tony Curtis:


– Você considera comer ostras moral e comer caracóis imoral? É uma questão de gosto, não? E gosto não é o mesmo que apetite... Portanto, a questão não é moral, certo? Meu gosto inclui caracóis e ostras.
Entenderam? Há!

A homossexualidade foi retirada da lista de doenças mentais em 1975, mas a mentalidade das pessoas ainda não havia mudado. Os filmes de maior visibilidade gay da época foram "Freebbie And The Been" e "Cruisin", ambos de 1980. Contavam a história de Serial Killers homossexuais. O ator Tom Hanks afirmou que no final das exibições haviam palmas com a morte do vilão gay. O que sentia-se era que as palmas eram por ser a morte de um gay, vilão gay. Motivando-o a aceitar o papel em "Philadelfia". Crimes de Homofobia aconteciam e frases como "Se você viu Cruisin, sabe o que merece" eram gritadas. Passeatas gays pediam a proibição de exibição do filmes e, para a alegria, foi feito um dos primeiros filmes gays românticos, "Making Love" (1982) que contava com um aviso claro antes de sua exibição, motivando o esvaziamento das salas de cinema. Fazer um papel gay era como terminar a carreira.

Ao contrário do que pensam, as cenas gays tambem rendiam interesse. A nudez feminina era menos chocante e a relação de duas mulheres nuas era algo erótico e excitante. O pensamento na época era que as mulheres só transavam com outras mulheres por curiosidade ou por não terem achado o homem certo. No caso dos homens, era por safadeza mesmo, não "podiam" ter sentimentos. "Thelma e Louise" (1991), "A Cor Purpura" (1985), "Banquete de Casamento" (1993) e "Tomates Verdes Fritos" são exemplos de filmes da década.

O novo milênio chega e a aceitação tambem. O grande vilão passa a ser a discriminação e o tema de homossexualidade passa a ser abordado de maneira sensível ou humoristicamente de bom gosto. Filmes como "As Horas" (2002), "Brokeback Mountain"(2005) e "Milk" (2008) levam a temática gay ao oscar e são vencedores. "Another Gay Movie" (2008) e "Eating Out" (2009) escracham-se e não tem vergonha de mostrar-se sexualmente ativos ligando-se a promiscuidade. Os gays tornaram-se simbolos de moda, metrossexualidade e beleza. Ainda há preconceito. Diretores e atores ainda saem aos poucos do armário (Jodie Foster, Gus Van Sant e Ian Mclaen) ou não (Jonh Travolta e Kevin Spacey), mas a evolução no pensamento e respeito ao próximo, independente de condições e orientações, continuam, mesmo que lentamente. O cinema é a melhor arte. Você entra em uma sala escura tornando-se vulnerável, mas incentivado a ser protagonista da própria vida.

Dicas:
Gays: "Gata em Teto de Zinco Quente" (1958) e "O Segredo de Brokeback Mountain"
Lésbicas: "Thelma e Louise" (1991) e "As Horas" (2002)
Travestis: "Quanto mais Quente, Melhor" (1959) "The Rocky Horror Picture Show" (1975)

Por Cláudio Delarge

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Relacionamentos Efêmeros, Corações Enfermos

"Pegar sete caras. pegar nove 'mina'. Agente está falando de quê, catadores de lixo? Pegar, pega-se uma caneta, um taxi, uma gripe. Não pessoas. Pegue-e-leve, Pegue-e-large, Pegueeuse, Pegue-e-chute, Pegue-e-conte-para-os-amigos." - Martha de Medeiros

"O calor está gostoso, o céu está limpo e a noite está linda. Você teve a possibilidade de colocar aquela sua regata branca que marca bem o peitoral, seu cabelo está lindo e tem um bom dinheiro para beber o quanto quiser na balada. A 'sua' música que faz você vibrar quando toca na rádio recebeu uma mixagem incrível e você a dança intensamente de olhos fechados com seus amigos. Para um pouco para descansar e, do outro lado do bar está um menino muito gato. A regata preta evidencia os braços fortes, um pouco mais alto que você, cabelo preto e arrepiadinho e sorriso lindo. Ele te olha fixamente. Tem aquele jeitinho de 'hetero' que te pegaria de jeito.
Feliz e confiante, você dá um sorriso. Ele entende o recado e vem em sua direção. Nem pergunta seu nome, já te dá um beijo gostoso. Explora seu corpo todo. Beija sua boca, mordisca seus lábios, sua nuca e sua orelha. Lambe a sua orelha. Pega na sua bunda e roça o pau dele no seu, enquanto chupa o seu pescoço. Após acalmarem os ânimos, apresentam-se. Você pede o telefone dele. Ele acha melhor ficar com o seu. Seus amigos te chamam para dançar a 'música do grupo' daquela diva POP famosa. Vocês despedem-se."

Esse seria o momento e a 'pegada' perfeita para muitos que eu conheço, mas não para mim. E confesso: isso me assusta, me deixa confuso. Eu fico triste em saber que o 'momento feliz' que deixaria qualquer um feliz, não desperta-me interesse. Meus amigos mostram-se felizes e eu tenho medo por não estar aproveitando esta fase da maneira que eu deveria.

A escritora Martha Medeiros disse certa vez que boate é lugar de gente triste. Pensei. Em seus bares vendem bebidas alcóolicas, as quais nos dão um empurrão para ser aquilo que gostaríamos de ser. Dão-nos a coragem que não temos. A música alta nos dá a liberdade de cantar alto sem ser criticados. Não conseguimos conversar, só aos gritos, por isso os beijos rápidos. Não há o diálogo para descobrir o conteúdo que, muitas vezes, não se tem. Beija-se um, beija-se dois: Uma forma de auto afirmar-se. Não basta sentir-se bonito, só 'seremos bonitos' quando muitos perceberem isso. Você acha que conquistou e sente-se bonito por isso, mas nem passa por sua cabeça que você é também só mais uma conquista. Só mais um. Desinteressante demais para conversar ou ser conhecido. E é isso que eu não entendo...

Sou careta e quadrado só pode. Puritano não sou, sou daqueles que gosta de uns tapas na hora do sexo que as vezes até machucam, eu exclamo um "Ai!" e ainda recebo um "Fica Quieto". Pretendo até fazer sexo a três - com quem eu goste de verdade.
Com quem eu AME. Mas aí nasce a pergunta "Por que não beijar por impulso, apenas para satisfazer a necessidade física?" Tudo é tão fácil, acessível, disponível que perdeu-se todo o encanto, a sedução. Li certa vez no Blog da Elenita Rodrigues que toda mulher merece que um cara gaste 40 minutos insistindo, conhecendo e deixando-se conhecer antes de tentar colocar a língua na boca dela. E por que eu tambem não posso? Todas as relações tornarão-se fast food. Nossa fome de viver é tão grande que pulamos etapas importantes de um relacionamento. Matamos fases as quais poderiam tornar-se grandes histórias. Não gosto de beijos ou sexo fast-food. O Mc Donald's tem sua importância, mas é gorduroso, barato nos deixa inchados e feios e faz mal ao coração. Quero sentir o prazer de fazer uma gostosa lasanha de berinjela, uma saladinha leve ou um jantar a luz de velas que um Mc Donald's não proporciona.

Não um namoro criado depois de três semanas de ficadas. Por isso ocorre tantas traições e as pessoas tornaram-se volúveis. Acham que já estão apaixonadas uma semana depois que conhecem o individuo. Começam um namoro três semanas depois e na quarta já diz "Eu Te Amo". Ama nada. Ama por que está carente. Como não conhece a pessoa de verdade, afinal, nem deu tempo de conhecê-la, acontecem as traições. Um relacionamento é construído aos poucos e a confiança demora a ser conquistada. Você só é sincero com um pessoa que você conhece de verdade.

Pedro Bial citou Rubem Alves. "Tem muita gente peruá nesse mundo. Aquele grãozinho de pipoca que não estoura. Que não aproveita o calor do momento como os outros". Eu sou do tipo que não gosta de baladas e que assiste filmes europeus e 'velhos. Sou do tipo que escuta música clássica e fala francês. Sou do tipo que, muitas vezes, prefere ficar estudando matemática em vez de sair e beijar vários em uma balada que toque várias da Lady Gaga. Sou do tipo que lê Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, Martha Medeiros e até Florbela Espanca. Sou do tipo que prefere um menino com cara de bobo, óculos e cabelo enroladinho do que um braços forte e barriga de tanquinho. Sinto-me perdido e com medo de não 'estar aproveitando a vida do jeito que eu deveria'. Namoro a mim mesmo e, não que eu seja convencido, mas sou muito para ficar beijando qualquer um. Quero encontrar alguém que me enlouqueça de amor. Todos querem. Chamem-me de tonto, mas este alguém não achará você sendo o indivíduo ao qual conheceu sua língua e bunda antes de dar um "Olá" sorridente e/ou tímido. E você ainda se pergunta o porquê ninguém vê o valor e conteúdo que você tem, e por que os lindos romances só acontecem no cinema...

"E o sujeito nota dez nem consegue olhar para os lados, nem se desconcentrando um minuto com pena de ver o seu mundo cair."

Por Cláudio_DeLarge

sábado, 16 de janeiro de 2010

Homem X Mulher + O Gay Afeminado

- Cláudio, depois de sua volta as férias, você voltou muito... gay. - Disse minha chefe
- Que bom, né? Eu sou um - Estava re-ativo. Essa semana foi de uma incrível falta de paciência com todos. Inclusive com minha chefe.
- Ah, mas eu não concordo. Para ser gay não precisa mostrar tanto. Não precisa ser tão feminino. - Ela disse querendo puxar conversa comigo. Fiquei quieto durante toda a semana, o que era estranho frente a minha personalidade.
- Se eu sou um gay afeminado, você é uma mulher de opinião limitada - Explodi. Já tinha dito que não queria conversar - Seu comentário foi preconceituoso. Não estou dentro dos padrões heteronormativos atuais. E daí? Fique você sabendo que há 50 anos atrás, os padrões heteronormativos, que agora você defende, impediam você de fazer uma faculdade e usar essas calças, como mulher. E não foi condicionando-se a este padrão que as mulheres no decorrer dos anos, conquistaram esses direitos. Pare de ser hipócrita. - O silêncio reinou aquele momento.
- Grosseiro. Volte ao seu trabalho.

A Homossexualidade está presente em 450 espécies de animais. Sua maior incidência é em Leões, Golfinhos, Carneiros e Chimpanzés Bonobos (TODOS são Bissexuais). Segundo Sigmund Freud, o ser humano possui a "Angústia da castração", a qual o homem teme a fêmea pela visão da vagina que remete a castração, o que provoca uma ereção - uma reafirmação por não ter sido castrado, evocando superioridade. Biologicamente o macho é mais ativo sexualmente do que a fêmea- prova disso, é produzirmos 150 milhões de espermatozóides diariamente frente a produção mensal de óvulos. A fêmea tornando-se mais vulnerável na gravidez, incubiu o macho da proteção da familia durante o período de gestação. Se ele falhasse, teria sido um Macho e pai 'fraco'. Isso remeteu-se a sociedade atual, onde o homem precisa ser o "Chefe da familia". Devido a esse padrão, o homem precisa sentir-se e mostrar-se "Forte e Superior", sendo a mulher, seu oposto, "Delicada" a fim de que não há competição no ambiente familiar. Essa virilidade é a ética moral entre os homens, criando uma sociedade hierarquizada, onde quem detém o "Poder" é a imagem da 'Força', o homem. Portanto, segundo Foucault, o homem no sexo faz da mulher o seu outro, sua constatação de virilidade. É através do sexo que temos a totalidade de sentidos corporais. É o fazer sexo com várias mulheres que nasce a comprovação da virilidade, pois o homem subjugou várias mulheres a sua 'força' e 'poder', ou seja, a sua 'proteção'.

Porém, não basta. O homem, além de SER, precisa PARECER e ser reconhecido como homem. A 'Masculinidade' é algo que segrega Homens x Mulheres. A Mulher, o feminino, é como se fosse a referência negativa do imaginário 'Homem'. Seja biologica ou psiquicamente, todos sabemos que temos traços masculinos e femininos que serão desenvolvidos perante a valores sociais. Atualmente temos um grande espaço nos relacionamentos heterossexuais. Tanto pela crescente independência feminina quanto pela liberdade sexual em diversos parceiros. O Homossexual então, é uma espécie de 'mulher ideal' e comportamento confortável no imaginário masculino: Alguem sem nenhum receio do prazer sexual, o qual, não remeterá-se a construção de um descendente e, conseqüentemente, à uma familia e a responsabilidade de mostrar-se o 'chefe'. O prazer sexual apenas pelo prazer sexual. E além disso, a não responsabilidade da virilidade imposta. Apenas "Ser" e não precisar lidar com a crescente miséria afetiva e limitação do padrão de comportamento.

Uma sociedade simplista e alienada precisa vestir uma 'saia' no homem homossexual. Ou pior, denominar a homossexualidade como "O Terceiro Sexo". Os Homossexuais continuam sendo individuos biologicamente machos ou fêmeas, mas só por que transam e tem um comportamento fora da heteronormatividade, são discriminados. Reparem: Os gays sofrem preconceito. Os gays afeminados, sofrem ainda mais que o primeiro grupo. Os transexuais/travestis sofrem ainda mais que o primeiro e segundo grupo. Cada um que aproxima-se mais do conceito feminino, é discriminado. De uma outra ótica, acontece com as lésbicas masculinizadas, as chamadas 'caminhoneiras' ou 'bofinhos'. Ao perceber que uma mulher - aquela que deveria ser protegida pelo homem - pode muito bem "ser um", causa uma espécie de 'medo' no mundo masculino.

Ainda para piorar, os gays afeminados sofrem preconceito no próprio mundo homossexual. "O gay não precisa ser tão gay..." ou "Pô, não precisa dar tanta pinta". E por quê não? Traduzindo as frases acima, seria como "Pô, somos gays, mas não podemos fugir do comportamento heteronormativo hipócrita imposto pela sociedade ocidental". E os homossexuais que tanto criticam esta feminilidade, muitas vezes, não reparam que eles mesmos o são. Vou dar dois exemplos, um deles até usei com minha chefe: Quando você tem um alface no dente, não percebe até que te falem. Isso por que ele está no seu interior. Quando um gay é efeminado, ele não percebe. Mesmo vestindo-se melhor, um cabelo diferente ou uma camiseta mais agarrada, não é perceptível para si. "E por que ele não muda?". Dá mesma forma que há um padrão de comportamento, há um padrão de beleza. Os gordos não gostam de ser gordos. Se pudessem, emagreceriam. Mas é difícil emagrecer por que o metabolismo e o estomago já acostumou-se em comer muito. Uma pessoa de 120 KG não acha seu prato 'Muito', diferentemente de uma pessoa de 50Kg, que não conseguiria comer este prato. A mesma coisa acontece com os gays efeminados. É de seu psicológico e seu interior. É o seu ser. Eu confesso e falo por mim. Sou gay, efeminado contido e, se pudesse escolher, continuaria Homem, ou seja, não viraria mulher.

Os gays efeminados mais caricatos são uma espécie de para-raios. Subversivos, corajosos e engraçados. Segundo Foucault, sabotadores e marginais da heteronormatividade. São a tropa de choque da visibilidade gay.
Embora revolucionário, também evocam a bipolaridade macho-fêmea, mas e daí? Da mesma forma que os rastafari são 'visíveis e diferentes', são e devem ser respeitados pela sua estética. Programas como "A Praça é Nossa" e "Zorra Total" colaboram com o preconceito. Em contrapartida, a inclusão de um gay efeminadíssimo e uma Drag Queen no Big Brother causa visibilidade e é, de certa forma, uma normatização do comportamento. Os efeminados são os que 'lutam' e enfrentam o preconceito, talvez inconscientemente, em sua imagem. São eles que conquistam o espaço. Espaço este que muitos gays "não concordo com os efeminados" usufruem sem se quer ter movido uma palha - Gays estes que, sozinhos com amigos feminilizam-se de 'brincadeira'.

Por que temos de ser masculinos ou femininos obrigatoriamente limitados? Desgenerifiquemo-nos e o mundo. E sonhemos com o dia que estas distinções - e outras - não tenham mais sentido.

Por Cláudio_DeLarge

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Big Brother Brasil : O Ego Humano

"Não há nada mais transitório que o entretenimento e a beleza física, e os idolos que o simbolizam, são igualmente efêmeros" - Bauman

O "Big Brother" (ou Grande Irmão) é um personagem do livro "1984" do autor George Orwell (O Mesmo de "A Revolução dos Bichos"), que descreve uma sociedade de ditadura totalitária vigiada por uma grande tela de TV. Criado em 1999 por uma TV da Holanda, é sucesso estrondosso em quase 70 países e já está na décima edição brasileira.

Sendo um dos programas mais críticados pelos 'cabeças' pseudo-intelectuais, o BBB é o imagem da sociedade de consumo atual em detrimento ao conhecimento. Além de ele ser uma miniatura da idéia capitalista da sociedade atual, ele é a exteriorização do nosso interior, o Ego. Acho que estou falando muito dificil, vou simplificar: Digo, "Eu gosto e sempre assisto Big Brother", por mais que os intelectuais de plantão defina-o como um programa inculto e fútil. No entanto, o futebol também é fútil e não acrescenta nada, e todos aceitam. Aliás, o futebol é o maior exemplo de Política "Pão e Circo" pós-moderna mundial, mas é o Big Brother que mais assemelha-se a esta política. Vou Explicar.

Política de "Pão e Circo" era aquela que o império romano utilizava para conter o descontentamento da população. Distribuía comida simples e diversão ao público, representada nas lutas dos gladiadores, o 'futebol antigo'. Da mesma forma é o Big Brother, o qual os participantes lutam entre si até a 'morte'. Quando o gladiador encurralava o oponente, o público telespectador decidia a sua 'morte', remetendo-se diretamente ao 'Paredão'. Os gladiadores eram treinados e selecionados pelo seu físico e porte, mas qualquer um poderia inscrever-se, pois era um meio rápido de ascensão social. Como a entrada no coliseu era gratuita toda a população tinha acesso. Assim, criava-se uma maneira de despolitizar a população, ou seja, o assunto era desviado. Logo, não é coincidência que o BBB e a novela das oito - Sempre dona do roteiro que mais 'prende' a atenção do telespectador' - comece logo em seguida do Jornal Nacional. Assim, não temos tempo de pensar ou absorver as notícias, a fim de questioná-las.

O Big Brother é nosso ego televisionado.
Vivemos na sociedade do espetáculo, onde consumimos coisas descartáveis transformadas em necessiadade. Isso por que o produto é importante, por que somos um produtos. Não há interesse em conhecer um conteúdo se a embalagem não for interessante, esta é a verdade. O Big Brother nos disseca. Fazemos um culto ao próprio corpo e nossa imagem. Por isso que o Big Brother tem centenas de espelhos e uma academia enorme, e não uma biblioteca. As virtudes são consideradas defeitos. Prova disso é a eliminação rápida dos sinceros, competitivos e autênticos (No sentido se ser a si mesmo): Espelho nosso que não queremos ver. Em contrapartida, gostamos da promiscuidade e nudez em tela. É a nossa vontade de ser expostos: Identificação. São três meses sem sexo por que a imagem de si é tão importante que já satisfaz o indivíduo. Além disso, os participantes masculinos muitas vezes juram amizade eterna - Até pacto de sangue já rolou - e demonstram seus sentmentos, diferentemente das mulheres que nunca dizem "Amigas para Sempre". Isso acontece por que a ala masculina é mais vulnerável, embora seja estranho em um país considerado machista. É o padrão heteronormativo caindo por terra. E Sair deste paraíso do espetáculo é como ir para o "Paredão" e ser morto. O que adianta existir se não aparecemos?

O Legal do Big Brother é isso: Vivenciar as alegrias e tristezas de outra pessoa ausentando-se da própria vida, mas observando-se no outro. Ou assistimos por que nos identificamos com os protagonistas, ou para nos sentirmos menos mediocres. Ou melhor, não o assistimos, apenas para nos sentirmos menos idiotas que os participantes e os telespectadores. Confuso, né!? Nós não questionamos ou pensamos, apenas assistimos com voracidade esperando sempre a próxima versão do programa anterior, que já foi esquecido. É uma escolha: não queremos sentir, pensar ou agir, apenas abdicamos de nossa angústia existencial para que, nem personagens e nem atores, vivam intensamente por nós.

A GRANDE JOGADA: OS HOMOSSEXUAIS
A Rede Globo da 'carta branca' a todos os autores de novela, exceto em beijos gays. Vários foram vetados, mas Boninho, diretor do programa, colocou três homossexuais assumidos na décima edição do BBB10 (Sérgio, o Sr. Orgastic; Dicésar, a Drag Queen Dimmy Queer; e Angélica), além de uma dançarina bissexual (Eliana) e a dona da maior comunidade contra homofobia do Orkut (Elenita, dona da "Homofobia - Já Era").
A audiência só vinha decaindo desde 2005, e a grande jogada de Boninho foi colocar a comunidade mais evidente e que mais consome no espaço midiático atual: Os Homossexuais. Meu amigo disse "Ah, não gostei deles por que eles assumiram-se muito rápido". O que ele não entende é que os participantes não se assumiram, mas o próprio Big Brother assumiu-os. Tanto é que a primeira pergunta que Bial faz a Angélica referia-se a sua preferência sexual e, na repartição dos grupos, os "Coloridos" ficaram bem evidentes, É intencional.

E a audiência sobe: Sua estréia atingiu 30 pontos, contra 9 do SBT e da Record. Foi a segunda menor estréia, mas a novela "Viver a Vida" tambem não ajudou, que possui 28 de audiência.

De qualquer forma, é um tema polêmico o qual ela aborda. A homossexualidade ainda é um tabu e deve ser muito explorado ainda. Foi muito criticada na comunidade oficial do programa do orkut, mas a audiência continua subindo. Sim, vou torcer para os gays, simplesmente por que são gays. Dizem que a hipocrisia nos salva em muitas circunstâncias. No caso do Big Brother, ela é sempre uma grande vencedora.

Por Cláudio_DeLarge

domingo, 10 de janeiro de 2010

O Anticristo: A Dualidade

"A Floresta é a igreja do AntiCristo"

Título Original: Antichrist, 2009
Direção: Dinamarca, Lars Von Trier

Estou tão empolgado em escrever esta crítica que vocês não tem idéia. Um filme bom, pelo menos para mim, é aquele que ramifica-se em inúmeras interpretações. A cada sessão, uma interpretação diferente nasce. Cada simbologia que um filme apresenta, é como um processo de maiêutica socrática, ou seja, o indivíduo tira de si mesmo o conhecimento. Através de auto-questionamentos consegue chegar as respostas, através de si próprio, das perguntas que fazia a si mesmo.

Utilizando explicitamente do sexo e religião, Von Trier cria uma obra-prima cinematográfica sobre toda a dualidade existente no mundo. Será o AntiCristo a mulher personificada ou a própria "Idéia Jesus Cristo"? Enquanto os personagens de Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe entregam-se ao gozo sexual, por um descuido, seu filho Nick cai acidentalmente pela janela do prédio. Desencadeando uma profunda depressão na mãe, Ele, terapeuta, utiliza de terapia cognitiva a fim de fazê-la enfrentar seus medos, levando-a a casa de campo do casal, localizada na 'Floresta do Éden'. A partir de então, a dualidade e o oposto entram em choque. O Homem e a Mulher, O Branco e o Preto, Cristo e o Diabo.

Temos então, duas perguntas: E se a natureza fosse criada pelo AntiCristo? E se o "AntiCristo" não for "O Mal"? Uma das principais histórias que constroem a Bíblia, é a história da Adão em Eva. A partir desta, nasce a concepção de culpa ao sexo feminino por infringir a regra de Deus ao comer o fruto proibido. Foi a mulher, Eva, que ofereceu a tentação a Adão, o Homem. Desde então toda humanidade foi punida. Para a cabala, segmento religioso-filosófico do judaismo, Ádão teria sido criado como homem e mulher ao mesmo tempo e, seqüencialmente, dividido, surgindo então Lilith. Deus deu-a em casamento a Adão. Como ela não queria submeter-se a Deus e ao Homem, fugiu do Paraíso e uniu-se ao Diabo, sendo o principio da divergência entre o homem e a mulher. Então, Deus adormeceu Adão e criou a mulher de sua costela, construindo um vínculo de dependência e certa submissão. Ao "quebrar" a 'maquina' humana transformando-a em dois, retirou a costela - aquela que protege os orgãos e outros músculos - e deixou o Coração - o sentimento, o Ser Humano - exposto para o que ele verdadeiramente é. Ficou a mercê dos prazeres mundanos da natureza e foi seduzido pelo 'Dêmonio'.
Em um diálogo do filme, a Mãe diz "A Natureza é a Igreja de Satanás". Não só a natureza em si, mas a natureza humana, a dualidade. Ao mesmo tempo que a bíblia indica que o corpo é o templo de Deus (1 Coríntios 6:19) Indica que nossas vontades corporais é a natureza da igreja de Satanás.

O pai, como terapeuta que ajuda e protege a Mãe, é a racionalidade. A Mãe que deprimi-se é a emoção. A morte do filho ao cair da janela, é a queda da inocência enquanto o sexo deflora-se. A igreja Católica então divulga o cristianismo ocidental como a égide do fálico, do pênis. Revitalizando o patriarcalismo, oprimindo o gênero feminino criando o feminícidio. Em certo ponto do filme, a mãe deixa claro que não concluiu o seu estudo sobre os feminicídios acontecidos na idade média, os quais milhares de mulheres foram mortas e torturadas por bruxaria, sendo acusadas por pacto com o Diabo. Voltando a 'Floresta do Éden', parece ser acometida por uma dupla personalidade: uma violenta, instintiva e independente (Lilith), e outra insegura, medrosa e dependente (Eva). A Mãe então quer submeter o homem ao julgo da mulher: O ato sexual é feito com a mulher por cima do homem (Símbolo de dominação) e prende uma roda de concreto em sua perna, referência ao peso da culpa que todas as mulheres carregam ao longo da história.

Logo em seguida acontece a disputa sexual descrita por Freud. Para a psicanálise, a destruitividade e sexualidade são forças em constante conflito que movimentam o psiquismo. Em função disso, Freud explica que temos a 'angústia de castração'. O homem teme a mulher com seu genital, pois sua visão evoca a 'castração', sendo esse o terror que provoca a ereção - uma reafirmação por não ter sido castrado, de certa forma, uma superioridade. O Clitóris é uma espécie de pequena Glande (Cabeça do pênis), hipersensível que dá prazer a mulher. Cortando o próprio clitóris com a tesoura a Mãe-Eva se 'tira o prazer' devido a culpa que sente pela humanidade. Ao mesmo tempo, a Mãe-Lilith corta qualquer vínculo com o Homem, a Glande.

Ao Acordar, o Pai visualiza a Mãe caída no chão e, junto a ela "Os Três mendigos", formados pelo Veado, o Corvo e a Raposa. Levanta e a mata sufocando-a. Na floresta ele encontra a Raposa, dizendo-lhe "O Caos Reina", o que seria o começo da história do Anti Cristo, Contrapondo-se a História de Cristo. Veja:

A Morte....................> O Nascimento;
A Mulher.................> O Homem;
Os Três Mendigos...> Os Três Reis Magos;
O Anticristo..............> Jesus Cristo.

Ao iniciar sua volta a cidade, é surpreendido pelos "três mendigos". O veado - símbolo da alma que sofre, que geme, chora e luta até o fim -, o Corvo - contrário a 'pomba branca', símbolo da Paz, o canto do corvo, “Crás”, que significa “amanhã” em latim, é o prenúncio - , e a Raposa - é tido como animal feiticeiro e feminino e também como o duplo da consciência humana. Uma multidão de mulheres desce a montanha e ele se vê fundido com a natureza, como antes, na técnica terapêutica que ele fazia com a 'Mãe'. Sugerindo então, que ele sucumbiu a psicose. Sucumbiu a uma nova religião. A religião, a psicose.

O Anti Cristo não necessariamente é "O mal", mas os valores contra os do Cristianismo difundido. Ao ir de encontro o patriarcalismo e outros valores pregados, o filme ataca não só a Igreja católica pela criação da idéia do Cristianismo atual como, conseqüentemente, Jesus Cristo, como símbolo da instituição. Por este viés, o anti cristo é tanto a "Mãe" como o próprio criador da história.

Particularmente, fiquei maravilhado com o filme em sua simbologia. Acredito em Jesus Cristo e Deus, mas não o divulgado pelo Cristianismo. Devemos entender que Jesus Cristo e seus preceitos é uma coisa, o Cristianismo difundido atualmente, é outra. A religião é necessária para que nos apeguemos em algo. Mas questionamentos são essenciais para o autoconhecimento a fim de tornar-se uma pessoa melhor. Devemos ser bons por si, não por medo de ir ao inferno. O infernos são os outros. O infernos, nós o somos.

Filmes de Von Trier: 1° DogVille; 2° Dançando no Escuro; 3° Manderlay; 4° Os idiotas


Por Cláudio_DeLarge
(Dedicado a Tácio Oliveira, por ter ido comigo ao cnema e fechado os olhos nas partes 'fortes'. Fofo)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

"Quando o dedo aponto para o céu, o imbecil olha para o Dedo."

Título Original: Le Fabuleux Destin d'Amelie Poulain, 2001
Direção: França, Jean-Pierre Jeunet

Em 2002 nasce um dos personagens mais carismáticos do Cinema: Amelie Poulain. Com cinco indicações ao Oscar (Melhor filme de língua estrangeira, Roteiro Original, Fotografia, Direção de Arte e Som) e com grande potencial, não empapou-os devido a presença de Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. O francês Jean-Pierre Jeunet cria uma incrível alegoria sobre as dificuldades de relacionamento em um retrato de solidão quase que infantil - alegoria essa quase não perceptível aos olhos menos sensíveis - mostrando aproveitar da vida frente as pequenas coisas. Fantástico.

A vida da francesinha Amelie Poulain (personagem que alavancou a carreira de Audrey Tatou, 'O Código DaVinci') muda radicalmente ao encontrar uma antiga caixa de objetos infantis, um tesouro de 40 anos atrás. Empolgada, assume a missão de encontrar o dono dessa caixinha e, caso ele se emocionasse, dedicaria a sua vida a ajudar as pessoas. Caso não... Bom deixa para lá. No decorrer da película, vemos um incrível mundo de personagens que, juntos, formam uma única personalidade: A Nossa.

"O Fabuloso Destino de Amelie Poulain" é um retrato da solidão e do medo de encarar a vida. Na história temos Amelie Poulain, filha da Sra. Poulain - uma mulher fria com espasmos nervosos (Representação da solidão tão forte que atinge o corpo físico) - e o Sr. Poulain (um intervalo glacial, a solidão acontece tão internamente que assemelha-se a um zumbi). Amelie não frequentou a escola devido a uma doença do coração (Alegoria ao apartamento afetivo e dificuldade de relacionamento).
Já crescida, vemos que ela decide dedicar a sua vida a ajudar aos outros, denotando altruísmo. Na verdade, o verdadeiro siginificado é o medo de encarar a realidade. Amelie resolvendo as confusões psicológicas dos outros personagens, foge das dela própria. É um mecanismo de defesa e a intenção de fazer algo em sua vida que vália a pena, pois sua infância passou e não fez nada que tivesse importância. Podemos ver isso no diálogo abaixo:
- Pobre Princesa Diana, como é triste morrer tão jovem e feliz. - Diz a balconista
- Se fosse velha e triste teria menos importância? - indaga Amelie
- Sim, vide Madre Tereza de Calcutá.

E é nessa intenção de encontrar a si mesmo que nasce a alegoria mais legal do filme: O Album de fotos. Amelie apaixona-se por Nino, que coleciona fotos jogadas fora e encontradas no lixo, colocando-as em um grande álbum, como um álbum de familia de pessoas desconhecidas. Cada retalho forma uma foto, uma personalidade, uma persona de Nino. Ao decidir rasgar a foto, o seu dono estava negando sua imagem. Parcelas negadas do nosso ego. Ao uní-las, Nino cria uma versão deformada dos outros, ou seja, as pessoas são retalhos de nossa opinião. No album, uma mesma pessoa aparece doze vezes, e Amelie acredita que seja um fantasma que não quer ser esquecido e simboliza a sua vontade de ter uma experiência que dê continuidade a sua imagem. Temos 20, 30 ou 40 anos e o que fizemos de significativo em nossas vidas? Em frase do personagem escritor do filme "A Vida é um ensaio interminável de um espetáculo que nunca acontecerá" ou "Sem você as emoções de hoje são apenas pele morta das emoções do passado" ilustram.

As dificuldades de relacionamento entram também no âmbito amoroso. No medo de tentar e descobrir o amor, Amelie por meio de brincadeiras e jogos infantis faz com que Nino descubra-a. A primeira vez que tem um contato maior com Nino, é em seu trabalho, no Trem fantasma, que também representa o 'enfrentar os medos'. No campo familiar frente a um pai ausente e frio, Amelie menciona que "teve duas crises cardíacas e sofreu um aborto pois estava usando Crack". A representação de como as pessoas sujeitam-se a coisas que lhe fazem mal apenas para ter a atenção dos outros: Fere o coração, usa do sexo e das drogas. Tudo isso cria um terceiro altér-ego de Amelie, Dufayel, um idoso que tem uma doença de ossos quebradiços: "Até mesmo um aperto de mão poderia quebrar-lhe os ossos", a personificação da sensibilidade e de como um convívio social bruto pode vir a machucar seu interior.

A cada vez que assistimos à um filme o interpretamos de uma forma diferente. Sempre vi "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain" como uma história positiva de ver a beleza das pequenas coisas da vida. Hoje, vejo-o como uma experiência de auto-conhecimento. Não sei se essa foi realmente a intenção do criador da história ou coisas de minha cabeça, mas pude perceber o quanto o medo de enfrentar o mundo e as pessoas lá fora, limita meu crescimento interno. Temos que descobrir mais, tentar mais e arriscar mais, só assim nossa vida terá sentido. Por que é das pequenas vitórias diárias que esta vida adquire esse sentido. E o medo está dentro de mim.

Filmes Relacionados: Clube da Luta, Persona, O Silêncio e Identidade.


Por Cláudio_DeLarge
(Dedico à Rafael Aurichi, uma grande oportunidade que perdi por medo de arriscar)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Do Começo Ao Fim

"Para entender o nosso amor, teriam de virar o mundo pelo avesso"

O filme "Do Começo ao Fim" de Aloizio Abranches, que deixou em polvorosa homossexuais brasileiros desde a divulgação do seu trailer em Maio, teve sua estréia em 27 de Novembro de 2009. O filme foi alvo de descontentamento e críticas negativas devido a sua realidade inverossímel e um roteiro raso, também pudera, sua temática homossexual somada ao incesto, uma combinção polêmica, criou expectativa em milhões de internautas. É quase geral a insatisfação no meio crítico de cinema... exceto aqui.

Primeiramente, vamos entender a história: Francisco (João Gabriel) e Thomas (Rafael Cardoso) são dois meio-irmãos que sempre tiveram uma forte ligação, o que causava estranheza aos olhos de seus pais e envolvidos. Com a morte da mãe (Julia Lemmertz, em interpretação leve e verdadeira), engatam um romance incestuoso de amor incondicional. A combinação de incesto e homossexualidade criaria um filme polêmico e com quebra de tabus, mas não é isso que acontece. O filme tem um roteiro raso, limitado e pueril e não encontramos conflitos emocionais ou interferências de terceiros. Temos um filme lúdico e fantasioso.Leve. Incrivel.

Para que vocês entendam minha linha de raciocínio, precisam entender o propósito do filme. Não adianta cobrar do filme algo que ele não se propôs a ser. Temos de apreciá-lo como um todo, pela sua delicadeza e leveza. Não foi pretencioso e quis apenas ser agradável, simpatico e romântico. O próprio diretor afirmou que queria fazer um filme absolutamente feliz, sem tragédias e dramas. Talvez tenha sido por isso a exclusão de uma profundidade maior nos conflitos psicológicos, a morte dos pais ou a interferência de terceiros. João Gabriel e Rafael Cardoso (Comecei a assistir 'Cinquentinha só por causa dele e do Pierre Baitelli) são gostosos e possuem uma química incrível, a trilha sonora é fantástica e sensível e a fotografia agradável e gostosa.
"Do Começo Ao Fim" é uma fábula Fabulosa e um sopro ao cinema nacional gay.

Possibilita-nos uma discussão muito maior do que alguns poderiam visualizar: A auto-flagelação e limitação. Na sina de querer explodir os sentimentos internos, o ser humano utiliza das polêmicas para extravasar suas vontades frente aquilo que tanto crítica, mas que tanto espelha-se. Queriamos ver a polêmica, o considerado 'podre', não para criticarmos, mas para nos identificar. Precisamos ter certeza que não somos os únicos que sofrem ou possuem um pensamento fora do padrão. Além disso, a estirpe homossexual deve parar de sentir-se 'coitadinhos e excluídos perante a sociedade', pois se nós nos sentimos inferiores, sempre seremos inferiores. Temos sim que acreditar em um amor puro e incondicional. Não é por que é um filme homossexual que deve ter um final triste. Fico feliz em assistir um filme gay (e brasileiro) e sair leve do cinema. E termino a crítica com a frase que ilustra este blog: "Alguns homens veem as coisas como elas são e se perguntam por quê. Outros sonham com coisas que nunca existiram e se perguntam por que não?" (Bernard Shaw).

Os Cinco melhores filmes sobre INCESTO:
1° Os Sonhadores ; 2° O Silêncio; 3° Lolita (1962); 4° Pink Flamingos; 5° Através de Um Espelho

"Te amo por que você poderia amar qualquer um no mundo, mas você ama a mim."

Por Cláudio_DeLarge