sábado, 31 de outubro de 2009

DogVille II - A Puta Hipocrisia da UNIBAN ABC

"Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las." (Madre Teresa de Calcutá)

O incidente ocorrido na UNIBAN de São Bernardo do Campo levantou inúmeros debates entre meus amigos. No ultimo dia 22, uma aluna da UNIBAN do ABC foi humilhada e quase estuprada pelos colegas universi-otários devido a um vestido muito curto. A mesma teve de ser escoltada por doze PM's vestindo um jaleco , ao meio de insultos e um coral de "Puta! Puta! Puta!".

O ocorrido remete a três idéias fundamentais: Hipocrisia, Liberdade de Expressão e um Ambiente acadêmico lotado de indivíduos com mentalidade de ensino fundamental. Darei a minha cara para bater, mas TODOS os alunos da UNIBAN ABC são ignorantes, tantos os envolvidos como os que tanto 'criticam' o ocorrido. Os envolvidos são ignorantes, pois comprovaram que a universidade não é mais freqüentada por cabeças-abertas interessados no conhecimento e sabedoria.Isto tampem é culpa da própria universidade, que no intuito que conquistar alunos (Lê-se Clientes) transformam-se em meros cursos técnicos, onde o diploma universitário está desvalorizando-se cada vez mais. Porém, na linha de frente da auto-desmoralização e burrice encontram-se ainda os moleques que decidiram reviver sua época de crescimento dos pentelhos. Ameaças de estupro coletivo eram gritadas. Ameaça esta, imperdoável entre os próprios detentos, co
nsiderada uma das maiores violações dos direitos humanos. Para os que não estavam envolvidos, o preconceito e falso moralismo e duplo. Na comunidade do Orkut, os membros diziam "Bando de putas e viadinhos", "Faculdade lotada de Gays", "Se fosse um homem, os bibas unibambis estariam todos gritando". Os "Críticos" apontam que um dos motivos pelo quase linchamento, foi devido aos envolvidos serem 'gays enrustidos'. Ignorância por todos os lados.

"Sexo", o grande tabu e o atrativo da sociedade. Mesmo sendo um terreno propício para a sexualidade onde muitos transam, querem transar ou dizem que transam, no dia 22 de outubro só havia uma "Puta" na UNIBAN, rodeada de estudantes virgens, puritanos e comportados. É até perdoável, já que o costume de utilizar uniformes no ensino fundamental contrapôs-se ao vertido rosa curto. O costume e a mentalidade acompanharam e, segundo o próprio secretário-geral da Unidade, afirmou que "Ela Merecia, Ela provocou", já que vestia trajes inadequados. Uma amiga minha, a Natália, afirmou que a menina provocou, pois a universidade não era um ambiente a se utilizar uma roupa daquelas e a mesma estava propícia a sofrer retaliações de um público "discordante".

Amigos, há uma idéia chamada "Liberdade de Expressão". Independente do local onde você esteja, o direito de expressar-se da maneira como achar mais conveniente é único. Na minha adolescência, freqüentava a Rua Augusta com alguns amigos. Certa vez, presenciamos dois Skin Heads descerem da moto e espancarem duas travestis para, logo em seguida, irem embora sem maiores explicações. As travestis "procuraram" ser espancadas apenas por freqüentarem um ambiente de extrema diversidade? É mais correto nos policiarmos a fim de amenizar o que os outros vão pensar? É correto ou justificavel violarmos o direito dos outros pelo que fazem das próprias vidas?

O fundamento da liberdade de expressão é o respeito. E é esta falta de, que faz com que o Brasil seja a décima economia com o 75° desenvolvimento humano. É a liberdade de se expressar, pensar e vestir que fundamenta a democracia e o respeito. Torceremos para que nenhuma menina mais use decore, pois a UNIBAN ABC instaurou a moral, bons costumes e conservadorismo no Brasil. Puta! Puta Hipocrisia. E não adianta apontar-me o dedo, porque você será apontado tambem.

Os hipócritas são como as tâmaras: o doce está fora, o mel nas palavras e o duro lá dentro, na alma." (Mateo Alemán)
Por Cláudio_DeLarge

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DogVille - A Hipocrisia Sexual (Resposta)

"Me abster de sexo? Então para que servira este meu corpo tão perfeito?" - Arnold Schwarzenegger

Primeiramente, vamos entender o significado da palavra HIPOCRISIA.

Hipocrisia: Afetação de virtude e/ou sentimento que não se tem. É criticar uma determinada idéia ou ação a qual está vinculada na própria pessoa que a crítica.

No Post anterior recebi um comentário de um leitor "Decepcionado" e de um outro sugerindo a utilização de personagens a fim de não me expor. Entendo e agradeço a sugestão do primeiro, mas e o "Decepcionado"? Realmente ainda não entendi.
Se você é um indivíduo que não transa com frequência ou facilmente, é considerado ultrapassado, inseguro, donzela, virgenzinho, lúdico ou 'crente do bumbum quente. Se faz MUITO sexo, independente do parceiro, é uma puta, viadinho, doente, promíscuo e que não se dá o devido valor.
Os grandes conhecedores de culinária, esporte, economia e cultura são enaltecidos como intelectuais. Ter vivência e conhecimento sobre cinema, música, biologia e política torna-os inteligente. Menos com o Sexo. Glorinha Calil escreveu um livro sobre etiqueta e moda, algo que atinge pouquíssima parcela da população brasileira, e é elogiada e considerada
exemplo a ser seguido (Por quem? Pesquisa feita pelo CBIC mostra que 46% dos brasileiros empregados ganham cerca de um salário mínimo, R$ 465), enquanto Bruna Surfistinha foi criticada e, mesmo deixado a antiga profissão, ainda é chamada de "Puta".
O contraditório (ou não) disso tudo é que enquanto Glorinha Kalil vendeu cerca de 250 mil cópias com seus quatro livros (Chic, Chic Homem, Alô Chics e Chic[érrimo]), Bruna surfistinha vendeu mais de 400 mil cópias com três de livros lançados (O Doce Veneno do Escorpião, Na Cama com Bruna Surfistinha e O que Aprendi com Bruna Surfistinha). Estranha esta vergonha moralista e imaturidade na hora de falar de sexo.

Uma pergunta Óbvia: Quem aqui já assistiu um comercial de cerveja? Todos, obviamente. Qual o seu tema central? Homens normais (Estranhamente sem a barriga de chopp e o dominó) ao lado de mulheres gostosas, lindas, semi-nuas e com um tremendo calor. A Imagem da mulher como um produto. Em contrapartida, estes comerciais continuam a circular. Há pouco tempo atrás, um comercial das Havaianas foi tirado do ar pela própria empresa devido a inúmeras relamações com a palavra "Sexo".Comercial criativo, mas nasce outra pergunta: E se fosse um neto e um Avô conversando, e aparecesse a Karina Bacchi, por exemplo? Seria retirado?

Comercial Havaianas "Avó", com Cauã Reymond

Remake/Retratação - Comercial Havaianas "Avó", com Cauã Reymond

Nenhum dos fatos do meu ultimo Post foi consumado, sou tão tranquilo em relação a sexo que fui perder minha virgindade aos 19 anos (Atualmente, para quem não sabe, eu tenho 19 anos).
Não querendo ser convencido, e a modéstia também é uma vaidade escondida atrás da porta, mas vocês já viram alguma pessoa bonita, fisicamente falando, bonita de verdade, ser contra ou reclamar dos que falam de sexo? É algo meio Merengre: Por trás de todo o ataque aos que falam de sacanagem, sempre tem alguem com uma feiurinha que mal consegue esconder a frustração.
Sei que é quase impossível, mas você, se tivesse um corpo incrivelmente definido, olhos claros (ou não) e um belo rosto, não teria as mesmas atitudes das pessoas que tanto critica?

"Eu não tenho vergonha de todas as coisas que eu sonho. Já me encontrei flertando com o limite do obsceno" (Britney Spears)

Por Cláudio_DeLarge

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Confissões de um Garoto de Programa

"Virgindade: significa (uma falsidade) a pureza de não ter vontade, de estar aberto à vontade dos outros, de ser um pau mandado. A virgindade é o alisar do pau por fora, para depois se agarrar e brandir melhor por dentro." - Pedro Fonseca

23 de Outubro de 2009
Decido ir para a casa de mini-ônibus. Estava vestindo uma camiseta em gola "V" verde agarradinha, calça jeans e sandália. Resumindo, meio gay.
Conforme os minutos passavam, o mini-onibus lotava. Já estava me
sentindo uma sardinha. Finalmente o motorista decide dar partida e, ao olhar todas as pessoas que estava presentes naquele pequeno espaço, meu olhar encontra-se com o de um homem de aproximados 25 anos, alto, barba por fazer, cabelos morenos e ombros largos. Desvio rapidamente e concentro-me na musica do rádio. Sinto uma mão movimentando-se próxima a minha cintura, mas não dou muita atenção. Logo em seguida, esta mão percorre as minhas costas, próxima ao coccix, por debaixo de minha camiseta. Olho surpreso e percebo que o dono da mão boba era o homem moreno e alto. Dono dos mesmos olhos que olhavam-me sérios e penetrantes. Fico gelado, não sei se por timidez ou medo, mas a minha primeira reação foi pedir licença a mulher ao meu lado, dirigindo-me a porta de saída. Meu ponto era depois do próximo. Ao olhar para trás a procura do 'mão boba', ruborizo ao perceber que ele ainda me olhava fixamente.

22 de Outubro de 2009
Minha psicóloga seria só as 13h, então decido ir ao shopping Tatuapé almoçar.
Como meu fluxo urinário é incrivelmente rápido, decido ir ao banheiro antes de ir ao refeitório. O banheiro encontrava-se vazio exceto por mim - obviamente -, e dois caras negros. Ao entrar, percebo que os dois me seguim com os olhos. Um encontrava-se parado na entrada no ultimo box e o outro no mictório. Terminado o meu xixi, saio do box e continuo recebendo os olhares.
Sabe quando tem alguem que te olha fixamente, você percebe, mesmo com vergonha, sente uma grande vontade de olhar para pessoa tambem? Pois é, fiz isso. O homem que encontrava-se na entrada do ultimo box conversava com alguem que estava dentro do box, enquanto pegava com a mão cheia no próprio pênis. O Segundo, negro, careca, bonito e bombado, ainda encontrava-se no mictório. Percebendo o meu olhar, respondeu-o com um sorriso. Com os olhos, 'apontou' para o próprio pau.
Segui direto ao refeitório e decidi por comida chinesa.
Antes de continuar meu destino, passo novamente no banheiro a fim de aliviar-me. Mais cheio, fiquei a vontade para utilizar o mictório. Em um intervalo de dois mictórios, um homem de cabeça raspada, camiseta verde agarradinha, bermuda jeans e sandália me olhava. Terminado, lavo a mão e me olho no espelho. Percebo que ele continuava me olhando. Saio do banheiro e paro para amarrar o cadarço. Ao sentir uma presença logo atrás, levanto e vou em direção a saída do shopping. Ao olhar para trás, visualizei-o ainda a me olhar.

12 de Outubro de 2009
Outra vez o Felipe está atrasado. Já até acostumei a esperá-lo. O Único problema é que o local de espera é o segundo que mais temo: Répública. Tenho um medo incontrolável de mendigos, trombadinhas, ciganas, meliantes e afins. Sei que isso remete preconceito, mas não consigo evitar. É Sério, morro de medo. Sabendo disso, combinamos que ele desceria do carro e me pegaria na catraca do Metrô e voltariamos.
Os 30 minutos que fiquei esperando foram de várias cantadas. Não sei se era a camisa polo preta agarradinha, a qual torneava meu peitoral, mas algo fazia com que eu chamasse atenção de todos os gays que passavam. Eu, que estou longe de saber flertar, abaixava a cabeça logo que algum caçador passava e fixava os olhos em mim até o ponto que o próprio pescoço permitia.
Mexendo no celular, levanto os olhos e vejo dois adolescentes gays vindo em minha direção.
- Oi! - Pergunta o primeiro colocando a mão na cintura, um meio sorriso e levantando a sobrancelha.
- Er, oi. - Fiquei surpreso que até a minha voz engrossou.
- Você é muito lindo. Namora? - Perguntou, agora dando uma reboladinha.
Que menino direto. Sabendo de sua intenção e com o intuito de amenizar um futuro 'fora', respondi que "Sim, inclusive vou encontrá-lo agora."
- Tudo bem, eu nem ligo para isso. Qual o seu nome? Eu e meu amigo te achamos lindo. -
Olhei para o segundo menino e recebo um sorriso. Ele era bonito, mas não era do tipo que eu olharia na balada.
- Cláudio e o de vocês? - Não que eu estivesse interessado. Só queria sair correndo. Cadê o Fê que não chegava?
- André e Ewerton. Nós estamos indo para a casa dele - apontou ao segundo menino - Quer ir com agente?
Não sei se eu fiquei mais espantado com o convite ou se pela sinceridade do menino. Ele realmente estava me convidando e não me conhecia nem a cinco minutos.
- Fica tranqüilo. O Ewerton é ativo, qualquer coisa. - Sorriu
O susto foi tão grande que se os dois começassem a gritar sem motivo pela estação, eu teria ficado menos surpreso.
- Er... eu já disse que namoro - Por um milagre, o Fê chega - Olha só, ele chegou. Tchau!
Como eu amo o Fê. Nunca quis tanto que aquele negro alto, careca e bonito fosse meu namorado. Mesmo que de mentirinha.

22 de Fevereiro de 2009
Finalmente conheci o famoso "Quiosque da Chris", presente numa praia de São Vicente. Diverti-me o dia todo na água, já estava rosa de sol e com três guardanapos na mesa, cada um com o telefone de alguem que interessou-se por mim durante o dia. O Sol já estava se pondo e chamei dois amigos para um mergulho de despedida.
Aquela parte da praia encontrava-se vazia, exceto por nós três, um casal hetero e um homem. A primeira onda forte me fez esbarrar no homem. Peço desculpas e me afasto. Uma segunda me faz esbarrar novamente. Peço desculpas outra vez e recebo um sorriso. 'Moço simpatico', penso eu. Distancio-me mais ainda a fim de não causar problemas. Na onda seguinte, percebo que esbarrei novamente no mesmo homem.
- Poxa moço, desculpe. Juro que a culpa não é minha, você que está chegando perto. - Digo a ele em um tom meio infantil e logo recebo outro sorriso como resposta.
Levanto a fim de ir em direção aos meus amigos que já estavam um pouco longe, propositalmente. O homem levanta e o retorno do mar faz com que eu visse de perto o corpo incrivelmente definido e bronzeado. Um grande peitoral, uma barriga de tanquinho que terminava em uma sunga, agora a pertada. Seu pau estava duro. Não nego que fiquei excitado enquanto ele aproximava-se e colocava a mão na minha cintura. Pensei "Agora vem o beijo. Uau, ele é muito gostoso".
- Abaixa o boquinha! - Ele disse com uma voz grossa meio afetada.
Demorei miléssimos de segundos para interpretar aquela obviedade. Mas Já? Nem um "Qual o seu nome?" ou "Seu filme preferido?".
- Não, obrigado - Respondi e logo sai correndo em direção aos meus amigos. Só ouvia "Psiu, volta aqui".

23 de Novembro de 2008
- Você pode me ajudar a entender este folheto? - Perguntou o homem ao meu lado.
A sala de cinema estava cheia na exibição do filme "Another Gay Seguel: Gays Gone Wild" na 16° Festival de Cinema Mix Brasil. Um homem de aproximados 30 anos, cabelos lisos e rosto perfeito puxa conversa comigo ao ver minha camiseta do "Laranja Mecânica".
Ainda nos trailers, o assunto sobre filmes antigos suecos recebe uma pausa inesperada e ele logo me puxa delicadamente, e me beija. O corpo dele era incrivel. Minha mão viajava pelo torax, costas e barriga durinhos. Ainda nos beijando, ele pega na minha mão e pressiona-a sobre o próprio pau. Desvencilho-me logo em seguida e começo a assistir o filme.

Tudo aqui acontece rápido demais

Ok, confesso a vocês que não sou nenhum puritano, mas ainda fico surpreso como as coisas acontecem rápido no mundo sexual homossexual. Não quero especificar certas atitudes pela orientação sexual, mas pelas conversas que tenho com minhas amigas heteros, nenhuma compara-se a algumas das experiências que vivo. Atualmente elas vêm acontecendo numa absurda freqüência. Ou eu estou mais bonito que nunca ou seja culpa das roupas mais gays que venho usando. Tanto faz, a resposta que me deixa tenso:
A) Estou incrivelmente atrasado sexualmente
B) Essas atitudes são comuns e eu ando 'comportadinho' demais.
C) Essas atitudes não são comuns, eu que tenho cara de facinho mesmo.

"Sexo casual destrói o respeito próprio. Algumas pessoas usam-no para se sentirem melhor, mas a realidade é que só lhes destrói a vida. Eu vi isso por mim própria, e por isso mesmo é que nunca me senti à vontade com a promiscuidade." (Mariah Carey)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Amor Que Mais Dura, É O Amor Não Correspondido

O Autor do Blog adverte: Este Texto é apena um Desabafo

Eu chorei assistindo uma filme romântico. Sim, eu chorei vendo um filme bobinho romântico.
Confesso que choro em alguns dramas, mas não em filmes românticos. Isso por que eu sou - ou era - completamente racional em questões amorosas, daquele tipo de pessoa que não entra de cabeça em um relacionamento por ter medo de sofrer. O problema não foi ter chorado no final de um filme romântico bobo. O problema foi ter chorado durante o filme e exclamando várias vezes "Onh, que lindo!", projetando-me na protagonista em todos os momentos. Chorei pelo sofrimento dela e pela incrível atenção que recebia. Chorei pelas flores que ela ganhou, pela música tocada em violino que ela cantou e, principalmente - a hora que mais chorei - pelo beijo sincero e visivelmente apaixonado que ela recebeu sob a chuva. Chorei e me senti um bobo, mas não por ter chorado pelo amor, mas por, muitas vezes, ter deixado de amar por medo de chorar.

Vendo este filme, confesso que odeio o amor. Ele é extremamente complexo de ser entendido. Quando não é correspondido, dói e machuca. O dia demora para passar, as palavras fogem ao escrever um SMS, o assunto evapora no MSN, o desespero aflora a cada minuto demorado nas respostas do receptor e as músicas MPB's ganham um sentido incrível. Dói.
A vontade de abraçar os amigos cresce. Dói. Podem milhares de outras pessoas flertarem com você, mas não interessa. Você acha-se feio, desinteressante, incapaz. Dói.

Pense comigo: As maiores obras cinematográficas românticas
são aquelas onde os dois não ficam juntos. ... E O Vento Levou o amor que Scalett O'Hara e Rett Buttler, o Titanic afundou o amor de Jack e Rose, a Cidade dos Anjos levaram o de Seth e Megg Rice, e Holly e Gerry finalizaramo relacionamento com um PS: Eu Te amo. Posso citar milhares, como Brokeback Mountain, Doce Novembro, Antes Que o Dia Termine, Ghost - Do Outro Lado da Vida, Cidade dos Sonhos, entre outros. A Literatura consegue ser mais cruel. A quantidade de suicídios, homicídios, acidentes e doenças é incrível. Clássicos como Madame Bovary, O Morro dos Ventos Uivantes, Amor de Perdição Lucíola, Desejo e Reparação, Razão e Sensibilidade, Dama das Camélias, Hamlet, Otelo, Tristão Isolda e, o maior romance de todos o tempos, Romeu e Julieta.

No amor, virei um impaciente, lúdico e sonhador. E, como bom ser
humano, preciso responsabilizar alguem pela minha desgraça. A eleita é a (vadia) da Audrey Hepburn. Ela tem uma beleza simples, é linda, sempre conquista o galã e vive feliz para sempre. Ou, até o fim do filme, já que o amor é algo como morrer cedo como um herói ou viver o bastante para tornar-se um vilão.

Peço, por favor, que não culpem-me por ser tão lúdico. Dói e chega até ser mórbido. Roçar os pés sob as cobertas, assistir um filme antigo com Bis e Coca-Cola, ganhar uma aliança em forma de apito (Né, Bia?), andar de mãos dadas sorrindo de orelha a orelha e beijar sob a chuva - o tão sonhado beijo sob a chuva. Peço também desculpas pelo tema manjado e o desabafo. Abaixo, segue o único texto que escrevi por estar apaixonado, a meses atrás. O 'Muso' foi o mesmo que proporcionou-me o tão sonhado beijo na chuva. Talvez fosse uma paixão incoerente, mas qual não é? Enquanto isso, continuo a reviver mentalmente o meu beijo na chuva.

"Amor, Entre Outros Desastres"
Amar-lhe-ia.
Amar como verbo transitivo é aquele que não tem sentido completo sozinho. Demorei a perceber isso. Amar, não é intransitivo e não é individual. Mesmo que os verbos intransitivos não precisem de complemento, ao mesmo tempo não se movimentam, não transitam e sua oração é curta.
Este tempo é o futuro do pretérito. Foi escolhido por relacionar-se a irrealidade, hipótese e incerteza. Minha razão desistiu de amar, então você é meu passado, mesmo meu coração visualizando-lhe em meu futuro. O futuro do meu passado. O Futuro do pretérito.
Por ultimo, digo-lhe isso em mesóclise. Esta colocação só pode ser utilizada em verbos no futuro. Futuro do presente ou apenas do meu passado. Verbo no infinitivo, do infinito e que nunca termina. Na mesóclise temos o pronome obliquo átono “lhe” que representa a terceira pessoa. “Ele”, que está entre nós. Um terceiro travesseiro. Um terceiro “amar”. O único obstáculo do meu “Amarei”.
Esperar-lhe-ei. Até lá, serei apenas mais um verbo intransitivo.

Por Cláudio_DeLarge

domingo, 18 de outubro de 2009

Chuva de Outubro

- Posso te pedir uma coisa? Pode até ser escondidinho.
- Pode dizer! - ele respondeu com um sorriso, enquanto apertava o passo a fim de tentar fugir dos pingos grossos de chuva.
- Sempre quis dar um beijo na chuva. Você poderia...
E minha frase foi interrompida por um beijo inesperado. Senti beijando seus dentes já que ele não conteve o sorriso da própria atitude. Fiquei na ponta dos pés e entrelacei meus braços acima de seus ombros. O gosto dos pingos frios que escorriam pelo seu rosto davam-me sede e eu precisava do gosto de cada gota, da chuva, dele e de tudo que acontecia no meu interior e no exterior. Parei e, ao olhar nos seus olhos azuis, segui a gota de chuva que nasceu de seus cachos negros molhados e desceu ao lado da perdição que eram seus olhos. Caminhou lentamente por cada pequeno fio de barba por fazer, terminando num sorriso branquíssimo, sincero e hipnotizante.

Tudo pareceu parar. Eu conseguia até ver cada pingo de chuva caindo lentamente sobre a Rua Augusta brilhante. Visualizava cada gota explodindo no chão, nas poças, nos carros e em seus ombros.
Sabe aqueles momentos da sua vida que tudo parece estar em câmera lenta? Então, este foi um dos meus.
Em seguida, para compensar o tempo em lentidão, tudo acelerou-se. Quando dei por mim, estava deitado em minha cama olhando para o teto cheio daquelas estrelas que brilham no escuro. Um céu cheio de estrelas e sem nuvens. Um céu sem a chuva.
Também havia uma cama sob um céu sem chuva, e sem o menino de cabelo cacheado.

Cena do Filme "Bonequinha de Luxo"

"Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita" - Carlos Drummond de Andrade

Por Cláudio_DeLarge
Dedicado ao medroso mentiroso.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Colina dos Homens Perdidos (5+)

Há muito tempo que beleza e talento são qualidades dificílimas de encontrar juntas. Ainda mais em Hollywood, terra dos sonhos tanto de diretores como atores, produtores, figurinistas e prostitutas... Dá para contar nos dedos da mão a quantidade de atores/atrizes que conseguem preencher estes dois quesitos. Meu ócio, conhecimento de filmes e orientação sexual juntaram-se na escolha dos cinco atores mais talentosos que combinaram atuação e beleza.

5°Ewan McGregor
MiniBiografia: Nascido na Escócia (Crieff, Perthshire, 31 de março de 1971) o dono de lindos olhos cinzas é o único ainda
vivo da listinha e ainda em ação. Começou aos 8 anos com a peça Grease e como cover de Elvis Presley. Já fez filmes com temática GLBT "Velvet Goldmine" e "I Love You Phillip Morris", este ainda sem estréia marcada no Brasil.
Prêmios: Recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator – Comédia/Musical, por "Moulin Rouge – Amor em Vermelho" (2001).Recebeu uma indicação ao MTV Movie Awards de Melhor Revelação, por "Trainspotting – Sem Limites" (1996), Melhor Sequência de Dança, por "Por Uma Vida menos Ordinária" (1997), Melhor Sequência Musical, por "Moulin Rouge – Amor em Vermelho" (2001) e Melhor Beijo, por "Moulin Rouge – Amor em Vermelho" (2001).


4° Rock Hudson
Mini Biografia: RockHudson (Winnetka, Illinois, 17 de Novembro de 1925 — Beverly Hills, Los Angeles, 2 de Outubro de 1985). Bonito, homossexual e com 1,93m, sua carreira decolou como galã em vários faroestes, dramas de guerra e comédias, principalmente ao lado de Doris Day. Contracenou tambem com Liz Taylor e James Dean (Bissexual assumido), o qual sentiu-se muito atraído, chorando durante horas quando soube de sua morte.
Rock Hudson morreu de AIDS e anunciou três meses antes de morrer, doando 250 mil dolares a uma entidade que pesquisava sobre o vírus.
Prêmios: Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator pelo clássico Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1956) ; Ganhou quatro vezes o Golden Globe.


3° Paul Newman
MiniBiografia: Paul Leonard Newman (Shaker Heights, 26 de janeiro de 1925 — Westport, 26 de setembro de 2008). Seus lindos olhos azuiz hipnotizaram muitas mulheres. Mas foi com o controverso "Gata em teto de Zinco Quente" que ele conquistou os homens ao viver um personagem com um possivel romance com seu melhor amigo. Conhecido por apoiar causas políticas liberais do EUA, morreu ano passado vítima de um cancêr no pulmão.
Prêmios: Indicado ao oscar por Gata em teto de zinco quente (1958), Desafio à corrupção ( 1961), O Indomado (1963), Rebeldia Indomável (1967), Rachel, Rachel (1968), Ausência de Malícia (1981), O Veredicto (1982), A Cor do Dinheiro (1986), Assim é minha vida (1994), Estrada para Perdição (2002)




2° Marlon Brando
MiniBiografia: (Omaha, Nebraska, 3 de Abril de 1924 — Los Angeles, 1 de Julho de 2004). Considerado um dos maiores atores de todos os tempos, Marlon Brando foi considerado um simbolo sexual por utilizar camisetas que demarcavam os seus musculos. Mas foi na década de 70 que atingiu seu auge como ator com os filmes "O Ultimo Tango em Paris" e "O Poderoso Chefão".
Pêmios: Recebeu 7 indicações ao Oscar de Melhor Ator, por “Uma Rua Chamada Pecado” (1951), “Viva Zapata!” (1952), “Júlio César” (1953), “Sindicato de Ladrões” (1954), “Sayonara” (1957), “O Poderoso Chefão” (1972) e ”Último Tango em Paris” (1973). Venceu em 1954 e 1972; Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por “Assassinato Sob Custódia” (1989); Recebeu 4 indicações ao Globo de Ouro de Melhor Ator – Drama, por “Sindicato de Ladrões” (1954), “Sayonara” (1957), “The Ugly American” (1963) e “O Poderoso Chefão” (1972).


1° Montgomery Clift (L)
MiniBiografia: Edward Montgomery Clift (17 de Outubro de 1920 - 23 de Julho de 1966) foi um ator estadunidense.
Segundo alguns autores, Montgomery Clift era homossexual. Outros argumentam que era bissexual. Teve sua aparição na Broadway aos treze anos e atuou ali durante dez anos antes de viajar a Hollywood, debutando em Rio Vermelho (1948), com John Wayne. A mãe de Clift fala sem problemas da homossexualidade do filho: ‘Monty se deu conta que era homossexual muito cedo. Creio que tinha doze ou treze anos'. ("Montgomery Clift: a Biography", p. 22). O diretor, Stanley Kramer, escreveria em suas memórias que Clift não conseguia recordar suas falas. Mas, ao mesmo tempo, exclamaria : "Clift é um dos três ou quatro maiores atores que existem". Montgomery Clift morreu em 23 de julho de 1966 aos 45 anos por complicações de saúde devido a sua dependência ao álcool e às drogas.
Prêmios: Recebeu 3 indicações ao Oscar de Melhor Ator, por "Perdidos na Tormenta" (1948), "Um Lugar ao Sol" (1951) e "A um Passo da Eternidade" (1953) ; Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por "Julgamento em Nuremberg" (1961); Recebeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Ator Estrangeiro, por "Julgamento em Nuremberg" (1961).

Merecem ser Lembrados: James Dean, Gene Kelly, Clark Gable, Gregory Peck, Humprey Bogart e Cary Grant.

Por Cláudio_DeLarge

sábado, 10 de outubro de 2009

Beleza Americana

"A beleza é uma tirania de curta duração." (Sócrates)

Visualizo-a e a respiração torna-se irregular. Ela tinha tudo o que diziam ser um ideal de beleza.
Olhos azuis, Pele alva e branquissima. Sua brancura era atrapalhada apenas por pequenas pintas evidentes negras em seus braços e
pernas, totalmente depiladas. Cabelos louros acinzentados lisos e escorridos, rosto fino e irregular e bochechas vermelhas. Braços finos, corpo muito magro, seios pequenos e clavícula evidente. Pernas esguias, panturrilhas grandes e pés pequenos. Vestia um grande vestido branco aberto nas costas e um sapato verde baixinho. Seus olhos azuis profundos combinavam com uma boca vermelha e uma leve sombra roxa.

Ao chegar perto, percebo a beleza em contradição.
Os olhos azuis eram a cegueira que tomava conta. A pele alva e branca referia-se ao Vitiligo. Os cabelos sem cor e escorridos e as pintas negras eram culpa da AIDS. A ausência de pêlos devia-se a quimioterapia. As bochechas vermelhas nasceram pelo tapa que recebeu de quem amava, da mesma forma a perna quebrada e panturrilha inchada. Os seios pequenos eram uma complicação na mama e a clavícula evidente era a anorexia.
Vestia-se com o macacão que a U.T.I fornecia, e a pantufa verde, foi doada.

O motivo da cegueira foi uma lente de contato colorida que resolveu usar. O vitiligo veio sem motivo, ou talvez por ela odiar ser negra. Os seios foram perdidos devido a uma infecção na cirurgia para colocar silicone. A AIDS ela pegou através de um cliente - Era a única maneira de pagar sua cirurgia. Os hematomas recebeu do marido, a unica pessoa que a amava e, em troca, ela o infectou. A Anorexia veio junto com a depressão de ficar só. Agora ela está no hospital e acabou de roubar um avental da enfermeira por querer esconder as pernas feias e inchadas. Lá, havia uma seringa e, dentro de três horas, ela morrerá devido a uma infecção hospitalar.

Ela fez tudo para ser um ideal de beleza. E os teve.
A responsabilidade foi dela. A responsabilidade, é nossa.

"A beleza é indivisível. Quem chega a possuí-la prefere, em lugar de repartí-la, aniquilá-la." (Goethe)

Por Cláudio_DeLarge

Muito Além do Cidadão Kane

Opinião pública é o que as pessoas acreditam que as outras pessoas pensam." (Alfred Austim)

A alguma semanas assisti o documentários “Muito Além do
Cidadão Kane” (Beyond Cidadão Kane, 1993) , uma produção televisiva britânica dirigida por Simon Hartog, onde mostra a
influência midiática e o poderio quase monopólico da comunicação brasileira pela emissora de televisão Rede Globo. Seu fundador, Roberto Marinho, foi comparado ao personagem magnata da comunicação Charles Foster Kane, criado pelo diretor Orson Welles e baseado na vida de Willian Randolph Hearst. A alusão a Willian Hearst deu-se pela maneira grosseira a qual a rede Globo Manipula as informações a fim de formar opiniões

A GRANDIOSIDADE DA REDE GLOBO
Na década de 80, cerca de 80% das crianças paulistas assistiam o “Xou da Xuxa”, sendo ela, uma dos quarenta apresentadores mais bem pagos do mundo. A Rede Globo possuía mais de quinze mil funcionários e abrangia cerca de 99,2% de todo o território brasileiro e 99,9% dos televisores brasileiros. Em um estudo feito, 75% do orçamento publicitário do Brasil era destinado a Rede Globo e dois terços dos canais televisivos eram controlados por políticos, direta ou indiretamente. Cerca de 90% dos donos de empresa tinham interesse em divulgar sua marca/produto na emissora, mesmo levando em consideração que apenas um terço da população tinha orçamento para comprá-los. Foi a Rede Globo também, que colocou no ar o programa ao vivo mais famoso, Programa da Chacrinha - O mesmo foi cancelado devido ao seu caráter anárquico – e a telenovela mais assistida do mundo, “Roque Santeiro
”, sendo exibida até mesmo em Cuba. Até Silvio Santos começou na Rede Globo, porém afastou-se em 1975. Seu lucro dá-se pela comercialização do carnê do Baú da Felicidade e Telesena. Foi a Globo, também, a única a conseguir 100% de audiência, duas vezes ainda, e foi nos ultimos capítulos das novelas "Selva de Pedra" e "Gabriela", adaptação de uma obra de Jorge Amado.

O RESUMO
Mesmo não existindo Televisores no Brasil, Assis Chateaubriand fundou a primeira emissora de televisão da America do Sul, a TV TUPI, em 18 de setembro de 1950. Quatorze anos depois a primeira novela, “O Direito de Nascer”, vai ao ar. No mesmo ano, Joao Goulart Precede o golpe militar. A ditadura militar, então, formada por políticos, civis e empresários, tinha a intenção de restabelecer o sistema de informação e, em 26 de abril de 1965 a Rede Globo de televisão nasceu, ramificação do jornal “O Globo”, fundado por Irineu Marinho e criado em 1926, procedido pela Rádio Globo, criada em 1940.
Mas é Walter Clarck que está por trás do sucesso da Rede Globo, criando uma grade de programação e seqüências, que familiarizaram o público com a TV. Em 1967 o presidente Marechal Costa e
Silva, com seu breve milagre econômico, tinha a intenção de integrar a comunicação da população brasileira. Investiu pesadamente em um moderno sistema de comunicação, descuidando da saúde educação e destruindo emissoras locais. Um ano depois a censura prévia foi imposta e o congresso fechado. A Rede Globo era, indiretamente, controlada pelo governo. O Jornal Nacional, criado em 1962, não noticiava completamente os acontecimentos, revoltas não eram divulgadas e o sindicato não tinha voz. 30% de todo o orçamento brasileiro era destinado aos meios de comunicação interessados ao governo. Centenas de artistas foram exilados por não estaem de acordo com o governo. Médici criou o slogan “Brasil: Ame-o ou Deixe-o”.

REDE GLOBO + MANIPULAÇÃO
Os três principais pontos o qual mostra a manipulação da Rede Globo, dá-se pelos nomes Wladmir Herzog, Diretas Já e Lula x Collor. Torna-se evidente seu partidarismo com o governo e a intenção de manipular a população através destes três exemplos. Wladmir Herzog, jornalista da TV cultura, foi encontrado morto após uma sessão de espancamento onde era acusado de fazer parte do movimento comunista, proibido no Brasil na época. Sua morte foi divulgada como suicídio, o que a população evidentemente não acreditou pois seus joelhos encontravam-se a 15cm do chão, possuía marcas de estrangulamento no pescoço e os depointes não eram autorizados a entrar com cintos. Um segundo fato temos a a divulgação das Diretas Já. Em uma manifestação das Diretas Já em São Paulo, o Jornal Nacional divulgou como uma simples comemoração do aniversário de São Paulo. Por ultimo, o debate para a presidência da república entre Collor e Lula teve uma manipulação grosseira. A superioridade das ideias do Lula eram evidentes, mas ode o resumo feito no dia seguinte parecia mais uma peça publicitária a favor de Collor do que um resumo propriamente dito.

O GAY, A NOVELA E A REDE GLOBO
Mesmo o Brasil tendo a maior parada gay do mundo, o assunto da homossexualidade ainda é discutido com apreensão. Em um dos capítulos da Série Brothers And Sisters, um personagem pede o namorado em casamento e, ao aceitar, os dois beijam-se. Somada a séries como Will And Grace, Queer As Folk, The L World e Ugly Betty (Esta, colocando um personagem homossexual de 15 anos bastante afeminado) tratam de forma tranquila a homossexualidade. Diferentemente da RedeGlobo, a qual vetou muitas vezes beijos Gays.
Na Novela "Torre de Babel" as duas personagens lésbicas são mortas na explosão do prédio devido a rejeição do público à um casal gay na trama, Rafaela e Leila, vividas por Christiani Torloni e Silvia Pfiffer. O beijo gay em "América", "Mulheres Apaixonadas" e "Duas Caras" foi vetado. Aguinaldo Silva, diretor desta ultima novela, conta que chorou pelo veto e, como resposta, em uma das performances de Alzira, stripper vivida por Flávia Alessandra, é interrompida pela policia contextualizando a 'Moral' e a Liberdade de Expressão.
Porém, o primeiro beijo gay para valer em uma TV aberta ocorreu na minisserie "Queridos Amigos" protagonizada por Weber. E ninguém nem Tchum!. A questão a se pensar é a seguinte: Em um país onde os atores são agredidos por interpretar certos personagens (Jackson Antunes apanhou de um homem por personificar o personagem Leo, agressor de mulheres em "A Favorita"), um beijo gay realmente deveria acontecer? Será que o problema são os meios de comunicação ou o próprio telespectador. Os Estados Unidos produzem séries constantes com temática gay e a receptividade não se compara ao Brasil. Onde está o problema?

Os meios de comunicação não podem mais ser considerados o quarto poder ou um intermediário entre estes poderes, mas um poder que produz o Poder. Se, conforme Descartes, Penso e Logo existo, não existimos. Somos Cegos que apenas concordam e sorriem. Reclamamos, mas logo sorrimos pagando uma tarifa alta de R$2,55 de um metrô que vem dando problemas semana sim, semana não. Apertados, raivosos, imóveis e conformados. Apenas concordando e sorrindo.

"O sábio pode mudar de opinião. O ignorante, nunca." (Immanuel Kant)

Por Cláudio_DeLarge

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Closer - Perto Demais II

"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite." (Clarisse Lispector)

O Sangue já escorria pelo pescoço e eu não sabia se estava mais assustado pelo barulho que o tapa fizera ou quanto a atitude do namorado ao esbofetear o marido. O tapa foi tão forte que a cabeça do marido foi em direção a pia. O mármore fez um corte logo acima da sobrancelha e derramava sangue calmamente.

- Olha o que ele me fez, vocês viram? Ele bateu em mim. - Disse o marido numa voz de choro o que me fez, instintivamente, ir em à sua direção ajudá-lo.

- Não encosta nele. - O namorado veio em minha direção com os dois olhos arregalados e os punhos fechados. Exalava descontrole e ódio. Pronto. Ele iria me bater. E se eu levasse um soco o que eu faria? Nunca nem se quer empurrei alguém, com certeza eu levaria um soco e ficaria quieto. Não por saber que a minha atitude era errada, mas por não ter coragem de bater em alguém. Por medo. E ele vinha em minha direção com uma determinação que fazia minha respiração tornar-se irregular.

***

- Viaja comigo para o Rio de Janeiro agora? - O marido disse com um brilho estranho nos olhos. Um medinho estranho percorreu minha espinha.
-
Você está louco? Não posso viajar exatamente agora. Meu RG, minha carteira... Esta tudo na sua casa. Além disso, seu namorado vai sacar na hora e...
- Não importa
- Ele colocou o dedo em minha boca e me beijou - Só quero ficar com você agora. Dormindo agarradinho. Vamos à um motel então? Conheço um ótimo aqui por perto e...
- Nem vem...
- Interrompi-o já com o medinho crescendo. Conheci-o hoje e, no meu ponto de vista, todas as pessoas são assassinas em potencial. – Socorro, pensei - Você é fofo e tudo que eu sempre quis. Mas não vou fazer Tchutchu com você. Conheci você hoje.
- Tchuchu?
- Ele pergunta com expressão de desconhecimento.
- É, tchutchu... Sexo. Assim que eu o chamo, desculpe. - Falei envergonhado. Aderi esse vocábulo e, a qualquer pessoa, referia-me Sexo como "Tchutchu".
- Meu Deus, você é muito fofo. Vai comigo, por favor. Juro que não farei nada que você não queira. Só quero ficar com você, agarradinho, juntinho e te fazendo carinho.

Ok, eu também não sou de ferro e aqueles olhos verdes vivos me olhavam com um apelo de querer agarrá-los. Seria a maior loucura que fiz em minha vida, mas estava com medo. Apavorado, para ser sincero. Não por não confiar nele, mas por não ter controle da situação. Já se passavam da meia-noite, estava em um bairro que eu não conhecia, sem carteira e RG. Não queria transar com ele, embora ele fosse muito gostoso com um peitoral que me distraía em conversa às vezes. Queria, mas estava com medo. Não tinha certeza se estava mais com medo de falar ‘Não’ ou de ir ao motel. Fiquei mudo por alguns segundos.

- Vamos, por favor? Não quero enfrentar meu namorado hoje. - Disse ele com uma feição de triste e, ao lembrar-se do namorado, minha espinha congelou-se. Concordei com os olhos.

No caminho do motel, fiquei mudo. Estava apavorado com tudo.

- Você está com seu R.G? - Perguntou ele com um sorriso.
- Não, minha carteira está em sua casa. - Meio alívio surgiu em mim.
- Vamos tentar!

"Peça meu RG, Peça meu RG" eu pensava fervorosamente. Sou baixinho e tenho cara de novo. Sem RG, provavelmente, não me deixariam entrar. Ao chegar na portaria, a moça olhou em minha direção. Fiz a cara de mais infantil possível, com olhos brilhantes e uma evidência no lábio inferior. A moça recusou-se a deicar eu entrar sem RG. O alívio percorreu o corpo e tive que reprimir um sorriso. Porém, logo cessou ao decidir ir falar com o namorado. Ele era meu colega tinha direito de saber o que aconteceu.

***

O namorado veio em minha direção e meu amigo logo se colocou entre nós.

- Por que você fez isso comigo? Você acabou com a minha vida. - Disse ele em um grito reprimido. Sua boca mal se abria e seus olhos mutilavam-me. O desespero me invadiu. Até aquele momento eu não tinha entendido a amplitude do que acontecera. O marido estava decidido em terminar tudo, e não havia o que o namorado dizia que o fizesse mudar de idéia. Lá estava o namorado em minha frente: raivoso e futuramente sozinho, desempregado, sem dinheiro, sem casa e sem perspectiva. Meus olhos encheram-se de lágrimas e única coisa que eu queria fazer era sair dali. Nunca tinha feito algo tão feio e egoísta em minha vida. Destruí os sonhos de uma pessoa. Eu merecia aquele soco que vinha.

Uma mão pesada atingiu meu peito me jogando para trás violentamente. Minhas costas bateram na estante e meus olhos reviraram de dor. Dois porta-retratos caíram sobre minha cabeça. A dor nas costas fazia com que eu segurasse a respiração a fim de não sentir a dor de minha cirurgia na coluna. Minha boca abriu-se sem grito.

- Não encosta a mão nele! - O marido gritou com voz de desespero - Bata em mim, mas não nele.
- Por que você o esta defendendo?
- Por que ele é lindo. Ele é magrinho, não o machuque.
- Sua voz era de dó, de cuidado, de visivelmente alcoolizado.
- Não encosta nele você. Se você repetir isso, aí que eu bato nele outra vez. - Disse o namorado furioso.
-
NÃO ENCOSTA NELE. A escritura desta casa está em meu nome e eu quero que você saia. - O marido gritou com voz em prantos. Eu queria sumir dali. Estava com medo dos dois.
- Cláudio, eu quero que você vá embora assim que o trem voltar a funcionar. Por Favor. Desculpe pelo soco, eu não sou assim. – Disse o namorado com uma calma repentina. Era o que eu mais queria fazer.
- A casa é minha e quem deve sair é você. – Disse o marido com uma garrafa de Smirnoff Ice na mão. Como ele podia ser tão frio? – El
es dois vão dormir aqui hoje. Se o Cláudionho quiser, ele pode dormir na minha cama. – Piscadela.

O namorado foi em direção ao marido. Deu três socos seguidos nos ombros e no peito. Gritava “Como você pode fazer isso comigo, ele era meu amigo”. Como resposta o namorado recebeu “Ele não é seu amigo e você não o via a anos. Você não o trazia acho que é por medo de me perder só por que ele é muito mais lindo, interessante e inteligente que você”. Aquilo estava indo longe demais e eu não conseguia mais suportar. Por que tudo se tornou tão difícil? Por que a simplicidade com que eu via as coisas não voltava? “Você já o beijou e sabe o quanto a boca dele é gostosa” era o que o marido repetia enquanto desviava dos socos do namorado choroso enquanto meu amigo tentava apartá-los. “Sua bichinha de Autorama”, gritou o marido. “O Cláudio também ia no Autorama”.

- Ow, peraí. – Dei um grito. Não entendi por que fiquei tão bravo ao me associarem ao autorama – Primeiro, pare de falar assim com seu namorado que ele não vai ao autorama desde que conheceu você. E você – Dirigi-me ao namorado – Só fui aquele lugar uma vez para nunca mais. Hãm. – Meu tom era infantil e o “Hãm!” deu uma impressão de brincadeira.

Ao ouvir eu falar pela primeira vez, o namorado veio em minha direção e me deu um abraço. Um abraço de desespero e apertado.

- Ele já me bateu duas vezes. De me dar chute nas costelas. Mas eu o amo. Quando eu fiquei com você, nem você quis namorar comigo, ele foi o único. Não leve ele de mim. – Disse em um tom de súplica.
-
Não vou levá-lo. Eu... eu... – Abracei-o – Ele me disse que via meu Orkut durante estes seis meses que passaram. Talvez eu seja uma desculpa, sei lá.

Fomos interrompidos pelo marido dizendo que a cama a qual eu e meu amigo iríamos dormir estava pronta. Ele e o namorado conversariam no quarto a sós.Ele despediu-se de meu amigo com um abraço e, ao vir em minha direção dar-me um beijo, hesitei visivelmente.

Deitados, pedi desculpas milhares de vezes ao meu amigo. Chorei e ele me abraçou. “Sei que você não fez por mal, anjo. Vou te chamar agora de Ivone, da novela ‘Caminho das Índias’”. Ri baixo, tenso por ainda ouvir os gritos no quarto ao lado. Minutos depois a porta do quarto deles se abre e fecha violentamente. Após cinco minutos silenciosos, ouço o namorado chorar sozinho durante toda a madrugada lá na sala. Sinto medo e remorso. Penso no que fiz e o sono vêm lentamente. Durmo ao som de um choro solitário. Distante, triste e solitário.

"Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão." - (Vinícius de Morais)

Por Cláudio_DeLarge

Geração Coca-Cola

"A grande lei da cultura é esta: deixar que cada um se torne tudo aquilo para que foi criado capaz de ser." (Thomas Carlyle)

Trabalho da Faculdade
Matéria: Sociedade, Comunicação e Cultura (Antropologia)
Tema: Invasão Cultural
Objetivo: Seminário cantado e teatralizado a fim de explicar aos alunos a Invasão cultural.
Turma: 2° Comunicação Social - Publicidade e Propaganda A
Música Original: Womanizer - Britney Spears (By N. Briscoe / R. Akinyemi / Chris Brown)
Paródia: Coca-Cola (By Cláudio DeLarge)

Revolução, a indústria desenvolveu-se
Lá no Tio Sam tudo tinha um interesse.
Equipamento e Produto e a Cultura Veio Tudo
Uma invasão - teleguiada, baby.

É um Deja-vu, quase um destino manifesto,
Este Brasil foi invadido sem protesto.
É um consumo capitalista em uma potência imperialista.
Você prevê, mas não quer ver, Baby.

Coca, Coca-Cola. Eu bebo mesmo é coca-cola light,
O meu e-mail tem dois ou quatro gyga bytes.
Para a DisneyLândia eu quero ir
Ver o Mickey e a Minnie sou um Pateta a me exibir

Lá pr'o cinema eu vou ir para um faroeste eu assistir,
Julie Andrews Vai Cantar e com o Chaplin eu vou rir.
Vou ver a Gilda tirar a luva e o Gene Kelly cantar na Chuva.

E o cinema foi usado para fazer divulgação,
Esta cultura do Tio Sam foi de grande exportação.
Cabelo estilo Marilyn Monroe. Com Ginger Rogers Fred Dançou.

Comportamento, um novo estilo foi lançado.
Cabelo e roura, tudo era copiado.
Atitude e revolta. Vou imitar o Jonh Travolta.
Jaqueta e Jeans - Sou James Dean, baby.

Paranóia, é só assim que eu vou ter glória.
Eu vou perder a identidade e minha história.
A internet facilitou o que a TV sempre afirmou,
Esta idéia globalizou, Baby.

Coca, não me amola, não me importa eu quero é gastar
Calça Diesel, Blusa Sommer que combinam com All Star.
Mostrar a calcinha e ser vadia.
Está na moda bulimia, peito grande e academia.

No Mc Donald's vou comer e no Starbuck vou beber.
Prision Break, Will & Grace e o Lost eu vou Ver.
Eu uso Jeans e estou afim de cabelo loiro e não pixain.

Quem ganhou foi o Obama para salvar todos da lama
E o ministro do Brasil eu nem sei como é que chama.
Me vê um Mac e um marlboro, Spo com Jontex eu dô no coro.

Nada mais se cria tudo se copia (Coca-Coca Colas, Nike Tenis Doze Molas)
Este é o tempo de Toda histeria (Messenger é a mania).

Coca, não me amola, não me importa eu quero é gastar
Calça Diesel, Blusa Sommer que combinam com All Star.
You- You-You Are, You- You-You Are
Capitaista, Consumista, Fashionista e um egoista.

Jornal de hoje eu nem li mas quero ver a MTV
para ver como me comportar saber o que vestir.
Adoro música, quem é Cazuza? prefiro Britney e Madonna é musa.

E o Brasil se resume a este tal de BBBê
Bunda, bola e bebida é só o que passa na TV.
O MPB é uma cultura, mas é o funk, minha loucura.

Eu tô curtindo este fato de toda alienação,
Para que eu vou pensar agora se eu tenho a televisão?
Globalização, agora tudo é uma grande pangeia.
O mundo todo é uma aldeia que vendem esta idéia.

***


Será que André Malraux, cientista social francês, estava certo quando escreveu que a cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado?

Video Womanizer (Clipe Oficial) - Britney Spears


OBS: Tentem cantar no ritmo da música acima. Dá certinho.

Por Cláudio DeLarge