sábado, 16 de maio de 2009

"Mistérios da Carne" - Comunidade LGBT, o Pink Money e os Direitos Civis

"A quantidade de preconceito que cada um de nós tem é inversamente proporcional a de inteligência." - Jefferson Luiz Malleki


Estamos em um período de lutas mundiais pelos direitos dos homossexuais. Muita coisa mudou, exceto a visão de determinados grupos - essencialmente religiosos, obviamente - sobre os nossos direitos civis. Mais do que nunca, estou com um espirito ativista sobre os meus futuros direitos. Provavelmente eu nasci gay, não sei, mas identifiquei-me como um depois de perceber que eu não fazia nada de errado. Nem aos meus olhos, aos olhos de meus familiares, ou aos olhos de Deus.
Desde 1973 que a homossexualidade deixou de ser classificada como doença pela Associação Americana de Psiquiatria e, na mesma época, foi retirada do Código Internacional de Doenças (sigla CID).
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"Pink Money"
A Parada do orgulho LGBT de São Paulo acontece desde 1996 na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo. Entrou para história em 2004, pois, segundo a organização do evento, passou a ser a maior marcha deste tipo no mundo. Durante o evento, é movimentado mais de 189 milhões de reais só no estado de São Paulo, perdendo apenas para o Carnaval Nacional, que movimenta cerca de 500 milhões de reais.
Com dez anos de existência, a Parada tornou-se o principal evento da cidade, deixando para trás até o milionário circo da Fórmula 1, segundo a São Paulo Turismo (SPTuris). As Primeiras Empresas a apostar no “Pink Money”: Apple, Álibi Turismo, IBM, TECNISA, of America, MasterCard, Pepsi, Delta Airlines.
No ano de 1997, em São Paulo, foi realizada uma pequena pesquisa de campo e detectou-se que o mercado LGBT brasileiro é parecido com o dos americanos, e que independentemente da classe social, os gays dariam muito valor à imagem, aparência e moda. A maioria dos produtos são sempre voltados para a estética e beleza. Roupas, acessórios, cosméticos, academias e baladas.

Os HOMOSSEXUAIS EM NÚMERO...
•Cerca 18 milhões de brasileiros são gays (assumidos), 10% da população;
• 30% é o que eles gastam a mais do que os héteros;
40% estão em SP, 14% no RJ, 8% em MG e 8% no RS;
• 36% são da classe A, 47% são da B e 16%, da C
• 57% têm nível superior, 40% médio e 3% ensino fundamental/
63% da população com desejos homo / bissexuais não são assumidos;
• O segmento GLBT é responsável por movimentar, no país, cerca de R$ 150 milhões.
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Adoção e Direitos Civis para Homossexuais
Na ultima quinta-feira, dia 14 de maio, em Brasília, foi lançado o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais )que é composto por 51 diretrizes, que serão transformadas em políticas de Estado. Entre elas estão a legalização do direito de adoção dos casais que vivem em parceria homoafetiva e o reconhecimento dos direitos civis de casais homossexuais.
Infelizmente, no mundo ainda há 80 países que criminalizam os atos homossexuais, podendo ser punidas com a morte. É um absurdo, provavelmente haverá alguns indivíduos infectados com o vírus do ódio homofóbico, como haverá sempre estupradores, torturadores e assassino.
O Brasil ainda aparece com uma imagem razoavelmente boa. É o país onde a homossexualidade é legal desde 1831, o que faz dele o primeiro na América do Sul a não condenar legalmente atos homossexuais, seguido por Paraguai (1880) e Argentina (1887). No Rio Grande do Sul os casais do mesmo sexo têm parte dos direitos decorrentes do casamento e São Paulo é a única da América do Sul a legalizar a adoção conjunta por casais homossexuais.
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Seminário da Faculdade (15/04/09) - Tribos Urbanas (Comunidade LGBT)
Depois de muito brigar com meus colegas de grupo, consegui convencê-los a fazermos um trabalho sobre a comunidade LGBT, e não sobre Cosplays (!?) como eles queriam (Três à favor do Cosplay, duas neutras e eu o 'contra', como sempre) na matéria Teoria da Comunicação. O objetivo do trabalho era mostrarmos a importância de determinada tribo urbana no mercado midiático e de consumo (Outros grupos Skatistas, Hippies, Emos, roqueiros, etc).
A abertura do trabalho foi a musica "Dancin' Queen" do grupo ABBA. Cada integrante do grupo vestia uma cor da bandeira do arco-iris e foi colocado uma pequena pluma na professora. Obviamente havia algumas piadinhas no decorrer do trabalho, o que me deixou meio irritado, mas o que me fez ficar extremamente indignado foi a aceitação da classe quanto a adoção e união estável por homossexuais. Cerca de 50% eram contra as duas questões. Fiquei com uma incrivel sensação de desconforto em uma sala cheia de egoistas e limitados - para não dizer BURROS.
Como mães de familias e meninas jovens como aquelas poderiam negar uma pessoa a sentir o prazer da maternidade/paternidade? Atualmente o Brasil possui cerca de 2 milhões de moradores de rua e cerca de 25 mil crianças em orfanatos só em São Paulo. Eu tenho certeza que nenhuma daquelas pessoas, se quer, visita um orfanato para dar carinho à uma criança. Quantas pessoas morreram no decorrer da revolução sexual das décadas de 70 e 80 para que estes individuos universi-otários da sala 813 pudessem usar calça jeans agarrada, ter o divorcio, direito ao trabalho, etc? E quanto a união estável? Por que negar aos homossexuais este DIREITO? O que as faz superiores dando-lhes o direito à unir-se com a pessoa amada e os homossexuais não? Eu posso garantir que caráter não é, pois à partir do momento que a orientação sexual for mais importante que o brilho dos olhos, sempre haverá discriminação, guerras e BURRICE.
E O AMOR NÃO DEVERIA INCOMODAR!


PLC 122/2006: http://plc122.blogspot.com/
Não à Homofobia: http://naohomofobia.com.br/

Cláudio_DeLarge

sábado, 9 de maio de 2009

"P.S. Eu Te amo"

"Aonde Você Estiver, Eu Sempre Estarei Por Perto"

Do Latim Post Scriptum, o P.S. indica uma informação após o término de alguma carta. No filme "P.S. Eu Te Amo" (2007), indica que o amor vai além da morte. Após a morte de seu marido (Butler), Holly (Swank) começa a receber cartas que a ajudarão a passar por este momento dificil. Baseado no livro homônimo da escritora irlandesa Cecelia Ahern, a sinopse e o título compara-se a mais uma comédia romântica descartável, mas não é isso que acontece.
Um roteiro bem elaborado (LaGravenese, roteirista de "As Pontes de Madison"), somado com uma Swank segura, um Butler lindo (não resisti), piadas inteligentes e dramas na dose certa, fazem-nos ir das lagrimas as gargalhadas rapidamente. Chorei MUITO!
Não sou fã de filmes de romance, mas seu diferencial é mostrar o quanto não damos valor aos nossos amores. Fez-me ver que a felicidade encontra-se, principalmente, nos pequenos detalhes, na espontaneidade e no saber dar valor à quem temos ao redor. Pode parecer meio mórbido, mas é necessário que nos demos conta da necessidade que temos da proximidade de certas pessoas, e no valor que devemos dar à todos, até mesmo os desconhecidos.
"P.S. Eu Te Amo" inspirou-me a escrever sobre três pessoas em especial. Um psicólogo, que chamarei de R., e a minha mãe e irmã.
Conheci R. a cerca de quinze dias. Conheci de verdade, pois nos falavamos a cerca de três meses. Sempre fui muito duro comigo mesmo em relação ao amor. Entre a Razão e a Emoção, o mais sensato era ficar com a razão, eu pensava. Isto, o verbo ao lado está no passado. No momento que eu percebia que meu peito esquentava por alguem, minha razão logo cortava. Isso durou durante quatro anos, até que um certo alguem apareceu e inspirou-me o primeiro post do Blog, o "Amor, Entre Outros Desastres". Recebi um comentário inesperado de R. A forma com que ele escreveu fez com que meu peito esquentasse. E isto aconteceu uma, duas, três vezes em cada post que eu escrevia. Pensei que estava apaixonado pelas palavras, e não pelo R. em si. Também lembrei que já tive casos amorosos (abstratos, obviamente), com Vinicius de Moraes e Gonzaguinha. O diferencial entre eles e R., é que, como o próprio Fernando Pessoa dizia, "Todo poeta é um fingidor", e R. não estava fazendo poesia, apenas estava expondo o que ele era. E o que mais me encantou foi que eu não via o corpo e o rosto de R., não me importava (Embora ele seja muito lindo, rs). Apaixonei-me pelo R. de dentro, e não o de fora. Sim, parece besteira e eu estou me sentindo um infantil por apaixonar-me, ou achar que estou, por um desconhecido. Tenho medo que, talvez ele tambem seja um fingidor... Acho que é a caxumba.
Falando nisso, ainda não me curei da caxumba, por isso a intensa quantidade de filmes que venho assistindo. É importante lembrar que a caxumba não tratada pode 'descer' aos testículos (orquite), podendo deixar-me estéril. E é dai que eu comecei a pensar na minha vontade de ser pai, e em como eu sou extremamente apaixonado e loucamente vidrado em minha familia. Minha mãe e irmã, dois exemplos de coragem e luta. Nada mais poderia representá-las do que uma Fênix. Ressurgindo das cinzas a cada derrota que sofreram, dão-me forças. Dão-me Orgulho. Eu poderia perder uma perna, ou até as duas, mas nunca agüentaria se perdesse qualquer uma delas, pois são elas o meu verdadeiro suporte. Eu sou um idiota por não conseguir demonstrar o verdadeiro amor que sinto pelas duas. Minhas mães.
Antes de morrer, meu pai deixou-nos uma frase que ficará marcada para sempre. "Aonde vocês estiverem, eu sempre estarei por perto". Desde então, somos só um.
Falei, sobre o filme, sobre como sou tonto que chora por filmes, sobre uma paixão (espero que ele pule este post. Caso leia, ele vai me achar um idiota, rs) e sobre meus dois suportes. Empolguei-me...
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FICHA TÉCNICA
Título Original: P.S. I Love You
Gênero: Romance
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Estúdio: Alcon Entertainment / Wendy Finerman Productions / Grosvenor Park Productions
Direção: Richard LaGravanese
Roteiro: Steven Rogers e Richard LaGravanese, baseado em livro de Cecelia Ahern
Nota: 7,0


P.S. Mães, Eu Te Amo.

Cláudio_DeLarge

sexta-feira, 8 de maio de 2009

"Cantando na Chuva"

"I'm singing in the rain. Just singin' in the rain.
What a glorious feeling. I'm happy again."

Cláudio, 19 anos e, atualmente, vítima de caxumba nesta idade. Solicitação médica de repouso absoluto, passei meu dia em descanso, com coca-cola, chocolate e filmes antigos, entre eles, o glorioso "Cantando na Chuva" (1952).
O título de melhor filme musical de todos os tempos é unânime para "Cantando na Chuva". E como toda regra há uma exceção, a regra de Nelson Rodrigues de que "Toda unanimidade é burra", não se aplica neste caso. Dirigido por Stanley Donen e Gene Kelly (que também protagoniza, produz e coreógrafa) e com US$ 1,9 milhão de orçamento, o musical é apaixonante, com uma história repleta de dinamismo e alegria de viver. O filme passa-se no final da década de 20 nos mostrando a transição do cinema mudo para o cinema falado. Há muitas homenagens há outros sucessos cinematográficos durante o filme. Podemos notar referências à Dick Powell e Louise Brooks, e aos filmes "A Roda da Fortuna", "O Pirata", "Os Três Mosqueteiros", "Maria Antonieta", "A Carne e o Diabo, entre outros. Chega a ser um importante registro histórico. Ao citar "O Cantor de Jazz", o primeiro filme falado da história do cinema, nos alavanca aos problemas que o mundo do cinema passava na época: problemas com as vozes /dicção dos atores, localização dos microfones, referências à atores , o abuso de atores desconhecidos para dublar famosos, a limitação dos atores em seguir um roteiro, etc.
A cena mais memorável do filme, e por que não a mais memorável do cinema, é Gene Kelly cantando e sapateando na chuva. Duas impressionntes curiosidades é que o ator estava febril ao interpretar a cena e foram necessários litros de leites a serem adicionados na água da chuva para aumentarem sua visibilidade. Tambem é importante citar a cena "Make'em Laugh" com Donald O'Connor e "Good Morning", com Dennie Reynolds. Àlias, o esforço partiu de todos. O'Connor passou uma semana no hospital devido as filmagens. As jornadas de trabalho duravam 19 horas, seis dias por semana. Anos mais tarde, O'Connor e Reynolds confessaram o medo que possuiam de Kelly, onde ouviam constantemente "Trabalhem Duro", dele. Kelly, em sua biografia, afirma que a escolha de Reynold foi "pela sua resistência em trabalhar durante horas e assimilar complicados movimentos sem dificuldade, pois não sabia dançar nem cantar muito bem". Cyd Charisse terminou as filmagens com inúmeros hematomas devido as 'pegadas' de Gene Kelly. O ator era extremamente autoritário e difícil, diziam. Identifiquei-me, rs. Ao final de sua exibição, arrecadou mais que o triplo que seu orçamento, mas não ganhou nenhuma estatueta do Oscar com suas únicas duas indicações.
A todos que apresento este filme em uma sessão pipoca em casa, a paixão é instantânea. "Moses Suposses" e "Good Morning" foram trilhas sinoras da minha pré-adolescencia e de minhas amigas. Sonhávamos em decorar os dificílimos sapateados dessas seqüencias.
O que apaixona não é a grande produção, o roteiro bem contruido ou as músicas utilizadas que são as mais famosas do cinema. O cinema clássico tem esta essência infantil e inocente. Um entretenimento sem violência, um amor sem interesse e uma comédia sem pornografia, como ocorre atualmente. É a essência do cinema, seu ápice. Quem nunca quis dançar e cantar na chuva apenas por estar feliz? Eu já tentei. :)
Nota: 10,0
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FICHA TÉCNICA
Título Original: Singin'in the Rain
Gênero: Musical
Tempo de Duração: 118 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1952
Estúdio: MGM
Direção: Gene Kelly e Stanley Donen
Roteiro: Betty Comden e Adolph Green
Preço: R$29,90

Cláudio_DeLarge

terça-feira, 5 de maio de 2009

"Não é Mais um Filme Gay"

- Cláudio, meu amigo te viu no orkut e ficou interessado em você.
- Que Legal! Qual o nome dele? Idade?
- Vinicius e tem 21 anos. Ele pediu para que eu te perguntasse uma coisa. Só que eu estou com vergonha.
- Fala logo, menina. O que é?
- Perguntou se você é ativo ou passivo.



Tive esse diálogo com uma colega de escola a três anos atrás. Na época eu tinha 16 anos e, acreditem, para mim o ativo e passivo não passavam de tipos de vozes verbais.

No mundo gay atual, o falo masculino é um objeto de reverência e referência. Homem é tudo que está a base do pênis. E tem de ser uma base musculosa, caso contrário nada feito. Obviamente há os diferenciados, não podemos generalizar, mas as experiencias que eu tive me deixaram incucado e chegay a uma conclusão: Ou todas as pessoas ao meu redor são incrivelmente taradas ou eu sou um retardado sexual. Amigos e conhecidos falam com uma naturalidade que foram à casa de fulano e consumaram o fato, ou que foram a um cantinho e a ultima coisa que a boca fez foi proferir um dialogo, ou até relatos de sexo em que deram (verbo 'dar' no sentido de 'liberar'...) em lugares inóspitos. E isso não acontece só na vida real como tambem em filmes, seriados gays, peças de teatro...

Peço desculpas pela generalização, obviamente há exceções. Porém, a comunidade GLBT ainda carrega muito o peso da contextualização do sexo. Culpado é o apóstolo Paulo de Tarso que escreveu na bíblia que Deus abominada homens que deitavam com homens, ou dos pais da revolução sexual, os hippies, ou do George Michael que foi encontrado com a boca na botija em um banheiro a alguns anos atrás. O Site de relacionamentos MANHUT resume bem o que estou falando. É uma especie de orkut onde, ao invés de colocarmos que prefirimos que os animaizinhos fiquem no zoológico, temos de responder qual a métrica de nosso pênis. Além disso, todos podemos colocar foto de nossos pênis no perfil. Eu particularmente não vejo utilidade ja que pinto é tudo igual Graças a esse estereótipo, toda vez que saio à noite, minha mãe e irmã acham que participarei de alguma orgia sexual.

Eu, estou longe de ser tão comportado quanto posso ter deixado parecer. Adoro sexo e, mesmo criticando, estou lá na academia às 22h, logo em seguida de 9h de trabalho que seguiram 5h de faculdade. Tudo isso para ganhar 10 cm de braço, conservar a barriga durinha e engrossar as coxas (Tenho que lembrar de queimar certas páginas da DOM ou da Junior)...

Bom, pode parecer demagogia, mas me excito muito mais com um cara comentando um filme antigo comigo do que tirando uma camiseta e mostrando uma barriga tanquinho na minha frente (Estão meus amigos aí para confirmar o que estou dizendo). E prefiro muito mais ouvir um "Sodomizar-te-ei"¹ do que um "Me come gostoso, cachorro"².

Continuo acreditando que todas as pessoas são assassinos em potencial que podem matar-me na hora da transa. Por isso, a não ser que você seja um cinéfilo, só farei sexo com você no terceiro encontro. Sou dificil. [?]


¹ O que me dá tezão é o uso da mesóclise, não a formalidade em si. Se preferir, use "Comer-lhe-ei".
² O certo é "Coma-me gostoso, cachorro". O verbo deve estar no imperativo com o pronome depois deste verbo.
Viu como eu sou sacana? (6) [???]

Cláudio_DeLarge

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"O Fabuloso Destino de Winnie Affonso"

São Paulo, 26 de Fevereiro de 2001
07h56min


Logo no primeiro dia de aula e eu chego atrasado. Por horas eu conversava com a minha irmã contando os temores que eu sentia pela mudança de escola. Ginásio, pré-adolescentes e educação física eram as coisas que eu mais temia na escola. A ostentação que antes eram de lápis de cor, agora seria de tênis e quantidade de flertes. Medo!
Ao entrar na sala de aula, todos já estavam conversando. Ou eram amigos desde o ano passado ou os mais 'descarados' puxaram conversa. A extroversão era a maior riqueza de um pré-adolescente.
Sentei na primeira carteira da fileira do meio. As mãos transpiravam, o peito esquentava e a respiração oscilava. Medo bobo. Logo no fundo, cinco carteiras depois, estava uma menina meio rechonchuda, cabelos super lisos, cara de desinteresse e de nome esquisito. Apaixonei e pensei "Ela vai ser a minha!".
Semanas passaram-se e, em uma primeira conversa que tivemos, empolguei-me com o Toddynho que tinha na mão e derrubei-o tudo na camiseta escolar branquissima da menina de nome esquisito. Ficamos brigados por muito tempo.
Invenções infantis, delírios juvenis e contradições da adolescência afastaram-me dela e dos meus outros futuros amores. Ficamos brigados por muito tempo. Encontrei outros amores, mas nunca a esqueci.
Uma banda de Rock Insana juntou todos os meus amores. Meu amor, minha Liberdade voltou. Até programa de TV fizemos. Até CD, banda de rock Autista, fizemos
As eventualidades responsabilidades da vida pré-adulta chamavam-nos. E nossos caminhos foram separados, mas não o destino.
A menina meio rechonchuda, cabelos super lisos, cara de desinteresse e de nome esquisito tornou-se uma menina incrivelmente linda, cabelos perfeitos, corpo delineado, olhos expressivos, abundância (rs) de simpatia e inteligência acima da média. Minha Artista, minha amiga, minha irmã e meu amor.

"If the sky that we look upon
Should tumble and fall
Or the mountains should crumble to the sea
I won't cry, I won't cry
No I won't shed a tear
Just as long as you stand, stand by me"


Jonh Lennon - Stand By Me




Um dia tive um discussão com a esta menina sobre a existência do amor. Agora eu sei que, discutir a existência do amor, era discutir a existência da própria Winnie Affonso.
Parabéns. Não pelo seu aniversário, mas por ser assim, você!
Feliz Aniversário. Amo você :)

"Moses supposes his toeses are Roses,
But Moses supposes Erroneously,
Moses he knowses his toeses aren't roses,
As Moses supposes his toeses to be!"
Gene Kelly - Cantando Na Chuva
(Dedicado a menina Liberty, seu pseudonimo do Rock Insano)
Cláudio_DeLarge

sábado, 2 de maio de 2009

"Ensaio Sobre A Cegueira"

“Se Podes Olhar, Vê. Se Podes Ver, Repara.”
Antes que eu pudesse pensar, abri os olhos. Ainda podia ver tudo nitidamente.
Estiquei meu braço para a direita e ele não estava na cama. Ele com certeza não tinha ido muito longe. Ao levantar para ir procurá-lo, deparei-me com o espelho e a imagem projetada era horrível. Cabelos grossos e sujos, barba mal feita, olheiras muito fundas e rosto pálido. Eu estava horrível. Isto não importava, todas as dezenas de pessoas da minha ala estavam, a diferença entre eu e elas é que elas não se viam. Todos eram iguais, independente da cor dos cabelos, da cor dos olhos ou da quantidade de músculos. Todos eram cegos, literalmente falando. Uma cegueira branca e leitosa.
Cheguei ao corredor. Eu já havia me acostumado com aquele cheiro fétido que penetrava em minhas narinas e provocava uma ânsia quase incontrolável. Os cegos, por não conseguirem chegar até o banheiro, faziam suas necessidades por ali mesmo. Nem mesmo se limpavam, já tinham noção da própria imúndice.
Neste cenário acontecia o sexo mais selvagem e bizarro que eu já vira. A fêmea de pernas abertas gemia quase em gritos ali no chão. O macho roncava e estocava com violência com beijos perdidos no rosto dela. Lembravam-me porcos. Ele gozou. Suor, merda, urina e gozo. Isso que se resumia o homem.
Distante cerca de cinco metros de um homem sentado no chão imundo e que comia um pedaço de pão com bolor verde, lá estava ele. Ele, quem eu amei, no passado. As calças abaixadas até o chão, agachado e olhando fixamente para o nada. Defecava. Parecia um porco. Uma lagrima caiu dos meus olhos no mesmo momento que caiu dos dele. Ele levantou-se, vestiu-se e vinha até mim, tateando uma parede com marcas de mão suja e ainda com os olhos fixos em algo que eu, vendo, não via. Engoli em seco, não sabendo se era para evitar um choro ou evitar um vômito de nojo. Sorri e disse “Limpar-te-ei”.

“Ensaio Sobre a Cegueira”, romance de 1995 do escritor José Saramago, e filmado em 2008 por Fernando Meirelles (Blindness), foi ganhador do prêmio Nobel de literatura. O verdadeiro retrato do Homo Sapiens, onde a Liberdade, Igualdade e Fraternidade estão tão distantes quanto a Ordem e o Progresso Brasileiro.
Uma cidade é atacada por uma epidemia onde todos ficam cegos, uma cegueira branca. Para evitar o contágio, o governo coloca todos os infectados em quarentena em um hospício abandonado. Apenas uma mulher não é infectada.
Se deixados à solta e sem regras, os homens depressa se transformam em animais. O que vale é o extinto de sobrevivência.
Um cego normal vê tudo preto. Enquanto o preto é ausência de cor, o branco é união de todas as cores. A Cegueira branca é uma parábola sobre termos tudo à nossa frente e não vermos nada. O ser humano vive em um estado de cegueira antes mesmo de perder a visão. É perdendo a capacidade de pré-julgar que podemos ter uma relação verdadeira com o mundo. A cura para esta cegueira é reconhecer que dependemos uns dos outros e enxergar o próximo com tolerância e amor.
É justamente nossa visão, real ou metafórica, que nos cega para o que realmente importa. Focamos no valor superficial, como a cor da pele, a orientação sexual e a etnia, o que altera nossas opiniões em função do preconceito ridículo (Afinal, todos o são) e impedem de enxergarmos o que verdadeiramente importa.
Foi necessário que as pessoas não enxergassem para que vissem. Devemos tirar nossas idiotas fantasias de homens e perceber que, para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.
Nos auto-intitulamos animais racionais por conseguirmos interpretar o que enxergamos, mas interpretamos errado e limitadamente. Podemos destruir o mundo ou o coração das pessoas que amamos. Somos nós os animais 'racionais'?

“Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem." – José Saramago, O Ensaio Sobre a Cegueira, 1995.
(Dedicado à Você)

Cláudio_DeLarge