quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Juri

"Quem és tu que queres julgar, Com vista que só alcança um palmo, Coisas que estão a mil milhas?" Danthe Alighieri

Denomina-se JULGAMENTO o conjunto de avaliações provadas que formam uma decisão embasada. O Julgamento pode ser psicológico (capacidades cognitivas e particulares), Religioso (No conceito da salvação por Deus) e Legal (Contexto de segurança; Constitucionalidade), o qual é formado pelo JURI. O JURI é um conjunto de cidadãos, previamente alistados, que decidem a culpabilidade dos acusados de um crime. Sua origem é religiosa, onde os alistados seriam invocações de Deus por Testemunha. Acreditava-se que a reunião de doze homens puros, traria a verdade a questão.

Durante estes três dias, percebi o quão extremamente fácil é apontar o que a pessoa fez de errado. Mais fácil ainda é dizer que, no lugar da pessoa, faria diferente. Mas a maior descoberta foi: Mesmo esta pessoa dizendo que você está errado e que faria de forma diferente, ao vivenciar a proposta do julgamento, age exatamente igual a você. Não devemos culpar-nos pois é incrivelmente fácil julgar as pessoas que estão expostas pelas circunstâncias. Deveria ser mais fácil ainda refletir sobre os próprios erros e fazer realmente diferente. Mesmo que você tente colocar-se no lugar po réu, você deificilmente entenderá a amplitude de rudo.
Embora seja perdoável esta nossa limitação. Aliás, não deve ser chamada de limitação e sim, uma questão de autoafirmação. Sentimo-nos melhor consigo as custas das desventuras alheias.

Sei que errei. Quero apenas deixar claro que as as vivências, experiências, circunstâncias e história de vida são individuais no ser humano. Isto não justifica, mas explica. Evite julgar pois, muitas vezes, o julgamento interno do indivíduo é mais insuportável do que qualquer pena.
Lembre-se: Cada um sabe exatamente das dores e das renúncias de ser o que é. Uma coisa é você ACHAR que está no caminho certo, a outra é ACHAR que seu caminho é o único.

"Não espere pelo Julgamento Final. Ele acontece todos os dias." (Albert Camus)

Por Cláudio_DeLarge

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Closer - Perto Demais

- "Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo." - Martha Medeiros

O dia estava incrivelmente ensolarado e eu estava com a pele ótima, óculos escuros, fone no ouvido ao som de Yelle e com minha camiseta verde preferida, a qual salientava o meu peitoral. Havia combinado encontrar-me com meu amigo Alex às 15h no metrô Barra Funda e, como sempre, eu estava atrasado.

Fiquei surpreso com o convite do marido de um amigo meu que faria uma surpresa levando antigos amigos, como eu e o Alex, ao namorado. A minha surpresa não era pelo enorme carinho que o marido demonstrava e o interesse de agradar o namorado e fazê-lo feliz. Fiquei surpreso, pois só tinha visto o namorado duas vezes em toda a minha vida e não conversava, nem sequer virtualmente, com ele há mais de um ano e meio. O Alex também ficou surpreso, pois eles também não se conversavam a cerca de seis meses. De qualquer forma, resolvemos ir.

As 15h15 estava um Audi C3 vermelho parado na estação. O marido nos convida para entrar. Eu, no banco da frente, percebi como ele era muito mais bonito e simpático do que nas fotos. Era baixinho, tinha um braço forte e definido, um enorme peitoral e um trapézio de quem faz academia todos os dias. Suas pernas eram fortes e definidas e tinha um sorriso enorme e sincero. O que mais chamava a atenção eram os olhos. Os olhos de um verde incrivelmente claro. A grande quantidade de cílios formava uma moldura negra que destacava ainda mais os olhos verdes vivo. Dizia ininterruptamente o quanto estava feliz de nos levar lá e fazer uma surpresa ao namorado. O namorado estava triste, pois não conseguira passar em certos exames para uma viagem ao exterior, estava sem emprego e engordava cada vez mais. Mostrava-se incrivelmente atencioso e preocupado com o namorado. Um casal apaixonado e fofo, que morava junto a mais de um ano.

Ao chegar, percebemos a cara de surpresa do namorado ao nos ver. Cumprimentamo-lo ainda sem jeito, pois não o víamos há muito tempo. Eu não fazia idéia de como agir, mas logo nos soltamos. O marido foi fazer um churrasco e o namorado pães de queijo e um bolo floresta negra. Na varanda e com cervejas na mão, o marido comentava o quanto se sentia sozinho freqüentemente, já que o namorado ficava em casa o dia inteiro assistindo TV, não tinha interesse em ir para a piscina do condomínio, andar de bicicleta, ir viajar ou sair de balada. Às vezes eu perdia o fio da conversa olhando para enorme piscina no condomínio lá embaixo. Uma vontade louca de mergulhar me invadiu. O sol estava tão forte que andaria de bicicleta até pegar uma insolação. Comentei o que eu estava sentindo e o marido ficou encantado. Logo nos tornamos amigos e mais ficamos próximos.

Dois amigos do marido chegaram e mais latinhas de cerveja eram abertas. O marido já estava na quarta e abraçava toda hora o Alex e me oferecia Smirnoff. Pedindo para que eu escolhesse um DVD, mostrou-me sua enorme coleção. Visualizei o show da Sarah Brightman. Meus olhos brilharam e dei um enorme sorriso. Ele mostrou-se incrivelmente empolgado com a minha recepção à cantora que ele mais amava. Logo colocou o DVD no quarto para que eu assistisse junto com ele. Confessou-me que o namorado odiava tudo que ele gostava e que se sentia muito sozinho por isso. Fiquei fascinado com a produção do show, a quantidade de violinos, a voz de ópera e incrível da cantora. A cada música era uma exclamação de admiração minha, e ele olhava-me fixamente por demorados segundo sorrindo. Eu, temendo estar exagerando ou parecer bobo, me continha às vezes. Ele colocou a perna entre as minhas e perguntou baixinho se eu queria ir ao show que aconteceria em algumas semanas. O ingresso que custava R$ 400 estava longe de meu orçamento no momento, mas ele insistiu dizendo que me daria de presente. Achei-o incrivelmente fofo e interessado em agradar afinal, Conheci-o hoje. Aceitei na condição de pagá-lo aos poucos, mas percebi que ele não deixaria, apenas pediu para que eu não contasse ao namorado já que era muito ciumento. Novamente me olhou fixamente por muitos segundos. Sustentei o olhar com uma expressão de agradecimento.

Resolvi conversar um pouco com o namorado, já que o motivo daquilo tudo era deixá-lo feliz. O marido estava feliz e comunicativo. Por vezes ele encostava-se em mim e me dava um sorriso. Correspondia-o e ele, logo em seguida, abraçava forte o namorado. Percebi que era aquele tipo de relacionamento que eu queria. Um homem atencioso, preocupado, capaz de fazer surpresas incríveis, bonito, um corpo incrível e simpático. Estava feliz pelo convite. O namorado e o marido também. Principalmente o marido que conversava comigo toda hora e ficava surpreso para cada coisinha em comum que tínhamos e que dividíamos.

Alguns minutos depois e o marido, percebendo que a cerveja acabou, pega as chaves do carro e abrindo a porta diz para que eu o acompanha-se até o mercado. Dou um sorriso aos meninos, que estavam concentrados em fazer o bolo, e pego meu celular na mesinha. Chegando no carro, ele abre a porta para que eu entre e a fecha com um enorme sorriso. Aquela atitude me deu uma vontade louca de chorar. Nunca ninguém havia feito nada parecido comigo e era exatamente como nos filmes antigos ao qual eu assistia. Ele, já do meu lado, colocou uma seqüência de musicas da Sarah Brightman e francesas, minha paixão. As músicas românticas fizeram com que eu comentasse de como ele era fofo com o namorado e a incrível preocupação em querer agradá-lo era tocante. Meus olhos, literalmente estavam mareados. Senti-me um bobo.

Ele estacionou o carro e as musicas francesas românticas continuaram. Olhando para mim com seus olhos verdes, lindos e, agora vermelhos expelindo lagrimas, desabafou tudo o que estava sentindo. Como se sentia sozinho, não fazia o que queria, todas as contas era ele que pagava, perdeu uma viagem de seus sonhos devido aos exames do namorado, que engordava cada vez mais e não trabalhava. Queria viajar, conhecer o mundo com uma pessoa igualmente ativa e feliz: Do jeito que eu era. Uma enorme vontade de abraçá-lo e acalmá-lo me atingiu. Ver alguém altruísta a ponto de sacrificar-se por alguém que ama, chorar dolorosamente daquele jeito era de rasgar o coração. Como eu faria diferente com ele. Conheci-o hoje e a estima que tinha era infinita a ponto de pegá-lo no colo e protegê-lo destes problemas.

- O que você mais sente vontade de fazer atualmente? - Perguntou-me como se sua vida dependesse da minha resposta.
- Ah, no momento era tirar uma foto com o Museu Louvre de fundo - Respondi sorrindo - E farei isso em dois anos no máximo, você vai ver.

Ele olhou fixamente nos meus olhos e emudeceu por alguns segundos. Seus olhos vermelhos destacavam ainda mais o verde profundo o qual eu me perdia a olhar. O som da musica francesa penetrava em meus ouvidos e a vontade de abraçá-lo crescia. Como um homem tão forte e musculoso parecia frágil e triste.

- Me beija? - Perguntou ele quebrando o silêncio e minha perdição em seus olhos.
- O que? - Perguntei assustado.
- Simplesmente me beija? - sem piscar ou tirar os olhos de mim ele continuou - Você é incrivelmente lindo. Andei estes últimos seis meses vendo você quase todos os dias no orkut. Lia o que você escrevia, suas frases e idéias. O quanto era inteligente e escrevia bem. Ouvi comentários do amigo do meu namorado dizendo que você não sabia o quanto era bonito e, a meses atrás para autoafirmar-se ficava com dois ou três na balada. Eu pensava indignado de como um menino tão incrivelmente lindo, uma sensibilidade imensurável, um corpo definido e inteligente, não conseguia ver o quanto era... Era... Fantástico. Você é lindo e um dos motivos do meu convite era querer olhar nos seus olhos e sentir o que é você. De como eu queria cuidar de você, mostrar como você é valioso e incrivelmente belo. Olhando nos seus olhos, tenho certeza que a ingenuidade de não reconhecer o quanto é lindo me deixa com vontade de ficar com você para sempre. Ou pelo menos te fazer muito feliz. Meu bebê.

Meu coração batia em uma velocidade frenética e descompassada. Minha cabeça girava e meu peito estava quente. Um quente gostoso. Há três meses atrás eu namorava e nunca havia ouvido um terço do que ouvi aqueles minutos. Pelo contrário, meu namorado oferecendo-me aos amigos a fim de que eu tivesse novas experiências só fazia eu sentir que não era tão importante e tão único. Não importava se eu fosse de outro, para ele não fazia diferença. Passando dor de cabeça nos finais de semana de fome por que meu ex-namorado sequer esforçava-se para levantar para comermos algo. Eu ouvia todos os seus problemas e, inúmeras vezes, ele me contava a história no menino que ele amou e que o motivou a suicidar-se. E, em meses sentindo a carência crescer, ouvir minha mãe falar o quanto estava triste todos os dias, afastar-me de todos os meus amigos para ficar com o namorado ex-suicida depressivo, visitar uma irmã com depressão pós-parto... Em meses, talvez anos, foi à única pessoa que disse o quanto eu era especial, único, valioso e importante. Seus olhos eram lindos.

- Me beija, vai? - Disse ele sussurrando e entrelaçando as mãos nos cabelos de minha nuca. A pressão do meu peito era quase explosiva. Fechei os olhos e o cheiro do seu perfume Dior ficava cada vez mais próximo...


Por Cláudio_DeLarge

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Garoto

"À medida que nos libertamos de nossos medos, nossa presença automaticamente liberta outros." - Harriet Rubin

Antes eu conhecia apenas o Conhecido.
Conhecia os Pokemons, Digimons e os ursinhos carinhosos,
Já as Sete Horas da manhã, assistia TV com olhos brilhosos.
Conhecia o medo do primeiro dia de aula com minha lancheira,
Criança, logo me inturmava, e percebia que aquele medo era besteira.
Conheci as luzes no cabelo, a temida Educação Física e o Ginásio.
Perto do Futebol e do volei, a quimica orgânica era muito fácil.
Conhecia o Inglês, o espanhol, a timidez e a ingenuidade.
Conhecia o The Sims, O PlayStation e os brinquedos de minha idade.
Conhecia o amor ideal, a Audrey Hepburn e o James Dean.
Conhecia a necessidade de um tenis legal e uma calça Jeans.
Conhecia Chico Buarque, Kid Abelha e Marisa Monte.
Conhecia o Céu, a praia e até talvez o Horizonte.
Conhecia Harry Potter, Amelie Poulain, Alice e o seu país.
Conhecia minha familia, meus amigos e era feliz.
Conhecia o flerte, o beijo, a ansiedade e a ficada.
Conhecia a pegada, o abraço a amizade e a balada.
Conhecia minhas amigas, o chocolate e a divisão.
Conhecia meus amigos, o video game e a masturbação.
Conhecia minha beleza e a satisfação de ser escolhido.
Conhecia que eu sabia que não conhecia o desconhecido.

Considero este Setembro de um grande aprendizado e absorção,
Há um mês atrás eu era criança, hoje adulto, não tenho opção.

Descobri o divórcio, a fluoxetina e a escleróse.
Descobri a cicatriz, a lagrima e o medo em apoteose.
Descobri o temido, o estranho, a dor e a depressão.
Descobri o sofrimento, a tristeza, a angustia e a solidão.
Descobri o suicídio, a confusão, a atenção e o Rivotril.
Descobri a emoção, a absorção e uma razão que me fugiu.
Descobri o Sexo, a Lindocaína, a bunda e a orgia
Misturados em um sentimento guardado que já emergia.
Descobri o sexo oral acontecer na minha frente.
Descobri o nojo e o interesse escorrer na minha lente.
Descobri a Maconha, a promiscuidade e a camisinha.
Descobri a Anfetamina, o nadar pelado e a Caipirinha.
Descobri a idade, o epitáfio e a falta de dinheiro.
Descobri então, que não me conhecia por inteiro.

Olhei ao redor, e vi o quanto é de entristecer
Ver pessoas que acham que vivem num Breu.
Tenho feito de tudo para ajudá-las, e não absorver.
Afinal, alguem tem de ser feliz, nem que seja só eu.

Tenho certeza que a felicidade está alí, é só interpretar.
Não vou perder meu dom de sorrir só pelo olhar.

Prometo ajudar vocês.
Não tenho mais feito o que eu fazia.
Se eu absorver, não tem problema.
Lá fora ainda tem um sol que irradia.


Dedido à Vocês, que acharam que eu ia embora ou não importava.
E à mim, que tenho certeza que tudo isso ao meu redor não iá tirar minha alegria.


Por Cláudio_DeLarge

domingo, 13 de setembro de 2009

O Primeiro Ano Do Resto De Nossas Vidas

"Viver é desenhar sem borracha." - (Millôr Fernandes)

D
urante nossa vida passamos em média 219.000 horas dormindo,
109.500 outras horas trabalhando e
87.600 horas assistindo TV.
Esperamos 2.184 horas as páginas da internet serem carregadas,
7.200 horas navegando no orkut e
Cerca de 5.016 horas fazendo sexo.

Durante toda essa nossa existência produzimos 9,45m de cabelo,
Mais ou menos 9,15m de barba e
2,65m de unha. Células de queratina mortas.
Nossas células mais antigas sobrevivem 16 anos e localizam-se no cérebro.

Aproximadamente 0,7% da população, pelo menos uma vez na vida, vomitará devido ao consumo exagerado de bebidas alcoolicas. Cada uma, beberá em média 240 litros de na vida.
Vomitaremos cerca de 5 baldes,
Tomaremos 30.000 comprimidos/remédios e
Iremos 314 vezes no médico.

Das lágrimas, responsáveis pela lubrificação dos olhos, utilizaremos 61,5 litros.
Durante nossa existência, conheceremos, pelo menos,
1 pessoa que morrerá em um incendio,
9 em um acidente de carro e
13 serão assassinadas.

Deixemos a morte cuidar de si mesma.
Dos seus 3,8 bilhões de anos, a Terra sofreu alterações em seus continentes. Uns formaram-se e outros desapareceram. Apenas os oceanos sobreviveram e são eternos. Onde tudo começará e, talvez, tudo virá a terminar.

Na vida, piscamos 415.000.000 de vezes. Você pisca 25 vezes por minuto onde, cada uma, leva 1/5 de segundo. A vida passa em um piscar de olhos e este piscar de olhos é o que fazemos inevitavelmente e frequentemente. Não a deixe passar.
Se for para fechar os olhos, que seja para sentir. Se for para abrí-los, que seja para enxergar, não apenas para ver.



"Estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade." (Alexander Lowen)

Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 8 de setembro de 2009

De Olhos Bem Fechados

"A embriaguez não cria vícios. Apenas põe-nos em evidência." (Sêneca)

Passa da uma hora da manhã e continua a música eletrônica em um volume o qual ouvem-se duas quadras depois. À noite do pré-feriado está quente, contrariando todas as previsões de tempo, e a piscina em temperatura ambiente encontra-se rodeada de corpos masculinos de sungas, com exceção de duas meninas gêmeas. São mais de dez meninos jovens homossexuais segurando suas cervejas, seus cigarros e dançando ritmicamente ao som da música alta. Todos, sem exceção, são lindos. Cada um com seu diferencial e sua característica marcante.

O menino loiro de olhos mel dança de um jeito engraçado sob efeito de ecstasy. O menino loiro de bunda redondinha e grande, que dá uma vontade louca de apertar, aperta um baseado junto com um moreno magro de rosto perfeitamente simétrico e nariz empinado. Um moreno de franja, boca carnuda e um corpo magro e definido em forma de triangulo de ponta cabeça conversa com um outro loirinho de cabelo liso, sorriso grande e uma bunda linda. Eu, de sunga preta realçando a barriga definida e a coxa musculosa, estou ao lado de meu namorado de boca perfeita e um cabelo liso caindo perfeitamente pela testa. Decido ir em direção ao moreno simétrico e ao loiro bundudo.

- Já experimentou maconha? - recebo a pergunta com um certo susto. Nunca tinha visto uma droga ilícita tão de perto.
- Não sei nem tragar direito - Respondo com uma curiosidade visível e olhos vidrados no cigarro.
- Simples, você puxa toda a respiração, faz um movimento de engolir a fumaça e solta devagarzinho. - O loiro bundudo explica enquanto demonstra.

Pego o cigarrinho com uma mistura de curiosidade e medo. Sempre me foi falado que qualquer tipo de droga é péssimo, mas a curiosidade é mais forte. Apoio meu terceiro copo de caipirinha de abacaxi na mesinha e aproximo o cigarro da boca. Calmamente respiro fundo e, percebendo que os pulmões estavam cheios, prendo a fumaça e faço um gesto de deglutição. Sinto a fumaça sair do meu pulmão e penetrar minhas temporas até soltá-la devagar e fumacenta pelo ar. Repito várias vezes e não percebo nenhuma mudança. Paro de prestar atenção nos meninos e simplesmente sinto o que acontece em minha mente. Não sinto nada do que esperava, apenas um silêncio. O silêncio torna-se extremamente engraçado e minha gargalhada sai de uma forma gostosa e relaxante. Na intenção de levantar a fim de pegar minha caipirinha, tudo parece mais lento, me dando uma felicidade imensa e vontade de rir. Consigo saber exatamente o que sinto e ver cada detalhe da festa. A lentidão deixa tudo mais visível e engraçado. A vida é engraçada, só não a percebemos.

Vou em direção ao quarto bem devagar e com um super sorriso. Ao deitar no colchão com meu namorado, derrubo caipirinha em meu braço, o que me faz rir ainda mais. A porta se abre e dela sai o menino moreno de rosto perfeitamente simétrico. E sem camiseta. Meu namorado chama-o para deitar-se no colchão. O menino deita-se no meio de nós dois. Meu namorado, adepto a um relacionamento aberto que ainda não se concretizou por insistência minha em querer um relacionamento exclusivo, faz com que eu abrace o menino moreno de rosto simétrico.

O menino de corpo triangular entra no quarto puxando conversa com meu namorado que logo se perde em uma discussão sobre política. Eu, ainda abraçado com o menino moreno sinto seu pau duro abaixo das minhas coxas, que agora o entrelaçava. Percebendo que o tezão era recíproco, ele puxou meu corpo para si fazendo com que minha coxa se pressionasse com seu pau duro. O roçar de sua barriga no meu penis me deixa com ainda mais tezão e uma louca vontade de beijá-lo cresce.

Atendendo um chamado do menino loiro de olhos mel, meu namorado sai do quarto. Não penso, tiro minha camiseta e beijo violentamente de língua o menino moreno, que pressiona o pau contra o meu, colocando minha mão sobre ele. Abro os olhos ao som da risada do menino de corpo triangular dizendo que éramos loucos. Por que loucos? Meu namorado já me oferecera tantas vezes aos seus amigos com a desculpa e/ou objetivo de fazer com que e tivesse novas experiências. Naquele momento percebi que não estava mais apaixonado. Olhei o menino moreno e em resposta recebi um sorriso malicioso seguido de uma discreta mordida no lábio. Sinto sua mão sobre minha bunda e seu dedo médio massageando próximo ao anus. Minha mão puxa seu cabelo violentamente para trás e minha coxa pressiona seu pau.

A porta abre e meu namorado entra no quarto, porém consigo afastar-me, ainda abraçado, a tempo de que ele não visse nada demais. Eu estava muito confuso. O menino loiro de olhos mel enta no quarto e chama o moreno simétrico e o menino de corpo atlético triangular. Sozinho com meu namorado, confesso o acontecido. O mesmo sorri e diz que tudo bem.
Percebi que tinha certeza que não mais estava apaixonado.

Pegando a quinta caipirinha da noite, dou dois goles fortes. Sinto a vodca rasgar minha garganta. Em seguida, vejo o moreno simétrico me olhando. Ele sorri e diz em voz alta "Vou tomar um banho. Quero companhia". Olho os pés dele, subo pelas pernas e pela coxa que me deixa absorto e com um grande tezão. Observo durante dois segundos demorados sua cueca vinho e o volume 'meia-bomba'. Subo o olhar pela barriga definida, corpo magro chegando ao sorriso malicioso e convidativo. Ele abre a porta, entra no quarto ainda escuro e volta o olhar para mim, dando mais um sorriso e a deixando a porta entreaberta. Ele ainda olha fixamente para mim. Mesmo afastando-se e no escuro, sinto que ele ainda me olha. Eu e meu pau totalmente ereto.

Por Cláudio_DeLarge

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Do Externo ao Interno

"O Medo é o Pai da Moralidade" - Friederich Nietzsche

Feriado prolongado é igual à família grande reunida em uma casa de praia pequena e abafada. Meus tios, donos da casa, tiveram a brilhante idéia de dividir os três quartos em um para os meninos, um para as meninas e o ultimo para os casais. Essa idéia fedia, literalmente.
Tenho muitos primos, os quais dividem-se em oito meninas e nove meninos. Eu, para minha tristeza, fiquei no quarto destinado aos meninos. Muitos homossexuais gostariam de estar em um quarto lotado de homens suados e sem camisetas. Exceto quando se trata de primos que acham graça em concursos de arrotos, flatulências e odores fortes nas axilas. Eles peidam muito. Ah, e não contentes, querem dividir com os outros. Pegam o travesseiro e abanam o ar pútrido pós-flatulência em sua direção. Isso quando não peidam, literalmente, na sua cara. Pois é. Este é o mundo heterossexual masculino em bando.
Nunca formalizei minha homossexualidade perante minha família, mas não seria nenhuma novidade se a fizesse. Nunca me interessei por pipas, bolas ou queimada. Às vezes jogava Taco e Vídeo Game, mas só. O legal é que sempre sobrevivi.


Chego em casa depois de andar um pouco de bicicleta e vejo todos correndo em direção ao banheiro. O som da risada deixa-me extremamente curioso e vou em direção ao alvoroço. Abrindo passagem, meu sorriso de desfaz ao ver o que meus primos e tios contemplavam no vaso sanitário. Lá se encontrava um cocô que só poderia ter sido feito por búfalo. Meu primo Pablo, sorridente, mostra-se orgulhoso do tamanho da cagada, literalmente, que fizera. Olho ao redor e vejo a face de admiração dos meus familiares masculinos ao olhar aquele detrito fedorento. Parabenizam meu primo por ter criado tamanha obra-de-arte e por um intestino saudável. Fazem piadas sobre cocos, peidos e qualquer coisa que meninos adolescentes achem graça...
Tenho uma idéia!
Dirijo-me ao computador e ligo a Internet. Lembro do Gustavo, um cara de 26 anos com um pênis de 21cm, ativo e corpo definido que conheci na Internet. Por sorte, acho fotos dele em um site de relacionamento gay. Minha sorte aumenta quando vejo as fotos do enorme pênis dele. Dou um grito e chamo a família toda para o quarto.
- Pessoal, preciso mostrar uma coisa a vocês - Animado e com todos ao meu redor, explico - Este é o Gustavo e este - dou um zoom na imagem - é o pênis dele. E ele me comeu várias vezes. Não é enorme? Ainda mais enorme que o cocozão que o Pablo Fez.
Gritos, sustos, ofensas e reclamações. Todos saem do quarto indignados e sem olhar na minha cara.
Não entendi. Qual a diferença? Cocô e Pênis? Um sai, o outro entra e os dois fazem sujeira. Ahhh, Gustavo...

As pessoas estão tão acostumadas à sujeira (na política, na religião, na honestidade, no trabalho etc) e julgam tanto com moralidades dúbias que acabam caindo em contradição. É mais fácil curtir o fato da alienação. Os alienados não pensam. Quem não pensa, não existe, e não importam. Como se fossem um cocô. Um cocô do Pablo.

Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sonhando Acordado

"Sentir é Estar Distraído" - Fernando Pessoa

1 de Setembro de 2009 - Fato Real
Estou a cerca de uma hora ensaiando para sair de casa a fim de comprar algumas coisas na perfumaria. Decido levantar, coloco uma bermuda e uma camiseta sem muita preocupação em combiná-las, até por que meu guarda roupa inteiro é todo cinza, preto e azul. Não há como sair descombinando. Vou até a cozinha e peço para minha mãe a lista de compras. Vem-me uma vontade louca de fazer xixi. A caminho do banheiro, leio a listinha. Coloco-a no bolso imaginando cada produto e qual marca eu compraria. Abro a porta do banheiro, vou em direção ao vaso sanitário já abrindo o zíper. Logo em cima da pia tem um creme hidratante o qual não gostei e penso qual outra opção comprar. Meu esfíncter da bexiga se dilata e a urina libera-se. Quando olho para baixo a tampa do vaso sanitário ainda está fechada e urino em direção ao lixo. Distraído!

29 de Agosto de 2009 - Fato Real
Desço no metro Carrão e vou em direção a minha psicóloga. Cerca de um quilometro da estação e prefiro ir andando. O dia está ensolarado e bonito, a rua razoavelmente cheia e meu celular está carregado e apinhado de músicas da Alanis Morissette para ir cantando no caminho.
Em um certo momento do percurso, sinto uma vibração no chão. Ao olhar para trás vejo um homem baixo com a barba já alta, roupas simples e correndo em minha direção. A tranqüilidade dá lugar a um incrível medo. Penso: Serei assaltado. Conforme ele aproxima-se, meu peito esquenta de fora para dentro e uma dor entre os pulmões impedem-me de respirar. Minhas pernas não me obedecem e a velocidade diminui. As mãos transpiram e um pingo de suor nasce em minha axila e percorre meu braço. O homem passa direto. Tensão e ansiedade saem pouco a pouco do meu corpo e uma incrível moleza apresenta-se. Ufa, que bobo eu sou. Começo a pensar em todas as sensações que senti em cada parte do corpo. Vou contar o que acabára de acontecer a minha psicóloga que está a só dois quarteirões de caminhada. Logo na próxima esquina tem um bar e logo vou em direção a ele comprar uma Coca-cola e... BIIIII! Quase caio para trás. O motorista mostra o dedo do meio e grita para eu aprender a olhar para os lados antes de atravessar. Quase fui atropelado. Distraído!

22 de Agosto de 2009
Decido levar meu videogame PlayStation para jogar no final de semana que vou passar na casa de amigos. Depois da psicóloga vou direto para casa. Pego os controles, todos os cabos e fios que conectam a TV do aparelho, o aparelho, Memory Card etc. Com tudo já na bolsa, decido pegar um trem e ir em direção ao meu destino. Uma hora e meia de viagem e vou direto na TV instalar o videogame. Poxa, quanto tempo não jogava Tekken 3 ou Winning Eleven. Saudades. A única forma de jogar futebol ou bater em alguém sem medo de machucar-se era no videogame. Era só apertar o quadrado que fazia um Gol facinho. Eu deveria ter um desse acoplado em mim no meu segundo e terceiro colegial. Enfim, videogame instalado e pronto para começar. Um amigo propõe em escolhermos o jogo e pergunta onde está a disquetera com os jogos. Pois é, onde está a disquetera? Respondo mentalmente: Do lado do DVD. Do DVD da minha casa. Droga, esqueci. Distraído!

PARA OS DISTRAÍDOS: O córtex pré-frontal manda sinais inibitórios para outras áreas do cérebro, sossegando os outros dados a fim de que possamos concentrar-se. Quando este córtex pré-frontal está com hiperatividade, ele não desencorajar adequadamente as partes sensoriais do cérebro e, logo, vários estímulos bombardeiam o cérebro. Percebemos facilmente uma pessoa distraída. A pessoa percebe inúmeros acontecimentos em sua volta e tem dificuldade de concentrar-se em um objeto específico.


Bem aventurado eu, que sou distraído. Ah, os distraídos que são felizes vivendo em um mundo que é só deles.
:)

Por Cláudio_DeLarge

Simplesmente Feliz

- Estou sentindo carregar um peso enorme em minhas costas. Todas as pessoas que eu achei que me ajudariam a carregá-lo, não estão mais aqui - Disse com o olhar fixo em mim, porém perdido. Vazio.

Nunca entendi muito bem a tristeza. Em meus longos 19 anos já passei por muitos 'problemas'. Aliás, problemas não, lições. Desde a morte de meu pai, como as dores da sexualidade, a confusão e a culpa da homossexualidade, a depressão de minha irmã, a atual depressão da minha mãe, dividas, perdas... N coisas. Estranhamente ou não, vejo-me frente a um dia ensolarado incrivelmente quente e abafado. O calor é tanto que sinto um pingo de suor descer pelo meu braço. Tiro o celular do bolso e coloco "Ray Of Light", da Madonna. A música entra pelos meus ouvidos e enche todo o corpo. Como dois corpos não ocupam o mesmo espaço e, neste caso, dois sentimentos não ocupam o mesmo corpo, Madonna empurra a tristeza e a expulsa em forma de suor ou vapor. O sol esquenta meu corpo e retrai minha pele numa sensação de incrível alegria. Tenho vontade de cantar e dançar alto, mexer com os transeuntes, fazer passos coreografados com os indivíduos do ponto de ônibus ou com o moço que está vendendo milho do outro lado da rua. Como se fosse um musical. Minha mandíbula trava num sorriso brilhante. Sempre que chego no trabalho, perguntam-me se está tudo bem. Respondo com o peito cheio que tudo está incrivelmente excelente. E antes que me perguntem qual o motivo de tanta felicidade, pergunta normal de qualquer ser humano quando vê alguém feliz, logo respondo que a minha felicidade está no dia incrivelmente ensolarado.

Reconheço que sou inexperiente, incrivelmente ingênuo e detentor de um positivismo que beira ao irritante. Existem duas regras na vida as quais deveríamos seguir. A Primeira é que nunca devemos preocupar-nos com bobagens e a segunda é que tudo é bobagem. Posso parecer bobo, mas sou incrivelmente feliz e a culpa disso não é do bom emprego, da divertida faculdade, dos lindos amigos, de um tal namorado, de uma família unida, de um corpo definido ou uma mente inteligente (Não sou convencido, oras!). A culpa é minha!

- Estou sentindo carregar um peso enorme em minhas costas. Como se fosse um carro. Todas as pessoas que eu achei que me ajudariam a carregá-lo, não estão mais aqui - Disse com o olhar fixo em mim, porém perdido. Vazio - Desculpe. Às vezes tenho medo que minha negatividade exclua sua positividade.
- Fique tranqüilo - Sorrio - Você só está tristinho. Minha mãe, irmã e meu amigo também estão super tristinhos. Juntos, ajudarei a carregar o seu carro e o deles tranqüilamente.
- Mas e o seu carro, Cláudio? Quem carrega? - Perguntou preocupado.
- Ninguém. Eu ainda não sei dirigir - Respondi animado e abracei-o.


"Felicidade é: boa saúde e má memória." (Ingrid Bergman)