sexta-feira, 31 de julho de 2009

A Praia

“Simplesmente, era-lhe impossível continuar a viver! “Deus não quis!” diria a pobre moça, e matou-se depois de rezar uma oração. Tudo isso parece simples, mas nos persegue como pesadelo; chegamos até a sofrer com isso, como se houvesse acontecido por nossa culpa”.
(F. Dostoiévski)


Visualizo de longe as ondas quebrarem violentamente a metros da orla que chega até a assustar. Apinhado de pessoas tanto na água quanto na areia ao meu redor, pergunto-me o porquê de arriscarem-se naquelas águas violentas e imprecisas se a calmaria encontra-se aqui na areia. Talvez a incrível sensação de refrescar-se do sol causticante e sentir-se vivo seja uma motivação, mas arriscar-se daquela forma apenas para sentir uma sensação diferente ou alguns neurotransmissores a mais não é tão necessário assim. Ainda mais depois de ver surfistas sagrando, tristeza pela prancha quebrada ou pela onda perdida. Para amenizar o calor, jogo uma garrafa d'agua em minha nuca e a sensação de sentir a gota gelada escorrendo sob minhas costas a quase evaporar é uma delícia. Porém, esta pouca água não me satisfaz tanto quanto aquele enorme oceano o faria. Porém, a segurança fala mais alto.

Com os olhos perdidos no horizonte, estimulados pelo som de "Zombai" da banda Cramberries, acaba por chamar-me atenção um surfista magricela e com cabelos compridos caindo sobre os ombros. Ele lutava para ficar em pé em uma prancha prestes a quebrar em duas partes. Em uma fração de segundos, o magricela perde o equilíbrio na prancha, que se divide em dois e uma das partes vai diretamente em sua nuca. A onda se finaliza cinco metros depois. Em seguida, uma nova onda, trazendo as duas partes da prancha verde, sem o magricela. Vejo ao fundo uma agitação na água e gritos silenciosos. Olho ao meu redor e a praia encontra-se inacreditavelmente vazia. Volto a olhar para o oceano e todos não estavam mais lá, apenas a agitação concentrada em um ponto mínimo da imensidão azul. O magricela.

Sem hesitar, vou em direção ao magricela. A sensação de entrar na água é deliciosa e refrescante. Cresce uma vontade louca de ir cada vez mais fundo para que a água refresque todo o meu corpo e, incrivelmente, a facilidade em nadar aumenta, mas a disposição da respiração diminui. Poucos metros nos separam. O magricela aproveita-se de minha respiração irregular utilizando o meu oxigênio. Apoia-se em meus ombros e, num movimento que acreditava ser o prelúdio de um abraço, empurra-me para o fundo a fim de alcançar parte da prancha quebrada. Será que o magricela não percebe que a prancha não mais o suportará? Com grande dificuldade de manter a mim e ele na superfície, vejo uma prancha de longe. Sorrio para ele, porém os olhos dele, ao visualizá-la, é de terror e hesitação. Não suportarei. Ou morremos os dois, ou vou até a prancha e deixo que ele morra só.

Aspirando cada vez mais quantidades de água, minha laringe não suporta e relaxa, fazendo com que eu engula incrível quantidade de água. A pressão da água em meus ouvidos incitam uma dor de cabeça lacinante, meu pé direito não me obedece e meus olhos visualizam apenas uma lua distorcida e vacilante.

Com um ultimo feixe de força que me resta, empurro o corpo do magricela, que ainda se debate , em direção a prancha inteira. A dor de cabeça torna-se insuportável. A água enche violentamente meu estomago e passa pelos meus pulmões, queimando meu peito numa dor que me faria gritar, parecia que ia moer minhas costelas. Não conseguia mais pensar, O fogo consumia cada parte do meu corpo e meu coração galopava para a ultima batida. Falhando três vezes, baixinho, ele pulsa uma ultima batida fraca. Não havia mais som de respiração ou batimento. No momento, eu podia apenas sentir uma ausência de dor.

Abrindo os olhos, fitei-o surfando sorridente. Maravilhado. Por ora, assistirei-o aqui da beirada.


Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 28 de julho de 2009

Luzes da Cidade

- Eu fiz uma coisa muito errada.
- Eu imagino - disse a ele, abraçando-o forte por trás
- Você foi à única pessoa que não me perguntou o porquê de eu ter sido levado a UTI. Por que?
- Estava aguardando você mesmo sentir-se confortável para me falar. Além disso, várias hipóteses vieram em minha cabeça, mas nenhuma importava. Eu já estou ligado à você.

Quarta-Feira e já são quase meio dia e ele ainda não me ligou. Na segunda à noite, havíamos combinado de assistir Harry Potter. Ele me ligaria na terça confirmando um horário para nos encontrarmos na quarta-feira. Até o momento não havia recebido nenhuma ligação e nenhum retorno das que fiz a noite. Era o prelúdio de um 'fora'. Pego o telefone, disco e uma voz masculina atende ao telefone, mas não era a voz dele. O menino pergunta quem é e, depois das apresentações, informa que é um amigo do dono do celular, o qual está internado no hospital. Pronto! Penso, acabo de levar um fora com uma péssima desculpa. Despeço-me do possível amante, desligo o telefone e uma lagrima cai. Minutos depois, ligo novamente para tentar entender melhor o que acontecera. Talvez fosse verdade.

- Mas o que aconteceu? Ele está bem?
- Sim, pode ficar tranqüilo, ele só está na U.T.I.
- Como você quer que eu fique tranqüilo com o menino na UTI? - minha voz tornou-se incrivelmente áspera.
- Ah, quer saber - ele diz numa voz indiganada - Anota aí o telefone da mãe dele.

Com o papel, já todo molhado devido à sudorese em minhas mãos pelo nervoso, anoto os números e logo em seguida já ligo. Uma mulher muito simpática atende e, ao ouvir meu nome, demonstra um certo reconhecimento. Explica-me que o filho encontra-se na UTI e que saberá maiores notícias dele às 16h, no horário de visitas, para que eu ligasse às 17h a fim de receber mais informações. Desligando o telefone, um enorme desconforto pressiona meu peito e impede uma respiração regular. Respiro fundo e, ao mesmo tempo em que solto o ar, duas lagrimas descem. Após 3 anos sem deixar que nenhum homem me tocasse, quando me permito, isso acontece. Estranhamente sinto-me ligado a ele.
As 17h05 aperto o send e espero que atendam. Com grande simpatia e alívio a mulher no telefone me atende dizendo que estava tudo bem e a alta médica ocorreria no dia seguinte. Extremamente aliviado, a dificuldade de respiração retorna, porem logo é resolvida com um inspiro profundo seguido de um sorriso.
No dia seguinte, ligo novamente, meio receoso de parecer grudento. Afinal, conhecia o menino há apenas três semanas. Sua mãe me atende com a mesma hospitalidade, me explicando os cuidados que teria com ele no decorrer da semana, os quais incluíam não deixá-lo sozinho em hipótese alguma. Ela coloca o telefone no ouvido dele. Dou um "Oi" a ele e, como resposta recebo um "Oi, amor" enrolado e rouco. Meio grogue. A dificuldade de respiração me retorna e sobe até os olhos. Fecho-os e me vem um desejo enorme de abraçá-lo e protegê-lo. Por que?

Chega o final de semana e vou visitá-lo. Logo que chego, sou cumprimentado com um grande carinho pela mãe e os dois amigos. Ele, com uma expressão meio cansada, vem em minha direção e me dá um beijo na boca. E a respiração fica novamente irregular. Não me importaria nem um pouco de beijá-lo o dia inteiro. Ele pressiona seu corpo contra o meu e arranha minhas costas. Lembrando que não estávamos a sós, eu me desvencilho dele e abro um sorriso. Um grande alívio vê-lo saudável. Olhando-o, fica difícil de lembrar como respirar. Decidismo ver "Harry Potter e, logo terminado, ouço-o criticando as atuações, as pausas que cada ator deveria ter usado, a trilha sonora bem construída e a direção de arte. Sorrio.

Já são quase 2h20 e combinamos com o irmão dele de nos buscar na porta do shopping. Uma chuva fina cai sobre o asfalto brilhante e vazio. Nenhum carro ou pessoa na rua, apenas nós. Pego-me olhando para a lâmpada do poste de luz, colorindo cada gota de chuva que passa sobre ele. Minha visão vagueia pela rua limpa, molhada e vazia.

- Eu fiz uma coisa muito errada - Diz ele, me interrompendo nos meus pensamentos. Quase havia esquecido que ele estava em meus braços.
Abraçando-o por trás, aperto-o mais contra minha barriga sentindo o cheiro de HairSpray em seu cabelo liso.
- Eu imagino - disse a ele.
- Você foi à única pessoa que não me perguntou o porquê de eu ter sido levado a UTI. Por que?
- Estava aguardando você mesmo sentir-se confortável para me falar. Além disso, várias hipóteses vieram em minha cabeça, mas nenhuma importava. Eu já estou ligado à você.
- Você realmente achou que não tinha intimidade o bastante!? Poxa, eu tirei a sua virgindade. - Ele ri num tom de obviedade como se eu estivesse com medo de perguntar se uma banana era realmente amarela.
- Desculpe. Por que você passou mal?
- Meus amigos saíram para comprar algo para comer e me deixaram só em casa. Algo estranho percorreu em minha mente. Peguei um Rivotril, coloquei 25 gotas e tomei. Acordei dois dias depois na UTI. Tive um tipo de parada cardiorespiratória.
Emudeço por alguns segundos. As lembranças e pensamentos passam pela minha cabeça em questão de segundos. Pergunto-me como alguém teria coragem de colocar a própria vida em risco. Se 'coragem' seja realmente a palavra a ser usada. Dormir e não acordar mais, fugir dos problemas. Minha respiração tornou ainda mais difícil e irregular. Cada arfada era um nó sentido entre os pulmões. A paixão e o desejo deram lugar a um enorme sentimento de proteção. Tive a vontade de deitá-lo, abraçá-lo em formato de conchinha formando, os dois, uma posição fetal. Eu seria a placenta ou o liquido amniótico que o protegeria de qualquer pessoa ou sentimento. Uma dor lacerante na garganta me despertou. Virei-o e beijei-o com minhas duas mãos ao redor de seu rosto, com carinho e cuidado. De repente, ele me pareceu tão frágil.

Chegando em casa, começamos uma partida de xadrez.
- Gosto tanto de 'não fazer nada' com você. Simplesmente assistir um filme e dormir sentindo o seu abraço. Fico Feliz. Há um filme, "As Horas", que possui uma frase que sempre me faz chorar quando a ouço.
O interrompi sem poder me segurar. Sabia exatamente que frase era, também a adorava. Citei-a exatamente como a é no filme:

“Este é o início da felicidade. É aqui que começa e, sem duvidas, sempre haverá mais. Não, não era o começo. Era felicidade”.

Ele, em resposta, cita:

“... E para você, Frodo Bolseiro, eu dou a Luz de Earendil, nossa estrela mais querida. Que ela lhe seja uma luz na escuridão quando todas as outras luzes se apagarem.”

- É "Senhor dos Anéis" - diz animado, olhando meus olhos e meus cachos morenos desgrenhados - E começo a crer que você não é só meu Frodo, mas meu Earendil.

Olho-o profundamente nos olhos, mas estranhamente não os encontro. Beijo sua testa e a ponta de meu indicador percorre cada parte de seu rosto. Tento reconhecê-lo, mas não consigo. Beijo-o e abraço-o encostando sua cabeça sob meu peitoral. Preciso ser racional, tenho um jogo de xadrez para ganhar.


Por Cláudio_DeLarge

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Segredo de Beethoven

"O amor ensina música." (Erasmo de Rotterdam)

Considerado um dos pilares da música ocidental e um dos compositores mais influentes do mundo musical, Ludwig Van Beethoven nasceu em 16 de Dezembro de 1770 e faleceu em 26 de março de 1827. Compositor erudito alemão, passou pela transição do Classicismo* para o Romantismo**. Alemão, seu sobrenome vem do flamenco horta de beterrabas. Seu avô era maestro da capela de Antuérpia e seu pai era tenor e também lecionava. Desde os cinco anos estudou piano por todos os dias e por horas.
Confiado a Christian Gottlob Neefe, foi descrito como o menino que, com dez anos, dominava todo o repertório de Johann Sebastian Bach, e que o apresentava como um segundo Mozart. Logo depois, a tendência foi só ao crescimento.
Foi em Viena, com cerca de 26 anos, Beethoven recebeu o diagnostico de congestão nos centros auditivos internos, o que lhe resultaria em uma surdez progressiva. Consultou-se com inúmeros médicos e, sem sucesso, cogitou o suicídio. Até quem aos 46 anos, ensurdeceu completamente.

"Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou!" - Beethoven

A surdez progressiva não o impediu de ser um dos maiores gênios da história. Foi com a Sinfonia nº3 em Mi bemol Maior, intitulada de Eróica, que se iniciou o Período Romântico da Música Erudita (Curiosidade: Sinfonia Dedicada a Napoleão Bonaparte). Porém foi com a Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op.125, para muitos a sua maior obra-prima, que ficou conhecido mundialmente. O texto é uma adaptação do poema de Friedrich Schiller, "Ode à Alegria", feita pelo próprio Ludwig van Beethoven. Foi o primeiro exemplo de um compositor importante que tenha se utilizado da voz humana com o mesmo destaque que os instrumentos numa sinfonia e seus manuscritos foram vendidos a 3,3 milhões e é considerado "um dos maiores feitos do homem, ao lado do Hamlet e do Rei Lear, de Shakespeare".

Outra Obra Conhecida - Für Elisa (Para Elisa) : Há indícios que tenha sido dedicada em honra de uma senhora a quem propôs casamento, chamada Therese Malfatti. Atualmente é o Jingle do 'caminhão de gás'.


* Classicismo: Refere-se à valorização do período histórico da Antiguidade Clássica, com características ao universalismo, racionalismo, paganismo e antropocentrismo.

** Romantismo: Surgindo no final do século XVIII, foi um movimento artístico, político e filosófico que pregava o escapismo (fuga da realidade) com uma visão de mundo contrária ao racionalismo. O indivíduo voltou-se para si mesmo, retratando amores trágicos e utopias passionais, além do subjetivismo, idealização, sentimentalismo exacerbado, egocentrismo e a visão do belo e do feio.
O início deu-se por Beethoven e suas obras profundamente pessoais e interiorizadas, precedido por Chopin, Tchaikovsky, Felix Mendelssohn, Liszt, Grieg e Brahms. Seguido pelo Impressionismo, com um representante de peso, Claude Debussy

Sonata ao Luar (First Movement, Opus 27 Nr. 2)
Minha música preferida de Beethoven foi a trilha sonora de minha adolescência. Já a adorava, mas não a conhecia por volta de 2001, até que no filme "Elefante", de Gus van Sant, o protagonista a toca. Estudiosos afirmam que sua criação foi devido a Beethoven ter ouvido de uma vizinha cega que ela "Daria tudo para enxergar uma Noite de Luar” e, suas primeiras notas que se repetem constantemente durante a música são as três letras da palavra "Why". Obviamente, ou não, não deve ter sido a intenção do compositor, mas há o que se pensar. Também há a concepção do crítico Rellstab, que comparou a música a um "Luar no lago Lucerna"...

Independente, "Sonata ao Luar" é uma música melancólica a qual eu ouviria por horas, aceitando a melancolia e uma certa tristeza, ou não, já que quem conheceu a felicidade, não aceita ou dissimula a tristeza. Covarde não é quem chora por amor, mas eu, que não amo por medo de chorar. Sofrer é necessário, pois nos mostra que estamos vivos. O medo de sofrer me mata e me fará morrer duas vezes. Morrendo em vida, até morrer em morte.



Por Cláudio_DeLarge

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Chocolate

"Quando tudo corre mal a sempre o chocolate" - Garfield

O Chocolate e feito á partir da amendoa torrada do cacau. Indicios apontam os astecas como criadores do cacau, onde encontraram resquícios da substância nos vasos de cerâmica. No novo mundo, o chocolate era consumido como uma bebida amarga que combatia o cansaço, chamada xocoatl (Na língua nauatle, xococ significa "amargo" e atl, "água"). Foi no século XVI que os europeus conheceram o chocolate e começaram a importá-lo, mas foi na Revolução Industrial , no século XVIII, que se popularizou devido a tornar-se mais consistente e durável com a ajuda das maquinas de espremer manteiga de cacau.

Além de ser uma delícia, o chocolate também é saudável. Reduz o colesterol ruim, facilita da circulação sanguínea e no bom humor e retarda o envelhecimento. Além de proteínas, possui a vitamina A, B, C, D, E e sais minerais, como ferro e fósforo. Rico em flavonóides, é um antioxidante, ou seja, combate a oxidação das células e seu envelhecimento, ajudando a prevenir alguns tipos de câncer, fortalecendo o sistema imunológico e dilatando as artérias, o que facilita a circulação sanguínea.

O chocolate também ajuda o cérebro a produzir a serotonina, um neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar e felicidade.

A SEROTONINA
A Serotonina é um neurotransmissor, ou seja, uma molécula responsável pela comunicação entre as células do cérebro. Poucos neurônios a produzem, porem inúmeras células a detectam, desempenhando um importante papel em nosso sistema nervoso. Tem como função liberar alguns hormônios, regular o sono, apetite, o ciclo circadiano (ciclo biológico do ser vivo de 24h que é influenciado pela Luz Solar) entre outras. Sua ação é utilizada por diversos fármacos para controlar patologias como ansiedade, depressão, obesidade e esquizofrenia. O Componente utilizado nesses fármacos é a Fluoxetina, que é comercializada como PROZAC.
Funciona da seguinte forma: Um neurotransmissor ao ser liberado, encaixa-se como uma chave na outra célula a fim de comunicar-se. Sendo reabsorvido, ou seja, é recaptado pelo neurônio que o liberou. A fluoxetina inibe exatamente essa recaptação do neurotransmissor serotonina, que participa de modo importante nas áreas das emoções. Inibindo a recaptação no neurônio pré-sinaptico, aumenta a concentração de serotonina, maximizando a sua duração nos receptores pós sinapticos.

A DEPRESSÃO
A Depressão atinge cerca de 15% da população brasileira, sendo de maior incidência em pessoas de 20 a 40 anos. Quando os sintomas são tratados logo em seu início, os pacientes retornam as suas via normal mais facilmente. Porém em 25% dos casos, a doença torna-se crônica. Pelo menos, 60 % dos casos de suicídio, as pessoas apresentavam sintomas depressivos.
A vulnerabilidade feminina é duplamente maior em relação aos homens e, quem já teve algum episódio de depressão no passado, tem 50% de chances de repeti-lo.

Para prevenir ou curar-se. Na dúvida, coma chocolate.

Lembre-se: STRESSED (estressado) soletrado de trás pra frente é DESSERTS (sobremesas). Portanto, sobremesa (de preferência de chocolate) é o antídoto do stress.

Por Cláudio_DeLarge

domingo, 12 de julho de 2009

Nouvelle Vague

"Quando se faz cinema, vendem-se sonhos. Por isso é preciso permanecer misteriosa: no meu caso, ser uma mulher-criança, como foi Brigitte Bardot." - (Agathe de La Fountaine)

Feriado prolongado dedicado a algumas baladas e noites agitadas, equilibrei com uma sessão de filmes antigos. Entre eles, alguns de um movimento famoso denominado Nouvelle Vague. Mas afinal, o que é Nouvelle Vague?

Em 2009, a Nouvelle Vague completou 50 anos, mas ainda é um exemplo de modernidade, criatividade, impacto, renovação da linguagem cinematográfica e poesia, onde se transforma em objeto de comunicação para objeto de expressão. Na época onde o homem desaparece frente às marionetes e efeitos especiais, a Nouvelle Vague foi responsável pela introdução e divulgação de diretores que ainda são lembrados como criadores de obras-primas livres de artificialidades e inundadas a poesia.

Considerado um dos divisores de águas, este movimento não é o único. Como exemplos, temos o Expressionismo Alemão, o Realismo Britânico, a Introdução da profundidade de campo com Orson Welles, o neo-realismo italiano, etc. Formado principalmente por cineastas que são cinéfilos e críticos da revista Cahiers do Cinema, faz apologia ao homem contemporâneo, excluindo o herói clássico e dá lugar ao anti-herói junto com a ambigüidade do ser e a analise do momento, ou seja, os personagens são imprecisos emocionalmente, contraditórios e ambíguos. Não há um herói em oposição a um vilão, pois o 'bem' e o 'mal' são meramente entidades confortáveis. Aproximamo-nos de uma sensível realidade humana.

Propõem-se então um cinema de autor que critica as produções comerciais, realizando obras relativamente baratas e indo de encontro às regras narrativas. Jean Luc Godard formulou a "Política dos autores", onde o único considerado autor do filme é o diretor. Tinha como características o amoralismo, tabus da sociedade, a política de 'câmera em mãos', grandes takes, a desordem temporal e um erotismo sadio e libertário.
O filme de início é considerado o "Nas Garras do Vício", de Claude Chabrol. Seguido de clássicos como "O Acossado" e "Alphaville", de Jean-Luc Godard e "Os Incompreendidos" e "Jules et Jim" de François Truffaut. Se "Os Incompreendidos" deflagra a Nouvelle Vague ao ganhar o Palma de Ouro, é "O Acossado" o filme mais significativo e representante nos críticos rebeldes franceses.

Ainda desconhecidos, os filmes da Nouvelle Vague pecam (ou não) pelo cinema pretensioso e experimental de Godard, ou pelo classicismo de Truffaut. Porém, independente de preferências, são uma experiência cinematográfica indescritível.

5 Principais Filmes:
5 - O Pequeno soldado (Le petit soldat, 1960) de Jean-Luc Godard
4 - Hiroshima, mon amour (idem, 1959) de Alain Resnais
3 - Os Incompreendidos (Les quatre-cents coups, 58) de François Truffaut
2 - Nas garras do vício (Le beau Serge, 1959) de Claude Chabrol
1 - Acossado (A bout de soufle, 1959) de Jean-Luc Godard

Por Cláudio_DeLarge

sábado, 11 de julho de 2009

Boggie Nights

A Resvista Júnior elege os cinco principais clubes gays paulistanos e associa-os a moda de seus frequentadores:


VEGAS CLUB

Possui um estilo de decoração kitsch, com referências a Cassinos e cabarés. O vestuário de seus frequentadores caracteriza-se por lojas como Doc Dog, Opera Rock e Nike. ALém disso a uma grande variedade de camisetas Zoomp, calças Energie e acessórios Dzarm.
DADOS
Endereço: Rua Augusta, 765 - Cerqueira Cesar
Faixa de Preço: até R$ 25
Idade Mínima: 18
Faixa Etária: de 25 a 30
Lotação: 500
Gênero: Eletrônico
Importante: Redutos de alternativos que não são de muita conversa. A não ser que você tenha uma boa quantidade de vodka.



CLUBE GLÓRIA

Localizado em uma antiga igreja e teatro, está diretamente relacionada a artistas do mundo da moda. Com uma pista madeiro-espelhada apostando no som electro e house, possui Dj's de festas feitas por Alexanfre Herchcovitch. A Moda dos frequentadores usam American Apparel, Moustache para Laundry e Alexandre Herchcovitch.
DADOS
Faixa de Preço: mais de R$ 40
Idade Mínima: 18
Faixa Etária: de 25 a 30
Lotação: 500
Gênero: Eletrônico
Importante: Compre uma peça de algum estilista famoso, demonstre-a e faça amigos.


A LÔCA
Com programação fixa que alterna vários estilos de música, variando entre flashback's, eltro, tecno e rocks. O vestuário completa-se por G, Ellus, Energie, Gêmeas e Alexandre Herchcovich.
DADOS
Faixa de Preço: até R$ 25
Idade Mínima: 18
Faixa Etária: de 22 a 25
Lotação: 400
Gênero: Eletrônico
Importante: Público amigavel. Não assustar-se caso um desconhecido lhe pergunte aonde encontrar cocaína.


THE WEEK
Decoração sofisticada que inclui 2 pistas de dança, 6 bares, 3 lounges, deck com piscina e jardim. A casa tem 6000m2. O som é predominantemente house e a festa mais conhecida é a Babylon. A Moda que toma conta é Colcci, Zoomp, Oui e PuraMania.
DADOS
Faixa de Preço: mais R$ 60
Idade Mínima: 18
Faixa Etária: de 22 a 25
Lotação: 2600
Gênero: Eletrônico
Importante: Formado principalmente por individuos que gostam de ostentar o dinheiro que não tem, garotos de programa, bombados e velhos ricos. Leve sua cocaína e faça 'carão'.

D-EDGE
Aberta desde 2003 e com festas como Freakchic e MotherShip, possui um dos melhores sistemas de som. A decoração com uma mistura de neon, acompanha as batidas das músicas. Já contou com a presença de Ellen Alien, Richie Hawtin e Ricardo Villalobos.
DADOS
Faixa de Preço: mais R$ 40
Idade Mínima: 18
Faixa Etária: de 22 a 25
Lotação: 400
Gênero: Eletrônico
Importante: Não há como saber se os frequentadores são heteros ou gays. Muitas vezes nem eles sabem de si. Apenas, leve algum entorpecente.

Ao Fê, para ver se ele frequenta baladas novas.
Por Cláudio_DeLarge

A Primeira Noite de um Homem

Abro os olhos ao som do despertador celular às 13h. Talvez nem o precisasse, já que meu estado de ansiedade era tão grande que confundia os sonhos que tive com os momentos que passei acordado pensando nele. Não tinha certeza se realmente havia dormido. Haviamos combinado que, logo que ele chegasse da balada e dormisse por algumas horas, ligaria para ele a fim de combinarmos sair.
Ligo uma vez. Outra e outra. O celular continua apenas chamando. Dez minutos depois vejo seu nome no visualizador. Com um certo alívio, atendo o telefone e ele combina de me ligar assim que terminar um determinado trabalho. Desligo o telefone e sorrio.
Tomo o banho mais trabalhado possível. Depilo-me e, ainda nú, procuro no google o passo-a-passo de como fazer uma 'chuca'. Minha primeira vez deveria estar livre de problemas. Depois deste processo meio desconfortável, com bumbum lisinho e com hidratante vou assistir um filme e escolho "A Doce Vida", de Fellini. Depois de ter dormido 4 horas, não aguento e acabo pegando no sono. Acordo com o telefone tocando e penso, É ele. Pego o celular e é uma mensagem de um flerte do trabalho. Volto a cochilar mas logo sou interrompido por uma nova mensagem. Penso, é ele. Pego o celular e é a mensagem de um menino que conheci no dia anterior, n'A LOCA. Sem paciência, decido levantar e comer alguma coisa. Sem saber o que fazer, asso uma caixa inteira de nuggets de legumes e os como com Coca-Cola. O relógio passa do ponteiro das 17h, para as 19h. A ansiedade transforma-se em raiva. São quase 9h esperando uma maldita ligação e, sem paciência, decido bater uma punheta. Não teria 'minha primeira vez' naquela noite mesmo.
Encontro-o no MSN e decido não ir mais. Em 20 minutos ele me liga pedindo desculpas. Solicitou um novo prazo para o seu cliente e pede para que comemos algo. A raiva desaparece. Troco de roupa e coloco perfume apenas atrás da orelha, para que não fique com gosto quando ele for beijar o meu pescoço.
Ao chegar no restaurante, ele pega em minhas mãos e andamos juntos. Vários olhares pousam-se sob nós. Escolhemos uma mesa e fazemos os pedidos. Ele escolhe três cumbucas de sopa com gostos diferentes, mais um prato se salada e três pedaços de bolo. Eu peço um sanduíche simples. Minha expectativa da primeira vez era tão grande que se no cardápio tivesse DRAMIN, eu o pediria.
Conversando, ele comenta de como acha o garçom gostosinho. Fico meio desconfortável com o comentário, mas concordo com ele. Ele levanta e decidi pegar mais alguma coisa para comer. No caminho ele conversa com o garçom. Voltando para a mesa novamente, ele comenta que o garçom me achou lindo. Dou risada e me acostumo com a idéia. Sexo com três participantes sempre me foi excitante.
Pagamos e nos dirigimos ao carro. Chegando, entro em seu 'cafofo', pequeno e muito confortável. Ele liga a TV e me pego extremamente entretido assistindo Harry Potter. Idiota!

O filme acaba e começamos a nos beijar. Ele tira a minha camiseta e lambe meus mamilos. Nos despimos aos poucos e rapidamente. Ele me olha e elogia meus olhos. Pressiono o corpo dele no meu e meu pau dopa-se com o dele. Duros. Beija meu pescoço, meu peitoral, minha barriga e começa a me chupar. Minha mão enrosca em seu cabelo liso na intenção de não fazê-lo parar. Ele volta para me beijar. Meu peito esquenta. Não sei se começo na iniciativa da ativo ou passivo. Meu coração acelera e sinto-o latejar por todo o meu corpo. Ele, sabendo do meu nervosismo, que não escondia-se frente as minhas tremedeiras referentes a minha 'Primeira Vez', conversa comigo. "Não farei nada que você não queira. Quer parar?". Parar!? Parar por que? Estou indo tão ruim assim?
Ele me coloca de bruços e abre uma nécessaire com alguns tubos de KY. Passa em mim e nele. Sinto-o em cima de mim. Na hora, peço-o para parar. Quase esquecemos da camisinha. Ele coloca-a e recomeça. O medo confunde-se com a dor. Ainda não o sentia dentro de mim e achava que eu fazia algo de errado. Minutos passam e não há dedos que o façam penetrar. Ele abre minhas pernas e sinto seu corpo pesado sobre o meu. Aos poucos, sinto-o dentro de mim. Calmamente e com movimentos contínuos, a dor transforma-se em um estranho prazer. Dirígi meu quadril para si e os movimentos ficam mais rápidos. Ajoelhados, puxo-o ainda mais para dentro de mim. Ele vinha em minha direção e eu na direção dele. Baques, choque e uma pequena violência. Ponho-me sob ele. Beijo-o e sinto-o. Não quero que aquilo acabe nunca mais. Voltamos a posição inicial e começo a me masturbar. Quase gozando, paro com receio de sujar o seu lençol. Ele deita e goza. Nos abraçamos. Tomamos banho juntos e dormimos abraçados. Valeu a pena esperar, mas não era necessária tanta tensão, afinal, não o vejo mais como um namorado, mas como um amigo.

Se antes eu soubesse que era tão gostoso, tinha começado antes. Agora, quero todo dia.


"Sexo alivia as tensões. Amor as causa" - Woody Allen

Por Cláudio_Delarge

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Entre Umas e Outras

"Eu bebo porque é sólido, se não eu come-lo-ia" - Jânio Quadros

A cada ano que passa o consumo de álcool aumenta na população brasileira e Mundial. Em estudo feito em uma universidade americana, o consumo é de aproximadamente 8 litros por pessoa em um ano. Pode parecer um consumo baixo, mas levando em consideração que 35% dos adultos americanos não consomem bebidas alcoólicas e não foram contados menores de 16 anos na pesquisa, que correspondem a 22% da população, o consumo por pessoa ativa, aumenta consideravelmente.

Após uma balada ontem, resolvi pesquisar sobre o porquê de determinados efeitos do álcool em meu corpo. Comecei pelo principal - O que é o Álcool em si?
O Álcool encontrado nas bebidas alcoólicas é o álcool etílico, mais conhecido como Etanol (H3C─CH2─OH). A concentração de álcool varia de acordo com a bebida e uma grande quantidade de álcool no sangue pode provocar a morte do indivíduo. Uma cerveja possui em média de 4 a 6 %, o vinho de 7 a 15%, O Champagne de o a 14% e as bebidas destiladas (Gim, Vodka e Whisky, por exemplo) variam entre 40 a 95% de álcool.

Após a ingestão, 1/4 do Álcool é absorvido pelo estômago, e os 3/4 restantes pelo intestino delgado. Entrando na corrente sanguínea, dissolve-se com a água de cada tecido do corpo e, em 20 minutos, demonstra seus efeitos. A ultrapassagem da concentração de álcool no sangue (CAS) não pode ser superior a 0,4%, pois pode causar a morte.

O álcool é um depressor que age primeiramente nas células nervosas do cérebro, interferindo na comunicação das células nervosas nas vias Inibidoras e vias excitantes. Em nosso cérebro possuímos um Neurotransmissor denominado GABA, com função inibidora, e a glutamina, com função excitativa. O álcool age diretamente nesses neurotransmissores intensificando a ação do GABA, levando ao relaxamento e a sedação. A Glutamina é um dos responsáveis pela memória e cognição, e seu funcionamento é inibido e reduzido pelo álcool, o que causa ainda mais lentidão. Além disso, o sistema límbido - responsável pelo controle das emoções - é afetado e a pessoa tende a exagerar nas emoções (raiva, tristeza, alegria e retraimento). Ficamos mais sociáveis e autoconfiantes porque o álcool influência na liberação dos principais neurotransmissores de 'emoções', como a serotonina, dopamina e noradrenalina.
Ficamos lentos, sem coordenação e tontos, devido ao álcool afetar o cerebelo, responsável pelos impulsos nervosos dos movimentos finos. Altera também o Córtex cerebral, cuja função é processar as informações dos sentidos, o 'pensamento' e controlar os músculos voluntários do corpo. Por isso tendemos a ficar lentos em relação aos sentidos - visão, tato, paladar, audição e olfato - e não pensamos claramente ou com bom-senso. Alterando o hipotálamo e a glândula pituitária, influencia também o comportamento sexual e o sistema urinário. Enfraquecendo o funcionamento do hipotálamo, o controle de desempenho e excitação sexual diminui. Ou seja, o comportamento sexual aumenta mas o desempenho diminui.

A dor de cabeça: Ainda no Hipotálamo/pituitária, o etanol inibe a liberação da secreção pituitária do hormônio antidiurético (HAD) que age nos rins a fim de reabsorver a água para o corpo. Reduzindo os níveis de HAD, os rins não reabsorvem muita água, produzindo mais urina (Por isso vamos tanto ao banheiro) e deixando os órgãos e músculos com 'sede' por terem perdido água, gerando dores musculares e dor de cabeça. A famosa ressaca.

Não sou de beber muito, já que acho o gosto de qualquer bebida alcoólica ruim. Porém, tanto para desinibir como para esquecer alguém, já o foi utilizado. Minha caipirinha de maracujá é merecida tanto quando venço, como necessária, muitas vezes, quando perco.

Ao Rô, que me "ensinou e ensina" e beber, ao Fê que me protege, e ao Lex, que dança comigo, me abraça e tolera meus risos contínuos.

Por Cláudio_DeLarge

domingo, 5 de julho de 2009

"Persona"

"Possui um semblante ingênuo e infantil, mas seus olhos... são completamente malignos" - Frase de Alma, no filme PERSONA

Persona é o nome dado as máscaras utilizadas pelos atores gregos nas peças de tragédias teatrais clássicas. Tambem pode ser, na psicologia analítica de Jung, uma função psíquica relacional voltada a um mundo externo, buscando adaptação social e elaborando-se em sua relatividade frente a personalidade do indivíduo como um todo. De qualquer forma, a Persona a que se refere o título é um filme suéco de 1966 e dirigido por Ingmar Bergman, embora o título esteja diretamente interligado em suas duas outras denominações.

O filme conta a história de Alma e Elisabet. No decorrer de uma apresentação teatral da peça Electra, Elisabet emudece e opta permanecer em silêncio radicalmente. Sua analísta oferece a casa de veraneio para que descansasse juntamente com a enfermeira Alma, a qual passa a dividir todas as suas histórias, medos e solidões. Propositalmente em preto e branco, Persona, possibilita um desligamento com a realidade.

No início do filme, Alma diz que a Arte é o desespero e o aconchego dos solitários. Ao fazer Persona, Bergman nos lembra contantemente durante o filme que aquilo não é a realidade. Minha paixão pelo cinema vem diretamente pelo desligamento com a realidade e pela ilusão de ser. Bergman, friamente, nos mostra que aquilo é uma mentira e uma ilusão, queimando a pelicula, colocando a imagem de um vietnamita pegando fogo como uma verdadeira tocha humana ou com uma criança judia no beco de Varsóvia. Não há realidade e não há como fugir por muito tempo. A persona cai.

Segundo Jung, Persona é a mascara pela qual nos apresentamos e nos relacionamos com o mundo. Ou seja, construimos uma personalidade mascarada e contrária aos seus traços gerais de caráter, a fim de se proteger, defender-se e adaptar-se ao mundo. Sozinhos, temos uma Persona que apresenta-se de modo distinto. Somos verdadeiros atores diários que, ao representar vários papéis, perdemos ou desconhecemos a nossa verdadeira Persona. A Personagem Elizabet do filme decidi viver em um mundo silencioso e recluso para encontrar sua verdadeira Persona interna. Rejeitando a própria voz, não há a possibilidade de mentir e criar novas Personas que não condizem com esta sua realidade interior. Além Disso, Jung tambem aparece no filme com a representação do conceito Sombra no plano inconsciente. A Sombra constitui-se em um material rejeitado pela Persona criada pelo indivíduo e caracteriza-se como desejos, vontades, memórias e experiências. Ou seja, é um mecanismo de defesa (Freud) que um indivíduo, ao possuir determinada tendência que não condiz com a Persona que criou para si, projeta esta tendência em outra pessoa, rejeitando-a (A qual tambem pode ser a grande causa da Homofobia. ter o sentimento dentro de si, não aceitá-lo e condenar as pessoas que decidem demostrar aquilo que a sua persona rejeita demonstrar).

No Filme, Elisabet teve um filho que não queria ter, um marido que não sabe se ama e representa papéis que não acredita serem verdadeiros. Segue um diálogo do filme interessantíssimo abaixo:
- Pensa que não entendo? O inútil sonho de ser. Não parecer, mas ser. Estar alerta em todos os momentos. A luta: o que você é com os outros e o que você realmente é. Um sentimento de vertigem e a constante fome de finalmente ser exposta. Ser vista por dentro, cortada, até mesmo eliminada. Cada tom de voz, uma mentira. Cada gesto, falso. Cada sorriso, uma careta. Cometer suicídio? Nem pensar. Você não faz coisas desse gênero. Mas pode se recusar a se mover e ficar em silêncio. Então, pelo menos, não está mentindo. Você pode se fechar, se fechar para o mundo. Então não tem que interpretar papéis, fazer caras, gestos falsos… Acreditaria que sim, mas a realidade é diabólica (…).

Persona é o meu Bergman preferido junto com "O Silêncio" e o principal responsável por colocar o diretor como meu grande ídolo, junto com Kubrick e Chaplin.

As crises existenciais de Bergman fizeram-me refletir. Há duas semanas atrás relembrei a história de Alice no País das maravilhas. No meio da história, Alice encontra-se com três rapazes que estão em um chá comemorando uma Festa de Desaniversário. Confusa, Alice pergunta qual a utilidade daquela festa. Um dos rapazes prontamente responde que, comemoramos o nosso aniversário uma vez por ano e os outros 364 dias devemos comemorar o desaniversário. AChei incrivel esta concepção sobre a vida de comemorar todos os dias, sem motivo aparente. Resolvi utilizá-la em meu dia-a-dia e aconteceu algo que nunca havia acontecido...
Como já postei, Nietzshe defende a Lei do Eterno Retorno, a qual precisamos arriscar sem medo de errar. Se necessário, errar várias vezes, pois esta e a intenção da vida e nos desvia de um ciclo de mesmíces.
No sábado a tarde, sozinho em casa, converso com um colega de muito tempo que conhecia apenas virtualmente. Em questão de poucas horas, decidimos nos encontrar para almoçar .Ótima e contínua conversa, possibilitou que eu entrasse no carro dele - Acreditem, é uma imensa evolução para mim, já que acredito que todas as pessoas são assassinos em potencial que poderão me matar dolorosamente - e fomos para a casa dae sua mãe. Não sei se o que mais me impressionou foi a estante com livros excelentes (Inclusive, meu adorado Orwell com '1984' e 'Revolução dos Bichos'), a enorme coleção de CD's ou a discussão de política e filmes antigos com direito a citações de Veríssimo enquanto estavamos nús na cama. Aliás, sei exatamente o que mais me impressionou: A adorável compreensão. De qualquer forma, mesmo com 19 anos continuo tendo visões e comportamentos um tanto quanto infantis em questão de relacionamentos e, como disse meu amigo Felipe, ainda não tenho noção do poder de sensualidade que eu e meu corpo podemos ter (sick!). Dei risada do que ele falou e vocês rirão de mim agora, mas o fato de ter entrado no carro de um adorável compreensívo homem com cara de adolescente, foi um grande passo. Minhas dúvidas me fazem perder, frequentemente, o que eu poderia ganhar com o medo que eu tinha de arriscar. E, desculpe-me Einstein, mas discordo quando disseste que o Homem que não arrisca acertar, está isento de erros. O Fato de não arriscar já é um erro.

Mesmo assim, Eu e minha Persona [!] continuaremos por não entrar mais em carros alheios...

Ao menino ao qual eu descupava-me constantemente

Por Cláudio_DeLarge