sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Quanto Dura o Amor?

"Não fique com ele. Ele é do tipo que te iludirá falando coisas bonitas. Levar-te-a para cama e depois te tratará mal. Ele só quer te comer..."

Esta conversa no MSN veio a minha cabeça. Ele estava ao meu lado apenas de cueca enquanto eu fazia cafuné em seus cabelos.
- Você só me quer pelo sexo? - Perguntei, sem expressão.
- "Sexo é a manifestação física do prazer que eu sinto de estar com você". Frase boa, né? Vou até anotar. - Ele levanta rapidamente com um sorriso safado não tirando os olhos de mim. Desvio o olhar para a televisão com a cabeça em outro lugar. Relembro o dia que o conheci.

Há quase três anos que nos conhecemos, mas eu nunca tive interesse. Não havia motivo específico. Talvez fosse pela aparência que nas fotos não me agradava, pela sua reputação que não era a das melhores entre meus colegas - "Não fique com ele. Ele é do tipo que te iludirá falando coisas bonitas. Levar-te-a para cama e depois te tratará mal. Ele só quer te comer..." - ou pelo medo de sempre de achar que todos são assassinos em potencial e poderão me matar. Faltando uma semana para terminar minhas férias, decido almoçar com ele.

Chegando 10 minutos atrasado, visualizo-o em pé na frente do lugar combinado: Um café na travessa da Avenida Paulista. Mais alto e encorpado que eu imaginava, despertou meu interesse. Beirando aos 30 anos, cabelos louros e olhos verdes. Tinha uma postura que dava-lhe um aspecto robusto e forte. Sua escolha foi um restaurante francês com uma música ambiente que me fazia cantarolar enquanto ele falava. Dizia-se sincero, inteligente e 'bonzinho'. Mostrava constantemente o interesse por mim e o quanto esperou pelo momento de me conhecer. Eu e minhas mão limitavam-se ao copo com suco de tangerina que escolhi. Queria, mas não consiguia confiar em suas palavras.

Terminamos e ele insistiu em pagar a conta. Enquanto andávamos, ele falava coisas que me despertaram uma certa confiança. Acabei sendo convencido a subir em seu apartamento a fim de ver um vídeo que ele tanto insistiu em mostrar-me. Seu apartamento mostrava-se luxuoso e básico. Talvez sua intenção fosse impressionar-me com o evidente dinheiro que poderia ter, mas só conseguiu me deixar desconfortável. Sentei em sua cama macia e assisti por minutos o video o qual tanto falava. Eu estava tenso, e sabia o que aconteceria logo em seguida. Quando o video terminou pedi um copo d'agua e ele levantou prontamente a ir buscá-lo. Bebi olhando em seus olhos e logo veio em minha direção. Começou um beijo calmo e, aos poucos, deixei o beijo mais agressivo. Eu estava confuso e não sabia se continuava com aquilo ou acalmava os ânimos. Não é certo fazer sexo sem um compromisso firmado. Dane-se, eu precisava daquilo.

Pressionando-me contra a parede, pude sentir nossos pênis eretos roçarem. Tirei a camiseta e a violência com que eu o beijava, machucava minha boca a raspar em sua barba por fazer. Pegou-me no colo e quando dei por mim, estavamos de cueca. Eu queria parar mas meu corpo não deixáva. Fazendo menção de tirar minha cueca, o medo assolou-me, e fechei os olhos respirando por alguns segundos. "Isso é errado, isso é errado". Ao abrir os olhos, estávamos nús. "Quero camisinha e gel" pedi timidamente mas com uma ar de vontade e ânsia. Fizemos todas as posições possíveis e meu corpo pedia mais. Foi cerca de incansável uma hora e meia. Um sexo agressivo. Meu corpo pedia mais. "Vou Gozar" ele disse e, alguns segundos depois, senti seu peso relaxando em cima de mim. A culpa me assolava e, logo depois do banho, combinamos de nos ver no dia seguinte.

Passando os dias, ele mostrava-se cada vez mais carinhoso e ciumento. Criticava as fotos mais ousadas do orkut, sair com os amigos sem convidá-lo e exclusão de perfis em alguns sites de relacionamento.
- Quero assistir "Lua Nova" na sexta - eu disse animado
- Bobo, você estragou a surpresa. Já comprei ingressos para o sábado. - respondeu, com uma expressão decepcionada fofa. Tudo estava perfeito. Rápido demais, mas ótimo do mesmo jeito.

Quinta-feira combinamos de encontrar um amigo meu. Ao entrar em sua casa, mostrou-me uma foto minha que decidiu colocar na estante. Logo depois do sexo, ele mostrou-se ríspido e sem paciência, culpando o sono. Chegados do encontro, ele deitou na cama e mostrou-se distante. Não fiz questão de aproximar-me. Amanhecendo, abraçou-me e logo pude sentir seu pau ereto. Logo fiquei excitado alisando-o e beijando, mas fui interrompido. Após o café da manhã, começamos os amassos no sofá. "Menino, você não para? É tarado? Não posso te beijar que você já quer sexo", disse para mim, enquanto ria. Os beijos eram agressivos. Eu puxava seu cabelo e lambia seu pescoço enquanto ele apertava a minha bunda. Fomos em direção a sua cama terminando em um gozo quase simultâneo. No banho sua distância voltou. Suas brincadeiras eram ríspidas e o carinho de antes desapareceu.
- Sua atitude mudou. Seja sincero e me diga o que está acontecendo? - Disse-lhe em um tom controlado.
- Há horas em que quero ficar só, mas eu gostei muito de você e quero continuar. É um bloqueio que me trava ao deparar-me com um possível relacionamento. - Respondeu sem olhar em meus olhos.
Todo o sentimento que eu tinha por ele foi envolvido de modo automático, como uma fagocitose. Eu tinha o mesmo problema que ele. Ao ver que poderia me apaixonar e, possivelmente, me machucar, preferia ficar sozinho. Eu ia sofrer e, todo o sentimento que eu estava sentindo, concentrou-se em uma parte do peito a qual apertava-se para dar espaço. Um possível futuro com ele despedaçou-se. Eu poderia insistir e ver o quanto eu o faria feliz, mas eu sabia que poderia sofrer. Eu ia sofrer. Respirei fundo, a razão apossou-se de mim e, controlado e sem expressão, quase frio, respondi:
- Amanhã assistiremos ao filme "Lua Nova" e, se quiser, não comentamos neste assunto.

Ao chegar em sua casa, cumprimentei-o com um beijo no rosto. Meu corpo até queria beijá-lo, mas a racionalidade não conseguia um contato muito próximo. Ele estava de calça jeans e sem camiseta. Eu olhava cada parte do seu corpo e não havia mais nenhum interesse. Não eram mais tão interessantes como antes, pelo contrário. Seu sorriso deixou de ser bonito e seus olhos não tinham mais um diferencial, eram comuns. Era meu mecanismo de defesa funcionando.

Na sala de cinema do "Lua Nova", a cada palavra linda que Edwad Cullen dizia a Bella Swan, era um coro de suspiros. O nível de progesterona presente naquela sala era palpável, e eu estava tão sensível quanto. No término da sessão, dei um sorriso e olhei-o, recebendo como resposta "Nada de ficar suspirando feito viadinho. E essas adolescentes ridiculas. Precisam de um pinto". O susto deu lugar a raiva e o shopping Cidade Jardim tinha perdido sua graça.

No carro, conversamos sobre diversos assuntos. Suas brincadeiras ríspidas agora estavam engraçadas. Talvez, por que eu não importava-me mais. Não tinha mais nenhum interesse amoroso por ele, talvez um pouco sexual ainda remexia-se em minha cueca, mas principalmente, ele era um cara inteligente e legal de conversar. Antes de despedir-me, olhei-o por alguns segundos e não consegui vê-lo como um companheiro, apenas como uma companhia. Talvez tenha sido só sexo, ou talvez ele tenha sido sincero em suas palavras. Prefiro acreditar na segunda alternativa, ele era bonzinho. Talvez, daqui a três anos, minha percepção mude. Talvez.

"Escolha um bom prato, por que é a única coisa que você comerá hoje" - Frase do filme 'Sexo com Amor?'

Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A PornoChanchada

"De todas as taras sexuais, a abstinência é a mais estranha de todas elas" - Millor Fernandes

A Pornochanchada é um dos movimentos cinematográficos brasileiros de maior sucesso. Dele, nasceu grandes sucessos de bilheteria, como "Toda Nudez Será Castigada", "A Dama do Lotação", "O Homem Bem Dotado" e o filme que mais levou brasileiros ao cinema, "Dona Flor e Seus Dois Maridos", inspirado no romance de Jorge Amado. O Brasil, talvez, foi o único país a dar tanta fama ao seu SoftPornô.

Chanchada referia-se a filmes inspirados nos grandes musicais hollywoodianos da década de 50, somada as comédias pastelão do jeitinho brasileiro. Duas décadas depois, várias pitadas de erotismo foram adicionadas a estas películas e, então, surge a PornoChanchada. A mistura do sucessos era colocar gente conhecida, abusar dos
seios de mulheres ingênuas e nádegas de marmanjos com cara de cafajestes.

Muitos foram os atores que ficaram famosos devido a este movimento cinematográfico. Nomes como Nuno Leal Maia (O Pasqualete, lembra?), Vera Fischer, Sonia Braga, Cláudia Horrana, Regina Casé, Cláudia Raia, Marcos Frota e até mesmo a Rainha dos Baixinhos, Xuxa Meneghel. Bom todo mundo aqui já deve ter visto um trecho do filme "Amor, Estranho Amor", onde Xuxa, com 16 anos, faz uma cena de sexo com um menino de 12 anos. O filme contou com a participação de nomes como Tarcisio Meira e Vera Fisher.
Agora você deve estar perguntando-se: Em uma época de repressão política e censura extrema, na Ditadura militar, como eram permitidos estes tipos de filmes?
A resposta é simples: Ajuda mútua. Vários estudantes estavam descontentes com as eleições indiretas e, para calá-los, o governo queria mostrar avanço da tecnologia e entretenimento. Para isso, foi criada uma cota de exibição de filmes por ano. A Pornochanchada, com a produção de custo baixo e alto retorno lucrativo, produzia centenas de filmes que levavam milhões de pessoas ao cinema. Para não desagradar o público conservados, medidas de 'censura' eram impostas, como não evidenciar as
genitálias, pelos pubianos e sexo explicito. Além disso, todos os títulos eram de duplo sentido, como "A Mulher que se Disputa", "Elas São Do Baralho" e "Quando Abunda, Não Falta", ou seja, a maldade está na cabeça de quem interpreta os títulos.
Sua decadência ocorreu por dois motivos: A cota cultural do governo deixou de existir e a entrada de filmes pornôs hardcore internacionais colocou o pornôzinho brasileiro no escanteio.

Mesmo sendo considerado a "Idade das Trevas" do Cinema Brasileiro e responsabilizada por caracterizar nosso cinema como repleto de pobreza, palavrões e mal-acabado, foi representativo e instituiu grandes nomes da cultura brasileira. Sexo é bom e é útil até na censura, mas ainda assusta. Fiz um seminário na faculdade sobre a Pornochanchada e, durante a exibição de trechos de filmes (Apenas com insinuação de Sexo e nudez), as risadinhas e expressões assustadas lotavam a sala. Por isso distribuimos camisinhas no final da apresentação. Não há melhor anti-stress, anti-depressão e emagrecedor. Se o sexo vicia, vamos morrer de overdose.

Quadro Massaroca 57 - Programa Metrópolis, Cultura

Por Cláudio_DeLarge

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Paixão x Amor x AutoAfirmação

Dói mais ao nosso amor-próprio sermos desprezados, que aborrecidos." - (Marquês de Maricá)

Neste texto eu, além de dar minha cara a tapa, irei expor uma questão incrível de conquista que é um grande defeito meu. Aliás, um grande defeito nosso, leitor: A Auto-afirmação.

Antes de começar, preciso fazer três importantes perguntas.
O engraçado é que, mesmo escrevendo este texto antes de você responder, já sei quais serão suas respostas.

1) Quem aqui já teve a honra de ter alguém apaixonado por você, mas não pôde corresponder?
2) Quem aqui já foi super apaixonado por alguém, mas a pessoa nem te dava bola ou não correspondia como previsto?
3) Quem aqui, após conquistar a pessoa da pergunta acima, perdeu completamente o interesse?

O ser-humano tem a necessidade de autoafirmar-se. A conquista é o que nos move e isto está presente tanto em homens como em mulheres. No mundo homossexual é onde mais ocorre. Isto, por que mesmo os indivíduos completamente bem-resolvidos com a própria sexualidade, ainda possuem uma variante de culpa pela orientação sexual. Como a sociedade condena, temos de 'compensar' de alguma forma, seja pelo emprego, pela inteligência, pela moda ou, o mais recorrente, pela estética - que remete diretamente ao sexo. Por exemplo, a minha forma de autoafirmação e compensação perante a sociedade é a faculdade e o trabalho. Na faculdade os meus trabalhos são sempre os melhores. Modéstia a parte, mas são. Chego a ficar literalmente histérico com meu grupo e, caso meu trabalho não seja o melhor, condeno o vencedor até a morte. Algo como "Sou gay, mas sou melhor que você".

No mundo homossexual é, grande parte, pela estética e moda, o que remete ao sexo desenfreado e adoração ao corpo. Algo mais ou menos "Sou lindo, tenho o corpo maravilhoso e, por isso, faço mais sexo que vocês, héteros." Atire a primeira pedra quem nunca ficou com vários na balada e, ao voltar para a casa (Depois de um sexo com um desconhecido, ou não) ficou com a conhecida Depresão Pós Balada? É o beijar vários que responde o "Será que eu sou bonito mesmo?". Uma autoafirmação que não nos convence.

Não mentirei. Ano passado era do tipo que ficava com vários na balada. Atualmente a minha atitude é completamente contrária e, acredite, nunca choveu tanto homem, mas isso tem uma explicação. Semana passada fui a balada e houve uma hora em que meu amigo Fê derramou uma garrafa d'água inteira em meu corpo sem camiseta. Cerca de cinco ou seis meninos olhavam fixamente. Os mais ousados, davam sorrisos e chegavam perto de mim. Naquele dia, recebi dezenas de cantadas, mas não fiquei com ninguém e o porquê era o amar a si mesmo. Não digo que quem beija vários não tem amor próprio, a questão é, deixando a modéstia de lado, atualmente eu sei que sou muito bonito, tenho um ótimo corpo, sou super inteligente e poderia discutir sobre política ou filosofia com qualquer um, ganho bem para minha idade... Enfim, eu sou incrível. Isso não é falta de modéstia, é amor próprio. E o fato de eu querer um relacionamente sério, duradouro e monogâmico do tipo de querer morar junto e ter um cachorro (e um gato), é que me "abre" para possibilidades e "abre" meus olhos para os outros. Sou gay e tenho um diferencial. Não é por que sou homossexual que tenho de ser patologicamente sexuado.

Mas, como bom ser humano, isso não ocorre sempre e a auto-afirmação volta. Quem aqui já flertou, provocou e atiçou os caras só para que eles babassem por você, sem interesse neles? Tudo isso para saber que tem alguém pensando em você na hora da punheta. O grande problema é quando nos sentimos rejeitados e tem um engraçadinho tentando macular nossa auto-estima. O interesse cresce consideravelmente e isso ocorre comigo freqüentemente. Meu amigo, o Fê (outra vez) disse que este é o meu pior defeito. Só tem dois tipos de meninos que me conquistam: Os inteligentes que fazem PUC ou USP e que discutem sobre cinema, literatura ou política, ou os que me rejeitam. E trate de não me culpar, por que você é exatamente assim.

Talvez você deve estar pensando que sou um menino convencido e controlador, mas errado está você, pois este seu pensamento chama-se Projeção (Freud). Até que nos apaixonemos de verdade e a correspondência ocorra, somos monstros egoistas. Esta é uma característica que nunca vai mudar. Todos precisamos que nossa plantinha do ego seja regada de vez em quando.

"O amor-próprio é o maior de todos os lisonjeadores." - (François de La Rochefoucauld)

Por Cláudio_DeLarge

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Cinema, Aspirinas e Amassos

"O cinema é um modo divino de contar a vida." (Federico Fellini)

- Eu tenho uma teoria sobre estas balinhas que você gosta que mais parecem aspirinas.
- Qual? - Perguntou ele, olhando em minha direção. Pensei "Uau, ele é alto".
- São duas teorias de conspiração: Controle demográfico e lucro das indústrias farmacêuticas. Respondi com um tom de quem descobre a coisa mais importante do mundo.
- Hein? O que tem de mau nestas balinhas inocentes?
- Simples - o tom de descoberta deu lugar ao de obviedade - Produzindo doces semelhantes a remédios, a indústria resolve o índice demográfico a longo prazo induzindo a suicídios.
Quando criança, a vontade do doce é sanada ao comê-las. Já adultos, e depressivos, visualizando remédios simples, remeterá ao passado na solução das "Balinhas Aspirinas" e o individuo cometerá o suicídio.
- Menino, você está assistindo muito...
- E tem mais - Interrompi-o, empolgado com minha incrível descoberta - Caso não aconteça como planejado, a empresa já faz com que as crianças tornem-se
hipocondríacas desde cedo, aumentando o lucro das indústrias farmacêuticas...
- Cláudio, - Agora, ele me interrompe - fica tranqüilo. Eu não estou chateado por você não ter achado minha bala. - Ele dá um sorriso lindo.
- Ótimo então. Comprei Suflair, Bis, Bolo, Pipoca... De qualquer forma, minha teoria faz sentido.

No Cine-Pipoca...

Arrasta o sofá, arrasta a mesinha e liga a televisão
Apaga a luz, tira os tênis para deitar no colchão
Abre o DVD, Coloca "O Passado" comendo a Pipoca
Tá Calor! Pega muito gelo e coloca no copo de Coca
Tira a camiseta, o filme é curto, só uma Hora e vinte
Quadro Dourado, Um beijo Roubado do pintor Klymt
Toca o telefone, ele aproxima-se e lambe minha barriga
Desconcentrado e excitado, desligo e "Beijo e me liga"
Continuo o beijo, esqueço o filme e sento no colo dele
Puxo seu cabelo, mordo seus lábios e me pressiono nele
Abre meu botão, chupa meu peito. Puta que tezão!
Abaixa minha cueca, agarro em seus cabelos e começa a felação.
Seus olhos me olham, com cara de safado, Preciso ficar pelado.
Abro seu cinto, quero seu membro. Mãe no quarto ao lado.
Beijo forte, arranho suas costas, seu pau está latente.
Cinto difícil, Calça de botões e uma cueca florescente.
É maior o tezão, puxo-o para mim para fazer uma felação
Ereto e grande, quase engasgo, "Wow, que sensação!"
Gostosa sua boca. Gostoso seu gosto. O gosto de sua pele.
Aperta minha bunda, massageia meu pau. Começa um cunete.
Os olhos reviram, mas o ato é interrompido devido à um ruído.
Voltamos aos beijos, abraçados e deitados, o filme concluído.
Música dos créditos, Clássico em piano, Vou fazer massagem
Seus Cabelos lindos, ombros tensos, Vou tirar vantagem.
Deito sobre ele, viajo seu corpo, Minha língua o massageia
Lambuzo suas costas, pressiono a meu pau, Começa a brincadeira.
Roçando meu pau, no Sexo com roupa, de um modo Selvagem
Eu quero penetrar, e ser penetrado, Só falta a coragem.
Ânimos acalmam, meus dedos viajam, todo o seu rosto.
Já é tarde, olhando sua boca quero sentir o gosto.
Ele precisa ir embora, justo agora, que eu me acostumei.
Esse é o menino, muito fofo, que na chuva eu beijei.


Por Cláudio_DeLarge

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Darkroom - Dançando no Escuro

"Todas as cores concordam no escuro" - Francis Bacon

"Era a segunda vez que eu ia para aquela balada. A música alta, o calor, a lotação e o contínuo 'Tuntz-tuntz' deixavam-me tonto. Quando algum cara interessante olhava-me, um pequeno impulso nascia para que eu fosse dançar junto a ele, mas o medo de perder-me dos meus amigos era maior.
- Quer ir conhecer o Darkroom? - perguntou meu amigo gritando em meus ouvidos.
- O que é exatamente? - Tive de repetir duas vezes para que ele me entendesse.
- É um quarto escuro onde as pessoas fazem sexo.
- E você quer fazer sexo comigo lá? Somo amigos, A. - Respondi assustado
- Não bicha burra. Conhecemos a pessoa lá. É tudo escuro e você faz o que quiser com quem quiser lá. Só que não vê ninguem.
- Eu não quero fazer sexo com quem não conheço. Ainda mais sem ver nada.
- Vamos ficar só um pouquinho para você conhecer, saímos logo que você quiser e eu juro não soltar sua mão. - Responde o meu amigo meio alcoolizado. Eu também estava, já estava na terceira caipirinha.
Concordei e ele me puxou pelo braço. O que haveria de mais lá? Só algumas pessoas fazendo sexo. Ia até ser divertido, engraçado e eu não haveria de me preocupar, já que, como o A. disse, só participava quem quisesse.
O ambiente estava totalmente escuro, apenas com baixas luzes de celulares. E Lotado. O suor escorria pela minha testa e peitoral, estava muito calor. Passado alguns segundos, comecei a sentir várias mãos a alisarem-me. O meu peitoral saliente e barriga definida suados e sem camiseta atraiam três ou quatro mãos. Dois braços de pessoas diferentes me entrelaçavam. Para meu alivio, era só retirar cada mão e braço de meu corpo com minhas próprias mãos que desvencilhavam-se. Os participantes entendiam o recado.
Ao olhar para frente, meu amigo A. estava beijando um homem na parede. Não consegui visualizar seu rosto, mas percebi que masturbava-se enquanto, com a outra mão, massageava a bunda de meu amigo. Sua mão desvencilhou-se de mim e o homem prensou-o contra a parede. Entrei em desespero. A luz que indicava a saída estava distante e a lotação dificultava minha locomoção. As mãos começaram a alisar-me novamente e a bebida combinada com o medo deixaram-me imóvel. Uma vontade de chorar cresceu e uma pontada forte na garganta logo foi esquecida ao sentir uma mão massagear meu pau. Ao abrir os olhos, a meia luz de algum celular próxima facilitava a visualização de um menino da minha altura, cabeça raspada e uma barriga incrivelmente definida. Sua boca veio em minha direção e sua lingua exploru minha boca por um milésimo de segundo. Um enjôo subiu pela minha garganta, e afastei-me dele tentando disfarçar uma crise de tosse devido ao enjôo. As tosses doiam o baço. Tosses de um vômito que não vinha. O menino pegou-me pelos cabelos e fez com que eu ajoelha-se. Estava tonto, enjoado, com o raciocínio lento devido a bebida. Com a visão acostumada e focos de luz de celulares presentes, conseguia ver sexo anal envolto de homens masturbando-se, ao lado de movimentos violentos de cabeças produzindo sexo oral. Cheiro forte de sexo.
Desabotoando a calça, consegui ver nitidamente seu obliquo definido terminando em inúmeros pelos pubianos. Um crise de tosse veio com uma violencia que não pude disfarçar. Minha boca encheu-se de água e cuspi esperando o vômito. Levantei e empurrei o menino, agora sem calças e com o pau na mão aguardando. Andei empurrando corpos que quase não moviam-se de tão lotado. Uma eternidade até chegar a luz. Já no banheiro, lavei o rosto. Ao me olhar no espelho, meus olhos estavam vermelhos e meus cabelos despenteados. Um box liberou-se e tranquei-me nele. Finalmente o vômito veio. Eu estava leve, seguro e completamente sujo."

O Darkroom é um quarto com pouca ou nenhuma iluminação, existentes em boates ou saunas.
Sua finalidade é exclusivamente erótica e sexual onde, devido a pouca iluminação, faz com que os anônimos reduzam suas inibições. Os darkroom's, começaram a aparecer a partir da década de 70 em várias boates gays nos Estados Unidos, mas a sua 'idéia' é muito antiga, presente em inúmeros recintos e festas na antiguidade grega, junto com os bacanais e salas de Banho. Até mesmo Alvares de Azevedo em seu livro "Noites na Taverna" escreve sobre as tavernas, típicos darkroon's onde o protagonista faz sexo com uma mulher e, posteriormente, descobre que esta mulher era a sua própria irmã.

O causo acima ocorreu há mais de um ano e, mesmo pelo contexto, não é necessariamente uma crítica negativa aos DarkRoom's. Todos levamos, internamente, várias necessidade e desejos que, muitas vezes, causam medos em nós próprios. Fetishes, vontades sexuais, ver-se livres de julgamentos, padrões estéticos, sexo fácil, avaliação de desempenho sexual tem uma solução: O sexo no escuro. Os olhos não vêem os dedos que apontam. O único problema é a falta de preservação nestes quartos escuros. Existes AIDS e tambem existem os aidéticos diagnosticados como "Perversos", os quais sentem prazer ao infectar e destruir o outro. É o 'não ser julgado' e a facilidade do aidético conseguir sexo bareback. Sua solução é o escuro. O escritor Marquês de Sade ("Filosofia na Alcova" e "120 em Sodoma"), afirma que a realização do desejo é a maior finalidade humana, chegando ao seu ápice por meio do aniquilamento do outro, lenvando às ultimas consequências.

Não sou contra o ambiente em questão, cada um faz do corpo o que achar melhor e a satisfaçao sexual difere-se de pessoa a pessoa. Eu não sou adepto, tenho pavor de aglomerados de desconhecidos, doenças e escuro. Sexo é a coisa mais fácil de se conseguir e, sem querer ser convencido, poderia transar com um por dia com variadas caracteristicas, ou seja, o escuro não me convém. Não que os adeptos o façam por isso. Há N Motivos. Alguns de meus amigos, muito bonitos, freqüentam bastante inclusive. No sábado fui a uma balada e fiquei esperando três amigos meus no corredor de entrada. O engraçado é que, enquanto eu esperava, meu ex-namorado encontrou-me e conversamos um pouco. Um amigo dele puxou-o para dentro do dark para 'caçarem'. Senti uma sensação bem estranha, mas que divirtam-se. E qual é o problema? Segundo Arnaldo Jabor, a não caretice dos Gays que incomoda. A não hipocrisia e a vontade de fazer o que querem, como querem. É um cú, é meu. E não venha me dizer que o cu não foi feito para ser dado. A boca também 'não foi feita' para chupar e nem por isso os heteros boçais não praticam o sexo oral.

De qualquer forma, ainda prefiro um sexo na cama, com música (Violenta ou não, hehe!) , com conhecidos e, de preferência, com as luzes acesas.

Arnaldo Jabor - 26/10/2009


Por Cláudio_DeLarge